

	{"id":2659,"date":"2017-08-27T14:42:43","date_gmt":"2017-08-27T14:42:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=2659"},"modified":"2017-08-27T14:51:15","modified_gmt":"2017-08-27T14:51:15","slug":"venezuela-um-desafio-para-o-internacionalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2017\/08\/27\/venezuela-um-desafio-para-o-internacionalismo\/","title":{"rendered":"Venezuela, um desafio para o internacionalismo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2531\" src=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/venezuela-300x81.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"81\" srcset=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/venezuela-300x81.jpg 300w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/venezuela-768x206.jpg 768w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/venezuela-1024x275.jpg 1024w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/venezuela-600x161.jpg 600w, https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/venezuela.jpg 1582w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: inherit; font-style: inherit;\">Por: Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras (PSL)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 nada mais \u00f3bvio.\u00a0Ante um ajuste que mata de fome milhares de pessoas, perante um governo burgu\u00eas que mant\u00e9m a for\u00e7a militar nas ruas durante quatro meses, assassina uma centena de jovens, submete aos tribunais militares os que\u00a0participam de saques e imp\u00f5e uma Assembleia Nacional Constituinte fraudulenta para modificar a constitui\u00e7\u00e3o e perpetuar-se no poder, a solidariedade dos revolucion\u00e1rios deve estar do lado do povo trabalhador em luta contra o ajuste e a repress\u00e3o. Mas n\u00e3o s\u00e3o poucos os lutadores que hoje, equivocadamente, se\u00a0colocam do lado do governo c\u00edvico-militar de Nicol\u00e1s Maduro, dando um aval impl\u00edcito ou declarado ao ajuste e \u00e0 repress\u00e3o. N\u00e3o me refiro aos intelectuais org\u00e2nicos do chavismo, como Atilio Bor\u00f3n, James Petras ou Claudio Katz, que consideram Maduro demasiado brando e exigem uma repress\u00e3o ainda mais feroz que a atual<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">1<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Refiro-me aos milhares de lutadores que, na Europa e Am\u00e9rica Latina, enfrentam a repress\u00e3o e a brutalidade policial ao denunciar os ajustes e solidarizar-se com as lutas dos trabalhadores, mas terminam sustentando crimes que jamais tolerariam em seus pr\u00f3prios pa\u00edses, deixando-se convencer pela falsa propaganda &#8220;anti-imperialista e socialista&#8221; da denominada boliburguesia e dos militares chavistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A organiza\u00e7\u00e3o argentina\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Frente \u00danica Esquerda Revolucion\u00e1ria-Organiza\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica Homem Novo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0publicou uma declara\u00e7\u00e3o<\/span><b>2<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">na qual se posiciona em apoio a Maduro, embora reconhecendo a &#8220;corrup\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas burocr\u00e1ticas de uma parte das c\u00fapulas do estado e do PSUV&#8221; e admitindo a continua\u00e7\u00e3o de um &#8220;modelo econ\u00f4mico\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">petrodependente<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0escassamente diversificado&#8221;, que &#8220;n\u00e3o desenvolveu uma mudan\u00e7a estrutural em novas bases econ\u00f4mico-sociais&#8221; e favoreceu o &#8220;predom\u00ednio\u00a0da propriedade privada&#8221; capitalista e a emerg\u00eancia de uma burguesia eminentemente chavista. N\u00e3o obstante, consideram que Maduro encabe\u00e7a uma luta contra a direita e o imperialismo e acreditam que o chavismo desfruta de um importante apoio popular, tendo recuperado o controle estatal do petr\u00f3leo e nacionalizado empresas estrat\u00e9gicas, ao mesmo tempo em que estimulou o controle oper\u00e1rio das f\u00e1bricas e a auto-organiza\u00e7\u00e3o em comunas populares. Argumentando que\u00a0esta &#8220;\u00e9 a experi\u00eancia mais avan\u00e7ada na Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos\u00a015 anos&#8221;, justificam o apoio a Maduro e se consideram acordes com o que chamam de &#8220;ala esquerda do chavismo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa no\u00e7\u00e3o de que estamos diante de um governo reformista, cujas conquistas sociais devem ser defendidas e que poderia ser\u00a0pressionado pela esquerda para faz\u00ea-lo avan\u00e7ar, n\u00e3o corresponde em absoluto \u00e0 realidade. Nosso prop\u00f3sito neste artigo \u00e9 chamar os companheiros a examinar as evid\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p><b>Um governo de ajuste repudiado pela maioria da popula\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje o\u00a0chavismo \u00e9 um movimento\u00a0fraturado, e o que se poderia considerar como sua &#8220;ala esquerda\u201d,\u00a0se op\u00f5e a Maduro. O governo perdeu as elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 2015, sendo derrotado inclusive em lugares que foram anteriormente basti\u00f5es do chavismo. Numerosos dirigentes sindicais e populares se afastaram do movimento e v\u00e1rios ex-ministros de Ch\u00e1vez aderiram \u00e0s fileiras da oposi\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que se op\u00f5em a Maduro in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es que reivindicam\u00a0o &#8220;chavismo cr\u00edtico&#8221;.\u00a0Em alian\u00e7a com setores da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda, funcionou durante v\u00e1rios meses uma &#8220;Plataforma do Povo em Luta e do Chavismo Cr\u00edtico&#8221; como espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria contra o governo numa perspectiva independente, realizando atos de protesto contra a repress\u00e3o e repudiando a constituinte fraudulenta. Isto reflete uma tend\u00eancia generalizada e confirmada por pesquisas recentes, que demonstram ser maior o n\u00famero de chavistas opositores que o dos apoiadores de Maduro, havendo inclusive 51 por\u00a0cento de chavistas que querem a sa\u00edda de Maduro antes do fim do mandato<\/span><b>3<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Dificilmente poderia ser de outra forma, num pa\u00eds onde a rejei\u00e7\u00e3o popular ao presidente \u00e9\u00a0superior a 82 por cento<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">4<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e o governo s\u00f3 consegue realizar marchas de apoio a Maduro recorrendo \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de empregados p\u00fablicos precarizados para explor\u00e1-los politicamente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Das conquistas sociais alcan\u00e7adas pelo movimento oper\u00e1rio e popular nada mais resta\u00a0ap\u00f3s oito anos de ajustes, entre os quais o ajuste inflacion\u00e1rio de 2014. Esta pol\u00edtica varreu tudo o que se tinha conseguido, levando o povo venezuelano a uma situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria ainda pior do que a sofrida na d\u00e9cada de 90. O sal\u00e1rio m\u00ednimo est\u00e1 em torno de 1 d\u00f3lar por dia e estima-se que 75% dos assalariados ganham menos de dois d\u00f3lares di\u00e1rios. A mortalidade materna e infantil subiu a n\u00edveis nunca vistos desde a d\u00e9cada dos 60<\/span><b>5<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. \u00a0Sem recursos para comprar alimentos, que se tornaram\u00a0escassos e caros<\/span><b>6<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, 75% dos\u00a0venezuelanos perderam peso em 2016, situa\u00e7\u00e3o que o caracter\u00edstico humor da popula\u00e7\u00e3o batizou como &#8220;a dieta de Maduro&#8221;. S\u00e3o tamb\u00e9m mortais as consequ\u00eancias da escassez de medicamentos e a desastrosa situa\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, que em 2012 atingiu\u00a0US$66 bilh\u00f5es, caiu em 2017 para cerca de US$15 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de 74% em favor do pagamento da d\u00edvida externa<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">7<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Tendo fracassado na tarefa de aproveitar a bonan\u00e7a petrol\u00edfera para diversificar o setor produtivo, Maduro\u00a0n\u00e3o s\u00f3 paga a d\u00edvida \u00e0s custas da fome de milh\u00f5es de trabalhadores como tamb\u00e9m faz nova d\u00edvida em condi\u00e7\u00f5es que comprovam o seu total entreguismo<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">8<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Enquanto isto, para cobrir o d\u00e9ficit fiscal ante a baixa do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, aumentou a emiss\u00e3o de moeda a n\u00edveis absurdos, provocando uma infla\u00e7\u00e3o de mais de 500% em 2016<\/span><b>9<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, e busca\u00a0justificar sua pol\u00edtica econ\u00f4mica criminosa com uma teoria conspiracionista que atribui a infla\u00e7\u00e3o a uma &#8220;guerra econ\u00f4mica&#8221; contra o seu governo.