

	{"id":1307,"date":"2016-06-25T23:11:16","date_gmt":"2016-06-25T23:11:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=1307"},"modified":"2016-07-07T21:09:37","modified_gmt":"2016-07-07T21:09:37","slug":"polemica-a-derrubada-do-muro-derrota-ou-triunfo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2016\/06\/25\/polemica-a-derrubada-do-muro-derrota-ou-triunfo\/","title":{"rendered":"Pol\u00eamica | A derrubada do Muro, derrota ou triunfo? *"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">por<i> Silvia Santos e Diego Vitello (CST\/PSOL)<\/i><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, passados pouco mais de um quarto de s\u00e9culo da derrubada do Muro de Berlim e do colapso da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS), este continua um debate fundamental na esquerda em n\u00edvel mundial. Localizar de forma precisa o seu significado, o seu impacto para a luta da classe trabalhadora no \u00e2mbito mundial e, mais que tudo, para a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para a nossa classe, \u00e9 uma das tarefas mais importantes e at\u00e9 hoje tem importantes desdobramentos na pol\u00edtica cotidiana de qualquer organiza\u00e7\u00e3o que se pretenda revolucion\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Neste sentido, pela import\u00e2ncia do debate, queremos nos dirigir primeiramente a um setor de companheiros do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e da Liga Internacional de los Trabajadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-CI), que publicitaram seus debates acerca do tema na Revista Te\u00f3rica da LIT-CI, a Marxismo Vivo 7. O texto assinado pelo companheiro Paulo Aguena, onde afirma que<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">: \u201c[..] n\u00e3o h\u00e1 como deixar de concluir que os acontecimentos do leste que culminaram com a restaura\u00e7\u00e3o capitalista e no desaparecimento dos ex. estados oper\u00e1rios significaram uma derrota hist\u00f3rica\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> rev\u00ea completamente o car\u00e1ter da etapa na qual estamos, mereceu nossa aten\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m o conjunto das\u00a0organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que subestimam a import\u00e2ncia do combate \u00e0s novas dire\u00e7\u00f5es reformistas. Particularmente, nos referimos ao Movimento Esquerda Socialista (MES), corrente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) que tamb\u00e9m proveem da antiga LIT-CI dos anos 1980 e que abandonou o morenismo passando a ser hoje uma corrente essencialmente mandelista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Devido \u00e0 import\u00e2ncia deste debate e seus l\u00f3gicos desdobramentos pol\u00edticos para atua\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios na realidade, queremos com este texto contribuir com a nossa vis\u00e3o do significado das Revolu\u00e7\u00f5es Pol\u00edticas no Leste Europeu que sepultaram o aparato stalinista\u00a0e nossa contribui\u00e7\u00e3o sobre uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria em meio a etapa aberta ap\u00f3s 1989.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A queda do stalinismo significou uma derrota hist\u00f3rica para os povos do mundo? Ou facilitou de tal forma a constru\u00e7\u00e3o de alternativas revolucion\u00e1rias que j\u00e1 n\u00e3o temos nenhum inimigo \u2013reformista e\/ou contrarrevolucion\u00e1rio a combater?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Do nosso ponto de vista estas duas interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o igualmente equivocadas e levam a conclus\u00f5es pol\u00edticas e pr\u00e1ticas que ainda que apare\u00e7am diferenciadas, tem elementos muito similares. A primeira a um propagandismo derrotista que muitas das vezes termina no oportunismo; a segunda mais claramente a uma pol\u00edtica oportunista pois abandona a luta contra as dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias no seio da classe trabalhadora e no movimento de massas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A modo de simples introdu\u00e7\u00e3o podemos afirmar que os levantes populares que se espalharam nos pa\u00edses do Leste Europeu e na ex-URSS derrubando as ferozes ditaduras do partido \u00fanico estalinista significaram um fato de dimens\u00f5es hist\u00f3ricas que marcam de forma contundentes este novo s\u00e9culo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nada do que acontece desde ent\u00e3o pode ser explicado se n\u00e3o damos esse marco. Como explicar o que est\u00e1 acontecendo agora na Fran\u00e7a, onde s\u00e3o quase tr\u00eas meses que os trabalhadores e a juventude enfrentam com greves e manifesta\u00e7\u00f5es nacionais e radicalizadas uma nova tentativa de reforma trabalhista, colocando em perigo n\u00e3o somente o governo do socialdemocrata Hollande, mas a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia (UE)? Como explicar a crise sem solu\u00e7\u00e3o da economia mundial; as ferozes lutas e greves que se espalham pelo mundo afora, a ruptura de massas com o Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o desastre <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">dos partidos comunistas e socialdemocratas sobre tudo na Europa Ocidental? Mas, e sobre tudo, como compreender as rebeli\u00f5es contra as velhas dire\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas, os m\u00e9todos de democracia direta, a rejei\u00e7\u00e3o aos partidos e aos aparelhos, os novos organismos e formas de organiza\u00e7\u00e3o que existem se n\u00e3o for a partir da derrubada do monstruoso aparelho mundial estalinista?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Se Trotsky chamou no seu texto de dezembro de 1939 Stalin e Hitler de \u201cOs astros g\u00eameos\u201d e, em 11\/03\/1939 no seu texto define que\u00a0 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNa realidade, os m\u00e9todos pol\u00edticos de Stalin n\u00e3o se diferenciam de maneira alguma dos de Hitler\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> visto que\u00a0 o regime da burocracia totalit\u00e1ria stalinista, desde1923 esmagou as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1917, assassinou seus principais protagonistas, amorda\u00e7ou seus povos, mandou matar os que ousaram divergir ou os enviou para campos de trabalho for\u00e7ado ou cl\u00ednicas psiqui\u00e1tricas, com o regime nazista, podemos dizer que a sua derrota para a classe oper\u00e1ria mundial \u00e9 compar\u00e1vel <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(tirando as especificidades<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) \u00e0 derrota do nazismo em Stalingrado em 1949. O primeiro, ao servi\u00e7o de preservar os privil\u00e9gios nababescos da casta burocr\u00e1tica do estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico; o nazismo, a servi\u00e7o do imperialismo alem\u00e3o e mundial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A queda do stalinismo significou o fim dos acordos contrarrevolucion\u00e1rios de Yalta e Potsdam onde a burocracia pactuou com o imperialismo a divis\u00e3o do mundo e fez da colabora\u00e7\u00e3o de classes a n\u00edvel nacional e internacional sua pr\u00e1tica quotidiana, contribuindo ao inst\u00e1vel equil\u00edbrio que possibilitou a sobreviv\u00eancia e o fortalecimento relativo do imperialismo durante quase 50 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos assim frente a uma etapa, que n\u00e3o tem s\u00f3 elementos novos, ou com alguns diferenciais da anterior, mas absolutamente nova, apesar que, como sempre acontece, permanecem elementos do per\u00edodo anterior.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0O mais importante deles \u00e9 que a crise de dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de ter sido superada. Mas n\u00e3o tem a ver com uma suposta derrota hist\u00f3rica do movimento de massas. Porque se recriam novos aparelhos reformistas? Porque n\u00e3o houve nenhum outro processo revolucion\u00e1rio que terminara expropriando \u00e0 burguesia como foi na segunda p\u00f3s-guerra, at\u00e9 metade da d\u00e9cada de 70?