

	{"id":13220,"date":"2023-11-18T10:20:24","date_gmt":"2023-11-18T13:20:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=13220"},"modified":"2023-12-01T11:57:05","modified_gmt":"2023-12-01T14:57:05","slug":"emergencia-climatica-ja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/11\/18\/emergencia-climatica-ja\/","title":{"rendered":"Emerg\u00eancia clim\u00e1tica, j\u00e1!"},"content":{"rendered":"<p>Por Ana Luiza Ugucione e Michel Tunes, CST<\/p>\n<h4>Protestar por medidas urgentes para enfrentar a onda de calor, seca dos rios e tempestades!<\/h4>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, em todo o Brasil, estamos testemunhando as consequ\u00eancias da destrui\u00e7\u00e3o ambiental: ondas de extremo calor no Sudeste, com temperaturas recordes, cidades tomadas por fuma\u00e7a, como em Manaus (AM), desabastecimento, secas hist\u00f3ricas nos rios da Amaz\u00f4nia, com colapso do transporte fluvial; chuvas intensas que geram inunda\u00e7\u00f5es no sul e no sudeste do pa\u00eds e ventanias em diversos lugares. No Centro-Oeste, os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul decretaram estado de emerg\u00eancia devido aos inc\u00eandios na regi\u00e3o do Pantanal. Pela primeira vez, o Brasil registrou clima de deserto e o semi\u00e1rido est\u00e1 virando \u00e1rido. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica e exige atua\u00e7\u00e3o, j\u00e1!<\/p>\n<h4>Os governo e empres\u00e1rios s\u00e3o os respons\u00e1veis<\/h4>\n<p>Os respons\u00e1veis pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o os grandes empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio, as multinacionais poluidoras e os governos nacionais e locais que atuam a servi\u00e7o de interesses capitalistas e, por isso, n\u00e3o apresentam solu\u00e7\u00f5es de fundo para o problema ambiental. A cada C\u00fapula do Clima eles postergam o prazo para diminui\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o dos gases de efeito estufa e muitos fazem discursos com cores \u201cverdes\u201d, mas sem nada de efetivo. Para n\u00e3o falar nos negacionistas, tipo Bolsonaro, que defendem abertamente a destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<br \/>\nAtualmente, cerca de 70% das emiss\u00f5es de efeito estufa v\u00eam de apenas 100 empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Os 10% mais ricos emitem mais da metade de todas as emiss\u00f5es de CO2 do planeta por ano. 50 empresas usam a mesma quantidade de \u00e1gua que metade da popula\u00e7\u00e3o mundial: agroneg\u00f3cio, setor sucroalcooleiro e ind\u00fastria de papel e celulose captam 5,2 trilh\u00f5es de litros de \u00e1gua por ano, o que abasteceria 93,8 milh\u00f5es de pessoas.<br \/>\nEm nosso pa\u00eds, um exemplo \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da Vale e demais mineradoras multinacionais, como demonstram os desastres de Mariana e Brumadinho. Ou empresas como a Hydro, na Amaz\u00f4nia, e grandes conglomerados como a Cargill. H\u00e1 in\u00fameras empresas que atuam no campo envolvidas com assassinatos de sem-terra, quilombolas, seringueiros e lideran\u00e7as ind\u00edgenas que se op\u00f5em a seus projetos.<br \/>\nEm Caetit\u00e9, na Bahia, h\u00e1 a \u00fanica mina de ur\u00e2nio em atividade da Am\u00e9rica Latina. Entre 2000 e 2014, houve pelo menos cinco acidentes com material radioativo registrados, sendo o mais preocupante quando 5 mil metros c\u00fabicos de licor de ur\u00e2nio e lama radioativa vazaram no solo do sert\u00e3o baiano. Em alguns pontos a taxa de radia\u00e7\u00e3o chega a ser 10 vezes maior que o considerado seguro para a sa\u00fade. O Quilombo de Malhada, al\u00e9m de pequenas comunidades rurais como Barreiro e Juazeiro, ficam pr\u00f3ximas \u00e0 mina, o que coloca em risco pessoas que vivem da agricultura familiar (pela contamina\u00e7\u00e3o do solo) e tamb\u00e9m por respirarem g\u00e1s t\u00f3xico emitido pela mina e part\u00edculas radioativas. Tudo isso desequilibra ecossistemas, contamina o meio ambiente e vai provocando mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pondo em risco a biodiversidade do planeta.<\/p>\n<h4>Como est\u00e3o as coisas no governo Lula\/Alckmin?