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pode-se afirmar, portanto, que n\u00e3o estamos diante de um governo situado a meio caminho do socialismo, o qual deveria ser apoiado criticamente e pressionado para que avance mais nessa dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata disto, e sim de um governo que aplica um ajuste criminoso a servi\u00e7o da rapinagem de Wall Street e da burguesia nacional, reduzindo \u00e0 fome a maioria da popula\u00e7\u00e3o e reprimindo com for\u00e7a militar e paramilitar as poderosas manifesta\u00e7\u00f5es do protesto popular e os saques de alimentos. E que, como blindagem diante do rep\u00fadio popular, imp\u00f5e fraudulentamente a elei\u00e7\u00e3o de uma assembleia nacional constituinte (ANC) cujos 545 membros pertencem, na sua totalidade, ao partido do governo. Esta ANC foi boicotada pela esquerda e pelo chavismo cr\u00edtico, j\u00e1 que seu prop\u00f3sito \u00e9 dissolver o parlamento, destituir o procurador geral e consolidar constitucionalmente um regime ditatorial sem liberdades democr\u00e1ticas para os trabalhadores e os setores populares.<\/span><\/p>\n<p><b>Ch\u00e1vez e Maduro, auge e decad\u00eancia de um modelo nacionalista-burgu\u00eas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O chavismo est\u00e1 no poder desde 1998. Desde ent\u00e3o, vem\u00a0administrando um estado burgu\u00eas que, para al\u00e9m das crises pol\u00edticas, garante a propriedade capitalista nacional e internacional. Nos seus primeiros anos de governo, Ch\u00e1vez enfrentou a ferrenha oposi\u00e7\u00e3o dos aparelhos nos quais anteriormente se havia apoiado a burguesia venezuelana, os partidos AD e Copei, a Igreja Cat\u00f3lica, a burocracia sindical da CTV e o sindicato patronal Fedec\u00e2maras. Exclu\u00eddos da gest\u00e3o da vultosa renda do petr\u00f3leo, estes setores\u00a0organizaram com o apoio do governo de\u00a0Bush\u00a0o golpe de\u00a0estado de 2002. Este confronto levou o chavismo a adotar uma posi\u00e7\u00e3o de relativa independ\u00eancia pol\u00edtica diante dos EUA, criticando o projeto da ALCA e rompendo rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Israel, o que foi uma conquista indiretamente resultante da derrota do golpe pela mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Foi tamb\u00e9m neste contexto que Ch\u00e1vez fez concess\u00f5es \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, como a implementa\u00e7\u00e3o de programas de assist\u00eancia social, as &#8220;Miss\u00f5es&#8221;, que lhe valeram um importante apoio popular.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir de 2005 Ch\u00e1vez passou a autodenominar-se &#8220;socialista&#8221;, atraindo com isto o entusiasmo crescente da esquerda latino-americana e mundial. No entanto, o que Ch\u00e1vez sempre garantiu acima de tudo foi que a Venezuela cumprisse seu papel de semicol\u00f4nia na economia capitalista-imperialista mundial\u00a0como provedor de petr\u00f3leo.\u00a0Criou empresas mistas com multinacionais, que receberam concess\u00f5es para explorar e comercializar o petr\u00f3leo venezuelano durante quarenta anos. Eram t\u00e3o fluentes as rela\u00e7\u00f5es entre Ch\u00e1vez e a multinacional ianque\u00a0Chevron\u00a0que,\u00a0em 2009, o presidente venezuelano solicitou ao representante da empresa para a Am\u00e9rica Latina, Ali Moshiri, que intercedesse junto a Obama para acordar uma visita do presidente ianque \u00e0 Venezuela. Ch\u00e1vez tamb\u00e9m idealizou a mega-explora\u00e7\u00e3o mineira do Arco Mineiro do Orenoco, abrangendo\u00a0uma \u00e1rea correspondente a mais de 12% do territ\u00f3rio nacional, e incluiu esse projeto no programa de governo para a sua reelei\u00e7\u00e3o em 2012. Pondo em pr\u00e1tica as diretrizes desse &#8220;Plano da P\u00e1tria&#8221;, Maduro entregou \u00e0s multinacionais Barrick Gold e Gold Reserve\u00a0concess\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto de min\u00e9rio em grande escala<\/span><b>10<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Estes setores, juntamente com o com\u00e9rcio importador e o setor financeiro, foram os grandes beneficiados pelo auge do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que em dez anos, a partir de 1998, passou de US$10,00 a US$140,00 o barril.