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesta nova etapa, a diferen\u00e7a do per\u00edodo da segunda p\u00f3s guerra, n\u00e3o h\u00e1 nem haver\u00e1 correntes burguesas dispostas a enfrentar, de forma consequente o imperialismo, salvo exce\u00e7\u00f5es. A regra, ser\u00e1 a mais absoluta capitula\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o aos planos das multinacionais e do imperialismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesta nova etapa, ser\u00e3o exce\u00e7\u00f5es as correntes com origem na pequena burguesia que se proponham a tomada de poder. Dificilmente haver\u00e1 guerrilhas ou movimentos de origem n\u00e3o oper\u00e1rio dispostas a expropriar \u00e0 burguesia. Estes fatos, que foram regra no per\u00edodo anterior ser\u00e3o exce\u00e7\u00f5es nesta nova etapa. A raz\u00e3o disto, \u00e9 que frente a crise econ\u00f4mica e a rebeli\u00e3o das bases, as dire\u00e7\u00f5es burguesas ou com origem na pequena burguesia preferir\u00e3o &#8211; \u00a0e preferem &#8211; \u00a0colaborar e se curvar \u00e0 voracidade imperialista, a encabe\u00e7ar uma luta at\u00e9 o fim. Isto \u00e9 assim pois hoje n\u00e3o existe sa\u00edda intermedi\u00e1ria, n\u00e3o existem margens econ\u00f4micas para o nacionalismo burgu\u00eas dar concess\u00f5es duradouras, nem para experi\u00eancias burocr\u00e1ticas controlando o movimento de massas, pois estamos em tempos de rebeli\u00e3o, tempos de nega\u00e7\u00e3o dos \u201ccomandantes\u201d ou dos \u201csecret\u00e1rios gerais\u201d ainda que se autodenominem de esquerda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Podemos afirmar com certeza que nenhuma dessas \u201cnovas\u201d dire\u00e7\u00f5es durar\u00e1 cerca de 70 anos, como foi o dom\u00ednio do stalinismo. Vejamos o chavismo, agonizando com Maduro, ap\u00f3s 18 anos, ou Syriza, que virou \u201cvelho\u201d e rejeitado pelo movimento de massas, em menos de um ano, ap\u00f3s sua fulminante trai\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como a crise aguda da economia imperialista mundial \u00e9 um marco imprescind\u00edvel para entender esta nova etapa, o outro elemento \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o capitalista que terminou se impondo nos antigos estados oper\u00e1rios burocratizados, pela m\u00e3o da burocracia e do imperialismo trouxe falsas ilus\u00f5es e muita confus\u00e3o na consci\u00eancia do movimento de massas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como existe um importante avan\u00e7o na consci\u00eancia anticapitalista, h\u00e1 tamb\u00e9m uma rejei\u00e7\u00e3o em formar partidos. Em amplos setores da vanguarda lutadora se nega a import\u00e2ncia da centraliza\u00e7\u00e3o, do programa, da dire\u00e7\u00e3o, se fortalecem, temporariamente, setores anarquistas, autonomistas, etc.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Da nossa parte, em que pese a todas essas contradi\u00e7\u00f5es, celebramos a sepultura do aparelho stalinista. Consideramos estes processos revolucion\u00e1rios como uma enorme contribui\u00e7\u00e3o dos trabalhadores desses pa\u00edses ao processo da luta de classe mundial, abrindo novamente a possibilidade de superar a terr\u00edvel crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que perdura at\u00e9 os dias de hoje.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O eixo central da nova etapa, ao redor da qual \u00e9 preciso e urgente reorganizar a esquerda, \u00e9\u00a0articular o programa, colocando o\u00a0problema do poder oper\u00e1rio e popular no centro, para avan\u00e7ar para o socialismo com democracia oper\u00e1ria e levantar a necessidade do partido revolucion\u00e1rio com centralismo democr\u00e1tico, o que enfrenta n\u00e3o s\u00f3 as l\u00f3gicas confus\u00f5es das pessoas, mas tamb\u00e9m as capitula\u00e7\u00f5es de correntes revisionistas e\/ou neoreformistas. Estas t\u00eam como estrat\u00e9gia a de \u2018mudar o mundo sem tomar o poder\u201d, que h\u00e1 que fazer partidos com os reformistas, pois o programa \u00e9 secund\u00e1rio, que se deve funcionar por consenso, ou outras ideologias nesse estilo.\u00a0Neste mesmo sentido, o revisionismo nas fileiras do trotskismo cumpre um papel nada desprez\u00edvel, sendo parte ativa de in\u00fameros processos importantes mundo afora, como abordaremos mais na frente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, em \u00e9pocas de revolu\u00e7\u00f5es, sabemos ser poss\u00edvel avan\u00e7ar em poucos dias o que em \u00e9pocas de aparente paz demoraria anos. Por isso, n\u00f3s revolucion\u00e1rios devemos intervir nesta realidade t\u00e3o rica, com toda aud\u00e1cia e sem sectarismo; aprender a participar destes poderosos processos, ajudando e disputando a dire\u00e7\u00e3o dos mesmos, buscando confluir com os setores mais lutadores e consequentes. Unidades eleitorais; frentes de esquerda; chapas \u00fanicas de oposi\u00e7\u00e3o nos sindicatos, para barrar a burocracia, ou no movimento estudantil, para derrotar os agentes de governo. Unidade de a\u00e7\u00e3o para impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o; correntes amplas, estudantis ou sindicais. Todas as t\u00e1ticas devem ser utilizadas para construir polos de refer\u00eancia, colaborando com setores de massas a avan\u00e7ar para o programa e para o partido revolucion\u00e1rio, em cada pa\u00eds. Da mesma forma, buscar os pontos m\u00ednimos revolucion\u00e1rios de aproxima\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o das correntes, grupos e setores revolucion\u00e1rios, de outras tradi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias ou frutos da atual situa\u00e7\u00e3o \u2013 devem ser nossas principais apostas para seguir construindo uma internacional revolucion\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Infelizmente, temos informa\u00e7\u00e3o que o PSTU votou, na sua conferencia eleitoral, a favor de n\u00e3o fazer alian\u00e7a eleitoral com o PSOL, ou seja, votou contra construir uma frente de esquerda. Dessa forma sect\u00e1ria, al\u00e9m de se isolar, n\u00e3o se combate a dire\u00e7\u00e3o reformista e lulista, no interior do PSOL. Ao contr\u00e1rio, coloca o PSTU na marginalidade, o que n\u00e3o tem nada a ver com o trotskismo ortodoxo, com as elabora\u00e7\u00f5es de Moreno; da Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique, em fins dos anos 1970 ou da LIT-CI, dos anos 1980. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Todavia, junto a estes processos, deforma\u00e7\u00f5es e confus\u00f5es, criando dificuldades para a constru\u00e7\u00e3o de nossos partidos, o fundamental \u00e9 o processo de rebeli\u00e3o contra as burocracias, os velhos partidos, os aparelhos, etc., que tem um sentido profundamente progressivo, pois veem que todos eles est\u00e3o levando o mundo para a atual cat\u00e1strofe econ\u00f4mica e social. \u00c9 neste processo da luta de classes, acirrado a partir da crise de 2007-2008, que cresce a consci\u00eancia anticapitalista, ainda que n\u00e3o tenha dado um salto em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um programa e uma sa\u00edda pela positiva, socialista. Mas \u00e9 neste terreno que devemos atuar, os trotskistas, ajudando a partir destes fatos para que o movimento avance em dire\u00e7\u00e3o ao programa da revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Se esta \u00e9 nossa estrat\u00e9gia, ser\u00e1 a servi\u00e7o dela que devemos utilizar todas as t\u00e1ticas: frentes, acordos, frentes eleitorais, unidade de a\u00e7\u00e3o, etc.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>I \u2013 Lutas, crises, revolu\u00e7\u00f5es e rebeli\u00f5es se espalham pelo mundo<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2003, frente ao levante contra a venda do g\u00e1s para os Estado Unidos da Am\u00e9rica (EUA) que terminou derrubando o presidente S\u00e1nchez de Lozada na Bol\u00edvia, o ex. ministro da ditadura Jarbas Passarinho (recentemente falecido e homenageado pela dirigente da Rede Marina Silva) afirmou: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA revolu\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 fasc\u00ednio para o 3\u00ba Mundo\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Estado de S\u00e3o Paulo 21\/10\/2003) como se fosse algo \u201cex\u00f3tico\u201d. N\u00e3o nos consta quais foram suas defini\u00e7\u00f5es sobre os processos revolucion\u00e1rios que derrubaram Mubarak, Bem Ali ou Kadhaffi, nem se Passarinho fez alguma afirma\u00e7\u00e3o sobre o que aconteceu na Gr\u00e9cia, e antes de morrer, sobre que acontece atualmente na Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O que o ex-ministro e ex-senador pelo Partido Progressista, no Par\u00e1, (PP\/PA), pareceu ignorar, \u00e9 que, longe de ser um fasc\u00ednio, essas lutas, levantes e mobiliza\u00e7\u00f5es de massas, que podemos chamar de revolu\u00e7\u00f5es, s\u00e3o uma necessidade dos trabalhadores e dos povos frente aos ataques impiedosos da classe a que ele pertenceu, com ajustes, desemprego, privatiza\u00e7\u00f5es, corte de direitos, etc. para poder comer, trabalhar, estudar e sobreviver.