

	{"id":13487,"date":"2023-12-21T10:42:08","date_gmt":"2023-12-21T13:42:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=13487"},"modified":"2023-12-22T16:45:36","modified_gmt":"2023-12-22T19:45:36","slug":"texto-2-a-fundacao-da-cut-relato-de-um-dos-fundadores-da-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/21\/texto-2-a-fundacao-da-cut-relato-de-um-dos-fundadores-da-central\/","title":{"rendered":"Texto 2 &#8211; A funda\u00e7\u00e3o da CUT: relato de um dos fundadores da central"},"content":{"rendered":"<p>Bab\u00e1, Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST<\/p>\n<p>A funda\u00e7\u00e3o da CUT est\u00e1 ligada ao come\u00e7o do fim da Ditadura Militar no Brasil, a partir das greves dos metal\u00fargicos no ABC Paulista entre 1978-80. Estas foram uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias ocorridas na Regi\u00e3o do Grande ABC, no principal setor da produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis, que tiveram como centro a Regi\u00e3o de S\u00e3o Bernardo do Campo, em meio ao processo de abertura pol\u00edtica que levou ao fim, anos depois, a Ditadura Militar que comandava o pa\u00eds desde 1964, e fez ressurgir o movimento sindical brasileiro, com o recrudescimento da repress\u00e3o promovida pelo regime militar. Na presid\u00eancia do Sindicato dos Metal\u00fargicos, estava o atual presidente do Brasil, Lu\u00eds In\u00e1cio da Silva, j\u00e1 conhecido como Lula. Eu fui parte desse processo de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional como ativista das greves das universidades, e, posteriormente, como dirigente da ASUFPA (depois SINTUFPA) e da FASUBRA. Estive na funda\u00e7\u00e3o destas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, e, em seguida, compus a coordena\u00e7\u00e3o nacional da CUT, nos anos 80.<\/p>\n<h6>Oper\u00e1rios e Oper\u00e1rias em greve<\/h6>\n<p>O movimento grevista come\u00e7ou em 1978, com uma s\u00e9rie de paralisa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas nas cidades da regi\u00e3o do ABC, especialmente no setor dos metal\u00fargicos, em protesto contra as pol\u00edticas de arrocho salarial e reivindicando liberdade e autonomia sindical. Nesse per\u00edodo, o Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo separou-se da Federa\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nNo dia 13 de mar\u00e7o de 1979, poucos dias antes da posse do general Jo\u00e3o Figueiredo em Bras\u00edlia, os metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo, Diadema, Santo Andr\u00e9 e S\u00e3o Caetano deflagraram a greve dos metal\u00fargicos, cuja principal reivindica\u00e7\u00e3o era o reajuste salarial de 78,1%, al\u00e9m de melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A ades\u00e3o foi maci\u00e7a: estima-se que cerca de 200 mil trabalhadores cruzaram os bra\u00e7os, deixando \u00e0s moscas f\u00e1bricas importantes como as da Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen. No primeiro de maio, aproximadamente 150 mil pessoas ocuparam o Est\u00e1dio da Vila Euclides, em S\u00e3o Bernardo do Campo.<\/p>\n<h6>A greve \u00e9 direito<\/h6>\n<p>A pedido da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo (Fiesp), o Tribunal Regional do Trabalho declarou a greve ilegal e determinou o retorno imediato dos oper\u00e1rios ao trabalho. Os trabalhadores n\u00e3o acataram a decis\u00e3o da Justi\u00e7a, e, ap\u00f3s uma assembleia com 80 mil pessoas, decidiram pela continuidade da greve, criando um fundo para financi\u00e1-la, uma medida in\u00e9dita no Brasil da Ditadura Militar. Com essa medida, foi permitido que os trabalhadores em greve recebessem