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da parte da renda petrol\u00edfera saqueada diretamente pelas multinacionais do petr\u00f3leo, outra parte foi saqueada de modo indireto com o estabelecimento do controle cambial pelo governo, que a partir de 2003\u00a0mant\u00e9m o c\u00e2mbio artificialmente baixo, subsidiando as empresas nacionais e estrangeiras com bilh\u00f5es de d\u00f3lares para a importa\u00e7\u00e3o. Porta-vozes do governo admitem que em 2012, quando a brecha entre o c\u00e2mbio oficial e o paralelo come\u00e7ou a aumentar aceleradamente, mais de 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares estiveram vinculados \u00e0s fraudes no com\u00e9rcio importador, tendo\u00a0sido\u00a0General Motors a empresa que mais divisas baratas obteve durante esse per\u00edodo<\/span><b>11<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sendo tomadas medidas de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo, limitadas a um discurso contradit\u00f3rio, foram-se perdendo na d\u00e9cada passada\u00a0tanto as conquistas econ\u00f4micas e\u00a0sociais quanto a relativa independ\u00eancia pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2004, dias antes do referendo revocat\u00f3rio no qual Ch\u00e1vez triunfou por ampla margem de votos, realizou-se a reuni\u00e3o tripartite entre o ex-presidente ianque Jimmy Carter, o magnata Gustavo Cisneros e Ch\u00e1vez, na qual se acertaram os termos da coabita\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. Cisneros comprometeu-se a atuar politicamente dentro da margem da legalidade e Ch\u00e1vez a n\u00e3o criar obst\u00e1culos aos neg\u00f3cios do empres\u00e1rio. Este foi o modelo pol\u00edtico do chavismo nas rela\u00e7\u00f5es com a burguesia. Ficaram de fora dos neg\u00f3cios\u00a0apenas os setores que n\u00e3o aceitaram o pacto, como os propriet\u00e1rios dos canais de televis\u00e3o RCTV e Globovisi\u00f3n, cuja linha editorial estava claramente ao lado da oposi\u00e7\u00e3o de direita. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o houve novas tentativas de golpe. A maioria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o passou \u00e0s m\u00e3os de grupos empresariais afinados com o chavismo, que adotaram uma linha editorial favor\u00e1vel ao governo. Assim, deixam de ser transmitidas diretamente por r\u00e1dio ou televis\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es que h\u00e1 tr\u00eas meses sacodem o pa\u00eds, em raz\u00e3o da censura imperante e da\u00a0autocensura\u00a0imposta por essa m\u00eddia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os ataques contra o movimento oper\u00e1rio e popular se intensificaram na\u00a0medida dos pactos do chavismo com a burguesia, sendo utilizados agentes sindicais para dividir a Uni\u00e3o Nacional de Trabalhadores em 2006, e criando-se em 2007 um aparelho corporativo, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), para liquidar o processo de auto-organiza\u00e7\u00e3o popular. Em 2008, foi assassinado o presidente da Uni\u00e3o Nacional de Trabalhadores do Estado de Aragua, Richard Gallardo, e os destacados dirigentes oper\u00e1rios Luis Hern\u00e1ndez e Carlos Requena, que haviam liderado uma greve geral de trabalhadores\u00a0estatais contra o governo em apoio \u00e0 luta da empresa autogestionada Sanitarios Maracay, \u00fanica genu\u00edna experi\u00eancia de controle oper\u00e1rio e autogest\u00e3o no pa\u00eds<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">12<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Em 2009, o governo prendeu o cacique yukpa Sabino Romero, que permaneceu encarcerado durante um ano e meio por defender os territ\u00f3rios ancestrais de seu povo. Em todos esses anos, foram assassinados ou enviados \u00e0 pris\u00e3o centenas de dirigentes camponeses, oper\u00e1rios e ind\u00edgenas. E em 2015, j\u00e1 sob o governo de Maduro, os ativistas de esquerda Alcedo Mora, Esneider Vergel e Eli\u00e9cer Vergel foram v\u00edtimas de desaparecimento for\u00e7ado por denunciarem a corrup\u00e7\u00e3o, um caso at\u00e9 hoje n\u00e3o investigado. A pretexto de combater a delinqu\u00eancia, novos instrumentos repressivos, como a chamada &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Libera\u00e7\u00e3o do Povo&#8221;, favoreceram a generaliza\u00e7\u00e3o em maior escala do\u00a0terrorismo de estado. Foram\u00a0assassinados mais de mil jovens\u00a0nos bairros populares por meio de execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais em operativos policiais e militares, tendo havido tamb\u00e9m casos de desaparecimento for\u00e7ado, como em fins de 2016 de doze jovens da comunidade afrodescendente de Barlovento<\/span><b>13<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em definitivo, Ch\u00e1vez e Maduro representam dois per\u00edodos, um de auge e o outro de decad\u00eancia, do mesmo modelo nacionalista burgu\u00eas que, incapaz de realizar mudan\u00e7as de fundo, agarrando-se ao poder e j\u00e1 sem apoio popular, encontra sua \u00fanica sustenta\u00e7\u00e3o nas for\u00e7as armadas. Por isto, desde abril deste ano aplica o &#8220;Plano Zamora&#8221;, que suspende as garantias constitucionais e faz uso de tribunais militares contra centenas de pessoas detidas durante os saques e manifesta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><b>Como enfrentar a direita e o imperialismo?