

	{"id":12519,"date":"2023-10-28T09:53:14","date_gmt":"2023-10-28T12:53:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=12519"},"modified":"2023-10-28T12:05:33","modified_gmt":"2023-10-28T15:05:33","slug":"vozes-palestinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/10\/28\/vozes-palestinas\/","title":{"rendered":"Vozes Palestinas"},"content":{"rendered":"<p><em>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo da p\u00e1gina 8 do jornal <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/jornal-combate-socialista\/\">Combate Socialista<\/a> n\u00ba 175.<\/em><\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400;\"><strong>A voz da comunidade palestina no Brasil<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Durante as manifesta\u00e7\u00f5es e piquetes de nosso jornal, realizando a\u00e7\u00f5es em favor da causa palestina, conversamos com alguns integrantes dessa comunidade. Aqui abrimos as p\u00e1ginas de nosso jornal para que eles pr\u00f3prios digam o que pensam, sentem e sua voz seja escutada. Com a palavra, nossos amigos palestinos e palestinas.<\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u201cTiveram que sair de Haifa em 1948 quando a tropa israelense invadiu a cidade.\u201d<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ol\u00e1. Eu sou de origem palestina. Meu pai nasceu em 1922 numa cidade pequena, perto da Haifa, e minha m\u00e3e nasceu 1925 em Akka, que significa \u201cacre\u201d em portugu\u00eas. Eles se casaram e viveram na cidade de Haifa, que \u00e9 uma das cidades mais bonitas da Palestina. Meu irm\u00e3o mais velho nasceu em Haifa, em 1948. Mas tiveram que sair de l\u00e1 com meu av\u00f4 materno em 1948, quando a tropa israelense invadiu a cidade. Foram para Beirute, no L\u00edbano, com a promessa do ex\u00e9rcito \u00e1rabe de voltar para a casa deles em duas ou tr\u00eas semanas. Mas com a derrota do ex\u00e9rcito \u00e1rabe e a situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil no L\u00edbano, com muitos refugiados, depois de um ano, meu pai decidiu ir para L\u00edbia, que oferecia uma moradia e ajuda financeira por um tempo limitado at\u00e9 poder trabalhar.\u00a0 Naquela \u00e9poca, a L\u00edbia tinha pouca popula\u00e7\u00e3o e, depois de um ano, minha m\u00e3e tamb\u00e9m foi para a L\u00edbia seguindo meu pai. Eles nunca mais puderam voltar para a Palestina.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Muhamed<\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u201cO bombardeio \u00e9 o pior filme de terror que voc\u00ea pode imaginar. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 filme, \u00e9 real.\u201d<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu nasci na Faixa de Gaza, na cidade de Rafah. Eu sou brasileira naturalizada. A cada tempo, eu vou l\u00e1 visitar meus familiares. Minhas irm\u00e3s e meus irm\u00e3os ainda moram l\u00e1. O povo palestino \u00e9 alegre, hospitaleiro. Gosta de viver em paz. A \u00faltima vez que eu consegui ir l\u00e1, estourou a guerra. Foi em 2014. Eu fui visitar minha m\u00e3e e, depois que cheguei, teve bombardeio. Come\u00e7am os avi\u00f5es a mandar bomba de madrugada. A\u00ed voc\u00ea acorda com gritos, choros, crian\u00e7as, explos\u00f5es, ambul\u00e2ncias e o povo a correr. E quando amanhece, voc\u00ea sai na rua para ver. O bombardeio \u00e9 o pior filme de terror que voc\u00ea pode imaginar. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 filme, \u00e9 real. Eu j\u00e1 vi peda\u00e7os de gente, misturados com fuma\u00e7a, com cheiro de sangue, suor, gritos. Vi crian\u00e7as pequenas sem membros, sem cabe\u00e7a. Uma coisa horr\u00edvel. N\u00e3o tem como explicar ou descrever. E eu consegui, gra\u00e7as a Deus, voltar para o Brasil e manter liga\u00e7\u00e3o com minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu reparei que o povo tem muita mis\u00e9ria. O jovem termina a faculdade e n\u00e3o tem um trabalho, n\u00e3o tem emprego. A expectativa para o futuro \u00e9 pouca. \u00c9 muito fechado, voc\u00ea n\u00e3o consegue sair para outros lugares. \u00c9 muita pobreza, muito triste. E a cada ano que eu ia l\u00e1, notava que as coisas ficavam pior.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E eu notei mais uma coisa. A cada vez eles s\u00e3o mais patriotas, mais decididos a lutar pela liberdade. Porque querem viver igual a todo mundo. Os jovens de l\u00e1 querem viver igual a qualquer jovem do mundo inteiro. Uma coisa eu tamb\u00e9m queria deixar: no mundo inteiro, no s\u00e9culo XXI, todo mundo tem p\u00e1tria, menos o povo palestino, cuja p\u00e1tria vive dentro dele. Aonde ele vai, carrega a p\u00e1tria no cora\u00e7\u00e3o, porque ele tem familiares e tem hist\u00f3ria l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se voc\u00ea tem humanidade, ent\u00e3o, tem que apoiar o povo palestino. N\u00e3o \u00e9 porque s\u00e3o palestinos, mas porque s\u00e3o seres humanos. S\u00e3o crian\u00e7as iguais as nossas crian\u00e7as aqui; s\u00e3o mulheres iguais as mulheres de todo o mundo, que querem viver em paz, felizes e com futuro. Espero que tenha solu\u00e7\u00e3o