Greve dos correios: Categoria ecetista derrotou os ataques do governo Lula
Por Combate Sindical
A greve dos trabalhadores e trabalhadoras dos correios, que ocorreu na segunda quinzena de dezembro, conseguiu derrotar os ataques do governo Lula e da direção da empresa contra a categoria ecetista do ponto de vista da sua proposta de ACT 2025/2026 para os trabalhadores que significava um retrocesso em termos de pagamento e benefícios. Além disso, o governo ainda pediu a abusividade da greve, um absurdo onde também não obteve êxito.
Foi uma campanha salarial que durou 5 meses e que teve como norte a tentativa de fazer pagarmos a conta da crise criada pelo próprio governo na estatal. Apesar das direções sindicais, a força da base da categoria conseguiu impedir uma derrota. O fato de que a greve ocorreu no mesmo momento em que os petroleiros e petroleiras realizavam uma greve ajudou a dar mais força para a nossa luta.
A forma como se desenrolou a campanha salarial é um alerta do que vai acontecer em 2026 com a imposição de um plano de reestruturação que visa demitir 15 mil empregados, fechar 1000 agências , remodelar o plano de saúde aumentando os custos para os trabalhadores, reduzir cláusulas do ACT e negar até o reajuste salarial. A luta tem que continuar para o cumprimento do acordo e para derrotar os ataques.
Queremos ainda reivindicar os esforços que nós da oposição Combate fizemos para unificar com os petroleiros que também estavam em greve contra os ataques do governo Lula e pela prioridade que deveria ser dada aos trabalhadores e não aos acionistas. Essa greve também foi um diferencial na conjuntura política desse final de ano.
O papel de Lula e da frente ampla: uma reflexão importante
Essa greve trouxe uma reflexão importante sobre o papel do governo Lula na pauta dos trabalhadores. A categoria ecetista foi fundamental nas lutas contra o governo Bolsonaro e na derrota eleitoral da extrema direita. Mas recebeu em troca ataques do governo Lula.
A forma como a frente ampla tratou a greve foi inaceitável pedindo, via TST, 100% de presença nas unidades e a própria abusividade do movimento paredista repetindo uma postura antissindical de vários governos, inclusive da velha direita a da extrema direita. Lula chegou a declarar durante a greve que defendia a abertura de capital dos correios, que na prática é entregar uma parte da empresa para a iniciativa privada.
No ACT a sua proposta era retirar a gratificação de férias, acabar com o pagamento de 200% no trabalho em dia de repouso, aumentar o custo do plano de saúde para os trabalhadores, o fim do ponto pelo regime de exceção e reajuste salarial sem o retroativo a agosto com pagamento apenas em abril.
Na apresentação da sua defesa no julgamento do dissídio, além dessas propostas rebaixadas, a advogada do governo chegou a culpar os grevistas pela redução de receita querendo jogar mais uma vez a crise nas nossas costas, além de criminalizar o movimento.
A conclusão que podemos fazer é que o governo Lula não conseguiu impor de conjunto o que queria, por isso saiu derrotado do julgamento. A manutenção de cláusulas fundamentais e o pagamento retroativo do reajuste salarial de 5,1% e dos benefícios a partir de agosto( nossa data base) e acordo anual significou avanços importantes diante da intransigência do governo.
A reflexão que fica é que não só na pauta dos trabalhadores, mas também em outras questões, a postura negativa do governo Lula se repete. Por exemplo, na ambiental está privatizando os rios e quer explorar petróleo na foz do Amazonas. Na econômica a política de ajuste fiscal, via arcabouço fiscal, reduz orçamento e limita os investimentos nos correios. Nas relações internacionais comemora a “química” com o Imperialismo americano e o governo de extrema direita de Trump e defende uma política de acordos comerciais com a Europa que só beneficia o agronegócio. Do ponto de vista das relações políticas mantém o centrão no governo e faz acordos com a extrema direita golpista.
