

	{"id":10108,"date":"2023-02-07T20:50:54","date_gmt":"2023-02-07T20:50:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=10108"},"modified":"2023-02-08T16:49:15","modified_gmt":"2023-02-08T16:49:15","slug":"franca-nova-greve-geral-contra-o-aumento-da-idade-de-aposentadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/02\/07\/franca-nova-greve-geral-contra-o-aumento-da-idade-de-aposentadoria\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a: nova greve geral contra o aumento da idade de aposentadoria"},"content":{"rendered":"<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-CI.<\/p>\n<p>31\/01\/2023. Na ter\u00e7a-feira, 31 de janeiro, milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras franceses realizaram a segunda greve geral do m\u00eas de janeiro, com mais de um milh\u00e3o de pessoas nas ruas. A greve anterior, de 19 de janeiro, teve magnitude semelhante. As organiza\u00e7\u00f5es sindicais n\u00e3o concordam com a reforma da previd\u00eancia, que aumenta a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos e exige 43 anos de contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m do descontentamento com a quest\u00e3o da aposentadoria, essas greves gerais e mobiliza\u00e7\u00f5es massivas expressam o descontentamento e a resist\u00eancia \u00e0 crise econ\u00f4mica que o capitalismo descarrega sobre o povo trabalhador, com sal\u00e1rios que perdem poder de compra, subindo menos do que a infla\u00e7\u00e3o; com enormes aumentos do custo da energia; com o sucateamento da sa\u00fade p\u00fablica, que est\u00e1 sendo privatizada.<\/p>\n<p>Essas grandes greves na Fran\u00e7a s\u00e3o simult\u00e2neas \u00e0s greves na Gr\u00e3-Bretanha e \u00e0 onda de greves em toda a Europa contra os planos de ajuste em cada pa\u00eds diante da crise capitalista.<\/p>\n<p>Outro fator importante que proporcionou essa massividade dos protestos foi a unidade sindical. Os organizadores destas greves e manifesta\u00e7\u00f5es foram a Intersindical, organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane as oito centrais sindicais francesas \u2013 CGT, FO, CFDT, CFTC e CFE-CGC, Unsa, Solidaires e FSU \u2013 e cinco organiza\u00e7\u00f5es de jovens. Esta Intersindical representa um avan\u00e7o importante. Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma tentativa das burocracias sindicais de controlar o movimento, que tende a ultrapass\u00e1-las. At\u00e9 agora, a Intersindical convocou as duas greves gerais, mas n\u00e3o chamou assembl\u00e9ias de base nem prop\u00f4s um plano de luta crescente, caso o governo Macron se recuse, como j\u00e1 afirmou, a retirar seu projeto de reforma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das greves gerais, h\u00e1 outros dias com greves setoriais e planos de luta espec\u00edficos para refinarias de petr\u00f3leo, energia, portos, ferrovias e professores, tamb\u00e9m com a reivindica\u00e7\u00e3o central contra a reforma da previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Os trabalhadores do setor el\u00e9trico organizaram o que chamaram de \u201cOpera\u00e7\u00e3o Robin Hood\u201d (que, segundo a lenda, tirava dos ricos para dar aos pobres), na qual distribu\u00edram eletricidade gratuita para escolas, universidades, hospitais e fam\u00edlias de baixa renda.<\/p>\n<p><strong>Luta de d\u00e9cadas<\/strong><\/p>\n<p>O ataque ao sistema previdenci\u00e1rio \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o antiga dos capitalistas franceses. Fez parte das agendas pol\u00edticas de Chirac, Hollande, Sarkozy e Macron, desde que foi eleito presidente em 2017. A primeira tentativa s\u00e9ria da burguesia francesa de rebaixar as pens\u00f5es ocorreu em 1995, com o famigerado \u201cPlano Jupp\u00e9\u201d, derrotado pelo mais importante movimento de massas realizado na Fran\u00e7a desde maio de 1968.<\/p>\n<p>O atual presidente Macron tamb\u00e9m tentou aprovar a reforma em 2019-2020, provocando a maior onda de greves das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, incluindo o movimento quase insurrecional dos \u201ccoletes amarelos\u201d e uma greve ferrovi\u00e1ria de seis meses, que obrigou seu governo a retirar a proposta de mudan\u00e7a das pens\u00f5es, que j\u00e1 tinha sido aprovada pelo Parlamento.<\/p>\n<p>Hoje, sob press\u00e3o dos grandes capitalistas, que querem preservar seus lucros diante do agravamento da crise mundial, Macron volta a tentar, embora esteja mais fraco do que em 2019.<\/p>\n<p><strong>A necessidade de um plano de luta nacional unificado<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores das refinarias e do setor el\u00e9trico da CGT, que organizaram uma greve de 48 horas, est\u00e3o convocando outra de 72 horas para 6 de fevereiro. E prop\u00f5em posteriormente uma greve por tempo indeterminado (o que significa que periodicamente assembleias e plen\u00e1rias decidir\u00e3o se a greve continua). A CGT Portos e Estaleiros organizou uma greve no dia 26 de janeiro. Na Educa\u00e7\u00e3o, os sindicatos CGT e Sud convocaram greve por tempo indeterminado a partir de 31 de janeiro, enquanto os ferrovi\u00e1rios convocaram greves de 48 horas para os dias 7 e 8 de fevereiro. Essas greves ocorreram em grande parte por press\u00e3o direta das bases.<\/p>\n<p>Como defendem alguns setores da esquerda e sindicatos de base, para derrotar o governo e sua reforma previdenci\u00e1ria \u00e9 necess\u00e1rio um plano unificado de luta, ampliando ainda mais a mobiliza\u00e7\u00e3o rumo a uma greve geral por tempo indeterminado. E, com esse objetivo, promover assembl\u00e9ias de base e \u201cassembl\u00e9ias interprofissionais\u201d (como s\u00e3o chamadas na Fran\u00e7a as assembl\u00e9ias que re\u00fanem diferentes organiza\u00e7\u00f5es sindicais) para acordar planos unificados de luta e tamb\u00e9m incorporar o conjunto das reivindica\u00e7\u00f5es, visando impor um plano econ\u00f4mico do povo trabalhador para que os grandes capitalistas paguem pela crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-CI. 31\/01\/2023. Na ter\u00e7a-feira, 31 de janeiro, milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras franceses realizaram a segunda greve geral do m\u00eas de janeiro, com mais de um milh\u00e3o de pessoas nas ruas. 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