

	{"id":1276,"date":"2016-06-16T22:08:09","date_gmt":"2016-06-16T22:08:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=1276"},"modified":"2016-06-16T22:08:09","modified_gmt":"2016-06-16T22:08:09","slug":"contra-o-patriarcado-sim-contra-o-capitalismo-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2016\/06\/16\/contra-o-patriarcado-sim-contra-o-capitalismo-tambem\/","title":{"rendered":"Contra o patriarcado, sim. Contra o Capitalismo, tamb\u00e9m."},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Reproduzimos uma pol\u00eamica das Mulheres de Izquierda Socialista (Argentina) com as companheiras do Partido Obrero, os dois partidos que conformam a FIT (Frente de Esquerda)<\/p><\/blockquote>\n<p><b>Debate com os companheiros do Partido Obrero sobre a luta contra a opress\u00e3o \u00e0s mulheres<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima semana e com a multitudin\u00e1ria mobiliza\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>Nem uma a menos\u00a0<\/i>no meio, alguns dirigentes do Partido Obrero t\u00eam expressado, atrav\u00e9s das redes sociais, sua posi\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1cter que deve ter a luta das mulheres trabalhadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Mulheres de Izquierda Socialista, em nome de nosso partido, queremos polemizar fraternalmente com essa posi\u00e7\u00e3o dos companheiros do PO, integrante da FIT, j\u00e1 que entendemos que denota um grave erro de an\u00e1lise que tem, como n\u00e3o poderia ser de outra maneira, repercuss\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os companheiros do Partido Obrero sustentam:\u00a0<i>\u201cA luta n\u00e3o \u00e9 contra o &#8220;patriarcado&#8221;, mas por terminar com toda forma de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, ou seja, com o capitalismo.\u201d.<\/i>\u00a0Poder\u00edamos ter escolhido outras express\u00f5es de caracter\u00edsticas semelhantes; entendemos, por\u00e9m, que essa frase engloba com bastante clareza a pol\u00e9mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s afirmamos que a luta \u00e9 sim contra o patriarcado (sem aspas) e contra o capitalismo, porque entendemos eles como duas formas de domina\u00e7\u00e3o que se complementam para superexplorar as mulheres trabalhadoras e formam um mesmo sistema: o capitalismo patriarcal. A explora\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 machista e patriarcal desde sua origem e em seu sentido mais profundo, como tem sido em todas as sociedades de classes. N\u00e3o podemos perder nunca de vista isto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como marxistas, sabemos que a principal divis\u00e3o da sociedade \u00e9 a divis\u00e3o em classes sociais: exploradores, por um lado, e explorados, pelo outro. Em ambos bandos h\u00e1 pessoas de todos os g\u00e9neros, na\u00e7\u00f5es e cores. Reconhecer essa divis\u00e3o antag\u00f4nica da sociedade serve-nos para nos colocarmos sempre do lado dos explorados, sem exce\u00e7\u00e3o, e para lutar por mudar revolucionariamente as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o que degradam a imensa maioria da humanidade e a mant\u00eam na mis\u00e9ria. Por\u00e9m, como socialistas revolucion\u00e1rios\/as, n\u00e3o s\u00f3 lutamos contra a explora\u00e7\u00e3o, mas contra todas as formas de opress\u00e3o. E n\u00e3o s\u00f3 porque s\u00e3o injustas, mas porque no capitalismo ambas se combinam para esmagar duplamente os oprimidos. O capitalismo, mais ainda na sua \u00e9poca imperialista, aproveita todas as situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o, noutras palavras, todas as \u201cdiferen\u00e7as\u201d culturais ou ideol\u00f3gicas que encontra ou cria na sua passagem para separar a classe dos explorados e imprimir distintos n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim como conseguem aumentar a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia nalguns setores sociais: os negros nos Estados Unidos, os palestinos em Israel, os bolivianos na Argentina, e as mulheres em todo o planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante uma precis\u00e3o neste sentido. H\u00e1 explora\u00e7\u00e3o e h\u00e1 opress\u00e3o, \u00e9 verdade. Por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 certo dizer simplesmente que a opress\u00e3o \u00e9 machista e a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 capitalista. Ambas s\u00e3o as duas coisas ao mesmo tempo. Noutras palavras, a mulher que \u00e9 oprimida no lar, tamb\u00e9m \u00e9 explorada como dona de casa pelo seu trabalho n\u00e3o retribu\u00eddo nas tarefas de reprodu\u00e7\u00e3o, e a mulher que \u00e9 explorada no trabalho assalariado -ao igual que seus companheiros homens- tamb\u00e9m \u00e9 oprimida, particularmente recebendo sal\u00e1rios menores, tarefas menos qualificadas, acosso laboral, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O patriarcado, quer dizer, o sistema milenar que propicia a opress\u00e3o das mulheres pelos homens, surgiu na passagem da barb\u00e1rie \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o com a instaura\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia monog\u00e2mica e significou -em palavras de Engels- a maior derrota hist\u00f3rica das mulheres. Com o aparecimento desta opress\u00e3o surgiu a primeira forma de propriedade privada e com isso, a primeira forma de explora\u00e7\u00e3o:\u00a0<i>\u201co primeiro antagonismo de classes que apareceu na hist\u00f3ria coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia; e a primeira opress\u00e3o de classes, com a do sexo feminino pelo masculino.\u201d (\u2026) \u201cO homem \u00e9 na fam\u00edlia o burgu\u00eas; a mulher representa na fam\u00edlia o prolet\u00e1rio\u201d.\u00a0<\/i>A passagem \u00e0 fam\u00edlia monog\u00e2mica respondeu \u00e0 necessidade de os homens estabelecerem a linha paterna e garantir a heran\u00e7a dos primeiros bens de propriedade privada que existiram. Quer dizer, o patriarcado n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma ideologia nem muito menos uma moda; \u00e9 um sistema de opress\u00e3o com bases materiais que se combina, em nossos dias, com o capitalismo para conseguir explorar em maior medida a metade da humanidade, as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s tamb\u00e9m de redes sociais, o companheiro Jorge Altamira da dire\u00e7\u00e3o do Partido Obrero, declarou que n\u00e3o estava certo \u201cpenalizar\u201d o machismo. Com certeza, nossa tarefa n\u00e3o \u00e9 penalizar. Por\u00e9m, nos parece sim importante discutir que o machismo \u00e9 uma ideologia que as classes dominantes utilizam como falsa consci\u00eancia, porque \u00e9 funcional ao interesse capitalista, por isso temos que denuncia-lo e combate-lo. Recordemos simplesmente o caso do feminic\u00eddio conhecido no ano passado no qual um capataz assassinou uma das garotas que trabalhava na fazenda e declarou ter feito isso porque: \u201cela n\u00e3o me registrava, me ignorava\u201d. Isto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser explicado s\u00f3 pelas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de explora\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso compreender o conte\u00fado profundamente patriarcal das rela\u00e7\u00f5es humanas nas quais a mulher \u00e9 objeto de uso do homem. \u00c9 verdade que entre um proxeneta que trafica mulheres e um oper\u00e1rio metal\u00fargico, embora ambos possam ser machistas, h\u00e1 um abismo. Ao burgu\u00eas ou ao mafioso que vive do tr\u00e1fico de mulheres, n\u00f3s queremos que seja perseguido, que v\u00e1 preso, acabar com seu repugnante \u201cneg\u00f3cio\u201d. Ao oper\u00e1rio, n\u00f3s queremos educa-lo, explicar para ele pacientemente que sua inimiga n\u00e3o \u00e9 a mulher, mas os patr\u00f5es. Como destaca lucidamente Evelyn Reed:<i>\u00a0\u201cNo curso de nossa luta e como parte da mesma, reeducaremos os homens que tenham sido induzidos a acreditar cegamente que as mulheres s\u00e3o por natureza o sexo inferior, devido a alguma<\/i><i>tara\u00a0em sua estrutura biol\u00f3gica. Os homens dever\u00e3o aprender que seu chauvinismo e sua superioridade s\u00e3o outras das armas em m\u00e3os dos patr\u00f5es para conservar o seu poder.