doa\u00e7\u00f5es da sociedade civil, o que fortaleceu a resist\u00eancia ao longo dos dias, por meio de piquetes que enfrentavam a justi\u00e7a e as repress\u00f5es<br \/>\ndo regime militar. Na sequ\u00eancia, o ent\u00e3o Ministro do Trabalho, Murilo Macedo, determinou a interven\u00e7\u00e3o federal nos sindicatos. A partir dessa coniv\u00eancia da Justi\u00e7a com a burguesia e com a ditadura militar, os l\u00edderes da greve passaram a se reunir na Igreja Matriz de S\u00e3o Bernardo, com a total concord\u00e2ncia do Bispo Dom Cl\u00e1udio Hummes. A greve ganhou e impulsionou os nascentes movimentos sociais; com apoio da Igreja Cat\u00f3lica e de v\u00e1rios artistas e intelectuais, a Greve do ABC impulsionou grande for\u00e7a simb\u00f3lica e limitou as a\u00e7\u00f5es repressivas da ditadura militar. Quatro dias ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o, em 27 de mar\u00e7o, Lula, que j\u00e1 era a grande lideran\u00e7a dos metal\u00fargicos e dos movimentos sociais, prop\u00f4s uma tr\u00e9gua de 45 dias na greve, para negociar com a patronal um acordo de aumento salarial. Ao final da tr\u00e9gua, em 13 de maio, uma nova assembleia aprovou a nova proposta da patronal de um aumento de 63% de reajuste salarial. A Greve do ABC foi uma inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo para todos os trabalhadores brasileiros e tamb\u00e9m fortaleceu a luta contra a ditadura militar e \u00e0 repress\u00e3o sobre os movimentos sociais da cidade e do campo, um ideal que foi fortalecido com uma nova greve dos metal\u00fargicos em 1980. Estes enfrentamentos enfraqueceram o regime militar e aceleraram a reabertura pol\u00edtica e a futura queda da ditadura militar no pa\u00eds, que fortaleceu os movimentos sindicais e impulsionou a funda\u00e7\u00e3o do Partido dos Trabalhadores (PT), no in\u00edcio de 1980.<\/p>\n<h6>A funda\u00e7\u00e3o da CUT<\/h6>\n<p>O processo de funda\u00e7\u00e3o da CUT esteve ligado aos processos de lutas dos trabalhadores nas cidades e no campo nos anos de 1980 a 1983. Outras greves importantes foram impulsionadas a partir dali, como foi o caso das greves do movimento docente nas universidades federais, em 1980 e 1981. Estas greves cumpriram um papel importante nas lutas dos servidores p\u00fablicos federais, que obtiveram importantes vit\u00f3rias contra o regime militar. No ano de 1983, na cidade de S\u00e3o Bernardo do Campo, foi criada a CUT, no dia 28 de agosto, quando ocorria o 1\u00ba Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT). Cerca de mais de 5 mil homens e mulheres das cidades e do campo, do Brasil inteiro, se deslocaram de \u00f4nibus at\u00e9 S\u00e3o Bernardo do Campo para fundar a Central \u00danica dos Trabalhadores, se alojando nos dois galp\u00f5es dos antigos est\u00fadios da Companhia Cinematogr\u00e1fica Vera Cruz.<br \/>\nNaquele ano, os trabalhadores se envolveram em um movimento a favor da central sindical que se espalhou pelo pa\u00eds, denominado Movimento Pr\u00f3-CUT. Greves e mobiliza\u00e7\u00f5es se espalharam pelo Brasil, contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica ditada pelo regime militar e o seu autoritarismo.<\/p>\n<h6>A greve geral foi o caminho<\/h6>\n<p>As lutas contra os decretos-leis da ditadura foram levadas a cabo pela Comiss\u00e3o Nacional Pr\u00f3-CUT, criada pelos trabalhadores para impulsionar e organizar a greve geral realizada em 1983. Segundo avalia\u00e7\u00e3o realizada nos estados, cerca de 136 entidades participaram do movimento grevista, contra o regime militar. O movimento contou com a participa\u00e7\u00e3o direta de mais de dois milh\u00f5es de trabalhadores dos setores privado e p\u00fablico e afetou outras 40 milh\u00f5es de pessoas, principalmente por meio das paralisa\u00e7\u00f5es nos meios de transporte.