Massivas rebeliões da Geração Z no Nepal e Indonésia inspiram a juventude trabalhadora

Por Isadora Bueno – Educação da USP e Rosana Pires – Pedagogia na Univesp

Os jovens nascidos entre 1997 e 2012 – que hoje têm entre 13 e 28 anos – foram a vanguarda em várias mobilizações dos últimos anos. Aqui no Brasil, foi a nossa geração que se revoltou nas jornadas de junho em 2013, ocupou as escolas em 2015 e construiu o imenso tsunami da educação em 2019 contra o governo Bolsonaro. Somos
ponta de lança nas lutas feministas, LGBTs e do movimento negro em todo o mundo. É
também essa juventude que está à frente das lutas pela Palestina, construindo atos de
rua, acampamentos gigantescos em universidades e a própria Flotilha; exemplo são as
lideranças Mahmoud Khalil e Greta Thunberg, respectivamente. As mobilizações em Sri
Lanka em 2022 e Bangladesh no ano passado, também foram construídas pela juventude.

Isso tudo porque somos atravessados pela mais profunda crise da história do capitalismo. Nossa geração sabe que não há perspectivas para nós nesse sistema! Agora, as grandes mobilizações no Nepal e Indonésia expressam essa revolta com as
profundas desigualdades e a potência de radicalização pelo empobrecimento brutal dos trabalhadores causado pela exploração cada vez mais voraz dos jovens para gerar mais lucros para os parasitas dos governos e da burguesia.

“O indispensável é lutar com raiva para triunfar”

Leon Trotsky, dirigente da Revolução Bolchevique de 1917, defendia o papel essencial da juventude nas lutas e da raiva que nos move. Essa raiva se evidenciou na Indonésia: desde o dia 25 de agosto, os protestos se espalharam pela indignação com os auxílios-moradia dos parlamentares. A partir da capital, Jacarta, a luta alcançou 32 das 38 províncias do país com episódios de saque e incêndio nas casas de congressistas.

A grande questão dos jovens, principalmente advindos do movimento estudantil, foi a prioridade orçamentária do governo Prabowo Subianto, presidente de extrema direita, acusado de sucessivas violações aos Direitos Humanos em sua vida militar. Enquanto os salários e auxílios dos parlamentares aumentaram, o governo anunciou o corte de um quarto do orçamento para 2026, o que levaria ao pior orçamento da década para as áreas sociais. A cobrança de impostos e a violência das Forças Armadas também foram elementos que impulsionaram a raiva e a luta.

No Nepal, de 8 a 13 de setembro, a raiva foi alimentada pela ordem para que fossem desligadas 26 redes sociais, emitida pelo governo de frente ampla de Ram Chandra Poudel. Eles alegavam que se tratava de uma forma de evitar as fake news, mas os jovens ressaltam que, na verdade, era uma tentativa de censurar as críticas pela corrupção.

Rapidamente, os protestos organizados pelo Discord e Instagram, passaram a questionar as profundas desigualdades no país e os privilégios para poucas famílias que se mantêm no poder. Os jovens incendiaram casas de políticos e os confrontos
levaram a 72 mortes. Através da exigência dos manifestantes, o primeiro-ministro do
país foi destituído (com a hashtag #ByeNeppoBeby) e pelo Discord votaram numa primeira-ministra interina, Sushila Karki, magistrada reconhecida pela luta contra a monarquia e corrupção, vinda de uma família de agricultores.

One Piece e a bandeira internacional da luta pelos oprimidos e explorados

One Piece é um anime criado por Eiichiro Oda, no qual um pirata que estica junto com sua tripulação pirata estão em busca de um tesouro. Durante suas viagens, Luffy e seu bando libertam países de governos autoritários e corruptos e declaram guerra contra o governo mundial. Um governo que se mantém dos impostos de países que sofrem com a pobreza de seu povo. A bandeira pirata de Luffy virou símbolo de liberdade e luta da juventude no Nepal, Filipinas, Indonésia e já apareceu até na França.

Empunhar a bandeira dos “chapéus de palha”, unidos pelas dores e sonhos de um mundo melhor, passa a mensagem da luta dessa geração contra os governos capitalistas e seus privilégios. Nós da Juventude Vamos à Luta entendemos que a saída para nós é a mobilização e achamos importante a mensagem de Luffy pela libertação dos povos, que, além da raiva, precisa encontrar um lugar para se organizar. Por isso, chamamos você, jovem indignado, a lutar conosco e organizar sua indignação com a juventude do socialismo e da revolução!

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