

	{"id":128,"date":"2012-04-10T15:50:00","date_gmt":"2012-04-10T15:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2012\/04\/10\/arquivoid-9163\/"},"modified":"2012-04-10T15:50:00","modified_gmt":"2012-04-10T15:50:00","slug":"arquivoid-9163","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2012\/04\/10\/arquivoid-9163\/","title":{"rendered":"Bol\u00edvia: 60 anos da insurrei\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria de 1952"},"content":{"rendered":"<p>Quando os mineiros e camponeses tiveram o poder em suas m\u00e3os. | La Protesta (Bolivia), tradu\u00e7\u00e3o neide solim\u00f5es<\/p>\n<p>Para muitos na Bol\u00edvia trata-se de uma \u201cfesta\u201d do MNR. No entanto, o MNR e seu principal dirigente Paz Estenssoro tra\u00edram a  grande revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa de 1952. Foram as mil\u00edcias mineiras e oper\u00e1rias que derrotaram o ex\u00e9rcito de La Rosca, dominaram La Paz e iniciaram a grande revolu\u00e7\u00e3o, cujos ensinamentos seguem presentes. <\/p>\n<p>Incrivelmente o 60\u00ba anivers\u00e1rio de um dos fatos mais importantes da hist\u00f3ria boliviana, desde qualquer posi\u00e7\u00e3o que o julgue, \u00e9 quase ignorado. E os restos do MNR que o comemoram,  tergiversam, tratando de atribuir-se o m\u00e9rito das grandes mudan\u00e7as ocorridas em 1952.  Velhos mineiros, sobreviventes daquele per\u00edodo, o festejam na intimidade de sua casa.<\/p>\n<p>Cremos que esta conspira\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9, em absoluto, casual. Sen\u00e3o que mais bem responde \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de apagar da mem\u00f3ria hist\u00f3rica uma das maiores datas revolucion\u00e1rias oper\u00e1rias e camponesas da Am\u00e9rica Latina no S\u00e9culo XX. Por esse mesmo motivo, para La Protesta \u00e9 uma necessidade se comemorar este grande fato j\u00e1 que necessitamos seus ensinamentos para o presente. <\/p>\n<p>Bol\u00edvia em 1952 <\/p>\n<p>Em 1952, a popula\u00e7\u00e3o de Bolivia era cerca de 3100000  habitantes, dos quais 23% era popula\u00e7\u00e3o urbana. Quase 90% era analfabeta e sem direito a voto. A terra estava em m\u00e3os de uma pequena oligarquia e os ind\u00edgenas reduzidos \u201cal pongaje\u201d (uma situa\u00e7\u00e3o de quase escravid\u00e3o).<br \/>\nSobre uma estrutura econ\u00f3mica atrasada e arcaica se desenvolvia uma das principais pra\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o de estanho do mundo. A ind\u00fastria mineira boliviana se concentrava em tr\u00eas grandes companhias transnacionais, as de Sim\u00f3n Pati\u00f1o, Guillermo Aramayo e Mauricio Hoschild, associadas \u00e0 empresas ianques e inglesas.<\/p>\n<p>As Teses de Pulacayo. <\/p>\n<p>Em junho de 1946 se produziu o golpe militar que derrubou e assassinou a Villarroel, um militar nacionalista. O golpe foi dado por La Rosca com apoio do estalinismo (chamado PIR nesse momento). Mediante o pacto de Yalta, firmado no fim da guerra, Stalin havia acordado prorrogar a alian\u00e7a mundial com o imperialismo norteamericano e brit\u00e2nico que se hav\u00eda produzido na guerra contra Hitler na Europa. Por isso, para o PIR estalinista, o governo de Villarroel era \u201cnazi-fascista\u201d e La Rosca parte da \u201cfrente democr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>A trai\u00e7\u00e3o do estalinista PIR de apoiar tanto o golpe de la Rosca como o posterior governo em que tiveram inclusive ministros, os fez perder toda influ\u00eancia sobre os trabalhadores mineiros, que eram os mais organizados. Ante o golpe, os trabalhadores mineiros que j\u00e1 tinham organizado seus sindicatos, fizeram um Congresso da Federa\u00e7\u00e3o Mineira em novembro de 1946 e votaram as \u201cTeses de Pulacayo\u201d, nas quais declaram sua total independ\u00eancia pol\u00edtica, sua oposi\u00e7\u00e3o ao governo de La Rosca e um programa de transi\u00e7\u00e3o para o socialismo e um governo dos trabalhadores. Pouco depois ganharam deputados mineiros nas elei\u00e7\u00f5es. Estes deputados mineiros, entre os quais estavam Juan Lech\u00edn e Guillermo Lora, utilizaram seu cargo para denunciar La Rosca e terminaram expulsos do Congreso.