<br \/>\nPor sua vez, a funda\u00e7\u00e3o do MST, pelo que me lembro, tem seu contexto nas mobiliza\u00e7\u00f5es no campo iniciadas em 1979, de norte a sul do pa\u00eds, quando come\u00e7aram os enfrentamentos entre trabalhadores rurais e os grandes latifundi\u00e1rios. Estas ocorr\u00eancias culminaram na realiza\u00e7\u00e3o do Primeiro Encontro Nacional de Trabalhadores Sem Terra, que foi realizado entre 21 e 24 de Janeiro de 1984, em Cascavel, no estado do Paran\u00e1, ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da CUT em 1983.<\/p>\n<h6>Fundando a nova central e lutando contra uma nova burocracia<\/h6>\n<p>Gostaria de destacar aqui que nossa corrente, a Converg\u00eancia Socialista, parte da corrente trotskista internacional liderada por Nahuel Moreno, conseguiu definir &#8211; depois de muitos debates nacionais e internacionais e interven\u00e7\u00e3o concreta no Brasil e em outros pa\u00edses &#8211; o car\u00e1ter da nova burocracia que estava \u00e0 frente da CUT. A corrente da Articula\u00e7\u00e3o Sindical, comandada por Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, sempre dominou a CUT desde sua funda\u00e7\u00e3o. Gostaria de ilustrar isso a partir do seguinte exemplo: quando Lula assumiu a presid\u00eancia do PT em 1980, assumiu em seu lugar na presid\u00eancia do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC Jair Meneguelli. Em 1983, Jair Meneguelli assumiu a presid\u00eancia da CUT, e, em seu lugar, Vicentinho assumiu a presid\u00eancia do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC.<br \/>\nAp\u00f3s Jair Meneguelli ter sido eleito deputado federal, nas elei\u00e7\u00f5es de 1998, Vicentinho assumiu a presid\u00eancia da CUT, e Lu\u00eds Marinho, que era secret\u00e1rio do Sindicato, assumiu a presid\u00eancia do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC. Nos anos 90, a lideran\u00e7a da CUT reduziu imensamente sua pol\u00edtica de enfrentamento, e a\u00e7\u00f5es da central passaram a ceder aos planos de FHC, via c\u00e2maras setoriais ou reforma da previd\u00eancia do PSDB. Por fim, eles levaram a central a ser a correia de transmiss\u00e3o do governo do PT. Quando Lula foi eleito presidente nas elei\u00e7\u00f5es de 2002, Jair Meneguelli assumiu a presid\u00eancia do Minist\u00e9rio do Trabalho, durante os dois primeiros mandatos de Lula na presid\u00eancia da Rep\u00fablica (2003-2010), continuando como presidente do TRT nos mandatos de Dilma Rousseff (2011-2016). A CUT assumiu um papel governista durante todos os mandatos de Lula e Dilma, controlando e impedindo qualquer luta contra os governos do PT. Nesses momentos, n\u00f3s, da CST, nunca compactuamos com tais atitudes, e sempre combatemos dentro da CUT a Articula\u00e7\u00e3o Sindical e seus aliados. Posteriormente, ajudamos a fundar a CSP-CONLUTAS, central que n\u00f3s constru\u00edmos hoje<br \/>\nVeja aqui algumas imagens do encontro num document\u00e1rio da CUT https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6H3WrDkWeJ4&amp;t=112s<br \/>\nConfira o cartaz de convoca\u00e7\u00e3o da greve geral https:\/\/cedoc.cut.org.br\/cedoc\/cartazes\/2786<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bab\u00e1, Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST A funda\u00e7\u00e3o da CUT est\u00e1 ligada ao come\u00e7o do fim da Ditadura Militar no Brasil, a partir das greves dos metal\u00fargicos no ABC Paulista entre 1978-80. 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