permanente para os palestinos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para \u201centrar ajuda humanit\u00e1ria\u201d. \u00c9 claro que precisam, porque agora eles est\u00e3o tomando \u00e1gua do mar, \u00e1gua salgada. Espero que tenha uma solu\u00e7\u00e3o definida e espero que o mundo inteiro trabalhe para isso. Nesse final, quero dizer somente: viva o povo palestino! Palestina livre e soberana, para sempre! Agrade\u00e7o todo o apoio que o povo palestino est\u00e1 tendo. Tem que ser humano para apoiar o outro ser humano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Mariam Abdul Aziz<\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u201cA manifesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem o car\u00e1ter de solidariedade. Mostrar ao povo palestino que eles n\u00e3o est\u00e3o sozinhos nessa luta.\u201d<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sa\u00fado a todos que est\u00e3o me ouvindo com a sauda\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, que, traduzindo, significa: \u201cque a paz, as b\u00ean\u00e7\u00e3os e a miseric\u00f3rdia de Deus estejam sobre todos\u201d. Eu sou brasileiro nato, descendente de palestinos. Participei, na Cinel\u00e2ndia, de uma manifesta\u00e7\u00e3o pr\u00f3-Palestina. \u00c9 importante destacar que esse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o, em prol desse nosso s\u00edmbolo que \u00e9 a Palestina, tem diversos pontos. O principal, talvez, \u00e9 o da conscientiza\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma forma de mostrar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o completa ou tem acesso a um determinado tipo de informa\u00e7\u00e3o, o que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 na Palestina. Como \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o, todos os desafios de um povo que est\u00e1 vivendo a ocupa\u00e7\u00e3o durante mais de 70 anos, que vive lutando por sua liberdade, sua soberania como pa\u00eds e contra o preconceito e o\u00a0<em>apartheid<\/em>\u00a0que acontecem na Palestina. E tentar trazer a aten\u00e7\u00e3o global para a situa\u00e7\u00e3o que ocorre l\u00e1. Ainda mais nesse per\u00edodo em que est\u00e1 acontecendo um genoc\u00eddio, o bombardeio de civis, com o intuito claro de limpeza \u00e9tnica. Mais de 40 fam\u00edlias j\u00e1 totalmente dizimadas, apagadas do mapa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 claro que a manifesta\u00e7\u00e3o tem uma inten\u00e7\u00e3o de press\u00e3o sobre os nossos l\u00edderes, aqui no Brasil, que t\u00eam, sim, que se posicionar com rela\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 acontecendo na Palestina. Porque algumas pot\u00eancias, como \u00e9 o caso de Israel e dos Estados Unidos, se colocam superiores \u00e0s leis internacionais, \u00e0s leis do bem-estar do ser humano. Cometem crimes internacionais que n\u00e3o devem ser cometidos durante guerras, como bombardeios a hospitais, bombardeios a popula\u00e7\u00f5es civis ou at\u00e9 mesmo impedir o acesso \u00e0quilo que \u00e9 necessidade b\u00e1sica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E n\u00e3o s\u00f3 isso: a manifesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem o car\u00e1ter de solidariedade. Mostrar ao povo palestino que eles n\u00e3o est\u00e3o sozinhos nessa luta, no que diz respeito a necessidades b\u00e1sico. Mostrar para as grandes pot\u00eancias que n\u00f3s estamos vendo aquilo e que os palestinos n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. Se n\u00f3s que somos seres humanos n\u00e3o lutarmos pelos direitos humanos, quem vai lutar por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A manifesta\u00e7\u00e3o serve para tentar conscientizar, mostrar o que realmente est\u00e1 acontecendo. A gente demonstra a cobertura da m\u00eddia sobre isso. Voc\u00ea v\u00ea que, quando iniciou o genoc\u00eddio, quando iniciou o bombardeio em Israel, citava-se muito a quest\u00e3o do Hamas ser terrorista, de que Israel tem o direito de se defender&#8230; S\u00f3 que, com o tempo, os horrores que est\u00e3o acontecendo l\u00e1 s\u00e3o t\u00e3o grandes que at\u00e9 grandes m\u00eddias come\u00e7am a desviar o assunto, come\u00e7am a n\u00e3o falar mais nesse vi\u00e9s pol\u00edtico e come\u00e7am a demonstrar mais a verdade. Porque \u00e9 isso que todo mundo est\u00e1 vendo. Eu espero que isso traga mais conscientiza\u00e7\u00e3o a todos aqueles que est\u00e3o me ouvindo e que seja uma mensagem de paz, de luta para uma consci\u00eancia maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que \u00e9 nosso direito, que n\u00e3o pode ser subjugado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Salah Ahmad<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reprodu\u00e7\u00e3o do artigo da p\u00e1gina 8 do jornal Combate Socialista n\u00ba 175. A voz da comunidade palestina no Brasil Durante as manifesta\u00e7\u00f5es e piquetes de nosso jornal, realizando a\u00e7\u00f5es em favor da causa palestina, conversamos com alguns integrantes dessa comunidade. 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