

	{"id":13484,"date":"2023-12-21T10:37:15","date_gmt":"2023-12-21T13:37:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=13484"},"modified":"2023-12-22T16:44:21","modified_gmt":"2023-12-22T19:44:21","slug":"texto-1-cut-40-anos-de-sua-fundacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/21\/texto-1-cut-40-anos-de-sua-fundacao\/","title":{"rendered":"Texto 1 &#8211; CUT: 40 anos de sua funda\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Santiago, Coordenador Geral do Sintsep-PA<\/p>\n<h6>A CUT nasceu nas lutas, classista, democr\u00e1tica e socialista<\/h6>\n<p>Em 28 de agosto de 1983, no I Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT), realizado em S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), nascia a CUT, Central \u00danica dos Trabalhadores. Estiveram presentes nesse Congresso hist\u00f3rico cerca de 5.500 delegados, sendo 460 sindicatos urbanos (com 3.053 delegados) e 363 sindicatos rurais (com 916 delegados), al\u00e9m de 176 associa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-sindicais (com 716 delegados), 32 associa\u00e7\u00f5es de funcion\u00e1rios p\u00fablicos (com 145 delegados), 43 federa\u00e7\u00f5es (com 194 delegados) e 5 confedera\u00e7\u00f5es (com 422 delegados)[i].<\/p>\n<p>Foi o Congresso mais democr\u00e1tico de toda a hist\u00f3ria da CUT e refletiu diretamente o ascenso oper\u00e1rio que o pa\u00eds atravessava, com as hist\u00f3ricas greves dos oper\u00e1rios da ind\u00fastria metal\u00fargica do ABC-SP, o que j\u00e1 havia possibilitado a funda\u00e7\u00e3o do PT em 1980, e a primeira tentativa de greve geral contra os patr\u00f5es e a ditadura militar em julho de 1983, tendo \u00e0 frente a lideran\u00e7a de Lula. Todas as tend\u00eancias sindicais e pol\u00edticas de esquerda estavam presentes, inclusive a Converg\u00eancia Socialista, corrente trotskista ligada ao morenismo na \u00e9poca.<\/p>\n<p>A CUT expressava o \u201cnovo sindicalismo\u201d e nasceu se contrapondo ao peleguismo dos dirigentes hist\u00f3ricos, como \u201cJoaquinz\u00e3o\u201d, ligado ao MDB e ao sindicalismo de concilia\u00e7\u00e3o de classes do PCB, MR-8 e PCdoB, que formavam a Unidade Sindical. Este setor pelego e reformista, que participou da Primeira Confer\u00eancia da Classe Trabalhadora, em agosto de 1981, em Praia Grande (SP), junto com os sindicatos e oposi\u00e7\u00f5es ligados ao PT, com cerca de 5.036 delegados, foi o mesmo setor que n\u00e3o concordou com os princ\u00edpios classistas de funda\u00e7\u00e3o da CUT e boicotou o Congresso, realizando depois o seu pr\u00f3prio Congresso e fundando outra central pelega, a CGT.<\/p>\n<p>A CUT surgiu rompendo a estrutura sindical pelega defendida pelos pelegos e stalinistas. Estes defendiam a tal da \u201cunicidade sindical\u201d, amarrando todas as categorias de um ramo em um \u00fanico sindicato. A CUT defendia a autonomia e liberdade sindical, permitindo aos trabalhadores fundarem os sindicatos conforme suas necessidades de organiza\u00e7\u00e3o e de luta. Do mesmo modo, desde o in\u00edcio, a CUT combateu o imposto sindical, que era um instrumento para eternizar as burocracias sindicais no poder.<\/p>\n<p>A CUT nasceu democr\u00e1tica, permitindo com que todas as tend\u00eancias pol\u00edticas que conflu\u00edram para sua funda\u00e7\u00e3o participassem da dire\u00e7\u00e3o da central, atrav\u00e9s do m\u00e9todo da proporcionalidade direta e qualificada. Todas as tend\u00eancias que concorressem com chapas no Congresso e obtivessem o percentual m\u00ednimo poderiam estar na dire\u00e7\u00e3o. Para se ter uma ideia, no III CONCUT, realizado em Minas Gerais em 1988, o setor majorit\u00e1rio, a Articula\u00e7\u00e3o, encabe\u00e7ado por Lula, obteve 60,4% dos votos; a CUT Pela Base, formado pela DS, O Trabalho e MOMSP, movimento de oposi\u00e7\u00e3o metal\u00fargico de SP, conseguiu 23,4% dos votos; e a Converg\u00eancia Socialista, tend\u00eancia trotskista ligada a Nahuel Moreno, conquistou 16,3% dos votos. E todas compuseram a dire\u00e7\u00e3o executiva e nacional da CUT com base nessa proporcionalidade.<\/p>\n<p>A CUT tamb\u00e9m inscreveu em seu Estatuto de funda\u00e7\u00e3o a bandeira da luta pelo socialismo. Lemos em seu artigo 2\u00b0: \u201cA Central \u00danica dos Trabalhadores \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o sindical de massas em n\u00edvel m\u00e1ximo, de car\u00e1ter classista, aut\u00f4nomo e democr\u00e1tico, cujos fundamentos s\u00e3o: o compromisso com a defesa dos interesses imediatos e hist\u00f3ricos da classe trabalhadora, a luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho e o engajamento no processo de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia e ao socialismo\u201d. Refletia ainda o apelo \u201c\u00e0 democracia\u201d e a luta contra a ditadura militar que governava o pa\u00eds e que viria abaixo no ano seguinte com as mobiliza\u00e7\u00f5es pelas Diretas J\u00e1.