

	{"id":13336,"date":"2023-11-30T10:31:24","date_gmt":"2023-11-30T13:31:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=13336"},"modified":"2023-12-22T13:05:58","modified_gmt":"2023-12-22T16:05:58","slug":"consciencia-negra-uma-memoria-negada-e-lutas-continuas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/11\/30\/consciencia-negra-uma-memoria-negada-e-lutas-continuas\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia Negra &#8211; Uma mem\u00f3ria negada e lutas cont\u00ednuas"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Por Andressa Rocha e R\u00f4mulo A. Louren\u00e7o<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Houve um esfor\u00e7o das classes dominantes do pa\u00eds para construir o senso comum de que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds sem marcos de lutas. O imagin\u00e1rio de passividade do povo brasileiro n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade, ignora as centenas de anos de resist\u00eancias e enfrentamentos, datados desde as lutas ind\u00edgenas contra a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa. A quem serve nos fazer pensar que os oprimidos e explorados foram inertes na Hist\u00f3ria? Aprendemos que os terrenos de lutas est\u00e3o no norte global, que l\u00e1 encontramos expoentes de bravuras, notadamente vindos de Fran\u00e7a, Inglaterra e Estados Unidos. Precisamos revisitar e nos conectar com o nosso passado, que distante da vis\u00e3o racista constru\u00edda, foi marcado por m\u00faltiplas formas de lutas, isto \u00e9 parte fundamental do fortalecimento da consci\u00eancia negra.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O grande Quilombo dos Palmares, fundado no s\u00e9culo XVI com apogeu no XVII, no que hoje \u00e9 o estado de Alagoas, entrou para a Hist\u00f3ria por contar com milhares de negras e negros que enfrentaram a escraviza\u00e7\u00e3o pelas m\u00e3os dos colonizadores. Seu principal l\u00edder, Zumbi dos Palmares, se tornou refer\u00eancia em vida e m\u00e1rtir do povo preto no Brasil. O dia 20 de novembro, dia de seu assassinato, entrou no calend\u00e1rio nacional como Dia da Consci\u00eancia Negra e de Zumbi dos Palmares. Com os avan\u00e7os dos movimentos feministas, o nome de Dandara dos Palmares saiu do apagamento hist\u00f3rico e recebeu os destaques por seu papel desempenhado na sociedade de Palmares e hoje tamb\u00e9m \u00e9 referenciado nessa data.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">In\u00fameros foram os aquilombamentos, revoltas, iniciativas e lutas contra a escraviza\u00e7\u00e3o nos per\u00edodos colonial e imperial do Brasil. Ao fim do s\u00e9culo XIX, com o modelo incompetente de aboli\u00e7\u00e3o da escravatura executado, temos a continuidade do povo preto como base, como parcela da popula\u00e7\u00e3o mais explorada e oprimida entre os brasileiros. A pol\u00edtica de branqueamento da popula\u00e7\u00e3o, baseada no chamado racismo cient\u00edfico eug\u00eanico, foi um dos ataques enfrentados pelos pretos no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o que, entre outros efeitos e motivos, afastou o orgulho da negritude.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os reflexos da escravocracia e da aboli\u00e7\u00e3o praticada, est\u00e3o presentes no cotidiano de racismo estrutural ao qual os pretos est\u00e3o submetidos. A exemplo se tem o maior \u00edndice de desemprego ao qual as negras e negros est\u00e3o submetidos, os mais baixos sal\u00e1rios, acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o e saneamento b\u00e1sico. Ainda se tem a viol\u00eancia policial, presente e noticiada na viol\u00eancia cotidiana e nas chacinas que ocorrem nas periferias do nosso pa\u00eds, em que o principal grupo vitimado em opera\u00e7\u00f5es policiais s\u00e3o os negros, chegando a 83,1% das v\u00edtimas, como apontam os dados do Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de 2023. Ainda de acordo com o levantamento, a popula\u00e7\u00e3o negra possui hoje o maior percentual de encarcerados, representando 68,2% do total.