<\/p>\n<p>Em 1951, ainda que s\u00f3 votavam os 10% que sabiam ler, ganhou as elei\u00e7\u00f5es presidenciais o MNR encabe\u00e7ado por V\u00edctor Paz Estenssoro. Nessa \u00e9poca o MNR tinha defini\u00e7\u00f5es antiimperialistas, expressando um setor pequeno burgu\u00eas. Por isso o regime de La Rosca dos magnatas mineiros, apoiado pelo ex\u00e9rcito, se negou a entregar-lhes o poder.<\/p>\n<p>A insurrei\u00e7\u00e3o derrota o ex\u00e9rcito<\/p>\n<p>Por\u00e9m essa ditadura militar durou pouco. O MNR tentava negociar com os militares, com Paz Estenssoro exilado em Buenos Aires. Siles Suazo conspirava desde La Paz. Por sua parte, Juan Lech\u00edn, dirigente mineiro pertencente ao mesmo partido que Siles, chamou os trabalhadores a levantar-se contra a ditadura. Assim, em poucas horas, detonou o \u00f3dio acumulado e tudo come\u00e7ou a mudar.<\/p>\n<p>Em abril de 1952 explodiu uma insurrei\u00e7\u00e3o popular encabe\u00e7ada pelos mineiros. Os oper\u00e1rios chegaram a La Paz, armados com dinamite. Assaltaram o arsenal central e  a base a\u00e9rea, conseguiram muni\u00e7\u00f5es e resistiram ao bombardeio da cidade pelo ex\u00e9rcito. Um setor da pol\u00edcia se juntou \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o. Em Oruro, os mineiros tomaram a Regi\u00e3o Militar e a Prefeitura. Aos tr\u00eas dias, o ex\u00e9rcito tinha desmoronado ante o poder das mil\u00edcias armadas, oper\u00e1rias e camponesas que se haviam organizado em sindicatos e j\u00e1 dominavam a cidade e o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o da COB entregou o poder a Paz Estenssoro<\/p>\n<p>Os trabalhadores tinham as armas, tinham os sindicatos com um forte poder territorial e a COB em n\u00edvel nacional e decidiam sobre o abastecimento de alimentos e o transporte. Se fundou a Central Obrera Boliviana. Seu principal dirigente era Juan Lech\u00edn, que compartilhava a dire\u00e7\u00e3o com um o POR, que ent\u00e3o respondia \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de Ernest Mandel, (corrente internacional que hoje se denomina Secretariado Unificado). Estavam dadas todas as condi\u00e7\u00f5es para que a COB assumisse formalmente o poder que de fato estava nas m\u00e3os das mil\u00edcias oper\u00e1rias e camponesas e da COB. Por\u00e9m sua dire\u00e7\u00e3o optou pelo caminho oposto: convocaram a Paz Estenssoro, que voltou do ex\u00edlio em 14 de abril, e lhe presentearam com a presid\u00eancia.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa segu\u00eda e pressionava sobre o governo. Se conseguiu a nacionaliza\u00e7\u00e3o de todas as minas. Os camponeses avan\u00e7aram e ocuparam as fazendas no altiplano e os vales terminando com a  \u201cpongaje\u201d e conseguindo recuperar as terras com a reforma agr\u00e1ria. Tamb\u00e9m se conquistou o voto universal, incluindo as maiorias ind\u00edgenas e as mulheres.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o MNR no poder imediatamente pactuou com a burguesia e o imperialismo. Integrou o governo, Lech\u00edn e alguns dirigentes da COB, por\u00e9m a servi\u00e7o de manter a propriedade privada e o regime econ\u00f4mico burgu\u00eas capitalista. Assim, entregaram o petr\u00f3leo que estava nacionalizado desde a d\u00e9cada de trinta, aos ianques.