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por ser a Venezuela um pa\u00eds semicolonial, saqueado e dominado pelos Estados Unidos, \u00e9 fundamental para os trabalhadores\u00a0adotar uma perspectiva de luta anti-imperialista. A brutal crise econ\u00f4mica e social que sofrem as maiorias exploradas e oprimidas n\u00e3o ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o sem que sejam afetados os interesses do capital financeiro e das empresas multinacionais.\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio suspender imediatamente o pagamento da d\u00edvida externa e realizar\u00a0importa\u00e7\u00f5es emergenciais de alimentos e rem\u00e9dios. Para o\u00a0aproveitamento dos recursos do petr\u00f3leo, que seriam investidos na reforma agr\u00e1ria e na industrializa\u00e7\u00e3o, deveria ser nacionalizada a ind\u00fastria petrol\u00edfera e afastada\u00a0a Chevron e as demais\u00a0empresas multinacionais, medidas que nem\u00a0o chavismo nem a oposi\u00e7\u00e3o patronal est\u00e3o dispostos a tomar. O que Maduro demonstra na pr\u00e1tica \u00e9 que, para resguardar os interesses dos credores financeiros e das grandes empresas do petr\u00f3leo, est\u00e1 disposto a matar tanta gente quanto julgue necess\u00e1rio, seja pela fome ou pelas balas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Maduro excedeu o seu pr\u00f3prio servilismo quando, atrav\u00e9s da filial petrol\u00edfera Citgo, empresa cem por cento estatal, doou 500 mil d\u00f3lares para a cerim\u00f4nia de posse de Trump e 625 mil para a celebra\u00e7\u00e3o do 4 de julho em Houston, al\u00e9m de pagar 300 mil d\u00f3lares \u00e0 empresa de lobby Avenue Strategies,\u00a0ligada a Trump, para que intercedesse junto ao presidente ianque. Uma verdadeira humilha\u00e7\u00e3o para um povo que padece o rigor do ajuste inflacion\u00e1rio. N\u00e3o podemos deixar de lembrar o Che Guevara, quando afirma, numa frase que se aplicaria bem\u00a0\u00e0 boliburguesia, que as burguesias nacionais n\u00e3o s\u00e3o mais que o vag\u00e3o traseiro do imperialismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obviamente, tampouco \u00e9 uma alternativa a\u00a0coaliz\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o patronal, a MUD, integrada por um leque de\u00a0partidos que abarca desde o centro-esquerda at\u00e9 a direita. Se\u00a0conseguiram capitalizar o voto castigo, que puniu massivamente o governo de Maduro em dezembro de 2015, isto se deu somente em raz\u00e3o do \u00f3dio popular ao ajuste e \u00e0 repress\u00e3o. Durante todo\u00a0o ano de 2016 a MUD buscou o di\u00e1logo com o governo, n\u00e3o obstante a anula\u00e7\u00e3o do\u00a0parlamento, apostando em negocia\u00e7\u00f5es patrocinadas pelo Vaticano e a Unasur. Esse di\u00e1logo culminou com a assinatura pela MUD de um documento que deu um aval a todas as exig\u00eancias disparatadas do governo, entre as quais uma reivindica\u00e7\u00e3o territorial contra a Guiana originada no s\u00e9culo XIX, \u00e0 \u00e9poca do dom\u00ednio brit\u00e2nico<\/span><b>14<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Isto demonstra que durante todo esse tempo os articuladores do imperialismo ianque n\u00e3o tentaram derrotar Maduro, mas conseguir um acordo para uma sa\u00edda eleitoral dentro das regras da legalidade burguesa. A MUD, ap\u00f3s quatro meses de intensos protestos populares e uma repress\u00e3o raramente vista, continua negociando com o governo, com a media\u00e7\u00e3o do Vaticano e do presidente espanhol Rodr\u00edguez Zapatero. A isto se acrescenta que os Estados Unidos\u00a0descartaram, entre as formas de press\u00e3o diplom\u00e1tica\u00a0contra Maduro, a aplica\u00e7\u00e3o de medidas\u00a0como a suspens\u00e3o da Venezuela da OEA<\/span><b>15<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Por enquanto,\u00a0a pol\u00edtica de Trump mant\u00e9m a mesma linha de Barack Obama, ao anunciar o confisco de contas banc\u00e1rias e propriedades de altos funcion\u00e1rios venezuelanos nos EUA, n\u00e3o havendo not\u00edcia de que se tenha realizado\u00a0nenhum confisco at\u00e9 o momento. Sem\u00a0exagero nem falsifica\u00e7\u00f5es, a oposi\u00e7\u00e3o de esquerda sempre se op\u00f4s \u00e0 inger\u00eancia dos Estados Unidos e da OEA na Venezuela<\/span><b>16<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um problema central que ajuda a compreender a orienta\u00e7\u00e3o dos distintos atores pol\u00edticos na Venezuela \u00e9 o da d\u00edvida externa. Maduro optou por cumprir a qualquer custo todos os prazos da d\u00edvida, cortando unilateralmente o consumo e as importa\u00e7\u00f5es, intensificando a entrega de recursos naturais e criando zonas econ\u00f4micas especiais para a implanta\u00e7\u00e3o de empresas montadoras. A MUD n\u00e3o contesta estas formas de superexplora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e