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Novos batalh\u00f5es de trabalhadores se incorporam nas lutas e greves, como por ex. os chineses. \u00a0Na China, onde triunfou a restaura\u00e7\u00e3o capitalista ap\u00f3s a derrota da Pra\u00e7a Tiananmen em 1989, os anos de repress\u00e3o extrema e falta de liberdades pol\u00edticas e sindicais est\u00e3o sendo cada vez mais questionadas pelos trabalhadores que em greves selvagens e passando por cima dos sindicatos \u201coficiais\u201d obt\u00eam conquistas e aumentos salariais levando diversas multinacionais a fecharem suas empresas e a procurar maior liberdade para explorar e obter maiores lucros em outros pa\u00edses do sudeste asi\u00e1tico. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Na Europa estamos frente ao furac\u00e3o franc\u00eas, superior ao maio de 1968, n\u00e3o s\u00f3 pela nova etapa p\u00f3s queda do aparelho stalinista e a crise da economia mundial, mas porque enfrenta um governo supostamente de esquerda. Na Espanha, as lutas das nacionalidades deram um salto, e se expressaram politicamente derrotando os partidos do regime \u2013 Partido Socialista Obrero Espa\u00f1ol e Partido Popular (PSOE e PP) \u2013 e o fortalecimento de uma variante do reformismo chamada \u201cPodemos\u201d, no marco de uma monarquia corro\u00edda pela corrup\u00e7\u00e3o e a cada dia mais questionada pelo povo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No nosso continente, no Brasil desde 2011 e sobretudo desde as jornadas de junho de 2013, vivemos ondas de greves \u2013 principalmente de professores e do funcionalismo p\u00fablico, mas tamb\u00e9m oper\u00e1rias e juvenis, que superam tamb\u00e9m a onda de 1989 contra o ex-presidente Jos\u00e9 Sarney. Na Argentina, os trabalhadores desafiam o novo governo neoliberal de Macri, como antes o fizeram frente aos os ataques de Cristina Kirchner. No Peru, as lutas ind\u00edgenas, populares e camponesas contra as mineradoras se sucedem, obtendo alguns importantes triunfos que eleitoralmente se expressaram na Frente Ampla com 19% dos votos na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 na S\u00edria brutalmente atacada pelos bombardeios imperialistas, da R\u00fassia de Putin e dos ataques do Estado Isl\u00e2mico, a resist\u00eancia enfraquecida e encurralada continua lutando.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o pretendemos enumerar um a um os processos de lutas pelo mundo. Mas estes dados s\u00e3o imprescind\u00edveis para definir que o imperialismo, ap\u00f3s o fim do estalinismo, longe de fortalecer seu dom\u00ednio e criar uma nova ordem mundial, deparou-se com derrotas militares como as do Iraque e Afeganist\u00e3o e com uma perda de controle do movimento de massas cada vez maior. Isto se deu porque o imperialismo perdeu seu aliado fundamental: a burocracia estalinista. O processo de rebeli\u00f5es contra as burocracias sindicais e pol\u00edticas se amplia e aprofunda. Pois ao finalizar a falsa polariza\u00e7\u00e3o entre o imperialismo e a burocracia que durou quase 50 anos, houve uma \u201clibera\u00e7\u00e3o de for\u00e7as\u201d no mundo inteiro que, com suas l\u00f3gicas desigualdades, \u00e9 o que define o cen\u00e1rio mundial. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Se estiv\u00e9ssemos frente a uma derrota de propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, n\u00e3o estar\u00edamos frente ao atual cen\u00e1rio de lutas, mas frente a uma aceita\u00e7\u00e3o passiva dos planos burgueses e imperialistas. Assim, podemos afirmar que as mobiliza\u00e7\u00f5es de massas que derrubaram a burocracia estalinista, foram revolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e democr\u00e1ticas, pois atuaram e derrubaram regimes ditatoriais enfraquecendo qualitativamente os aparatos burocr\u00e1ticos do resto do mundo. Alimentaram a onda de rebeli\u00f5es de base que podem come\u00e7ar se manifestando no terreno sindical mas que de forma r\u00e1pida se politizam enfrentando governos e regimes, e tamb\u00e9m se internacionalizam com maior rapidez, como por exemplo, \u00e9 a repercuss\u00e3o que tem a luta de classes da Fran\u00e7a, na B\u00e9lgica. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o negamos com estas afirma\u00e7\u00f5es a exist\u00eancia de desigualdade de pa\u00eds a pa\u00eds e de regi\u00e3o a regi\u00e3o. No entanto, a din\u00e2mica destes \u00faltimos 27 anos, foi de constantes rebeli\u00f5es e processos revolucion\u00e1rios, alguns deles derrotados ou semi derrotados; outros \u201cempatados\u201d; alguns triunfantes, mas de forma alguma o imperialismo conseguiu impor uma derrota hist\u00f3rica a setores importantes do movimento de massas permitindo reverter sua atual crise.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>II \u2013 Uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica permanente<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA crise econ\u00f4mica obriga o imperialismo e a burguesia a manter uma ofensiva permanente e brutal contra os trabalhadores de todo o planeta. N\u00e3o \u00e9 a mesma situa\u00e7\u00e3o que em outras etapas hist\u00f3ricas em que, pelo desenvolvimento desigual, a burguesia dos pa\u00edses fundamentais pode aplicar pol\u00edticas reformistas ou ceder conquistas importantes frente \u00e0s lutas dos trabalhadores. Nem sequer \u00e9 parecido a outras circunstancias em que a classe oper\u00e1ria e outros segmentos de trabalhadores conquistavam, com duros confrontos, manter um equilibro em seu n\u00edvel de vida. Essa \u00e9poca ou etapa reformista ficou completamente atr\u00e1s. A atual etapa da economia burguesa, a partir de 1966, \u00e9 de contrarrevolu\u00e7\u00e3o permanente. O imperialismo e os exploradores n\u00e3o somente n\u00e3o podem outorgar ou manter conquistas em quanto ao n\u00edvel de vida das massas, mas, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o tem outra alternativa econ\u00f4mica a n\u00e3o ser lhes arrancar violentamente todas as conquistas e submergir na mais espantosa mis\u00e9ria o povo trabalhador. Em 1966 o imperialismo salta de uma etapa reformista, de concess\u00f5es a segmentos de trabalhadores, a uma ofensiva total e generalizada cada vez mais terr\u00edvel contra eles a n\u00edvel internacional.\u201d (Teses sobre a situa\u00e7\u00e3o mundial \u2013 Secretariado da LIT-CI \u2013 1984)<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esta afirma\u00e7\u00e3o feita pela nossa corrente hist\u00f3rica, \u00e9 hoje de uma dram\u00e1tica atualidade. A crise desencadeada a partir de 2007\/2008 que partiu dos EUA e foi para Europa, chegou \u00e0s famosas e supostas \u201clocomotivas da economia mundial\u201d, os chamados BRICS \u2013 Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul, e se espalhou pelo mundo afora. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para n\u00f3s, a causa central desta crise \u00e9 a queda da taxa de lucro das mais importantes empresas, e s\u00e3o as lutas dos trabalhadores e dos povos as que lhe impedem sair da crise, aumentando de forma qualitativa a explora\u00e7\u00e3o, para o qual precisam impor derrotas hist\u00f3ricas ao movimento de massas. Apesar de que estas crises possam se manifestar de diversas formas \u2013 aumento ou diminui\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, um \u201cdefault\u201d (n\u00e3o pagamento das d\u00edvidas); a desvaloriza\u00e7\u00e3o de alguma moeda, superprodu\u00e7\u00e3o ou a queda nas bolsas, a causa de fundo continua a obedecer \u00e0s leis ess\u00eancias da acumula\u00e7\u00e3o capitalista: chegado a um ponto determinado, ela se estagna devido \u00e0 queda da taxa de lucro dos mais importantes setores, e por tanto o investimento na produ\u00e7\u00e3o deixa de ser um bom neg\u00f3cio para os capitalistas. Isto produz uma retirada massiva de capitais que procuram ganhos r\u00e1pidos na especula\u00e7\u00e3o financeira. Se alguma coisa distingue a atual crise das anteriores, \u00e9 a magnitude sem precedentes destes capitais fict\u00edcios, sem respaldo real na produ\u00e7\u00e3o e na riqueza, e na mundializa\u00e7\u00e3o da crise, que saqueando os povos e as na\u00e7\u00f5es do mundo, faz com as recess\u00f5es se alastrem pelo planeta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Se como afirma Aguena no seu trabalho <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCr\u00edtica ao texto sobre o car\u00e1ter do programa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, o fim dos ex-estados oper\u00e1rios significaram uma \u201cderrota hist\u00f3rica\u201d, como \u00e9 que a economia imperialista ao inv\u00e9s de se beneficiar com a restaura\u00e7\u00e3o entrou na sua pior crise desde 1929? <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Evidente que conjunturalmente conseguiram se beneficiar possibilitando recupera\u00e7\u00f5es parciais da sua crise. Mas n\u00e3o conseguem super\u00e1-la. Pois como afirm\u00e1vamos nas Teses de 1984: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA clave \u00faltima para come\u00e7ar