

	{"id":10005,"date":"2022-11-30T17:52:25","date_gmt":"2022-11-30T17:52:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=10005"},"modified":"2022-11-30T17:52:25","modified_gmt":"2022-11-30T17:52:25","slug":"cop27-no-egito-outro-bla-bla-bla-na-cupula-global-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/11\/30\/cop27-no-egito-outro-bla-bla-bla-na-cupula-global-do-clima\/","title":{"rendered":"COP27 no Egito: outro \u201cbl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1\u201d na c\u00fapula global do clima"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Nicol\u00e1s N\u00fa\u00f1ez, dirigente de Meio Ambiente em Luta (Esquerda Socialista e independentes, se\u00e7\u00e3o argentina da UIT-CI)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es foram realizadas na cidade de Sharm el-Sheikh. As autoridades eg\u00edpcias organizaram tudo de forma que fosse imposs\u00edvel que os protestos habituais ocorressem em frente \u00e0 sede de cada Confer\u00eancia das Partes (COP). Um governo ditatorial defensor dos combust\u00edveis f\u00f3sseis foi o anfitri\u00e3o de um evento clim\u00e1tico, que teve a Coca-Cola como principal patrocinador. O que poderia dar certo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de nos aprofundarmos em seus resultados, digamos que talvez a coisa mais frut\u00edfera que essa nova COP nos deixou foi o n\u00famero de relat\u00f3rios que circularam antes da sua realiza\u00e7\u00e3o. Oriundos de v\u00e1rios organismos ou centros cient\u00edficos, eles buscaram influenciar as negocia\u00e7\u00f5es com uma enxurrada de informa\u00e7\u00f5es sobre a crise clim\u00e1tica e suas perspectivas. Entre tais organismos, est\u00e1 o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que analisa os compromissos assumidos pelos governos c\u00fapula ap\u00f3s c\u00fapula. Este Programa apontou que, pelo caminho que estamos seguindo, o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 um aumento de 2,8\u00b0 na temperatura global em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio da era industrial, o que implicar\u00e1 uma cat\u00e1strofe inimagin\u00e1vel. As novas evid\u00eancias cient\u00edficas s\u00e3o t\u00e3o contundentes que a tradicional revista The Economist publicou o t\u00edtulo \u201cSay goodbye to 1,5\u00b0\u201d (\u201cDiga adeus ao 1,5\u00b0\u201d) na capa de sua edi\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 COP27. Foi esse aumento que o \u201cAcordo de Paris\u201d, assinado h\u00e1 apenas sete anos, tinha como objetivo evitar. Por exemplo, o Centro de Pesquisa Clim\u00e1tica da Noruega, entre outros, apontou que esse limite pode ser ultrapassado no final desta d\u00e9cada, e o Global Carbon Project concluiu que o risco disso acontecer \u00e9 de 50%, ou seja, uma moeda jogada no ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Devemos lembrar que, uma vez ultrapassado esse ponto, n\u00e3o h\u00e1 certeza quanto \u00e0 din\u00e2mica da estabilidade clim\u00e1tica do planeta, pois fen\u00f4menos de retroalimenta\u00e7\u00e3o come\u00e7ar\u00e3o a se desencadear (como o derretimento do \u00c1rtico, a libera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s metano decorrente do degelo das estepes congeladas do norte ou a liquida\u00e7\u00e3o das correntes de ar que sustentam o metabolismo do clima global), iniciando uma tend\u00eancia que pode se tornar irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, apesar do crescente consenso no meio cient\u00edfico, o lobby das multinacionais do petr\u00f3leo acabou conseguindo que a COP27 n\u00e3o assumisse nenhum compromisso de abandono do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, o principal motor do aquecimento global. Os governos capitalistas do mundo continuam tendo como principal preocupa\u00e7\u00e3o garantir as taxas de