<\/p>\n<p>No Oriente do pa\u00eds o MNR repartiu a terra ind\u00edgena entre seus dirigentes e amigos. Ainda que demoraram  dez anos, conseguiram  desarmar as mil\u00edcias e, com assessoramento e armas ianques, recompor o ex\u00e9rcito burgu\u00eas repressivo. Em 1964 um novo golpe militar imp\u00f4s na presid\u00eancia um general Ren\u00e9 Barrientos, encerrando assim um dos cap\u00edtulos revolucion\u00e1rios mais importantes da hist\u00f3ria de Bol\u00edvia e de Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<p>Os trabalhadores e os camponeses podiam governar.<\/p>\n<p>A grande li\u00e7\u00e3o de 1952 \u00e9 que os trabalhadores, camponeses e ind\u00edgenas, encabe\u00e7ando a COB e os sindicatos, podiam ter assumido o poder pol\u00edtico (se a COB tivesse decidido n\u00e3o hav\u00eda nenhuma for\u00e7a capaz de impedi-la) e fazer mudan\u00e7as de fundo que j\u00e1 estava definido nas teses mineiras de Pulacayo: apoiando-se no j\u00e1 conquistado, expropriar o conjunto dos grandes capitalistas e fazendeiros e iniciar a constru\u00e7\u00e3o de uma economia socialista, convocando aos trabalhadores latino-americanos a fazer o mesmo. Tr\u00eas anos antes hav\u00eda triunfado uma revolu\u00e7\u00e3o dos camponeses pobres na China, que havia expropriado os capitalistas e fazendeiros. O imperialismo estava intervindo na Cor\u00e9ia para frear a revolu\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica. Em um mundo convulsionado, a conquista do poder pela COB e uma revolu\u00e7\u00e3o socialista na Bol\u00edvia haveria sido um poderoso impulso para uma revolu\u00e7\u00e3o latino-americana, 7 anos antes da revolu\u00e7\u00e3o cubana.<\/p>\n<p>O caminho de pactuar com interesses capitalistas e transnacionais, levou \u00e0 derrota. Juan Lech\u00edn e tamb\u00e9m a dire\u00e7\u00e3o do POR e do PC de ent\u00e3o, s\u00e3o respons\u00e1veis por haver chamado a classe trabalhadora e os camponeses a confiar em Paz Estenssoro em vez de assumir o poder com a COB.<\/p>\n<p>Em  2003 a hist\u00f3ria se repetiu.<\/p>\n<p>Em outras oportunidades se votaram a repetir circunst\u00e2ncias parecidas na Bol\u00edvia. Em outubro de 2003, quando foi derrotado o Goni por uma insurrei\u00e7\u00e3o popular, dirigentes da FEJUVE de El Alto reivindicaram a necessidade de conquistar o poder para o movimento oper\u00e1rio, ind\u00edgena, popular e campon\u00eas, com a COB, a FEJUVE e outras organiza\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, ficaram s\u00f3s.<br \/>\nHavia enormes condi\u00e7\u00f5es, pela divis\u00e3o do ex\u00e9rcito e o poder popular nas ruas. No entanto, Evo Morales e o MAS, junto aos operadores do imperialismo e a burguesia conseguiram reunir o Congresso para eleger Carlos Mesa. Antes tiveram que pedir permiss\u00e3o \u00e0 COB para que pudessem entrar os deputados e senadores.<\/p>\n<p>Em 2005 um novo levante popular terminou com a queda de Carlos Mesa e tiveram que convocar elei\u00e7\u00f5es nas quais triunfou o MAS com 54% dos votos. Por\u00e9m o MAS n\u00e3o ganhou o poder para o povo, mas de entrada pactuou com os patr\u00f5es. Parece seguir as trilhas do MNR, pactua com os patrones e o imperialismo e reprime o povo que o levou ao poder.<\/p>\n<p>La Protesta se constitui como organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria fundada por  ex- dirigentes da FEJUVE, para lutar para que as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, populares, camponesas e ind\u00edgenas, tomem o poder pol\u00edtico, organizadas de forma democr\u00e1tica desde suas bases, para conquistar uma Bol\u00edvia socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando os mineiros e camponeses tiveram o poder em suas m\u00e3os. | La Protesta (Bolivia), tradu\u00e7\u00e3o neide solim\u00f5es Para muitos na Bol\u00edvia trata-se de uma \u201cfesta\u201d do MNR. 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