Três anos de genocídio, três anos de resistência e de um clamor global que vai além da Palestina

Por Lucha Internacionalista, seção da UIT-QI no Estado Espanhol.

05/10/2026.

Passaram-se quase três anos, quase 1.100 dias, desde o início do genocídio israelense acelerado em Gaza. Quase 1.100 dias de destruição sistemática, deslocamento forçado, fome e morte. Mais de 73.000 palestinos foram assassinados, entre eles mais de 18.000 crianças, segundo os números oficiais palestinos — números que não contabilizam todas as pessoas desaparecidas sob os escombros nem as mortes indiretas provocadas pela destruição do sistema de saúde e das infraestruturas de água.

E isso não acabou. Apesar da linguagem diplomática e da ficção de um cessar-fogo, o Estado sionista continua seu plano genocida em Gaza e também na Cisjordânia ocupada, onde se intensificam a violência dos colonos, as demolições de casas e fazendas, as expulsões de comunidades palestinas e o roubo de terras.

Tudo isso ocorre sob um escudo de impunidade e com a cumplicidade aberta dos imperialismos dos EUA e da Europa. As declarações, as cúpulas, a diplomacia e as palavras vazias convivem com relações militares, econômicas e políticas que são totalmente funcionais ao genocídio. Não se trata apenas de silêncio e cumplicidade: são colaboradores necessários do genocídio. Enquanto os Estados abandonam suas obrigações políticas e legais, a solidariedade internacional vinda de baixo deve continuar denunciando essa cumplicidade.

O governo PSOE-Sumar quer apresentar-se como um dos governos europeus mais comprometidos com a Palestina. No entanto, existe uma distância hipócrita entre as palavras e os atos. Em setembro de 2025, o governo aprovou um decreto que proibia transferências de material de defesa e de dupla utilização com Israel; contudo, o texto está tão repleto de exceções, brechas e vias indiretas que as relações militares, econômicas e diplomáticas entre a Espanha e Israel permanecem praticamente intactas.

E, enquanto proclama sua solidariedade com a Palestina, o próprio Estado reprime — ou colabora na repressão de — os que tentam deter o genocídio a partir das ruas. Sabem bem disso as “8 de Becerril” — as oito ativistas processadas em decorrência de um protesto contra a participação da equipe Israel Premier Tech na Volta da Espanha —, que prestarão depoimento no próximo dia 21 de outubro, acusadas de toda a série de delitos previstos na “Lei da Mordaça” (que o PSOE e o Sumar haviam se comprometido a revogar); o mesmo é demonstrado pelo caso de James “Fergie” Cox Chambers, ativista e filantropo estadunidense detido em Ibiza no dia 10 de julho, a pedido dos Estados Unidos, e mantido em prisão provisória enquanto tramita seu processo de extradição. O governo espanhol permitiu que o procedimento de extradição prosseguisse.

Não aceitamos que o governo se envolva na bandeira palestina enquanto continua fazendo negócios com Israel e reprimindo a solidariedade com a Palestina. Nem que utilize a Palestina para construir uma imagem progressista enquanto suas políticas deixam milhões de trabalhadores e trabalhadoras presos a aluguéis impagáveis, serviços públicos deteriorados, precariedade laboral e desigualdade; enquanto os direitos das mulheres continuam sendo atacados e enquanto imigrantes e refugiados são tratados como um problema de ordem pública, em vez de pessoas com direitos.

A solidariedade com a Palestina não pode ser uma bandeira institucional. Deve significar acabar com toda cumplicidade política, econômica e militar com a ocupação e com a impunidade de Israel.

Por isso, não podemos deixar de nos mobilizar.

Isso porque, se estes três anos demonstraram algo, é que as mudanças só acontecem se forem impulsionadas a partir das ruas, dos locais de trabalho, das universidades e dos bairros.

Israel e os Estados Unidos estão atolados numa guerra contra o Irã, que tem sido um fracasso retumbante

O que se apresentou como uma nova demonstração de superioridade militar não impôs uma saída política nem estabilizou a região.

Pelo contrário: ampliou a guerra, aprofundou a destruição e multiplicou as frentes. No Líbano, o exército israelense continua ocupando território no sul do país, onde mantém posições militares e uma zona sob seu controle. Mesmo após os acordos previstos para a retirada israelense, essa retirada não foi concluída e as forças israelenses continuam atuando em território libanês.

Na Síria, Israel continua a ocupação das Colinas de Golã e intensificou sua presença militar no sul do país, ao mesmo tempo em que mantém uma política de expansão dos assentamentos e de controle de território e recursos.

Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria, Irã: não são conflitos desconectados. Eles fazem parte de uma mesma dinâmica de guerra, ocupação, militarização e dominação regional — sustentada pelo apoio político e militar dos Estados Unidos e pela cumplicidade dos governos ocidentais —, que busca concretizar o projeto da Grande Israel e sua normalização em toda a região.

É necessário conectar as lutas.

A luta do povo palestino contra a ocupação, o colonialismo e o apartheid está ligada à luta contra o militarismo e o imperialismo; à luta pelo direito à moradia e por serviços públicos; às lutas operárias; ao feminismo; à defesa dos direitos dos imigrantes; à luta contra o racismo e contra todas as formas de repressão. A Palestina nos mostra que resistir é sempre possível, mesmo nas condições mais difíceis, neste canto do mundo absolutamente estratégico para o imperialismo e o capitalismo fóssil global, que precisam manter sob controle os recursos energéticos da região.

Isso porque os próprios governos, que encontram bilhões para se rearmar, nos dizem que não há dinheiro para habitação, saúde ou educação. Os mesmos que falam em direitos humanos sustentam fronteiras onde imigrantes morrem, mantêm leis repressivas contra protestos e protegem um sistema econômico que condena milhões de pessoas à precariedade.

A luta do povo palestino faz parte da mesma luta contra um sistema que precisa da exploração, do racismo, da repressão, do militarismo e da guerra para sobreviver.

A Palestina nos mostra, com toda a brutalidade, até onde esse sistema pode chegar. Mas também nos mostra a força de um povo que, apesar de décadas de ocupação, expulsão, encarceramento e massacres, continua resistindo.

No dia 4 de outubro, voltaremos às ruas.

– Embargo total de armas a Israel e rompimento de relações diplomáticas!

– Revogação da lei mordaça!

– Arquivamento imediato de todos os processos abertos contra o movimento de solidariedade com a Palestina!

– Palestina livre, do rio ao mar!

– Viva a resistência do povo palestino!

 – Viva a solidariedade internacionalista!

 

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