Mobilizar para proibir as BETs em definitivo! Devolver o dinheiro roubado das famílias trabalhadoras!
Na reta final das eleições, o presidente Lula emitiu uma Medida Provisória (MP) proibindo as apostas esportivas e os jogos online em ambientes físicos e virtuais. As bets têm lucros astronômicos, e nenhuma parte desses valores se converte em geração de emprego ou em serviços públicos para o povo brasileiro. Ao contrário, geram inúmeros prejuízos à renda e a saúde mental do povo trabalhador.
A medida de Lula, entretanto, tem prazo de validade de 60 dias, podendo ser estendida por mais 60, devendo ser votada pelo Congresso nesse período, ou perde a validade. A medida, bastante limitada, está sendo atacada pela extrema direita.
Neste cenário, a Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST), defende a extinção das bets e propõe mobilização nas ruas para impor propostas contundentes que a frente ampla de Lula com empresários não faz.
Os setores reacionários defendem as bets
Segundo Carlos Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), o setor acionará a Justiça. Um pedido de liminar para suspender a proibição das Bets já está sendo preparado para ser enviado ao Supremo Tribunal Federal.
Os clubes de futebol também reagiram. Em ação conjunta, federações e grandes clubes como Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Atlético e Cruzeiro escreveram um manifesto defendendo as BETs e afirmando que, sem o patrocínio, seria o fim do futebol no Brasil. As BETs pagaram mais de R$ 1 bilhão a clubes de futebol em 2025, segundo a Sports Value. A arrecadação dos clubes com patrocínio vindo das bets é de somente 7%, o que demonstra que esse discurso é mentiroso.
Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita, criticou a MP de Lula, chamando-a de eleitoreira.
Repudiamos o posicionamento e as ações da IBJR, dos Cartolas Mafiosos e de Flávio Bolsonaro. Não temos nenhuma confiança no STF e seus ministros que possuem tenebrosas relações com banqueiros corruptos. Só podemos avançar em nossas pautas através da mobilização da classe trabalhadora e setores populares.
Perdas para classe trabalhadora, lucros para bilionários
As bets não são lazer ou diversão. Esses jogos, online ou presenciais, são, uma tentativa desesperada de a classe trabalhadora sair da penúria em que a exploração capitalista a jogou. Além das medidas que atacam direitos, da inflação no preço dos alimentos e dos reajustes periódicos nos valores das passagens, a burguesia utiliza a ilusão da “sorte” como saída para um problema do arrocho salarial e elevação do custo de vida.
Segundo o Instituto Locomotiva, 86% dos apostadores estão endividados. Já o Instituto DataSenado foi além e demonstrou que a maioria dos apostadores é composta por homens que ganham até dois salários mínimos (R$ 3.036,00).
Os impactos são tão significativos que o Ministério da Saúde expandiu os teleatendimentos voltados para o vício em apostas online para 100 mil por mês, que começaram a valer em agosto deste ano.
Quem segue lucrando de verdade são os bilionários do setor, como Denise Coates, com fortuna estimada em mais de US$ 9 bilhões, e George Daskalakis, CEO da Kaizen Gaming, que registrou uma receita de aproximadamente € 1,6 bilhão. A sorte desses, na realidade, chama-se “herança” e articulações políticas.
Mobilizar e proibir de vez as BETs
É preciso organizar uma forte mobilização popular diante desse quadro e do fato de que a MP deve ser votada pelo Congresso, instituição que não é a favor da classe trabalhadora.
Em diversos momentos, a política da Frente Ampla de Lula liberou e fortaleceu as casas de apostas. São, portanto, cumplices dessa desgraça. Em 2024, diante da votação que definiria um freio para que beneficiários do Bolsa Família e do CadÚnico pudessem usar os valores em apostas, o governo Lula se posicionou contrário.
A fiscalização também é um enorme problema, já que se estima que 41 a 51% do volume total de apostas em 2025 (R$ 40 bilhões, segundo o TCU) veio de bets clandestinas. Ou seja, a questão vai muito além de “proibir”. Segundo matéria do Estadão, em 2026, o governo reservou apenas R$ 1 milhão para a fiscalização do setor, mas só empenhou R$ 275,6 mil. Essa prática, de reservar, mas não empenhar os valores, não é novidade e se repete em diversos setores, como a política para mulheres, saúde e educação. Na maioria das vezes, esse dinheiro não empenhado nas políticas públicas é transferido, pelos mecanismos do Arcabouço Fiscal, para pagar juros da dívida pública aos ricaços detentores dos títulos dessa dívida que é impagável e só cresce: esse ano mais R$1 trilhão em juros já foram transferidos para esse setor.
Criticamos o caráter insuficiente da atual MP de Lula. Exigimos da CUT e demais centrais uma mobilização nacional para impor a expropriação dessas “empresas” mafiosas e o confisco dos bens dos donos delas. Com esse dinheiro, o Estado brasileiro deve devolver ao povo brasileiro todo o dinheiro “perdidos” (roubado) nessas apostas, indenizar as famílias que sofreram danos sociais ou na saúde de seus membros e construir uma forte política de saúde e educação para tratar as pessoas e para conscientizar e impedir que novas pessoas se viciem em jogos de azar. Defendemos ainda a abolição de todas as dívidas bancárias da classe trabalhadora (dívidas com cheque especial, cartões de crédito e empréstimos e seus juros abusivos); e a estatização do sistema financeiro sob controle da classe trabalhadora
É necessário investir na segurança financeira da população trabalhadora, ao mesmo tempo em que garantimos empregos com direitos, a duplicação do salário mínimo, o fim da escala 6×1, lazer de verdade, esporte e tempo livre para viver com nossas famílias e amigos. Revogar o REDATA das Big techs e destinar os 5 bilhões de isenções fiscais para politicas sociais. Acabar com o plano safra e investir em politicas ambientais nas cidades e linha de credito aos camponeses para colocar alimento barato na mesa do povo trabalhador. Impor o não pagamento da dívida pública e reverter as contrarreformas trabalhistas e previdenciárias
Nesse sentido, é fundamental mobilizar artistas e personalidades convocando a população a fazer parte desse processo, promovendo discussões nos bairros, construindo declarações de sindicatos, entidades estudantis, promovendo manifestações que impeçam de vez esse câncer de continuar apodrecendo a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras no Brasil.
Em janeiro, publicamos um artigo debatendo acerca das bets, impactos e lucros do setor (https://www.cstuit.com/home/