dos trabalhadores venezuelanos. Simplesmente acrescenta ao seu receitu\u00e1rio antipopular e anti-oper\u00e1rio a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas. Contrariamente a isto, o que o PSL e a oposi\u00e7\u00e3o de esquerda defendem\u00a0\u00e9 um programa econ\u00f4mico alternativo\u00a0que inclua o n\u00e3o pagamento da odiosa d\u00edvida externa contra\u00edda contra a vontade do povo venezuelano e no puro interesse dos corruptos e capitalistas, e medidas como a nacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera, uma reforma agr\u00e1ria para reabilitar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a recupera\u00e7\u00e3o das empresas b\u00e1sicas da Guiana sob a gest\u00e3o\u00a0democr\u00e1tica de seus trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p><b>Resgatar o internacionalismo<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apoiar Maduro hoje\u00a0significa respaldar o principal executante de uma pol\u00edtica entreguista que favorece o imperialismo. N\u00e3o lutar contra Maduro significa abandonar \u00e0 MUD o espa\u00e7o pol\u00edtico representado pela enorme e amplamente majorit\u00e1ria oposi\u00e7\u00e3o popular e oper\u00e1ria ao governo. Se quiser vencer esse desafio hist\u00f3rico, a esquerda latino-americana deve reconhecer a legitimidade da rebeli\u00e3o popular e das centenas de saques e protestos espont\u00e2neos nos bairros pobres de Caracas e nas cidades do interior, a\u00e7\u00f5es condenadas pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa da MUD, cujos pol\u00edticos est\u00e3o preocupados em preservar uma ordem capitalista corro\u00edda pela crise. O exemplo a seguir \u00e9 o de organiza\u00e7\u00f5es como a Fejuve boliviana que, com sua grande tradi\u00e7\u00e3o de luta revolucion\u00e1ria, se pronunciou contra o governo de Maduro e a favor dos trabalhadores venezuelanos<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">17<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, mas \u00e9 tamb\u00e9m a declara\u00e7\u00e3o do Psol do Rio de Janeiro descartando qualquer apoio a Maduro<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">18<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0e o dos companheiros argentinos\u00a0da Esquerda Socialista, que realizaram um importante ato de apoio aos trabalhadores venezuelanos em frente \u00e0 embaixada da Venezuela.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O triunfo da mobiliza\u00e7\u00e3o popular \u00e9 a \u00fanica via para barrar a consolida\u00e7\u00e3o da ditadura de\u00a0Maduro ou a transi\u00e7\u00e3o a um &#8220;governo de unidade nacional&#8221;\u00a0pactuada entre a MUD e setores do chavismo a fim de garantir a continuidade do ajuste. Ainda que n\u00e3o chegasse a impor um governo dos trabalhadores, uma rebeli\u00e3o triunfante, como foi o Argentinazo, mudaria a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em favor dos setores populares, abrindo um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular e favorecendo, ao mesmo tempo, a luta por melhoras concretas na condi\u00e7\u00e3o de vida dos trabalhadores e do povo pobre. Esta \u00e9 hoje a quest\u00e3o crucial na Venezuela. O povo venezuelano, se quiser triunfar, dever\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 derrotar o terrorismo de estado e uma oposi\u00e7\u00e3o patronal inimiga dos trabalhadores, mas tamb\u00e9m encarar a batalha sem contar com fortes organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares, destru\u00eddas pela repress\u00e3o ou cooptadas pelo chavismo. Dever\u00e1, al\u00e9m disto, lutar em situa\u00e7\u00e3o de isolamento, diante da quase total aus\u00eancia de solidariedade das organiza\u00e7\u00f5es sociais e da esquerda latino-americana.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tradi\u00e7\u00e3o do internacionalismo, cujo princ\u00edpio \u00e9\u00a0a fraternidade entre os trabalhadores e oprimidos de todos os pa\u00edses contra os seus exploradores, \u00e9 uma das bases fundamentais da esquerda revolucion\u00e1ria. A degenera\u00e7\u00e3o chauvinista e &#8220;campista&#8221; alimentada pelos nacionalismos e o estalinismo corromperam grande parte da esquerda no s\u00e9culo XX. Vimos recentemente casos extremos, como o apoio de setores da esquerda ao ditador fascista Assad, da S\u00edria, ou ao direitista Putin, presidente da R\u00fassia, sob o pretexto da luta contra o imperialismo. O mesmo acontece no caso de Maduro, com a dif\u00edcil conjuntura venezuelana pondo novamente \u00e0 prova princ\u00edpios da esquerda revolucion\u00e1ria como o internacionalismo e a independ\u00eancia de classe. Numa perspectiva otimista, s\u00f3 cabe esperar que o refluxo da chamada &#8220;onda rosa&#8221; de governos pseudo-progressistas e a agud\u00edssima degenera\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia chavista permitam aos revolucion\u00e1rios tirar as conclus\u00f5es certas e caminhar para a unidade no lado das lutas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Notas:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">1.