<\/h4>\n<p>Recentemente, o governo Lula\/Alckmin realizou a 4\u00aa C\u00fapula da Amaz\u00f4nia em Bel\u00e9m (PA), um evento preparat\u00f3rio da C\u00fapula do Clima n\u00ba 30. Antes da C\u00fapula, tamb\u00e9m foi realizado o \u201cDi\u00e1logos Amaz\u00f4nicos\u201d, evento organizado pelo governo federal e que contou com a presen\u00e7a de movimentos ind\u00edgenas, campesinos, ambientais, quilombolas, dentre outros, e cujas as resolu\u00e7\u00f5es seriam, supostamente, a base das decis\u00f5es da C\u00fapula da Amaz\u00f4nia. Ao longo de tr\u00eas dias, os movimentos realizaram assembleias contra a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na regi\u00e3o e contra a viol\u00eancia aos povos ind\u00edgenas. \u00c0s v\u00e9speras da C\u00fapula, ind\u00edgenas foram baleados por seguran\u00e7as de uma empresa de biocombust\u00edvel a poucos Km de Bel\u00e9m.<br \/>\nNo entanto, a esperada \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m\u201d, assinada pelos l\u00edderes presentes, frustrou os movimentos sociais e ambientais ao n\u00e3o criar metas de Desmatamento Zero nem se opor ao projeto de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na foz do Rio Amazonas. Como em outros documentos multilaterais, h\u00e1 muitas declara\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e aus\u00eancia de metas concretas. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve nenhuma men\u00e7\u00e3o \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o do Marco Temporal.<br \/>\nDiante da onda de eventos extremos que estamos vivendo, muito se fala de mudar a matriz energ\u00e9tica. Sejam governos capitalistas ou at\u00e9 empresas (algumas delas como a Vale e Hydro v\u00e3o financiar a COP 30 na Amaz\u00f4nia). Mas mesmo essas ideias de \u201csustentabilidade\u201d n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para vigorar dentro do capitalismo, vide as propostas de empresas e do atual governo de explorar o petr\u00f3leo na foz do Rio Amazonas, contra as opini\u00f5es de cientistas ambientalistas, dos ribeirinhos, povos ind\u00edgenas e camponeses da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Ou seja, n\u00e3o podemos ficar parados e acreditar nesses projetos, discursos, promessas, esperando que as empresas e governos capitalista fa\u00e7am uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica ou se tornem \u201csustent\u00e1veis\u201d.<br \/>\nMesmo no atual governo continua o ataque aos povos origin\u00e1rios e popula\u00e7\u00f5es tradicionais, cujos territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o sempre sendo atacados, amea\u00e7ados, explorados e dizimados pelo garimpo ilegal, pela pistolagem dos grandes latifundi\u00e1rios. No Congresso h\u00e1 tentativas constantes de retiradas de direitos, como o PL do Marco Temporal que, apesar de parcialmente vetado, mant\u00e9m seu conte\u00fado de ataque aos povos ind\u00edgenas (conforme den\u00fancias da pr\u00f3pria APIB).<\/p>\n<h4>Mobilizar pelas pautas urgentes e imediatas<\/h4>\n<p>Em primeiro lugar, precisamos unificar a indigna\u00e7\u00e3o diante dessa cat\u00e1strofe socioambiental e exigir medidas urgentes e imediatas para combater os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na vida da classe trabalhadora e dos setores populares, principalmente do povo negro e ind\u00edgena, que sofrem os piores impactos. Batalhamos para que a CUT, CTB, UNE, MTST e MST convoquem uma plen\u00e1ria de organiza\u00e7\u00e3o das lutas populares que paute o tema ambiental e convoque protestos nas ruas. Precisamos seguir o exemplo dos moradores da Rocinha (RJ), que protestaram contra a falta de \u00e1gua, e de bairros da periferia de SP (na zona Sul e Leste) que protestam contra a falta de energia el\u00e9trica ap\u00f3s as tempestades.