a compreender todos os fen\u00f4menos que acontecem no terreno internacional desde finais dos anos 60 \u00e9 a crise cr\u00f4nica que arrasta desde essa \u00e9poca a economia mundial. Esta crise cr\u00f4nica se arrasta sem parar, e tem provocado aproximadamente a cada 5 anos crises conjunturais cada vez mais intensas [&#8230;] <\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 totalmente equivocada a explica\u00e7\u00e3o que d\u00e3o alguns marxistas segundo a qual a economia imperialista superar sua crise criando poder de compra atrav\u00e9s dos cr\u00e9ditos. Se assim fosse, o capitalismo se desenvolveria sem dificuldades criando poder de compra com os empr\u00e9stimos. Na realidade, o capital que se empresta sai da superexplora\u00e7ao dos trabalhadores e do saque a outras na\u00e7\u00f5es. [&#8230;] A crise cr\u00f3nica tem avan\u00e7ado da periferia para o centro. Esta \u00e9 uma lei que existe, como m\u00ednimo, desde 1966&#8230; A supera\u00e7\u00e3o da crise abrange cada vez menos pa\u00edses [&#8230;] \u00e9 uma express\u00e3o do desenvolvimento desigual, como tamb\u00e9m \u00e9 desigual o grau em que golpeia a crise nos diferentes pa\u00edses [&#8230;] tudo parece indicar que o mundo capitalista se aproxima a uma nova crise muito mais violenta que as anteriores. A internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia e sua centraliza\u00e7\u00e3o por parte do imperialismo ianques e as transacionais, somado \u00e0 rapidez das comunica\u00e7\u00f5es, permite um ritmo vertiginoso de obten\u00e7\u00e3o de mais valia, distribui\u00e7\u00e3o dos lucros e acumula\u00e7\u00e3o e sobre acumula\u00e7\u00e3o do capital. Este ritmo acelera a crise a crise da economia imperialista\u201d (idem Teses&#8230;) &#8230;) <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">E para concluir, nas mesmas Teses afirmamos<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">: \u201cA raz\u00e3o \u00faltima que indica a n\u00e3o supera\u00e7\u00e3o da crise est\u00e1 dada pela luta entre os explorados e os exploradores a n\u00edvel mundial. Somente conseguindo um aumento permanente, praticamente ilimitado da explora\u00e7\u00e3o poder\u00e1 o imperialismo superar a pr\u00f3xima ou pr\u00f3ximas crises conjunturais e a crise cr\u00f4nica [&#8230;] e isso depende do grau de resist\u00eancia dos trabalhadores do mundo aos planos de superexplora\u00e7ao do imperialismo e das burguesias nativas. Quanto mais resistam, tanto mais est\u00e1 crise ser\u00e1 aguda e sem sa\u00edda\u201d.<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Do nosso ponto de vista foi a resist\u00eancia dos trabalhadores e povos oprimidos o que n\u00e3o possibilitou o capital recuperar sua taxa de lucro. \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Podemos nomear algumas das crises que desembocam na crise atual: a queda da bolsa de Wall Street em 1987; a crise mexicana em 1994; no sudeste asi\u00e1tico em 1997, o default russo em 1998, a crise na Am\u00e9rica do Sul que teve seu pico maior na Argentina em 2001. Tivemos a crise das ponto.com nos EUA em 2000 e outras 124 crises menores durante os \u00faltimos 30 anos como registra o informe do Fundo Monet\u00e1rio Internacional<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d. (Correspond\u00eancia Internacional, outubro de 2008).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 setores afirmando o contr\u00e1rio, que a economia capitalista teve como centro, durante os \u00faltimos 50 anos, sua recupera\u00e7\u00e3o e as crises foram epis\u00f3dicas ou conjunturais. Isso lhes permite propagandear a falsa ideia que um per\u00edodo de reformas ainda \u00e9 poss\u00edvel. Mas ao contr\u00e1rio, o dominante nestas d\u00e9cadas foram as crises. E as recupera\u00e7\u00f5es foram epis\u00f3dicas, abrangendo cada vez menos pa\u00edses, e com intervalos entre crise e crise cada vez menores. J\u00e1 se v\u00e3o quase dez anos do come\u00e7o da \u00faltima grande crise e ningu\u00e9m, nem os mais otimistas defensores do capital preveem alguma luz no fim do t\u00fanel. Enquanto isso, a \u00fanica pol\u00edtica continua sendo a da contrarrevolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica cada vez mais brutal, o que provoca rea\u00e7\u00f5es como as do proletariado e da juventude francesas, para nomear o que hoje est\u00e1 no centro da luta de classes mundial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A explica\u00e7\u00e3o do companheiro Aguena n\u00e3o se sustenta. Uma derrota hist\u00f3rica nos pa\u00edses do Leste e na URSS, (podemos agregar na China, Cuba ou Vietn\u00e3, Estados oper\u00e1rios burocr\u00e1ticos ou deformados onde foi restaurado o capitalismo), teria aberto uma etapa de contrarrevolu\u00e7\u00e3o mundial, de esmagamento das lutas e de fortalecimento da hegemonia imperialista, impondo dessa forma uma nova ordem mundial. O que vemos no mundo est\u00e1 longe de ser este panorama.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>III <\/b><b>\u2013<\/b><b> O significado da queda do Muro<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Quando caiu o Muro e os regimes dos mal chamados pa\u00edses \u201csocialistas\u201d os capitalistas festejaram. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA luta de classes acabou e n\u00f3s ganhamos\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> chegaram a dizer e pregaram o fim da hist\u00f3ria. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje passados quase 30 anos, o que vemos \u00e9 uma espantosa crise do capitalismo, pela qual n\u00e3o podem se vangloriar frente ao evidente fracasso de seu sistema, ap\u00f3s mais de 500 anos de domina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nossa interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente da dos capitalistas. Em primeiro lugar o que existia nesses pa\u00edses n\u00e3o era socialismo, mas governos ditatoriais de partido \u00fanico, sem liberdade de express\u00e3o nem de forma\u00e7\u00e3o de partidos, nem sindicatos, nem direito de greve. As fabulosas conquistas da revolu\u00e7\u00e3o de 1917, como a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e do com\u00e9rcio exterior, o planejamento da economia, a aus\u00eancia de desemprego, a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas de qualidade foram desvirtuadas e desfiguradas pela burocracia que finalmente as liquidou no processo de restaura\u00e7\u00e3o que imposto ao largo de seu dom\u00ednio, e consolidado a partir da derrota do aparelho stalinista. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Isto \u00e9 assim, pois existe uma identidade profunda entre o regime de um estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico e a sua economia. Ao derrubar o regime sem uma dire\u00e7\u00e3o nem alternativa para liquidar a burocracia e, ao mesmo tempo, acabar com a restaura\u00e7\u00e3o, esta, inevitavelmente, acaba se impondo. Ou seja, ao derrubar a burocracia, sem haver dire\u00e7\u00e3o alternativa, leva consigo o \u201cEstado Oper\u00e1rio\u201d, pois como define Trotsky, o Estado Oper\u00e1rio Burocr\u00e1tico \u00e9 indivis\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um fato que os restos da burocracia assumiram de vez a tarefa de avan\u00e7ar rapidamente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista, associando-se com o imperialismo e apoiando-se nas ilus\u00f5es que as massas tinham nas liberdades democr\u00e1ticas formais e nas vantagens materiais de um sistema at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A absoluta falta de liberdade de pensamento e de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sindical e cultural foram fatores decisivos para que os trabalhadores daqueles pa\u00edses fossem capazes de lutar at\u00e9 derrubar a ditadura, mas n\u00e3o de substitu\u00ed-la por um governo e um regime que possibilitassem reverter o processo de restaura\u00e7\u00e3o capitalista em curso. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Este triunfo democr\u00e1tico dos trabalhadores dos ex-estados oper\u00e1rios, apesar das contradi\u00e7\u00f5es ao n\u00e3o conseguirem acabar com a restaura\u00e7\u00e3o que desde tempos atr\u00e1s impulsionavam os burocratas dos partidos comunistas (PC\u2019s), em que pese a criar enormes contradi\u00e7\u00f5es na consci\u00eancia dos trabalhadores, incentivou o processo mundial de rebeli\u00f5es antiburocr\u00e1ticas &#8211; sem d\u00favida o aspecto fundamental do processo aberto com a queda do aparelho estalinista, pois criou melhores condi\u00e7\u00f5es para seguir lutando pela supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucionaria mundial. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>As confus\u00f5es na consci\u00eancia do movimento de massa<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os setenta anos de pervers\u00e3o do stalinismo contra o socialismo, n\u00e3o s\u00f3 confundiu milh\u00f5es fora daqueles pa\u00edses, como dentro, pois sentiam na pele que aquele chamado \u201csocialismo\u201d lhes tirava o p\u00e3o, a liberdade e os direitos mais elementares, enquanto os burocratas gozavam de absurdos privil\u00e9gios. Isso foi aproveitado pelo imperialismo para lan\u00e7ar sua campanha sobre o \u201cfracasso do socialismo\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, a isso, devemos somar as campanhas da esquerda reformista, dos ex-stalinistas, das correntes castro chavistas que atribu\u00edram o fracasso do stalinismo ao \u201cexcesso de estatismo\u201d propagandeando o socialismo do \u201cS\u00e9culo XXI\u201d como um socialismo moderno; de economia mista com as multinacionais; com novas formas de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica; \u201cempresas p\u00fablicas n\u00e3o estatais\u201d; cooperativas, tudo menos a expropria\u00e7\u00e3o das multinacionais e do grande capital. Desta forma reciclam as teorias de concilia\u00e7\u00e3o de classes, combinando outro aspecto: o fim do \u201cSocialismo real\u201d &#8211; que al\u00e9m do excesso de estatismo, teve seu mal no partido leninista &#8211; e no centralismo democr\u00e1tico, para eles a origem da burocratiza\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Este \u00e9 outro debate fundamental, pois esta confus\u00e3o entrou com alguma for\u00e7a em setores sobretudo juvenis para questionar a constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios com centralismo democr\u00e1tico. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O fato que nas fileiras do trotskismo se tenha feito uma caricatura da democracia interna e domine um centralismo burocr\u00e1tico ou que a burguesia, os neoreformistas e os burocratas continuarem falando no \u201cregime comunista\u201d da Coreia do Norte, onde impera uma brutal burocracia heredit\u00e1ria, que de socialismo n\u00e3o tem nada, facilita o surgimento de novas teorias como o zapatismo, autonomismo e o horizontalismo. E o surgimento de dirigentes como o subcomandante Marcos ou te\u00f3ricos como Toni Negri e diferentes teorias neoreformistas, que continuam envenenando a cabe\u00e7a de milh\u00f5es, tentando passar, por exemplo, que o que acontece em Cuba \u00e9 uma \u201catualiza\u00e7\u00e3o do socialismo\u201d enquanto se trata da mais pura restaura\u00e7\u00e3o capitalista. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, setores jovens se aproximando da pol\u00edtica enxergam os m\u00e9todos centralistas burocr\u00e1ticos de algumas das correntes ou partidos da esquerda e as rejeitam com raz\u00e3o, \u201cnamorando\u201d o horizontalismo e o autonomismo. Mas cometer\u00edamos um erro, capitulando a essas teorias, sem explicar o fato dos problemas de m\u00e9todo estarem sempre a servi\u00e7o de alguma pol\u00edtica: o PT expulsou Bab\u00e1, Luciana, Helo\u00edsa e Jo\u00e3o Fontes para poder passar a reforma da previd\u00eancia e atacar a classe trabalhadora; Stalin matou milh\u00f5es e mandou para a Sib\u00e9ria outros tantos, acabando com a democracia na ex-URSS para poder passar sua pol\u00edtica de coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo e fortalecer seus privil\u00e9gios de casta burocr\u00e1tica; o peronismo se utilizou da \u201cTriple A\u201d, assassinando centenas de lutadores oper\u00e1rios, estudantis e populares, entre eles numerosos do PST(A) para passar seu famoso \u201crodrigazo\u201d (plano de ajuste contra os trabalhadores), servindo como pr\u00f3logo do golpe de 1976; e assim poder\u00edamos seguir com exemplos, de partidos de esquerda que privilegiam sua autoconstru\u00e7\u00e3o ou a preserva\u00e7\u00e3o do seu aparato ao apoio as lutas da classe e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de seus militantes, tudo em nome do \u201ccentralismo democr\u00e1tico\u201d, onde h\u00e1 muito de burocr\u00e1tico e pouco de democracia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Isso leva a algumas rupturas de correntes do trotskismo \u00a0a fazerem como centro das suas cr\u00edticas as quest\u00f5es de \u201cm\u00e9todo\u201d e do regime do partido, sem considerar o nexo com as deforma\u00e7\u00f5es ou erros pol\u00edticos a cujo servi\u00e7o se utilizam desses m\u00e9todos. \u00a0Por exemplo, a LIT-CI tem se utilizado sistematicamente de supostos problemas morais para expulsar se\u00e7\u00f5es e grupos inteiros de diversos pa\u00edses. Nos parece um centralismo burocr\u00e1tico, procurando por essa via administrativa fechar os debates para impor uma pol\u00edtica sect\u00e1ria e revisionista do morenismo, que visa a sua autoconstru\u00e7\u00e3o e a sua vis\u00e3o nacional trotskista apoiada no partido brasileiro, o PSTU. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Neste sentido, acreditamos ter sido um importante erro da dire\u00e7\u00e3o do PSTU n\u00e3o ter se integrado na constru\u00e7\u00e3o do PSOL, na sua funda\u00e7\u00e3o. Quando havia um amplo espa\u00e7o aberto os companheiros, fecharam-se completamente numa pol\u00edtica sect\u00e1ria de preserva\u00e7\u00e3o de seu aparato. Isso foi pago por um forte isolamento pol\u00edtico do PSTU, j\u00e1 que o PSOL ocupou grande parte do espa\u00e7o pol\u00edtico \u00e0 esquerda que se abria com a chegada do PT ao governo. A hist\u00f3ria poderia ter sido diferente e a Unidade Socialista (US) n\u00e3o teria ocupado o espa\u00e7o que ocupou. Al\u00e9m disso, hoje ter\u00edamos um fort\u00edssimo polo \u00e0 esquerda no partido, batalhando contra as correntes que cumprem o papel de linha auxiliar do petismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esta forma de atuar da dire\u00e7\u00e3o do PSTU\/LIT-CI ajuda o surgimento de correntes como o Nova Organiza\u00e7\u00e3o Socialista (NOS) que por oposi\u00e7\u00e3o ao centralismo burocr\u00e1tico adota m\u00e9todos de consensos, e na pol\u00edtica defende a teoria do golpe, capitulando por essa via ao governismo. Ou seja, por oposi\u00e7\u00e3o ao centralismo burocr\u00e1tico do PSTU\/LIT-CI surgem teorias antidire\u00e7\u00e3o, semibasistas, que no caso do NOS acabam no governismo.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><b>\u00a0IV <\/b><b>\u2013<\/b><b> Alguns fen\u00f4menos atuais e sua rela\u00e7\u00e3o com a derrubada do stalinismo<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Devemos analisar os fen\u00f4menos pol\u00edticos que acontecem na atualidade para buscar a compreens\u00e3o do significado da queda do stalinismo. O fato de nenhum aparato contrarrevolucion\u00e1rio controlar o movimento de massas em n\u00edvel mundial tem desdobramentos concretos na luta dos povos dos quais queremos dar alguns exemplos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para ilustrar o que estamos dizendo, come\u00e7ar por um onde os companheiros do pr\u00f3prio PSTU tiveram um papel important\u00edssimo: a funda\u00e7\u00e3o da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Lutas (Conlutas). A funda\u00e7\u00e3o dessa central foi parte dos fen\u00f4menos pol\u00edticos que ocorreram logo ap\u00f3s os primeiros ataques do governo petista contra a classe trabalhadora, que, como afirmamos anteriormente, \u00e9 parte do desgaste que ocorre atualmente das velhas dire\u00e7\u00f5es do movimento de massas. Como parte desse processo de rebeli\u00e3o contra as velhas dire\u00e7\u00f5es, foi poss\u00edvel romper com a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) e fundar a Conlutas. Mas temos que nos perguntar o que isso tem a ver com a etapa na qual estamos. Uma central sindical de oposi\u00e7\u00e3o declarada a um governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes surgiria se ainda estiv\u00e9ssemos na etapa anterior? \u00c9 muito dif\u00edcil, para n\u00e3o dizer imposs\u00edvel. Por\u00e9m, estamos certos que n\u00e3o adquiriria o peso que tem hoje na realidade de diversas categorias importantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Outro exemplo pr\u00f3ximo a n\u00f3s \u00e9 o surgimento do PSOL, que na sua cria\u00e7\u00e3o foi impulsionado centralmente por organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicavam trotskistas (MES e Corrente Socialista dos Trabalhadores &#8211; CST), n\u00e3o seria poss\u00edvel se n\u00e3o viv\u00eassemos em uma nova etapa mais favor\u00e1vel e aberta. A funda\u00e7\u00e3o do PSOL\u00a0que come\u00e7ou na greve da previd\u00eancia e na luta pol\u00edtica dos radicais do PT em 2003, foi a parte mais importante no \u00e2mbito pol\u00edtico-partid\u00e1rio do processo de ruptura da classe trabalhadora com o PT e o lulismo. Ainda que \u00e9 importante colocar que o processo de ruptura\u00a0pol\u00edtica\u00a0com o PT teve idas