- Ver, \u201cVenezuela y la guerra civil\u201d de Atilio Bor\u00f3n, 23 de mayo de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/www.atilioboron.com.ar\/2017\/05\/venezuela-y-la-guerra-civil.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www.atilioboron.com.ar\/2017\/05\/venezuela-y-la-guerra-civil.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">); \u201cJames Petras: Maduro no debe permitir que siga actuando esta oposici\u00f3n militarizada\u201d, 11 de junio de 2017 (<\/span><a href=\"https:\/\/www.aporrea.org\/actualidad\/n309836.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.aporrea.org\/actualidad\/n309836.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) y \u201cLa izquierda frente a Venezuela\u201d, de Claudio Katz\u201d (<\/span><a href=\"https:\/\/www.aporrea.org\/actualidad\/a247569.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.aporrea.org\/actualidad\/a247569.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">), 12 de junio de 2017.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">2.- \u201cProfundizar la lucha contra la derecha y el imperialismo\u201d, 8 de junio de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/frenteunico-hn-ir.org\/2017\/06\/08\/venezuela-profundizar-la-lucha-contra-la-derecha-y-el-imperialismo\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/frenteunico-hn-ir.org\/2017\/06\/08\/venezuela-profundizar-la-lucha-contra-la-derecha-y-el-imperialismo\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">3.- Vanessa Davies, periodista y ex dirigente del PSUV, \u201cEncuesta revela que hay m\u00e1s chavistas descontentos que chavistas maduristas\u201d, 13 de julio (<\/span><a href=\"https:\/\/www.aporrea.org\/ideologia\/n311420.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.aporrea.org\/ideologia\/n311420.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4.- \u201cEn el mes de julio cay\u00f3 a 17,4 % el nivel de aprobaci\u00f3n del presidente Nicol\u00e1s Maduro, seg\u00fan el m\u00e1s reciente sondeo de la firma encuestadora Datan\u00e1lisis, se\u00f1al\u00e1ndose que este nivel de popularidad es el m\u00e1s bajo para un presidente desde el a\u00f1o 1990 (en Venezuela)\u201d, \u201cPopularidad de Maduro cae en julio\u201d, 2 de agosto de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/www.elimpulso.com\/home\/popularidad-maduro-cae-julio\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www.elimpulso.com\/home\/popularidad-maduro-cae-julio<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5.- Ver \u201cLas mujeres venezolanas no est\u00e1n solas\u201d, Ingrid Luciano, 15 de mayo de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/laclase.info\/content\/las-mujeres-venezolanas-no-estan-solas\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/laclase.info\/content\/las-mujeres-venezolanas-no-estan-solas\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">6.- Ver \u201c93% de los venezolanos compra la mitad o menos de los alimentos que necesita\u201d, Alicia Aguilar, 4 de julio de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/efectococuyo.com\/economia\/93-de-los-venezolanos-compra-la-mitad-o-menos-de-los-alimentos-que-necesita\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/efectococuyo.com\/economia\/93-de-los-venezolanos-compra-la-mitad-o-menos-de-los-alimentos-que-necesita<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">7.- Ver \u201cVenezuela paga la deuda a costa de un recorte cada vez mayor de importaciones\u201d, Mayela Armas, 8 de mayo (<\/span><a href=\"http:\/\/laclase.info\/content\/venezuela-paga-la-deuda-a-costa-de-un-recorte-cada-vez-mayor-de-importaciones\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/laclase.info\/content\/venezuela-paga-la-deuda-a-costa-de-un-recorte-cada-vez-mayor-de-importaciones\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">8.- Ver \u201cEl BCV vendi\u00f3 a Goldman Sachs bonos de Pdvsa con un 69% de descuento\u201d, Laclase.info, 29 de mayo de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/laclase.info\/content\/the-wall-street-journal-goldman-sachs-compro-bonos-de-pdvsa-con-un-69-de-descuento\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/laclase.info\/content\/the-wall-street-journal-goldman-sachs-compro-bonos-de-pdvsa-con-un-69-de-descuento\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">9.