<br \/>\nExigimos que se destinem recursos imediatamente para solucionar as demandas urgentes do nosso povo, com a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas de falta de energia e \u00e1gua, essenciais para a hidrata\u00e7\u00e3o e climatiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. As tarifas dos servi\u00e7os de luz e energia devem ser reduzidas, com isen\u00e7\u00e3o para as comunidades em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. As frotas de transporte p\u00fablico e linhas que atendem as comunidades devem ser fortalecidas, com transportes refrigerados, evitando que eles andem lotados. Os locais de trabalho, estudo e moradia tamb\u00e9m necessitam de refrigera\u00e7\u00e3o do ambiente e \u00e1gua gelada para hidrata\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente decretar o abono das faltas dos trabalhadores e trabalhadoras (sem descontos salariais) e de estudantes em dias cr\u00edticos com forte calor ou tempestades. As pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua precisam de moradia popular e trabalho, al\u00e9m de receber \u00e1gua gelada e ter acesso a banheiros p\u00fablicos.<\/p>\n<h4>Emerg\u00eancia clim\u00e1tica, j\u00e1!<\/h4>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio mobilizar para exigir governo Lula\/Alckmin, governadores e prefeitos um plano emergencial de conten\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o ambiental capitalista, com investimento massivo em preven\u00e7\u00e3o. Os governos devem ter planejamento, com aux\u00edlio de especialistas e dos movimentos sindical e popular, para tomar as provid\u00eancias sociais e t\u00e9cnicas no tempo adequado. Defendemos:<br \/>\n&#8211; Os im\u00f3veis vazios que servem para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria devem ser expropriados e destinados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o pobre que necessita, principalmente aos habitantes de comunidades que est\u00e3o sendo afetadas pelas cat\u00e1strofes.<br \/>\n&#8211; Reurbaniza\u00e7\u00e3o das cidades, com \u00e1reas verdes e parques no centro e nos bairros. Estatiza\u00e7\u00e3o do transporte com investimento maci\u00e7o em ferrovias e hidrovias.<br \/>\n&#8211; Fim do desmatamento na Amaz\u00f4nia e demais biomas do Brasil. Fim da destrui\u00e7\u00e3o capitalista nas terras ind\u00edgenas e expropria\u00e7\u00e3o das multinacionais poluidoras. Fim do garimpo.<br \/>\n&#8211; Demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e assist\u00eancia social e t\u00e9cnica governamental para melhorar a qualidade de vida desses povos. Titula\u00e7\u00e3o para as popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Revoga\u00e7\u00e3o da totalidade da Lei 14.701\/23 (Antigo PL do Marco Temporal). Arquivamento de todos os projetos de lei que favorecem a destrui\u00e7\u00e3o ambiental capitalista. Fora Carlos F\u00e1varo do Minist\u00e9rio da Agricultura!<br \/>\n&#8211; Plano de obras p\u00fablicas ambientais a servi\u00e7o da prote\u00e7\u00e3o do povo e do meio ambiente, gerando empregos e reduzindo as cat\u00e1strofes. Concurso p\u00fablico e mais verbas para INCRA, IBAMA, FUNAI, ICMBIO, Universidades, \u00f3rg\u00e3os estaduais e municipais do meio ambiente.<br \/>\n&#8211; Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores sem-terra!<br \/>\n&#8211; N\u00e3o pagamento da d\u00edvida aos banqueiros, taxa\u00e7\u00e3o dos bilion\u00e1rios e das multinacionais para garantir recursos para implementar medidas da emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<h4>Por um governo da classe trabalhadora, sem patr\u00f5es, que ponha fim \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o capitalista<\/h4>\n<p>Ao lado desse plano de a\u00e7\u00e3o emergencial contra os impactos atuais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, temos de exigir mudan\u00e7as profundas e construir uma alternativa da classe trabalhadora e do povo pobre, que lute pela expropria\u00e7\u00e3o das multinacionais petroleiras, mineradoras e do agroneg\u00f3cio, estatizando-as sob controle de seus trabalhadores, que, ao lado de cientistas comprometidos com a defesa do meio ambiente e das pr\u00f3prias comunidades afetadas, poder\u00e3o colocar em pr\u00e1tica um plano de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica efetivo e medidas que nos tirem do rumo da cat\u00e1strofe ambiental imposta pelos capitalistas. Consideramos que esse objetivo s\u00f3 pode ser realizado atrav\u00e9s de um governo da classe trabalhadora, sem patr\u00f5es, no caminho de um Brasil socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ana Luiza Ugucione e Michel Tunes, CST Protestar por medidas urgentes para enfrentar a onda de calor, seca dos rios e tempestades! 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