e vindas e n\u00e3o foi nem de longe um processo linear. Assim como houve avan\u00e7os entre os anos 2003-2004,\u00a0estagnou entre 2005\/2006 e\u00a0retrocedeu depois (2007-2010), para s\u00f3 ent\u00e3o acelerar a ruptura paralelamente ao aprofundamento da crise econ\u00f4mica\u00a0e explodir ap\u00f3s as jornadas de junho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para n\u00f3s revolucion\u00e1rios, o espa\u00e7o aberto com essa crise do PT tamb\u00e9m deve ser colocado no marco desta nova etapa. Devemos sempre comparar esses processos ao que existia nas d\u00e9cadas anteriores. Mesmo com seus importantes altos e baixos, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) dominou totalmente a esquerda brasileira durante d\u00e9cadas. Seus v\u00ednculos com Moscou lhe enchiam de prestigio na classe trabalhadora, considerando ser bem menor o espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o para os revolucion\u00e1rios e nenhum grupo trotskista conseguiu feitos semelhantes em escala nacional, sindical ou politicamente, durante a vig\u00eancia da hegemonia stalinista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Na Argentina h\u00e1 uma experi\u00eancia bastante avan\u00e7ada de constru\u00e7\u00e3o de um polo classista nas elei\u00e7\u00f5es e com algum reflexo nas lutas. N\u00f3s, com partido-irm\u00e3o da CST-PSOL, chamado Izquierda Socialista, temos acompanhado e impulsionado a Frente de Izquierda y de los Trabajadores (FIT), que \u00e9 encabe\u00e7ada por tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es trotskistas. Al\u00e9m dos nossos companheiros do Izquierda Socialista, o Partido Obrero (PO) e o Partido de los Trabajadores por el Socialismo (PTS). Apesar de existirem importantes diferen\u00e7as pol\u00edticas entre as organiza\u00e7\u00f5es, vemos os sucessos eleitorais alcan\u00e7ados pela FIT e o peso no movimento oper\u00e1rio que adquiriu nos \u00faltimos anos insepar\u00e1veis do marco global de uma etapa mais favor\u00e1vel aos revolucion\u00e1rios. Se estiv\u00e9ssemos nos \u201canos dourados\u201d do stalinismo, quando este tinha peso de massas nos principais pa\u00edses do mundo e dirigia poderosas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais, seria imposs\u00edvel explicar os avan\u00e7os dos trotskistas da FIT. Pois o estalinismo tamb\u00e9m fortalecia os governos nacionalistas burgueses, tamb\u00e9m na sua \u00e9poca de decad\u00eancia, como o peronismo ou como o fez com Nasser no Egito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Reconhecemos como parte desse processo, a magn\u00edfica e gigantesca mobiliza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria francesa, atualmente com os oper\u00e1rios demonstrando seu poder atrav\u00e9s do exemplo dos eletricit\u00e1rios, cortando a luz dos bairros nobres para reacender a de 300 mil resid\u00eancias que estavam com a conta atrasada. Uma luta gigantesca, envolvendo milh\u00f5es de trabalhadores, h\u00e1 mais de tr\u00eas meses, com mobiliza\u00e7\u00f5es parando o pa\u00eds, passando por cima da dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Conf\u00e9d\u00e9ration G\u00e9n\u00e9rale du Travail<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> (CGT Fran\u00e7a). \u00a0Um processo rico e aberto, sem o controle absoluto de nenhum grande aparato, j\u00e1 que o Partido Comunista Franc\u00eas (PC Franc\u00eas) hoje n\u00e3o passa de um espantalho apodrecido do que foi um dia, quando o stalinismo conservava seu peso e a URSS ainda existia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 poss\u00edvel muitos exemplos acerca da atual etapa. Por\u00e9m, em nossa opini\u00e3o, o fundamental \u00e9 estarmos em uma etapa mais aberta para atua\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios, onde nossas possibilidades s\u00e3o muito maiores do que quando existia o stalinismo.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>V <\/b><b>\u2013<\/b><b>\u00a0As capitula\u00e7\u00f5es da esquerda ao neoreformismo s\u00e3o mais um obst\u00e1culo<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Como apresentamos na introdu\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a queda do stalinismo, a frente popular e os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios seguiram se renovando, ainda que de forma bem mais fraca. E demos o exemplo do chavismo, do PT e de Syriza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m dessa \u201crenova\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; das alternativas<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> frente populistas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, sem d\u00favida um importante obst\u00e1culo, h\u00e1 outro elemento determinante para explicar a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, onde ainda nos encontramos: a enorme capitula\u00e7\u00e3o das correntes provenientes do trotskismo perante as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">frentes populares<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, levando inevitavelmente a ca\u00edrem no oportunismo pol\u00edtico. N\u00e3o foi por acaso que Moreno deu tanto peso em seus combates contra o revisionismo dentro do trotskismo. A partir dos anos 1960 e 1970, a luta pol\u00edtica contra o mandelismo, que representava de forma mais acabada o revisionismo dentro das correntes da IV Internacional, foi uma das suas principais batalhas. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em nossa vis\u00e3o, mesmo ap\u00f3s a queda do stalinismo, n\u00f3s revolucion\u00e1rios n\u00e3o podemos perder de vista, nem por um segundo, a nossa batalha contra as dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias do movimento de massas. Reivindicamos que: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA crise de dire\u00e7\u00e3o do proletariado mundial, ou seja, a trai\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas reconhecidas do movimento oper\u00e1rio e de massas, s\u00e3o o fator decisivo das derrotas hist\u00f3ricas que se produzem, e para que todo triunfo ou conquista seja congelado, freado, e de que o imperialismo n\u00e3o tenha sido derrotado.\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Moreno, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nahuel.<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Teses para a Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">). \u00a0Sendo assim, ou derrotamos essas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, que hoje tem novos nomes, mas com a velha pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes, como \u00e9 o caso do chavismo, petismo, Syriza, etc. ou ent\u00e3o estaremos apenas pavimentando o caminho de novas derrotas hist\u00f3ricas para o proletariado<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dentre as correntes que se reivindicam trotskistas e h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada capitulam ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">neoreformismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> est\u00e3o o MES\/PSOL, no Brasil, e o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Movimiento Socialista de los Trabajadores, na Argentina<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">(MST Argentino). N\u00e3o \u00e0 toa, internacionalmente s\u00e3o correntes que abandonaram o morenismo e correram para o mandelismo, sendo hoje observadores do Secretariado Unificado (SU) mandelista, ap\u00f3s uma longa batalha para serem as se\u00e7\u00f5es oficiais do SU, em seus pa\u00edses. S\u00e3o correntes que se abst\u00e9m da batalha estrat\u00e9gica contra as dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias. N\u00f3s, ao contr\u00e1rio dessas organiza\u00e7\u00f5es, seguimos com as defini\u00e7\u00f5es de Moreno sobre o mandelismo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Na revista \u201cA esquerda\u201d, com os textos publicados sobre a fus\u00e3o do Enlace com o Coletivo Socialismo e Liberdade (CSOL) e outros grupos na Corrente Insurg\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel ler o seguinte acerca da estrat\u00e9gia e programa ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cHavia uma coer\u00eancia na forma integrada como a tradi\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria abordava os temas do programa, estrat\u00e9gia e sujeito social depois de outubro de 1917 e durante boa parte do s\u00e9culo passado. Mas\u00a0esta coer\u00eancia, articulada pela estrat\u00e9gia, se perdeu quando o capitalismo adentrou na etapa da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal e reabsorveu a ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a China e suas periferias, desarticulando parte dos fundamentos anteriores da vis\u00e3o hegem\u00f4nica de