Após a farsa da COP30: Lutar contra a catástrofe ambiental e construir uma esquerda independente | Combate Socialista Nº 210

Após a farsa da COP30: Lutar contra a catástrofe ambiental e construir uma esquerda independente

A COP30, apresentada como palco para conter a destruição ambiental, apenas confirmou o que povos da floresta e movimentos socioambientais já denunciavam: uma farsa a serviço do “capitalismo verde” Dialogamos aqui com trabalhadores e jovens que confiam em Lula e na frente ampla, para explicar por que criticamos a conciliação de classes de PT, PCdoB, REDE e PSOL.

Em Belém, não houve compromisso real com o clima: a COP virou um balcão de negócios entre governos e multinacionais para transformar a catástrofe climática em lucro.

Enquanto isso, o governo Lula, sob o verniz da “sustentabilidade”, , expande o extrativismo das petroleiras, reforça o controle empresarial dos rios e mercantiliza a própria ideia de preservação com os créditos de carbono. Tudo isso protegido pelas Forças Armadas sob GLO, decretada por Lula para Belém.

Governo Lula: discurso verde, prática antiambiental

Enquanto discursava na COP sobre defesa ambiental, o governo Lula tomava decisões na direção oposta. A liberação da exploração de petróleo na costa do Amapá evidencia essa contradição: Lula ignorou a resistência dos povos indigenas e os alertas de pesquisadores, ambientalistas e sindicatos petroleiros combativos.

Somado a isso, o decreto de privatização dos rios transforma esses territórios em corredores de negócios para o agronegócio, sojeiros, multinacionais e o hidronegócio. Tapajós, Madeira e Tocantins tornam-se alvos de projetos que aprofundam o racismo ambiental contra povos indígenas e ribeirinhos. Não são erros isolados. O governo Lula não está em disputa: quando o lucro fala mais alto, ele fica com o capital. Apresenta-se como de esquerda, mas atende às demandas dos grandes empresários. Essa conciliação, em nome da “governabilidade” , entrega nossos rios e biomas aos negócios do capitalismo verde. A frente ampla, aliada de patrões e multinacionais, não enfrenta até o fim o negacionismo da extrema direita e sustenta um programa ecocapitalista que não nos representa.

Seguir o exemplo dos povos Munduruku e Arapiuns!

Diante dos ataques do governo Lula, cresce a necessidade de resistência, sem ilusões em falsos diálogos ou acordos de gabinete. O exemplo dos povos Munduruku e Arapiuns é emblemático: luta ancestral de 525 anos, organização combativa e a defesa radical do território mostram como enfrentar a privatização dos rios e as políticas de destruição ambiental. Eles demonstram que não há negociação possível com projetos que destroem rios, matas e vidas para garantir lucro de multinacionais e sojeiros golpistas.

Os Mundurukus e Arapiuns ensinam que a defesa da Amazônia e dos povos indígenas não virá das cúpulas internacionais, nem de governos aliados ao capital, mas da auto-nomia, da organização combativa, da independência em relação aos governos e instituições imperialistas, da mobilização e da solidariedade entre os de baixo.

Nós da CST participamos ativamente do apoio às mobilizações Munduruku, Arapiuns e de outras nações do baixo Tapajós. Exigimos que CUT, CTB, UNE, MST, MTST e APIB organizem uma jornada nacional de lutas pelas pautas ambientais. Foi a mobilização que garantiu novas demarcações de terras indí-genas, prova de que só a luta muda a vida.

Construir uma esquerda independente

Ao lado da luta unificada, é urgente construir no Brasil um bloco de esquerda independente, radical no combate à extrema direita e aos ataques aos direitos sociais, democráticos e ambientais. Precisamos de uma esquerda que não se subordine ao governo Lula e suas contrarreformas ambientais, nem entregue nossos direitos.

Isso significa fazer o oposto do que fizeram as lideranças de PSOL e REDE no governo. Sonia Guajajara, Guilherme Boulos e Marina Silva, usaram seu prestígio na luta social e na esquerda, para conter as mobilizações dos dos Mundurukus e Arapiuns, apresentando propostas de conciliação que, na prática, serviam para desmobilizar a luta.

O que precisamos é de uma esquerda diferente, capaz de enfrentar as petroleiras, os sojeiros, o agronegócio e as multinacionais. Uma esquerda que lute pela revogação do decreto de privatização dos rios, contra a exploração de petróleo no Amapá e pela demarcação imediata das terras indígenas. E que esteja presente nas lutas da classe trabalhadora, como a mobilização contra a reforma administrativa e pelo cumprimento dos acordos dos técnicos administrativos das universidades.

Precisamos construir uma saída política que dê voz e força às lutas em curso. A CST defende a formação de um bloco de esquerda independente dos patrões, capaz de expressar politicamente a combatividade dos Mundu-rukus e Arapiuns. Nessa mesma direção se colocam lideranças independentes como Plínio de Arruda Sampaio Jr., Renato Cinco e Dirlene Marques. Não somos os únicos. Por isso, é fundamental avançar numa convergência de ideias e ações com UP, PCBR, PSTU, MRT e SoB, unificando forças para enfrentar o capitalismo verde, o agronegócio, as petroleiras e a extrema direita.

A CST é uma organização socialista revolucionária independente, seção no Brasil da UIT-QI, que luta por um governo da classe trabalhadora e um brasil socialista, e que confia na força da classe trabalhadora e dos povos indígenas para derrubar o projeto de destruição ambiental.

O caminho por agora é um trabalho conjunto em unidade de ação, construindo uma frente. Ninguém por si só tem forças suficientes para resolver os problemas da esquerda brasileira. Por isso a unidade é uma necessidade.

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