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante exigir plen\u00e1rias que organizem os trabalhadores e a juventude, a construir mobiliza\u00e7\u00f5es e atos massivos em 20 de novembro em todo pa\u00eds. Debater e evidenciar que o racismo ainda \u00e9 presente e reflete na realidade do povo negro, nas opera\u00e7\u00f5es racistas da pol\u00edcia e na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que refor\u00e7am e aumentam os \u00edndices de desigualdade, a exemplo da lei de drogas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sair \u00e0s ruas no dia da Consci\u00eancia Negra e ter uma luta cont\u00ednua, por nossas vidas e pelos nossos direitos, para derrotar o genoc\u00eddio do povo negro e da juventude pobre. \u00c9 necess\u00e1rio que se tenha investimento para gera\u00e7\u00e3o de empregos, sal\u00e1rios e direitos sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Dandara e Zumbi: a luta do povo negro segue vigente<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Bruno da Rosa, Coordena\u00e7\u00e3o da CST e Bruna Assis, Mulheres da CST<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O dia 20 de novembro marca o legado de luta e resist\u00eancia que Zumbi dos Palmares, Dandara e outras importantes lideran\u00e7as do movimento negro deixaram registrado na Hist\u00f3ria e foram at\u00e9 o fim pela liberta\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante resgatar os processos hist\u00f3ricos que abordam o lado oprimido, desmascarar a falsa imagem de benevol\u00eancia da princesa Isabel, que, por meio de uma Lei, concede a liberdade aos negros escravizados no dia 13 de maio de 1888. Esse processo foi fruto de muita luta do povo negro e da necessidade de construir um governo dos de baixo, que segue vigente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A ONU publicou um relat\u00f3rio sobre racismo em institui\u00e7\u00f5es de Pol\u00edcia e Justi\u00e7a em 2021, e, dos exemplos citados, dois s\u00e3o brasileiros. As mortes de Jo\u00e3o Pedro e Luana Barbosa\u00a0ilustram como investiga\u00e7\u00f5es, processos, julgamentos e decis\u00f5es n\u00e3o levam em conta o papel da discrimina\u00e7\u00e3o racial nas institui\u00e7\u00f5es. Dentre os mais de 600 mil encarcerados brasileiros, 61% s\u00e3o negros. Esse n\u00famero elevado de presos se d\u00e1 muito pela Lei de Drogas (11.343\/2006), sancionada por Lula\/PT.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Precisamos de uma liberta\u00e7\u00e3o definitiva, contra o racismo capitalista que nos massacra e a atual escravid\u00e3o assalariada que nos explora e nos deixa cada dia pior. Enquanto formos governados por um governo com patr\u00f5es, empres\u00e1rios, multinacionais e projetos capitalistas seremos massacrados. Os governos que n\u00f3s queremos s\u00e3o os nossos pr\u00f3prios governos, tal como era o governo dos Quilombos de Zumbi, Dandara ou de Tereza de Benguela. A senzala n\u00e3o tem nada a ver e nem pode compactuar com a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da casa grande. N\u00f3s, trabalhadores, jovens e mulheres exploradas n\u00e3o podemos conciliar com os patr\u00f5es e empres\u00e1rios, assim como nossos antepassados negros e ind\u00edgenas guerreiros n\u00e3o compactuaram com os senhores escravistas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m das medidas emerg\u00eancias, como a revoga\u00e7\u00e3o da lei antidrogas do governo Lula, fim das chacinas policiais e fim da pol\u00edcia militar, defendemos um governo da classe trabalhadora, sem patr\u00f5es, e um Brasil Socialista como uma mudan\u00e7a profunda para conquistar de vez nossas pautas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andressa Rocha e R\u00f4mulo A. Louren\u00e7o Houve um esfor\u00e7o das classes dominantes do pa\u00eds para construir o senso comum de que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds sem marcos de lutas. 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