Israel aprova a pena de morte para os prisioneiros palestinos

Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI

O Parlamento israelense aprovou recentemente uma lei que permite a pena de morte por enforcamento para prisioneiros palestinos “condenados por ataques mortais”, considerados atos de “terrorismo”, ou simplesmente pela intenção de “rejeitar o Estado de Israel”. Isso significa que qualquer um dos 12.000 palestinos atualmente presos em Israel, ou os milhares que podem ser presos em Gaza ou na Cisjordânia, podem ser mortos “legalmente”. E isso representa a continuidade e a intensificação do genocídio.

Eles anunciam a lei depois de terem assassinado em Gaza mais de 70.000 palestinos, incluindo mais de 20.000 crianças, desde outubro de 2023. E depois de quase 80 anos, desde 1948, da fundação de Israel como Estado sionista invasor, que expulsou de suas terras e assassinou sistematicamente os palestinos, confinados à Cisjordânia e Gaza, que representam apenas 22% do antigo território palestino. São décadas de massacre e expulsão de seus territórios, apesar de Gaza e Cisjordânia supostamente formarem o novo Estado palestino.

Essa lei genocida, que acabou de ser aprovada, será aplicada especificamente aos palestinos e, é claro, não se aplicará aos militares e civis sionistas que vêm assassinando palestinos há décadas.

O falso “plano de paz”

O suposto “plano de paz” para Gaza, anunciado por Trump em outubro de 2025, que exigia que os palestinos libertassem os poucos soldados sionistas restantes que mantinham prisioneiros, não está sendo implementado. Gaza permanece 50% ocupada, e os ataques e assassinatos continuam. Os bloqueios também permanecem em vigor na Faixa de Gaza, impedindo a entrada de alimentos, medicamentos e outros suprimentos essenciais.

Em outras palavras, aquele plano de paz foi uma fraude perpetrada por Trump, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, composto por quinze países que nomearam o próprio Trump para liderar essa farsa. O Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes com poder de veto sobre qualquer votação. Esses cinco membros são os Estados Unidos, a França, a Grã-Bretanha, a Rússia e a China. E quando a votação para aprovar a farsa do “plano de paz” de Trump foi realizada, houve treze votos a favor e duas abstenções, da Rússia e da China. Se algum desses países tivesse votado contra, a resolução teria sido anulada. É por isso que a Rússia e a China também são cúmplices.

Após mais de cinco meses desse “plano de paz”, centenas de pessoas continuaram sendo assassinadas em Gaza, e a ocupação da Cisjordânia, o outro território palestino, se intensificou. E agora também estão atacando, com enorme violência e assassinatos, o Irã e o sul do Líbano, o outro país que faz fronteira com Israel, destruindo dezenas de milhares de casas e expulsando 600 mil habitantes de suas terras e vilarejos.

Por uma Palestina livre, do rio ao mar

Esta bandeira histórica do povo palestino, para recuperar suas terras, é mais relevante hoje do que nunca. Significa recuperar todo o território palestino e acabar com o Estado sionista genocida de Israel.

Entretanto, a reivindicação imediata do povo palestino é o fim do genocídio e a retirada dos invasores sionistas de Gaza e da Cisjordânia. Já existem mais de 700 mil colonos sionistas na Cisjordânia. Porém, mesmo que a luta resulte numa retirada parcial e temporária de Israel, o Estado sionista foi fundado pelo imperialismo para colonizar a região e saquear seus recursos, principalmente o petróleo. Os sionistas são instrumentos do imperialismo e continuarão atacando Gaza, a Cisjordânia e os países árabes vizinhos. O acordo de “dois Estados”, assinado pelos sionistas e pelo Fatah, que controla a Autoridade Nacional Palestina, há 33 anos, jamais foi honrado por Israel, embora tenha concedido aos palestinos 22% de seu território histórico em Gaza e na Cisjordânia. Portanto, a assinatura desse acordo pelo Fatah foi uma traição.

Por isso, a luta histórica por “uma Palestina livre, do rio ao mar” significa construir um único Estado palestino, laico, democrático e não racista, em todo o território histórico palestino, em que palestinos e judeus, que assim o desejarem, possam viver juntos em paz e liberdade. É um objetivo fundamental para os palestinos e para os demais povos árabes da região.

Diante do amplo movimento de solidariedade global com o povo palestino, o Primeiro Congresso Internacional Judaico Antissionista foi realizado em Viena, em julho passado, declarando: “Diante das atrocidades que cometem, dizemos firmemente: ‘Não em nosso nome!’ Estamos empenhados em acabar com o sionismo e em descolonizar a Palestina, junto com nossos aliados palestinos! […] para libertar a Palestina e construir uma sociedade justa e igualitária.”

Condenamos o novo ataque genocida, representado pela aplicação da “pena de morte” aos palestinos, e reiteramos nosso apelo pela continuidade das grandes manifestações de solidariedade mundial.

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