Chuvas na Zona da Mata: A Tragédia é Resultado da Ganância e do Ajuste Fiscal

Por Bruno Bicalho e Edivaldo de Paula

A chuva volta a causar estragos pelo país, no Rio, a morte de uma idosa de 85 anos, em São Paulo são mais de 400 pessoas desabrigadas, mas o centro da catástrofe é a Zona da Mata mineira que chegou a contabilizar 40 mortes, 27 desaparecidos e 3,5 mil desabrigados em Juiz de Fora e Ubá, e não é um desastre natural.

Mais uma vez, o povo de Minas Gerais amortece com o próprio corpo o impacto da crise climática e do descaso governamental. Desde a noite de segunda-feira (23), cidades como Juiz de Fora e Ubá enfrentam um cenário de desolador: 40 mortes confirmadas, 27 desaparecidos e centenas de pessoas que perderam tudo o que tinham. Em Juiz de Fora, o acumulado de 584 mm de chuva (o dobro do esperado para o mês) expõe cidades com “cicatrizes” profundas de deslizamentos e enchentes. Ao todo, já são mais de 3,5 mil pessoas desabrigadas e desalojadas na região atingida.

De Mariana a Maceió: O Fio Condutor da Exploração

“Mais uma vez”, porque esta nova ferida na Zona da Mata se soma ao histórico de crimes ambientais e negligência que assola o Brasil. Seja no rompimento das barragens da Vale em Brumadinho e Mariana, os seguidos tufões e enchentes no Rio Grande do Sul, no afundamento de solo causado pela Braskem em Maceió, o vazamento da Petrobrás em alto-mar na Foz do Amazonas, ou na seca histórica que aconteceu na Amazônia, o culpado é o mesmo: o sistema capitalista e sua sede insaciável por lucro.

A privatização de setores estratégicos, como energia e saneamento, agrava o caos. Em Juiz de Fora e Ubá, vemos a mesma “parceria” promíscua entre o poder público e os interesses privados que liberam licenças sem fiscalização rigorosa, ignorando alertas de ambientalistas e moradores.

O Papel de Zema: Privatização, Isenção para Ricos e Desmonte Ambiental

Essa tragédia é a expressão do projeto político de Romeu Zema: diminuiu de R$ 134,8 milhões para R$ 5,8 milhões as verbas de combate aos problemas causados por chuvas em Minas Gerais, entre 2023 e 2025, o que representa 96% a menos

Embora o desastre atual na Zona da Mata seja decorrente de chuvas históricas (584 mm em Juiz de Fora) , a atividade mineradora intensifica a degradação do solo e o assoreamento de rios, o que diminui a capacidade da terra de absorver a água e aumenta o risco de deslizamentos

Denunciamos que o modelo de Zema é financiado por grandes empresários da mineração, mantendo uma relação histórica de parceria entre agentes públicos e mineradoras que prioriza o lucro sobre a segurança.

A política de Zema de sucateamento para privatização da CEMIG retira do Estado a capacidade de resposta e manutenção em momentos de crise, deixando centenas de milhares sem luz durante temporais.

Além disso Zema estrangula o orçamento da Defesa Civil e dos serviços essenciais para priorizar o pagamento de dívidas com a União, exigido fortemente pelo governo Lula, enriquecendo banqueiros enquanto o solo encharcado soterra as famílias trabalhadoras.

Não podemos aceitar que Minas Gerais continue sendo um balcão de negócios para mineradoras e para o agronegócio. A luta por justiça na Zona da Mata passa obrigatoriamente pela derrota do projeto privatista e anti-ambiental de Romeu Zema.

O Arcabouço Fiscal Mata: Lucros acima das Vidas

Não se trata de uma fatalidade da natureza, mas de uma tragédia anunciada. Enquanto o governo Lula/Alckmin anuncia um mísero auxílio de R$ 800 por pessoa desabrigada, a realidade é que o orçamento para a prevenção de desastres segue estrangulado. Assim como denunciamos nas catástrofes do Rio Grande do Sul, a lógica do Arcabouço Fiscal e do “déficit zero” prioriza o pagamento da dívida pública aos banqueiros em detrimento da vida.

O governo Margarida Salmoão (PT) em Juiz de Fora também é responsável, foram liberados mais de 21 milhões de reais para tratar de encostas e a prefeitura não destravou as verbas.

Medidas Urgentes e Saída Socialista

Nós da CST, expressamos nossa profunda solidariedade ao povo trabalhador da zona da mata mineira, e defendemos o fim do Plano Safra, o fim da mineração a céu aberto, um plano de obras públicas, revogação da lei de devastação ambiental, a desapropriação de imóveis vazios para abrigar os desabrigados, auxílio emergencial para os atingidos pelos desastre. É necessário derrotar o projeto privatista e o capitalismo para impedir que o povo continue pagando com a vida a conta da crise climática.

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