Para deter a extrema direita: unidade nas ruas e construir uma esquerda independente
A polarização política e social marca o continente americano. Existe uma forte resistência da classe trabalhadora, das mulheres, da população negra, da juventude, dos povos indígenas e das nações ancestrais, que percorre as ruas do Alasca à Terra do fogo.
As massivas mobilizações nos Estados Unidos contra o governo Trump, com uma greve geral em Mineápolis, e a rebelião operária, camponesa e indígena na Bolívia demonstram que existe disposição para enfrentar os ataques do imperialismo e da extrema direita. As diversas lutas operárias e populares do ano passado, cujo ponto alto foram as greves gerais argentinas contra Milei, são outro indicador da força das ruas.
Por outro lado, a extrema direita mantém ações ultrarreacionárias e obtém avanços eleitorais. A Casa Branca realizou uma brutal agressão imperialista contra a Venezuela, além de ameaçar Cuba. Os aliados de Trump também obtiveram recentes vitórias eleitorais no Chile, na Colômbia e no Peru. No Brasil Trump quer emplacar Flávio Bolsonaro como presidente do país, que inclusive já disponibilizou um espaço para o governo americano na equipe de transição, caso vença as eleições, mostrando sua total submissão ao imperialismo ianque.
Os governos progressistas não lutam contra Trump e o imperialismo
Ao mesmo tempo, aprofunda-se a crise dos governos de conciliação de classes e das direções reformistas. As experiências do lulismo no Brasil, de Boric no Chile, de Petro na Colômbia, de Castillo no Peru, do MAS na Bolívia e do PSUV na Venezuela demonstram os limites de administrar o capitalismo em meio à crise mundial. Sem romper com o grande capital e com o imperialismo, aplicando medidas de ajuste fiscal contra a classe trabalhadora, esses governos frustram expectativas populares, acabam abrindo espaço para o crescimento da direita e da extrema direita.
Nenhuma dessas lideranças ou partidos foi consequente no combate à agressão contra a Venezuela e respaldou o pacto de Delcy Rodríguez com Trump, abandonando a luta anti-imperialista. Lula chegou a declarar que há “uma química com Trump” e mantém relações amistosas com esse líder genocida que pratica holocausto em Gaza. Na Bolívia, a burocracia sindical que dirige majoritariamente a COB (Central Operária Boliviana) pactuou com o governo de Paz, traindo a luta contra um governo assassino.
Precisamos de uma esquerda independente em todo o continente
A ausência de uma alternativa política de esquerda independente com peso de massas permite que setores ultrarreacionários capitalizem o desgaste dos governos tradicionais de colaboração de classes, como a Frente Ampla no Chile, a Colômbia Humana de Petro, o MAS na Bolívia, ou que o bolsonarismo ganhe fôlego diante do desgaste do PT de Lula.
Diante dessa realidade, torna-se cada vez mais necessária a construção de uma esquerda independente dos governos, da burguesia e do imperialismo. Uma esquerda que apoie todas as lutas da classe trabalhadora e dos povos oprimidos, impulsione a auto-organização, a mobilização permanente e apresente uma saída baseada em um governo dos trabalhadores e do povo, sustentado por organismos de democracia operária e por um programa classista.
A UIT-QI, organização marxista revolucionária internacional da qual a CST é filiada, tem entre suas principais campanhas a luta contra Trump e o imperialismo. Defendemos que, com essa ala fascista do imperialismo, não há debate nem diálogo possível. É necessário derrotá-la por meio da mobilização unificada. Apoiamos a continuidade da luta contra o ICE e Trump nos Estados Unidos, a rebelião boliviana, bem como a continuidade das lutas contra a extrema direita iniciadas durante o processo eleitoral no Chile e na Colômbia.
Por um governo da classe trabalhadora e um Brasil socialista
Enquanto a riqueza estiver concentrada nas mãos de banqueiros, multinacionais e grandes empresários, seguiremos vivendo sob exploração e opressão.
Para atuar com força contra os planos de ajuste capitalista e a extrema direita imperialista, precisamos seguir o exemplo das mulheres que lotaram as ruas contra os feminicídios, dos servidores da FASUBRA em greve e das mulheres indígenas do Xingu, em luta contra a Belo Sun. Temos de repetir mobilizações fortes e massivas, como as realizadas contra o tarifaço de Trump, contra a anistia, pela taxação dos bilionários, pelo fim da escala 6×1 e contra o Congresso inimigo do povo. Devemos lutar com a mesma determinação demonstrada pelos povos Munduruku, Arapiuns e demais nacionalidades indígenas do Tapajós, que derrotaram a privatização dos rios e enfrentaram a multinacional Cargill.
Em nossa visão, não há saída para o povo trabalhador por meio da conciliação com banqueiros, empreiteiras, o agronegócio e os grandes empresários, como faz Lula e a Frente Ampla. A saída deve vir da organização independente da população trabalhadora, da mobilização social e da construção de um projeto socialista que esmague a extrema direita nas ruas.
Pela unidade das esquerdas socialistas e comunistas nas lutas e nas eleições, em uma chapa unificada sem patrões, que reúna UP, PSTU, PCB, PCBR e outras organizações, como o MRT e a Soberana.
É necessário construir um governo da classe trabalhadora, sem patrões, que enfrente os capitalistas, rompa com o imperialismo e construa um Brasil socialista. Mas nossa luta não termina nas fronteiras nacionais. A resistência contra o capitalismo e o imperialismo é internacional. Lutamos por uma Federação das Repúblicas Socialistas da América Latina, em todo o território histórico de Abya Yala.