socialismo e revolu\u00e7\u00e3o e retirando a estrat\u00e9gia da atividade pol\u00edtica cotidiana da esquerda &#8230;. A desapari\u00e7\u00e3o do horizonte de uma alternativa ao capitalismo, antes existente, levou a quase supress\u00e3o da perspectiva ut\u00f3pica e das filosofias pol\u00edticas e eles ligadas, que ofereciam significado imanente para a exist\u00eancia dos seres humanos na hist\u00f3ria \u2013 criando um vazio existencial no qual o consumismo e que os fundamentalismos religiosos tentam ocupar\u201d <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(A esquerda, pag. 17). Na nossa opini\u00e3o, esta longa cita\u00e7\u00e3o expressa que o SU est\u00e1 sem rumo e sem ch\u00e3o, ap\u00f3s longos anos de ter atuado como uma \u201cala esquerda\u201d do stalinismo, e n\u00e3o como uma alternativa trotskista, diametralmente oposta na teoria, no objetivo estrat\u00e9gico, no programa e no m\u00e9todo \u00e0 burocracia stalinista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O MES, por exemplo, na sua pr\u00e1tica pol\u00edtica e elabora\u00e7\u00f5es, expressa uma concep\u00e7\u00e3o equivocada de que ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim \u201ctudo \u00e9 progressivo\u201d. N\u00e3o veem as renova\u00e7\u00f5es das correntes que praticam a concilia\u00e7\u00e3o de classes como obst\u00e1culos fundamentais que n\u00f3s revolucion\u00e1rios temos que derrotar\u00a0e sempre acreditam que todas as dire\u00e7\u00f5es v\u00e3o girar a esquerda. Mas se adaptam a elas, ao menos enquanto conservem sua influ\u00eancia no movimento de massas. Isso levou \u00e0 sua corrente a erros pol\u00edticos graves que se arrastam desde sua funda\u00e7\u00e3o. Primeiro, foram grandes entusiastas do chavismo, levando seu apoio pol\u00edtico a um governo burgu\u00eas de frente-popular e chegaram a propor uma internacional em comum com Ch\u00e1vez! Mais recentemente foram entusiastas do apoio ao Syriza. Disseram muitas vezes que o PSOL deveria ser o Syriza brasileiro. Hoje, quando o Syriza aplica um violento plano de austeridade a servi\u00e7o dos bancos alem\u00e3es e franceses, o MES n\u00e3o faz nenhum tipo de reavalia\u00e7\u00e3o sobre o tema. Para expressar melhor a capitula\u00e7\u00e3o \u00e0s novas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">frentes populares<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, atrav\u00e9s de um balan\u00e7o hist\u00f3rico, reproduzimos Pedro Fuentes, (da dire\u00e7\u00e3o do MES), em seu texto sobre o legado de Leon Trotsky: \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Muitos trotskistas latino-americanos tamb\u00e9m confundiram os governos anti-imperialistas radicais com a Frente Popular que existiu nos pa\u00edses adiantados. Assim, caracterizaram incorretamente o governo de Allende no Chile, esquecendo ent\u00e3o que este governo era muito mais uma frente \u00fanica anti-imperialista com tra\u00e7os kerenkistas, e o mesmo aconteceu com os governos bolivarianos.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (Fuentes, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pedro. O que \u00e9 ser trotskista no s\u00e9culo XXI<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Moreno, a pol\u00edtica para a frente popular no governo chileno era muito distante, da que coloca Pedro Fuentes. No seu cl\u00e1ssico \u201cMorena\u00e7o\u201d (O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o), citando sua pol\u00edtica anterior ao que chamou de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cfinal sangrento da experi\u00eancia reformista de Allende no Chile\u201d,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> disse: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA vanguarda oper\u00e1ria, estudantil e camponesa, sem fazer concess\u00f5es ao reformismo da Unidade Popular <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(coliga\u00e7\u00e3o frente-popular encabe\u00e7ada por Allende, na qual o maior peso no governo foi do Partido Socialista e do Partido Comunista)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">, deve impulsionar a mobiliza\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o das massas por suas reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, e com os m\u00e9todos da luta de classes, deve estar na primeira fileira na defesa do governo de Allende contra os ataques da direita e o golpe burgu\u00eas imperialista, sem depositar a menor confian\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o allendista.<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Esse \u00e9 o \u00fanico m\u00e9todo que garantir\u00e1 o que j\u00e1 foi conquistado. O outro, o de Allende, prepara derrotas ao estilo Per\u00f3n ou Torres.\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0(Moreno, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Nahuel. O Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) Ou seja, para Moreno, Allende n\u00e3o encabe\u00e7ou nenhuma \u201cfrente \u00fanica anti-imperialista\u201d, mas um governo reformista que n\u00e3o merecia nenhuma confian\u00e7a e cujo m\u00e9todo pavimentou o caminho da derrota dos trabalhadores chilenos, com o golpe de Pinochet em 1973. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 fundamental retomar a defini\u00e7\u00e3o de Moreno acerca da pol\u00edtica revolucion\u00e1ria frente a esse tipo de governo: \u201cA ascens\u00e3o de partidos oper\u00e1rios contrarrevolucion\u00e1rios ao governo (\u2026) \u00e9 um fato inusual na maioria dos pa\u00edses capitalistas. Quando ocorre provoca diferentes tipos de rea\u00e7\u00f5es no movimento marxista. Justamente essa rea\u00e7\u00e3o \u00e9 um excelente term\u00f4metro para saber se o partido em quest\u00e3o \u00e9 revisionista ou consequentemente marxista. (\u2026). Quando tais partidos fazem parte de um governo burgu\u00eas, seu car\u00e1ter contrarrevolucion\u00e1rio \u00e9 acentuado ao m\u00e1ximo, porque a sua fun\u00e7\u00e3o habitual de agentes da burguesia no movimento oper\u00e1rio acrescenta-se a fun\u00e7\u00e3o de governantes, gerentes pol\u00edticos do estado capitalista contra os trabalhadores(&#8230;)\u201d (Moreno, Nahuel. A trai\u00e7\u00e3o da OCI.) E podemos agregar o que Moreno colocou na sua interven\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">no encerramento da confer\u00eancia de funda\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI), em 1982: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Que, sob os governos de Frente Popular, o objetivo central do trotskismo, sua primeira tarefa, continua sendo a mesma que sob os outros tipos de governos burgueses: convencer a classe trabalhadora e seus aliados de que devem tomar em suas pr\u00f3prias m\u00e3os o governo e o poder; de que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para nenhuma das mazelas do capitalismo \u2013 desde a mis\u00e9ria at\u00e9 o fascismo \u2013 se os trabalhadores n\u00e3o fizerem uma revolu\u00e7\u00e3o contra o governo e o Estado burgu\u00eas para impor seu pr\u00f3prio governo e Estado. Toda nossa estrat\u00e9gia e t\u00e1ticas t\u00eam como objetivo mostrar essas verdades b\u00e1sicas e fundamentais aos trabalhadores\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Enfim, revisam o fundamental do legado de Moreno e se aproximam do mandelismo. Hoje, opinamos que a situa\u00e7\u00e3o do mandelismo \u00e9 ainda pior, pois n\u00e3o capitulam s\u00f3 \u00e0s dire\u00e7\u00f5es que dirigem revolu\u00e7\u00f5es, mas as que ganham elei\u00e7\u00f5es com um discurso \u00e0 esquerda e pactuam com as multinacionais e a burguesia local, como foi o caso de Ch\u00e1vez e Evo Morales ou, no Brasil, sua corrente, a Insurg\u00eancia, que pactuou com a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da US e participou dos atos pelo \u201cvolta Dilma\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O PTS Argentino e o Movimento Revolucion\u00e1rio de Trabalhadores (MRT) no Brasil, s\u00e3o hoje parte importante do setor que veio do trotskismo e cap\u00edtula \u00e0s frentes-populares. Como dissemos recentemente em um texto de nossa corrente: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPelo fato de estarmos diante de uma oportunidade hist\u00f3rica, as press\u00f5es sociais sobre as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda se potencializam. O PT e seus sat\u00e9lites querem fazer de tudo para que desta imensa crise n\u00e3o surja uma alternativa independente dos trabalhadores. Essa press\u00e3o atua sobre as correntes que fazem oposi\u00e7\u00e3o pela esquerda ao governo do PT [&#8230;] <\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 algumas semanas os companheiros do MRT, que impulsionam o site Esquerda Di\u00e1rio, se uniram ao discurso petista de que o centro da luta agora \u00e9 \u201ccontra o golpe\u201d ou ent\u00e3o, contra o impeachment. Para isso, em todas suas notas e em geral na sua pol\u00edtica, a luta contra o Governo passa para o segundo, terceiro ou quarto plano. Assustados pelo discurso do \u201cgolpe\u201d que ganhou certo peso na intelectualidade e em parcelas da juventude o MRT assume o discurso petista de que h\u00e1 um \u201cgolpe institucional\u201d em curso contra Dilma.