PELA UNIDADE DE AÇÃO DA ESQUERDA INDEPENDENTE E DOS LUTADORES SOCIAIS INDEPENDENTES
Com esta Carta Aberta a CST se dirige às organizações e lideranças que não integram a campanha presidencial da frente ampla de Lula.
Aos camaradas da:
– UP, PCB, PSTU e PCO e suas candidaturas;
– MFSR, PCBR e MRT.
– RS e LSR do PSOL.
– MPR, POR, OSL e RB.
– Aos lutadores e lutadoras sociais independentes.
1- O Brasil vive uma crise profunda. A CST denuncia as ações da Casa Branca e das Big Techs. Donald Trump apoia Flávio Bolsonaro e utiliza tarifas como instrumento político para avançar sobre o principal país do continente. Os que protagonizam holocausto em Gaza, agressões militares ao Ira e a invasão da Venezuela não podem avançar sobre a América Latina. Repudiamos o ato reacionário da extrema direita na Avenida Paulista.
2- O governo Lula não enfrenta a extrema direita imperialista e multinacionais gringas. A frente ampla aposta em negociações com Trump. Por isso permite a entrega de terras raras e deixa a Starlink de Musk dominar o ramo digital na Amazônia; mantem acordos com as big techs e nada faz contra a dominação sobre a base de Alcântara. Entre dezembro de 2023 até julho de 2026, o FNDE do MEC utilizou a plataforma Foundry, da Palantir. Um contrato que beneficiou uma empresa que é parte do holocausto em Gaza.
2.1– O acordo entre o governo Lula e Davi Alcolumbre, previu a aprovação do PL 278/2026 que concede incentivos fiscais para a instalação de data centers no Brasil. O texto cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que beneficia as multinacionais digitais. A estimativa é de R$ 5,2 bilhões de isenção em 2026. Isso é absurdo. Não há diálogo possível com a ala fascista do imperialismo. Não podemos aceitar esses acordos que ferem nossa soberania, contrariam lutas dos povos indígenas como os Anacé que protestam contra Data Centers ou das Mulheres do Xingu.
3- O escândalo de corrupção de Daniel Vorcaro e do Banco Master revelam mecanismos espúrios entre o sistema financeiro, empresários, juízes e políticos como Flávio Bolsonaro. Um esquema criminoso que envolve a compra de apoio político, favorecimento nos tribunais e enriquecimento. Diversos partidos estão envolvidos: a extrema direita; o Centrão; o PT, a frente ampla, o senador Jaques Wagner e o entorno de Lula. A bola da vez é Alexandre de Moraes, ministro do STF; o deputado Nikolas e as doações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
4- Lula consolida uma governabilidade conservadora com a velha direita, mantendo o arcabouço fiscal contra a classe trabalhadora e o Plano Safra ao agronegócio golpista. Após 4 anos de mandato, pautas mínimas dos trabalhadores de aplicativos, servidores, das mulheres, dos bancários e Ecetistas não foram atendidas. A conciliação com banqueiros e agronegócio está na raiz dos baixos salários e precarização. Trabalhadores do transporte denunciam privatizações federais do setor metroferroviário.
4.1- Enquanto isso, as lideranças da CUT, CTB, UNE e MTST bloqueiam as lutas nacionais. Essa política do PT, PSOL, REDE, PCdoB contribui para o descrédito das organizações sindicais e sociais do país. Amplos setores da classe operária e dos trabalhadores mais precarizados os rejeitam.
5- O setor da bancada radical do PSOL-REDE-PT, com quem compartilhamos muitas lutas, infelizmente se cala diante do governo Lula: seu manifesto nada diz e seus panfletos escondem quem governa o país. Essas lideranças, que tem um peso enorme político, sofrem pressões eleitorais para se eleger. Ao integrar a frente ampla de Lula, não colaboram com a construção de uma saída pela esquerda.
6- O cenário político é perigoso. A crise vem sendo aproveitada pela direita e setores ultraconservadores. Renan Santos, do MBL/Missão, representa um setor ultraliberal, defensor da redução de direitos sociais e de políticas contra os trabalhadores. Augusto Cury se diz moderado, mas seu programa também está assentado na meritocracia, empreendedorismo, buscando apoio entre empresários. São dois políticos que estão na órbita de Trump, apesar de não fazerem isso abertamente. São uma refração, em nosso país, do que se deu na Bolívia: Rodrigo Paz, um político que se dizia de centro direita, terminou no campo da extrema direita integrando o “Escudo das Américas” de Trump.
