Os atos do 8 de março desse ano foram poderosos! De norte a sul, mulheres de pelo menos 40 cidades voltaram às ruas. Nem o forte sol que se impôs no Rio de Janeiro, ou a forte chuva que não deu trégua em São Paulo, foram suficientes para impedir as mobilizações.
Como de costume, os atos foram cheios de cores, palavras de ordem e performances artísticas, num processo unitário de diversas organizações, partidos e sindicatos. Acreditamos que esse elemento tenha sido fundamental: a unidade nas lutas, construída com reuniões, panfletagens e ações comuns, apesar das divergências de avaliação sobre a conjuntura, garantiu a força dos atos.
Os protestos ocorreram em meio a dados recentes que apontam para o agravamento da violência contra mulheres no Brasil. Em 2025, o número de feminicídios bateu recorde: foram 1.470 casos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Plenária das Combativas reforça a necessidade de seguir lutando
Após as mobilizações, o Coletivo Combativas realizou sua primeira plenária de avaliação dos atos, no dia 12 de março. Dezenas de mulheres participaram da reunião virtual.
O caso recente de estupro coletivo contra uma aluna do Colégio Pedro II foi lembrado e reforça a necessidade de as instituições darem resposta contundente diante da violência misógina. Infelizmente, a inação perante alunos que já tinham histórico de violência misógina fez mais uma vítima.
Caso semelhante, mas que teve um desfecho ainda mais trágico, foi o ataque que ceifou as vidas de duas servidoras (Allane e Layse), no CEFET-RJ. Esses casos não são isolados.
Eles demonstram que as políticas atuais não conseguem dar vazão às necessidades que a realidade impõe e exigimos que as instituições tenham uma ação efetiva para combater o ódio contra mulheres. Os conteúdos redpill veiculados livremente nas redes sociais radicalizam jovens meninos, que multiplicam ideias misóginas.
Por isso, nós, Combativas, defendemos a criminalização dos discursos redpill e misóginos nas redes sociais e saudamos as iniciativas das parlamentares como Sâmia Bomfim e Duda Salabert, que vão nesse sentido.
Diante desse cenário, torna-se ainda mais urgente fortalecer a organização das mulheres, ampliar as mobilizações e exigir políticas efetivas de enfrentamento à violência e ao ódio misógino. Por isso exigimos da Frente Brasil Popular, Povo Sem Medo, mandatos parlamentares da esquerda, UNE, UBES, CUT, CTB que construam um calendário de mobilização nacional que imponha para o Congresso e governos a aprovação das leis que criminalizam o discurso misógino e garanta a prisão dos feminicidas!