\u201d (MRT e Esquerda Di\u00e1rio: a Luta contra o governo Dilma passou para o \u00faltimo plano \u2013 texto da CST).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria do PSOL (Unidade Socialista), principal partido de oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao PT, se converteu, frente \u00e0 crise do Lulismo no Brasil, em uma fiel linha auxiliar do governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Importante frisar: esta corrente n\u00e3o tem origem no trotskismo, sua origem \u00e9 uma corrente\u00a0cujas concep\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas s\u00e3o essencialmente\u00a0stalinistas, que nunca rompeu completamente o cord\u00e3o umbilical com o PT, defendendo o programa democr\u00e1tico-popular e os governos em comum com setores burgueses, tal como o fizeram e fazem na prefeitura de Macap\u00e1. Hoje em dia, a US faz quest\u00e3o de n\u00e3o denunciar o PT como gerador de um brutal ajuste contra os trabalhadores ganhando continuidade com o governo Temer, e alimentando a nefasta ilus\u00e3o de que o governo petista seria o \u201cmal menor\u201d para os trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Como conclus\u00e3o desses exemplos, vemos categoricamente que os erros e capitula\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda \u00e0s frentes-populares, a governos de concilia\u00e7\u00e3o de classes, e por conseguinte sua absten\u00e7\u00e3o na batalha pela dire\u00e7\u00e3o do proletariado e do movimento de massas, \u00e9 um fator muito importante da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria no per\u00edodo atual.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>VI <\/b><b>\u2013<\/b><b>A crise pol\u00edtica brasileira e a luta por uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ilustrar o que dizemos podemos utilizar o exemplo brasileiro. No nosso pa\u00eds, a ampla maioria da esquerda acreditou no \u201cgolpe contra Dilma\u201d e saiu na defesa de seu mandato. Enquanto a classe oper\u00e1ria, sobretudo o seu setor mais precarizado, rompia de vez com o projeto do Lulismo, importantes setores da esquerda se encarregou de defend\u00ea-lo com unhas, dentes e aparatos. Na nossa opini\u00e3o, essa \u201cteoria\u201d \u00e9 uma justificativa para continuar defendendo uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com setores burgueses, burocr\u00e1ticos e pequeno burgueses, sejam do PT, do Rede Sustentabilidade (Rede), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), etc. Por\u00e9m, para al\u00e9m disso, vemos esse debate inserido em um contexto mais global, \u00a0onde os erros da esquerda alimentam a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Imaginem se tiv\u00e9ssemos o PSOL, o PSTU, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) engajados na constru\u00e7\u00e3o de um terceiro campo contra o PT e o Partido do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro (PMDB). Se ao inv\u00e9s de subir no palanque de Lula e Dilma, os parlamentares do PSOL estivessem utilizando seu prest\u00edgio e convocando marchas contra os dois blocos burgueses que disputam o poder. Se o MTST estivesse aproveitando sua imensa base social para enterrar o projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes do PT, ao inv\u00e9s de salv\u00e1-lo. Inclusive se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos todo o PSOL, mas ao menos as correntes que se reivindicavam da esquerda psolista: se tiv\u00e9ssemos Luciana Genro, junto a Bab\u00e1, Z\u00e9 Maria, Boulos e outros dirigentes sindicais, populares e juvenis, formando nos fatos o terceiro campo, apoiando as lutas em curso e exigindo das centrais sobre tudo da CUT, a necessidade de uma greve geral! Sem d\u00favidas ter\u00edamos hoje uma forte alternativa de dire\u00e7\u00e3o. Infelizmente, a realidade est\u00e1 distante disso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Do nosso ponto de vista, ap\u00f3s a queda do Muro que consideramos um triunfo do movimento de massas vista a debilidade que se abriu nos aparatos sindicais e pol\u00edticos, n\u00f3s revolucion\u00e1rios temos gigantescas tarefas pela frente, e imensas oportunidades. Para tal, \u00e9 preciso uma luta consequente contra os setores da esquerda que capitulam, contra o centrismo e o revisionismo no interior do trotskismo. Estamos frente \u00e0 fal\u00eancia do PT que perdeu sua base social, processo ao qual apostamos durante anos os trotskistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Frente a esta realidade, propusemos no interior do PSOL, ao PSTU, ao MES e \u00e0 Conlutas, a necessidade de construir um bloco ou polo como projeto estrat\u00e9gico para poder construir uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o. Somos da opini\u00e3o que o PSTU, corretamente n\u00e3o reproduziu o discurso do golpe, mas n\u00e3o respondeu de forma correta <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a esta nova situa\u00e7\u00e3o de ruptura massiva com o PT. N\u00e3o atuou para fazer do Espa\u00e7o de Unidade de A\u00e7\u00e3o e da pr\u00f3pria Conlutas um polo ofensivo na pol\u00edtica. A\u00a0esquerda que n\u00e3o capitulava ao lulismo esteve muitas vezes paralisada pela pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o do PSTU, de eternos debates e procura de consensos com os setores que j\u00e1 estavam com sua decis\u00e3o tomada de se agregar no campo do PT. Isso provocou a paralisia do Espa\u00e7o em meses decisivos da crise pol\u00edtica e \u00e9 o que explica tamb\u00e9m a paralisia na qual est\u00e1 ap\u00f3s a queda de Dilma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O espa\u00e7o para estas batalhas est\u00e1 colocado. Mas \u00e9 necess\u00e1rio unir for\u00e7as, com uma pol\u00edtica clara contra os dois blocos burgueses, para apoiar as lutas; impulsionar a democracia oper\u00e1ria, exigir das centrais uma greve geral; para enfrentar decididamente Temer e sem com isso defender o \u201cvolta Dilma\u201d, na estrat\u00e9gia de um governo de esquerda, dos trabalhadores e do povo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O impulso \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o como m\u00e9todo privilegiado \u00e9 decisivo para n\u00e3o cair no eleitoralismo, especialmente a poucos meses de uma elei\u00e7\u00e3o municipal onde n\u00e3o s\u00e3o poucos os setores da esquerda que buscam \u201campliar alian\u00e7as\u201d &#8211; at\u00e9 com a Rede, de Marina Silva, a mesma que votou em A\u00e9cio, no segundo turno, e que caiu tamb\u00e9m nas den\u00fancias da Lava Jato, despolitizando o debate, \u00a0restringindo-o ao \u00e2mbito municipal com propostas rebaixadas, como se houvesse solu\u00e7\u00e3o \u00a0para os problemas do povo trabalhador nesse terreno. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">De nossa parte, seguimos acreditando ser preciso um polo, ainda que inicialmente pequeno, de enfrentamento aos dois blocos burgueses que disputam o poder. Assim, em nosso pa\u00eds, dar\u00edamos alguns passos rumo \u00e0 necessidade de supera\u00e7\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, \u2013 mundialmente, a imensa tarefa para a qual dedicamos nossas vidas e a \u00fanica forma pela qual podemos construir um governo da esquerda, dos trabalhadores e do povo para derrotar de uma vez o sistema capitalista.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b><i>*Fontes: 1) Teses sobre Situa\u00e7\u00e3o Mundial \u2013 Secretariado da LIT-CI- 1984 \u2013 2) Teses Pol\u00edticas Mundiais do IV Congresso da UIT-CI: \u201cUma proposta para as lutas do s\u00e9culo XXI\u201d &#8211; 2013<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Silvia Santos e Diego Vitello (CST\/PSOL) Apresenta\u00e7\u00e3o Hoje, passados pouco mais de um quarto de s\u00e9culo da derrubada do Muro de Berlim e do colapso da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS), este continua um debate fundamental na esquerda em n\u00edvel mundial. Localizar de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1308,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[191,38],"class_list":["post-1307","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica","tag-berlim","tag-polemica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1307"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1307\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}