

	{"id":10540,"date":"2023-07-18T23:33:38","date_gmt":"2023-07-18T23:33:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=10540"},"modified":"2023-07-18T23:40:40","modified_gmt":"2023-07-18T23:40:40","slug":"franca-entra-em-erupcao-novamente-diante-da-brutalidade-assassina-da-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/07\/18\/franca-entra-em-erupcao-novamente-diante-da-brutalidade-assassina-da-policia\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a entra em erup\u00e7\u00e3o novamente diante da brutalidade assassina da pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato do jovem Nahel M, de 17 anos, baleado pela pol\u00edcia em 27 de junho, provocou grandes protestos, que j\u00e1 duram duas semanas, em toda a Fran\u00e7a. Essas manifesta\u00e7\u00f5es mostram o descontentamento com a viol\u00eancia policial racista contra os jovens, que n\u00e3o \u00e9 algo isolado, assim como o descontentamento geral do povo trabalhador diante de um estado capitalista que destr\u00f3i seus direitos e reprime protestos.<\/p>\n\n\n\n<p>A explos\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 dura duas semanas, teve origem no assassinato pela pol\u00edcia do jovem Nahel, ocorrido em Nanterre, na periferia de Paris. Ele trabalhava como entregador e foi alvejado por n\u00e3o acatar a ordem de parar o carro numa blitz policial. Nos dias seguintes houve grandes passeatas. A primeira foi convocada pela m\u00e3e de Nahel, ela mesma com um cartaz em que se lia: \u201cA pol\u00edcia mata\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e de Nahel e seu pai ausente s\u00e3o de origem argelina, mas o jovem nasceu na Fran\u00e7a. Esta \u00e9 uma caracter\u00edstica de milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras dos bairros mais pobres, nascidos no pa\u00eds como filhos de argelinos ou de africanos de outras ex-col\u00f4nias francesas, que migraram para sobreviver, depois que seus pa\u00edses foram saqueados pelo imperialismo franc\u00eas. E que agora s\u00e3o m\u00e3o de obra barata e precarizada. E a pol\u00edcia exerce regularmente a viol\u00eancia racista contra eles. S\u00e3o sempre considerados como \u201csuspeitos\u201d. No caso de Nahel, seu \u00fanico crime foi desobedecer \u00e0 ordem policial, provavelmente por saber que os jovens s\u00e3o geralmente detidos sem motivo. Foram centenas de casos como esse, de assassinatos cometidos por policiais, nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os confrontos violentos entre a repress\u00e3o e os que denunciavam a pol\u00edcia, protagonizados por jovens, muitos deles adolescentes, deixaram na primeira semana, segundo o Minist\u00e9rio do Interior, 3.200 detidos; mais de 700 agentes de seguran\u00e7a feridos; 250 delegacias de pol\u00edcia atacadas; cerca de 5.000 ve\u00edculos incendiados; 10.000 lixeiras queimadas; e quase 1.000 pr\u00e9dios danificados. Milhares de jovens foram presos e centenas processados. \u200bDezenas j\u00e1 foram condenados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise francesa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que a Fran\u00e7a tem sido um dos pontos mais destacados da luta de classes europ\u00e9ia e mundial, com gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es e greves contra a reforma previdenci\u00e1ria do presidente Macron. Uma luta que durou v\u00e1rios meses, a partir do in\u00edcio do ano, e teve como caracter\u00edstica o protagonismo da classe trabalhadora, mas com a participa\u00e7\u00e3o ativa de outros setores sociais, principalmente da juventude estudantil. E tamb\u00e9m houve repress\u00e3o e s\u00e9rios confrontos com a pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos jovens dos setores mais pobres serem os protagonistas das mobiliza\u00e7\u00f5es atuais, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o com os protestos anteriores. Isso porque tais manifesta\u00e7\u00f5es expressam o profundo descontentamento e a revolta do povo trabalhador, fortemente afetado pela crise econ\u00f4mica capitalista. Os jovens filhos e filhas da classe trabalhadora veem seus av\u00f3s prejudicados na aposentadoria; seus pais muitas vezes com empregos prec\u00e1rios; e eles pr\u00f3prios se sentem condenados \u00e0 marginalidade social, sem empregos est\u00e1veis \u200b\u200be sofrendo com a repress\u00e3o policial, mesmo sem motivo. Al\u00e9m disso, quem tem emprego enfrenta o aumento do custo de vida, sem aumentos salariais.