\u201d\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante entender que n\u00e3o alcan\u00e7a s\u00f3 com abrir o guarda-chuvas de: lutamos contra toda forma de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. A luta democr\u00e1tica pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres tem especificidades pr\u00f3prias inilud\u00edveis.\u00a0Tanto \u00e9 assim, que na Argentina, est\u00e1 se desenvolvendo um importante crescimento das lutas do movimento das mulheres por reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. A tarefa de os\/as socialistas revolucion\u00e1rios\/as n\u00e3o pode ser negar essas reivindica\u00e7\u00f5es particulares e coloca-las no mesmo saco de todas as reclama\u00e7\u00f5es sociais. As lutas democr\u00e1ticas do movimento de mulheres t\u00eam um conte\u00fado profundamente antigovernamental, anticlerical e progressivo que temos que desenvolver e n\u00e3o negar. Faz j\u00e1 muitas d\u00e9cadas, os partidos oper\u00e1rios da Segunda e da Terceira Internacional t\u00eam se encarregado de discutir as melhores t\u00e1cticas para somar \u00e0s mulheres oper\u00e1rias a suas fileiras. Tirar especificidade a suas lutas, empurra as mulheres trabalhadoras que est\u00e3o sendo parte agora desta vanguarda que sai \u00e0s ruas, n\u00e3o a nossas fileiras, mas \u00e0s de nosso inimigos de classe que, como vemos, t\u00eam sim pol\u00edtica espec\u00edfica para elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Mulheres de Izquierda Socialista somos parte das lutas feministas que est\u00e3o se desenvolvendo. Coincidimos muitas vezes, embora com debates, junto a companheiras do Plen\u00e1rio de Trabalhadoras, de P\u00e3o e Rosas, da Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto, e de muitas outras organiza\u00e7\u00f5es de mulheres. Se, como expressam estes dirigentes do PO, n\u00e3o tiv\u00e9ssemos que lutar contra o machismo e o patriarcado, ter\u00edamos que falar para milhares de mulheres que est\u00e3o saindo mobilizadas para as ruas que renunciem a suas palavras de ordem contra a viol\u00eancia machista, pelo\u00a0<i>Nem uma a menos<\/i>, o acosso laboral (repugnante express\u00e3o cotidiana do machismo) e todas as palavras de ordem concretas que se levantam contra o machismo e o patriarcado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que n\u00e3o haver\u00e1 plena emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres at\u00e9 n\u00e3o acabar com a explora\u00e7\u00e3o capitalista e que triunfe a revolu\u00e7\u00e3o socialista. Isso, por\u00e9m, tamb\u00e9m n\u00e3o significa automaticamente o triunfo contra as rela\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o patriarcais. Por isso, a tarefa dos\/as socialistas revolucion\u00e1rios\/as deve ser a de empurrar a lucha antipatriarcal antes e depois do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o. Apoiamos as luchas de todo tipo das mulheres no mundo todo, e dentro do movimento feminista nos alinhamos junto \u00e0s mulheres da classe trabalhadora para acabar com a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o, na luta pelo Socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><i>Mulheres de Izquierda Socialista na Frente de Esquerda<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzimos uma pol\u00eamica das Mulheres de Izquierda Socialista (Argentina) com as companheiras do Partido Obrero, os dois partidos que conformam a FIT (Frente de Esquerda) Debate com os companheiros do Partido Obrero sobre a luta contra a opress\u00e3o \u00e0s mulheres Na \u00faltima semana e com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1278,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55],"tags":[68,187,186],"class_list":["post-1276","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulheres","tag-feminismo","tag-mullheres","tag-ni-una-a-menos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1276\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}