Obviamente que essa postura gera ataques aos direitos dos trabalhadores e por isso a nossa campanha salarial/greve foi tão dura. Isso também demonstra que o governo Lula não é aliado da classe trabalhadora porque é um governo capitalista, que atua com e para as empresas multinacionais e empresários.
A base da categoria garantiu a greve
A força da greve esteve sempre na base. Mesmo sem apoio da ampla maioria das direções sindicais, a disposição da categoria foi fundamental para segurar a greve. É importante lembrar que na assembleia de SP a categoria derrotou a direção que não queria começar a greve no dia 16/12. Mesmo sem apoio da ampla maioria das direções sindicais, a base se manteve firme e garantiu a greve mostrando indignação contra um ano de 2025 de muitos ataques, onde a proposta de Acordo Coletivo e o tratamento do governo na campanha fez explodir um descontentamento acumulado dos trabalhadores.
As direções da Findect e Fentect blindaram o governo
Foi uma campanha onde as direções das duas federações FINDECT(CTB-PcdoB) e FENTECT(CUT-ARTSIND-PT e aliados) aceitaram a dinâmica do governo de enrolar. Chegamos o final de ano em uma greve porque essas direções em nenhum momento quiseram construir a greve ou a mobilização diante de um ano todo de ataques. Não batalharam para unificar todos os 36 sindicatos na greve.
A metade dos sindicatos dirigidos pela Artsind, PCdoB, CUT e CTB não fizeram a greve. Em grandes centros como SP e Rio praticamente não ocorreram piquetes e atividades do movimento.
Infelizmente o papel dessas direções foi de blindar o governo. E isso ocorre porque as principais lideranças dessas entidades são ligadas a frente ampla, do PT, PCdoB, e preferem blindar seu governo do que defender até o fim os direitos da classe trabalhadora. Chegaram ao absurdo de não defenderem a unidade do movimento com os petroleiros que também estavam em greve, o que poderia fortalecer ainda mais a nossa greve. São direções que não estão à altura de dirigir a categoria. Não temos dúvida que não avançou mais a luta por responsabilidade das direções sindicais das duas federações.
Exigimos dessas direções de imediato a organização da luta em 2026, já preparar a nova campanha salarial e exigir do governo o cumprimento do acordo coletivo sem trégua para enrolações e mentiras.
Próximos passos – Seguir na luta e organizar a categoria pela base !
Não podemos baixar a guarda, pois o governo vai manter esses ataques via reestruturação e tentando retirar cláusulas do ACT que não conseguiu retirar no acordo atual. O que está claro é que o empréstimo de 12 bilhões não é para os trabalhadores, apesar que o governo quer pagar ele através do nosso salário e benefícios.
A greve mostrou que é possível organizar com força um movimento que derrote qualquer política que venha no sentido de atacar nossos direitos e condições de trabalho.
Fazemos um chamado a toda a categoria a manter de pé essa força para que possamos já agora no início de 2026 organizar novas ações pela base.
Ações que exijam do governo Lula aportes direto do tesouro nos correios, contra a demissão de 15 mil ecetista e fechamento de 1000 agências, pela convocação dos concursados, garantia de utilização do plano de saúde reduzindo os custos para os trabalhadores, reduzir os altos salários da cúpula da empresa. Contra qualquer redução de direitos no Acordo Coletivo, por condições de trabalho e cumprimento das normas de segurança e saúde. Pelo direito de greve.
Junto com essas medidas específicas defendemos também o fim do arcabouço fiscal , pela revogação das contrarreformas trabalhistas e previdenciária, o não pagamento da dívida pública. Dinheiro para os trabalhadores e não para empresários, banqueiros e latifundiários. Medidas que se aplicadas poderiam colocar não só os correios, mas o país em outra situação.
Nós da Combate Sindical (CST e independentes) fazemos um chamado a categoria a se somar conosco para construir uma nova direção sindical democrática e de luta; para fortalecer a unidade nacional da categoria, contra a blindagem ao governo e para defender os nossos direitos contra qualquer tipo de retrocesso.