lucro das corpora\u00e7\u00f5es e multinacionais, e n\u00e3o melhorar a vida no planeta Terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 nesse quadro que foi assinado o acordo de \u201cPerdas e Danos\u201d, a partir do qual ficou estabelecido que os pa\u00edses capitalistas mais desenvolvidos utilizem parte de seus or\u00e7amentos para enfrentar os eventos catastr\u00f3ficos do aquecimento global. Quais pa\u00edses pagar\u00e3o e quais receber\u00e3o? \u00c9 algo que s\u00f3 se tentar\u00e1 definir na pr\u00f3xima COP, chutando a bola para frente. Isso j\u00e1 aconteceu no acordo anterior, no qual foi estabelecido um fundo de ajuda para a mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis, que foi desrespeitado pelas pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao deixar de falar de fundos de mitiga\u00e7\u00e3o e passar a falar em fundos diretamente para cobrir danos, o acordo reconheceu, por um lado, o estado de degrada\u00e7\u00e3o ambiental em que nos encontramos no mundo. E, por outro, ratificou que n\u00e3o h\u00e1 vontade pol\u00edtica de fazer o que deve ser feito para evitar um maior aprofundamento. Confirmou mais uma vez que sem acabar com o capitalismo em escala global e conquistar governos dos\/as trabalhadores\/as e o verdadeiro socialismo, com plena democracia oper\u00e1ria, n\u00e3o conseguiremos solu\u00e7\u00f5es de fundo para o desastre clim\u00e1tico. Neste caminho, hoje existem passos que devemos dar. Como temos proposto, pela Esquerda Socialista e pela UIT-CI: anular as d\u00edvidas externas; expropriar sem indeniza\u00e7\u00f5es as empresas petrol\u00edferas multinacionais, que durante d\u00e9cadas esconderam as informa\u00e7\u00f5es que tinham sobre o problema das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa; nacionalizar os bens energ\u00e9ticos comuns, para dinamizar uma transi\u00e7\u00e3o baseada n\u00e3o no lucro, mas na satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades populares e no respeito pelos territ\u00f3rios de onde s\u00e3o extra\u00eddos os recursos naturais necess\u00e1rios; que sejam os\/as trabalhadores\/as e setores populares que tomem em suas pr\u00f3prias m\u00e3os a luta contra o aquecimento global, e n\u00e3o os representantes dos interesses econ\u00f4micos das multinacionais que nos trouxeram at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta perspetiva, no nosso pa\u00eds, n\u00f3s, de Meio Ambiente em Luta, propusemos na Coordena\u00e7\u00e3o Basta de Falsas Soluciones a publica\u00e7\u00e3o de uma declara\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es da COP27 sob o t\u00edtulo \u201cN\u00e3o em nosso nome\u201d. Endere\u00e7ada \u00e0 delega\u00e7\u00e3o argentina no Egito, foi assinada por mais de trinta assembleias socioambientais de todo o pa\u00eds, do N\u00e3o \u00e0 Mina de Esquel \u00e0 Mar Livre de Petrol\u00edferas, passando pelas multissetoriais pelos p\u00e2ntanos; assembleias das serras de C\u00f3rdoba, Chilecito, R\u00edo Negro, Mendoza e diferentes \u00e1reas dos sub\u00farbios de Buenos Aires.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Continuar construindo um movimento socioambiental de luta e independente de governos \u00e9 uma tarefa fundamental para enfrentar as falsas promessas dos porta-vozes do capitalismo imperialista e seu circo de cada vez mais \u201cbl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1\u201d, que, como apontou Greta Thunberg, pretende pintar de verde a busca pelo lucro capitalista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nicol\u00e1s N\u00fa\u00f1ez, dirigente de Meio Ambiente em Luta (Esquerda Socialista e independentes, se\u00e7\u00e3o argentina da UIT-CI) &nbsp; As negocia\u00e7\u00f5es foram realizadas na cidade de Sharm el-Sheikh. 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