- Ver \u201cCausas reales de la inflaci\u00f3n. La crisis y la alocada emisi\u00f3n de dinero\u201d, Manuel Sutherland, \u00a029 de marzo de 2016 (<\/span><a href=\"https:\/\/alemcifo.wordpress.com\/2016\/03\/29\/causas-reales-de-la-inflacion-la-crisis-y-la-alocada-emision-de-dinero-vzla-al-eeuu\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/alemcifo.wordpress.com\/2016\/03\/29\/causas-reales-de-la-inflacion-la-crisis-y-la-alocada-emision-de-dinero-vzla-al-eeuu\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">10.- Ver \u201cLevantemos un gran movimiento contra el saqueo del Arco Minero del Orinoco\u201d, Armando Guerra, 27 de agosto de 2016 (<\/span><a href=\"https:\/\/laclase.info\/content\/25220\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/laclase.info\/content\/25220\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">11.- Ver \u201cConozca las empresas a las que Cadivi les autoriz\u00f3 m\u00e1s de 300 millones de d\u00f3lares\u201d, YVKE Mundial, emisora radial estatal, 17 de noviembre de 2013 (<\/span><a href=\"https:\/\/www.aporrea.org\/actualidad\/n240073.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.aporrea.org\/actualidad\/n240073.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">12.- Ver \u201cLa masacre de la Encrucijada\u201d, Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras, 27 de noviembre de 2014 (<\/span><a href=\"http:\/\/laclase.info\/content\/la-masacre-de-la-encrucijada\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/laclase.info\/content\/la-masacre-de-la-encrucijada\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">13.- Ver \u201cDetenci\u00f3n-desaparici\u00f3n forzada y ejecuci\u00f3n sumaria de 12 j\u00f3venes en Barlovento no debe quedar impune\u201d, Red de apoyo por la justicia y la paz, ONG chavista de DDHH, 27 de noviembre de 2016\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/reddeapoyo.org.ve\/detencion-desaparicion-forzada-y-ejecucion-sumaria-de-12-jovenes-en-barlovento-no-debe-quedar-impune\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/reddeapoyo.org.ve\/detencion-desaparicion-forzada-y-ejecucion-sumaria-de-12-jovenes-en-barlovento-no-debe-quedar-impune\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">14.- Ver \u201cVenezuela: en qu\u00e9 consiste el acuerdo anunciado en el di\u00e1logo entre gobierno y oposici\u00f3n y por qu\u00e9 caus\u00f3 pol\u00e9mica\u201d 13 de noviembre de 2016 (<\/span><a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-america-latina-37965250\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-america-latina-37965250<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">15.- Ver \u201cEU descarta suspensi\u00f3n inmediata de Venezuela de OEA\u201d, 28 de marzo de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/www.jornada.unam.mx\/ultimas\/2017\/03\/28\/eu-descarta-201csuspension-inmediata201d-de-venezuela-de-oea\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www.jornada.unam.mx\/ultimas\/2017\/03\/28\/eu-descarta-201csuspension-inmediata201d-de-venezuela-de-oea<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">16.- Ver \u201cEl Partido Socialismo y Libertad rechaza amenazas del imperialismo norteamericano y la UE\u201d, 20 de julio de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/laclase.info\/content\/el-partido-socialismo-y-libertad-rechaza-amenazas-del-imperialismo-norteamericano-y-la-ue\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/laclase.info\/content\/el-partido-socialismo-y-libertad-rechaza-amenazas-del-imperialismo-norteamericano-y-la-ue\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">17.- Ver \u201cFejuve de El Alto, Bolivia, se solidariza con lucha del pueblo venezolano contra Maduro\u201d, 11 de mayo de 2017 (<\/span><a href=\"http:\/\/laclase.info\/content\/fejuve-de-el-alto-bolivia-se-solidariza-con-lucha-del-pueblo-venezolano-contra-maduro\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/laclase.info\/content\/fejuve-de-el-alto-bolivia-se-solidariza-con-lucha-del-pueblo-venezolano-contra-maduro\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">18.- Ver \u201cEl PSOL-RJ est\u00e1 con el pueblo de Venezuela, no con el gobierno de Maduro\u201d, 2 de agosto de 2017 \u00a0(<\/span><a href=\"http:\/\/laclase.info\/content\/el-psol-rj-esta-con-el-pueblo-de-venezuela\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/laclase.info\/content\/el-psol-rj-esta-con-el-pueblo-de-venezuela\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras (PSL) N\u00e3o h\u00e1 nada mais \u00f3bvio.\u00a0Ante um ajuste que mata de fome milhares de pessoas, perante um governo burgu\u00eas que mant\u00e9m a for\u00e7a militar nas ruas durante quatro meses, assassina uma centena de jovens, submete aos tribunais militares os que\u00a0participam 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