<\/p>\n\n\n\n<p>A burocracia sindical, que desgastou e travou as mobiliza\u00e7\u00f5es no in\u00edcio do ano contra a reforma da previd\u00eancia, impedindo a derrota da mesma ou a queda do governo de Macron, agora quase nada diz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo Macron, com o apoio de setores da extrema-direita e do judici\u00e1rio, est\u00e1 adotando duras medidas repressivas. Em tempo recorde, centenas de jovens foram condenados de 4 a 18 meses de pris\u00e3o, sem comprova\u00e7\u00e3o de crimes, simplesmente por terem o rosto coberto ou por estarem pr\u00f3ximos a \u00e1reas de saques. Muitos dos acusados chegaram ao tribunal com cortes e hematomas vis\u00edveis, depois de terem sido espancados pela pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, dois sindicatos de policiais, incluindo o majorit\u00e1rio Alliance, controlado pela extrema-direita, convocaram em comunicado um &#8220;combate&#8221; contra as &#8220;hordas selvagens&#8221; que protagonizam os dist\u00farbios. Houve tamb\u00e9m manifesta\u00e7\u00f5es de grupos neofascistas, sob o olhar c\u00famplice da pol\u00edcia, que agrediram os jovens manifestantes gritando \u201cFran\u00e7a para os franceses\u201d, mostrando desprezo pelos imigrantes e seus filhos e ignorando mesmo a nacionalidade francesa destes jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa viol\u00eancia policial racista contra o povo pobre n\u00e3o \u00e9 nova. Aconteceu o mesmo contra o movimento dos \u201ccoletes amarelos\u201d em 2018. Em junho de 2022, houve grandes mobiliza\u00e7\u00f5es juvenis contra a viol\u00eancia policial e o racismo de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma alternativa de luta do povo trabalhador<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rebeli\u00e3o da juventude mais pobre \u00e9 muito profunda e volta a evidenciar, como aconteceu h\u00e1 alguns meses com a grande luta em defesa das aposentadorias, a crise do regime e do sistema capitalista. E a necessidade de derrubar Macron e discutir a perspetiva de um governo do povo trabalhador, a partir de suas organiza\u00e7\u00f5es de base.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, hoje \u00e9 fundamental unificar a luta dos\/as trabalhadores\/as e dos jovens, exigindo que as centrais sindicais e a Intersindical (que re\u00fane tais centrais) voltem a enfrentar o governo de Macron, cada vez mais \u00e0 direita, com um programa unit\u00e1rio, que inclua: a exig\u00eancia de justi\u00e7a para Nahel; a liberta\u00e7\u00e3o e a anistia dos presos pelos protestos; servi\u00e7os p\u00fablicos para os bairros populares; e as reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, contra a reforma da previd\u00eancia de Macron e por aumentos salariais correspondentes \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em comunicado recente, a Rede pela Greve Geral (formada a partir de setores de base de diversas centrais sindicais durante as lutas do in\u00edcio do ano) afirmou: \u201cA Rede pela Greve Geral rejeita a l\u00f3gica de que os sindicatos devam se preocupar apenas com aposentadorias e sal\u00e1rios, e n\u00e3o com o que acontece com os jovens e trabalhadores dos nossos bairros. Para exigir justi\u00e7a e verdade para Nahel e todos os feridos, mutilados e mortos pela pol\u00edcia, nos bairros e nas manifesta\u00e7\u00f5es, devemos usar todas as nossas for\u00e7as e os nossos meios de a\u00e7\u00e3o mais significativos, em particular a greve\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI O assassinato do jovem Nahel M, de 17 anos, baleado pela pol\u00edcia em 27 de junho, provocou grandes protestos, que j\u00e1 duram duas semanas, em toda a Fran\u00e7a. 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