Juros altos para o povo, lucros para os banqueiros

Danilo Bianchi e Rosi Messias – Coordenação da CST

O Comitê de Política Monetária (COPOM), agora sob comando de Gabriel Galípolo — indicado pelo governo Lula-Alckmin para presidir o Banco Central — anunciou um novo aumento da taxa básica de juros, elevando-a para 15% ao ano, ficando em terceiro lugar no ranking mundial, só ficando atrás da Turquia e Rússia. Essa medida representa um duro golpe na vida da classe trabalhadora, pois encarece ainda mais o crédito, elevando os juros de empréstimos, cartões de crédito e do cheque especial, aprofundando o endividamento das famílias brasileiras.

Enquanto os bilionários e os bancos comemoram, pois são os principais beneficiários da alta dos juros, o governo segue operando cortes orçamentários através de contingenciamentos. Essa política de aumento dos juros fez com que a Dívida Pública chegasse a R$ 7,6 trilhões, uma alta de 1,44%.   Enquanto isso áreas sociais essenciais como saúde, educação, moradia e infraestrutura estão sendo asfixiadas financeiramente, comprometendo o atendimento à população mais pobre. Esses cortes são justificados pela necessidade de “cumprir metas fiscais”, enquanto se preservam privilégios de cima.

Para piorar, o Congresso Nacional — com ampla maioria composta por parlamentares aliados ao governo — rejeitou a proposta de aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para grandes fortunas e instituições financeiras, uma medida que poderia gerar receitas importantes sem pesar sobre os mais pobres. Ao mesmo tempo, esse mesmo Congresso articula o aumento do número de deputados e do fundo eleitoral, desviando mais recursos públicos para sustentar os velhos partidos e suas estruturas, em meio a uma grave crise social e à disparada do custo de vida.

Lutar pela taxação dos bilionários!

Diante desse cenário, é urgente uma ampla mobilização para fazer com que os ricos paguem pela crise, que os bilionários do país sejam taxados e que esses recursos sejam destinados para a saúde e educação públicas. Nós da CST defendemos que as centrais sindicais rompam com a passividade. Não basta declarar oposição à política de juros altos: é necessário organizar a luta. Um dia nacional de mobilização deve ser convocado imediatamente, as centrais sindicais, como a CUT e a CTB e movimentos sociais como o VAT e as grandes federações devem unificar as categorias em defesa da redução da taxa Selic, da taxação dos bilionários, do fim do arcabouço fiscal para garantir o aumento dos investimentos públicos e dos direitos sociais. Ao mesmo tempo temos que defender o não pagamento da dívida pública, que hoje consome mais da metade do orçamento para o bolso dos banqueiros.  Só com luta nas ruas será possível inverter essa lógica que prioriza os lucros e sacrifica o povo.