7- A CST, as organizações do MFSR e setores independentes como Plinio Jr, Dirlene Marques, Trog e Renato Cinco defenderam uma frente da esquerda. Essa proposta visava somar força nas ruas e nas eleições pois nenhum dos partidos que estão à esquerda da frente ampla tem forças para enfrentar esse cenário. Infelizmente a fragmentação se impôs. Porém temos de pensar como fugir da autoproclamação e da dispersão.
8- A CST coloca sua campanha feminista socialista e revolucionária com Barbara Sinedino (RJ), Lorena Fernandes (SP) e Mariza Santos (PA) a serviço desse objetivo. Podemos realizar ações com candidaturas da UP, PCB, PSTU, PCO ou da MFSR; com setores do PSOL que não estão com Lula, caso da RS/PSOL e LSR/PSOL; ou com organizações que não lançaram candidaturas como MRT e PCBR; ou que possuem outras posições, caso do MPR, POR, RB e OSL.
9- Propomos uma reunião nacional em SP para debater as seguintes propostas ou outras que surjam em meio ao diálogo que podemos realizar:
a- Combater o tarifaço de Trump nas ruas: aplicar a lei de reciprocidade, proibir o envio de lucros das multinacionais, cortar as isenções fiscais e taxar suas receitas! Expropriar as empresas que interferem em nossa soberania! Fim da entrega das terras raras e dos contratos dos governos e das universidades com Google, Microsoft e Oracle! Palestina livre! Fora Trump da América Latina! Expulsão dos integrantes da embaixada dos EUA que colaboram com os golpistas do 8J e ruptura das relações com Israel!
b- Exigir que Lula não sancione o PL 278/2026. Nenhum incentivo fiscal aos data centers! Bigtechs Go Home! Em defesa de nossas águas, florestas, terras. Todo apoio ao povo Anacé em sua luta contra data centers!
c- Propor nos sindicatos e movimentos que a CUT, CTB, MTST, Frentes Brasil Popular e Sem Medo, realize uma mobilização em contraponto ao ato da extrema direita no 7 de setembro: contra o tarifaço de Trump e a ingerência dos EUA. Atos que apoiem o BDS, e exijam fim dos contratos com empresa envolvidas no holocausto como a Palantir. Pelo fim da 6×1 e redução da jornada; apoio aos trabalhadores de aplicativos, pela duplicação do valor do salário mínimo. Taxação dos bilionários e não pagamento da dívida! Fim das operações policiais contra o povo negro nas favelas e periferias! Pela punição dos responsáveis, militares e civis!
d- Solidariedade ativa à greve dos bancários e a luta de trabalhadores dos correios das mulheres do Xingu contra Bela Sun.
e- Apoiar a marcha do Clima e manifestação feminista pela legalização e descriminalização do Aborto. Fim dos feminicídios, criminalização da misoginia, prisão para red pills! Punir as Big Techs pela divulgação de conteúdos masculinistas! Incluir na LDB e no PNE a educação sexual com perspectiva de gênero! Em defesa dos direitos LGBT! Aborto legal, seguro e gratuito! Cotas para as pessoas trans! Emergência climática já! Medidas urgentes sobre o El Niño! Demarcação já! Revogação do marco temporal e do PL da Devastação! Em defesa dos rios e das florestas ancestrais! Expropriação e punição das empresas poluidoras, como a Cargill e a Belo Sun! Em defesa de nossas águas: proibir a instalação e o funcionamento de data centers!
f- Debater a construção de uma plenária nacional para atuar nos movimentos sociais. Avaliar a possibilidade de resgatar a Articulação Povo na Rua ou outras hipóteses.
g- Ações unitárias na crise do banco master: Não pode haver seletividade, acordos de cúpula e nem negociatas entre poderosos e empresários para se autopreservar. Pela formação de uma comissão independente de apuração do caso, integrada por sindicatos bancários, federações de trabalhadores; entidades democráticas como ABI e OAB; e a ACD que acompanha e denuncia os mecanismos do sistema financeiro há décadas, apontando fraudes nos mecanismos da dívida e do banco master. Eleição direita de todos os ministros do STF, STJ, TSE e demais tribunais, mandatos revogáveis e fim de seus privilégios. Expropriação do banco Master e todos os bens da família de Vorcaro. Expropriação das empresas corruptas. Defendemos o fim da autonomia do banco central e a estatização do sistema financeiro, sob controle da classe trabalhadora, para impedir esquemas corruptos e colocar os recursos da economia a serviço das necessidades da classe trabalhadora.