<\/p>\n<p>Foi com esses princ\u00edpios que a CUT organizou a maior greve geral da hist\u00f3ria do pa\u00eds em 1989, contra o Plano Ver\u00e3o do governo Sarney, quando 30 milh\u00f5es de trabalhadores cruzaram os bra\u00e7os. Foi com esses princ\u00edpios que a CUT conquistou uma gama de sindicatos dos pelegos e reformistas, a tal ponto que, no ano de 1989, a CUT detinha 89% dos sindicatos nas empresas estatais, 51% nas empresas privadas nacionais e 56% nas multinacionais, ao passo que a CGT pelega detinha apenas 11% nas estatais e 20% dos sindicatos nas empresas privadas[ii].<\/p>\n<h6>Anos 90 com FHC e anos 2000 com Lula: a CUT pelega e chapa branca<\/h6>\n<p>Entretanto, os anos de gra\u00e7a do classismo, da democracia e da CUT das lutas n\u00e3o durariam muito tempo. O principal obst\u00e1culo para isso se chamava \u201cArticula\u00e7\u00e3o Sindical\u201d, a tend\u00eancia majorit\u00e1ria encabe\u00e7ada por Lula, Ol\u00edvio Dutra e Vicentinho, que era orientada pela Igreja Cat\u00f3lica. Os que dirigiam a CUT eram os mesmos que dirigiam o PT, e ambas as ferramentas da classe trabalhadora brasileira, sucumbiriam quase ao mesmo tempo ao breve passado classista, democr\u00e1tico e de lutas. Bem antes, j\u00e1 haviam golpeado a democracia interna, diminuindo o crit\u00e9rio para a elei\u00e7\u00e3o de delegados, a tal ponto de chegarmos ao III CONCUT com apenas 2.500 delegados contra os 5.500 do Congresso de Funda\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio crit\u00e9rio da proporcionalidade foi distorcido para favorecer o grupo majorit\u00e1rio, instituindo-se um teto de 10 a 20% para compor a dire\u00e7\u00e3o da central. A queda do \u201cMuro de Berlim\u201d aceleraria mais ainda o giro de 360 graus dos dirigentes da CUT para a concilia\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p>Quando o governo burgu\u00eas, neoliberal, encabe\u00e7ado por Fernando Henrique Cardoso (FHC) assumiu em 1995, os petroleiros fizeram a maior greve de todos os tempos, com a ocupa\u00e7\u00e3o das refinarias, enfrentando a repress\u00e3o do ex\u00e9rcito e a ilegalidade do STF. A posi\u00e7\u00e3o da CUT e de Lula naquele momento foi de que os petroleiros suspendessem a greve para negociar com o neoliberal FHC. Quando o mesmo FHC prop\u00f4s sua reforma da previd\u00eancia para tirar direitos hist\u00f3ricos dos trabalhadores, Vicentinho, presidente da CUT, aceitou negociar a reforma anti-povo.<\/p>\n<p>A chegada de Lula e da frente popular ao governo no ano de 2002 seria a p\u00e1 de cal que faltava para que a dire\u00e7\u00e3o da CUT rasgasse a bandeira da independ\u00eancia pol\u00edtica frente aos governos. Desde o primeiro momento foram a central \u201cchapa branca\u201d do governo Lula, a tal ponto de apoiarem e n\u00e3o fazerem nada contra a reforma da previd\u00eancia do governo, que atingiu duramente os servidores p\u00fablicos de todo o pa\u00eds. A dire\u00e7\u00e3o da CUT avalizou todas as pol\u00edticas do governo Lula contra a classe trabalhadora, inclusive a pol\u00edtica econ\u00f4mica que privilegiava pagar os juros da d\u00edvida p\u00fablica aos banqueiros. Foi da oposi\u00e7\u00e3o ao governo que surgiram o PSOL, com os radicais em 2004 e a Conlutas, em 2005, uma central sindical classista.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o da CUT ao longo dos governos Temer e Bolsonaro merece outro texto em edi\u00e7\u00f5es futuras. No entanto, vale dizer que a resist\u00eancia contra a Reforma da Previd\u00eancia do governo Temer por meio de uma greve geral s\u00f3 ocorreu por uma press\u00e3o muito forte das bases, e que, durante o governo Bolsonaro, um governo nefasto de extrema-direita, a CUT ficou passiva, n\u00e3o organizou planos de lutas contra as medidas econ\u00f4micas, de retiradas de direitos trabalhistas e de ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, mesmo sendo a maior central sindical do pa\u00eds, os anos de imobilismo e atrelamento de sua dire\u00e7\u00e3o aos governos Lula e Dilma, deixaram para tr\u00e1s todo o legado dos primeiros anos. Isso nos obriga a cada vez mais exigir da CUT que chame e organize a luta contra a retirada de direitos de nossa classe por parte do governo de Frente Ampla, de Lula e Alckmin. Nossa corrente sindical Combate, desde a CSP-CONLUTAS, defende a independ\u00eancia e luta contra a retirada de direitos e a concilia\u00e7\u00e3o de classes, como a luta contra o arcabou\u00e7o fiscal de Lula\/Haddad e a Reforma Tribut\u00e1ria, que n\u00e3o ataca os ricos e o imoral pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica aos banqueiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Santiago, Coordenador Geral do Sintsep-PA A CUT nasceu nas lutas, classista, democr\u00e1tica e socialista Em 28 de agosto de 1983, no I Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT), realizado em S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), nascia a CUT, Central \u00danica dos Trabalhadores. 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