

	{"id":139,"date":"2012-04-17T00:27:00","date_gmt":"2012-04-17T00:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2012\/04\/17\/arquivoid-9174\/"},"modified":"2012-04-17T00:27:00","modified_gmt":"2012-04-17T00:27:00","slug":"arquivoid-9174","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2012\/04\/17\/arquivoid-9174\/","title":{"rendered":"Relato de um chileno indignado"},"content":{"rendered":"<p>| Por Pedro Mara \u2013 Mestrando em Educa\u00e7\u00e3o na UFRJ<\/p>\n<p>Neste s\u00e1bado o estudante chileno Pablo Gutierrez, da Juventude do MST (Movimento Socialista dos Trabalhadores &#8211; Chile) esteve na UFF \u00e0 convite do coletivo Vamos \u00e0 Luta para falar sobre as experi\u00eancias das mobiliza\u00e7\u00f5es juvenis naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao come\u00e7ar seu relato falou sobre a implanta\u00e7\u00e3o do neoliberalismo durante a ditadura de Pinochet e da \u201cConcerta\u00e7\u00e3o\u201d (coaliz\u00e3o dos partidos que lutavam contra a ditadura), respons\u00e1veis por privatizar os servi\u00e7os p\u00fablicos, entre os quais a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transportes, etc. \u00c9 importante destacar que no Chile foram privatizados o ensino e a sa\u00fade ao ponto de haver taxas e pagamentos para todos os \u201cservi\u00e7os p\u00fablicos\u201d. Pablo relatou que h\u00e1 muitos casos em que os estudantes ficam pagando o seu curso superior por at\u00e9 25 ou 30 anos e que o endividamento dos estudantes \u00e9 generalizado.<\/p>\n<p>Seguindo todas as recomenda\u00e7\u00f5es do Banco Mundial, a privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds, no setor universit\u00e1rio, por exemplo, se evidencia n\u00e3o apenas nas d\u00edvidas contra\u00eddas com os bancos, mas tamb\u00e9m com o problema do desemprego estrutural e do trabalho prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Entretanto, o cen\u00e1rio aberto a partir de abril de 2011 foi de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, com um forte car\u00e1ter indignado, de grandes lutas contra o modelo neoliberal da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e de toda a sociedade. Uma das bandeiras que agitou e mobilizou as massas foi a consigna da \u201ceduca\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita\u201d, agitada por diversas organiza\u00e7\u00f5es estudantis, partidos pol\u00edticos, entre outros. A bandeira da educa\u00e7\u00e3o gratuita \u00e9 fundamental porque ataca o centro do modelo capitalista no Chile, por se opor radicalmente \u00e0 l\u00f3gica destrutiva do capital, se opondo aos princ\u00edpios do neoliberalismo. Afirmar que educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria \u00e9 uma bandeira altamente anticapitalista.<\/p>\n<p>Nesta nova conjuntura de lutas, diferente dos anos 90 quando predominava a ideologia da morte das lutas sociais, ressuscitaram mobiliza\u00e7\u00f5es e o surgimento de organiza\u00e7\u00f5es e novos dirigentes. No seio do movimento uma profunda diferen\u00e7a se instalou. O Partido Comunista teve como eixo de reivindica\u00e7\u00e3o o aumento das bolsas. Essa diferen\u00e7a dividiu o movimento entre radicais e moderados, pois n\u00e3o defender a gratuidade e defender apenas o aumento das bolsas n\u00e3o resolve em nada o problema estrutural pelo qual a juventude chilena passa. <\/p>\n<p>Diferentemente do que a grande m\u00eddia coloca, Gutierrez afirmou que a luta dos estudantes n\u00e3o foi apenas de universit\u00e1rios, pois houve muita unidade com estudantes secundaristas, numa onda de mobiliza\u00e7\u00f5es sem precedentes nos \u00faltimos vinte anos em toda a Am\u00e9rica Latina. No meio dessas mobiliza\u00e7\u00f5es est\u00e1 a CONFECH (Confedera\u00e7\u00e3o dos estudantes chilenos), a UNE de l\u00e1, dirigida pelo Partido Comunista (PC), de car\u00e1ter estalinista, e sua principal figura p\u00fablica, a estudante Camila Vallejos, cumprem tal qual aqui, um car\u00e1ter totalmente traidor, apostando num di\u00e1logo com o parlamento corrupto, que n\u00e3o vai viabilizar educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica porque muitos dos parlamentares s\u00e3o justamente os empres\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o, aqueles que lucram cifras alt\u00edssimas com a mercantiliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. A mobiliza\u00e7\u00e3o fez emergir uma grande consci\u00eancia entre os estudantes e depois delas, a juventude do PC (a UJS de l\u00e1) tem perdido as principais Federa\u00e7\u00f5es (os DCE\u00b4s de l\u00e1 se chamam assim), como por exemplo a da Federa\u00e7\u00e3o da Universidade do Chile, USACH (Santiago), UMCE (Pedag\u00f3gico) e UV (Valparaiso). <\/p>\n<p>Pablo encerrou nos falando que a perspectiva \u00e9 que a mobiliza\u00e7\u00e3o continue em 2012. Que boa parte do movimento e o seu grupo pol\u00edtico, o MST, atuam batalhando por uma nova dire\u00e7\u00e3o do movimento estudantil, com 3 eixos bem claros que questionam a ess\u00eancia do neoliberalismo: a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e gratuita para todos; a renacionaliza\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas e a desburocratiza\u00e7\u00e3o das entidades estudantis e sindicais. <\/p>\n<p>Valeu muito o relato e as conclus\u00f5es que pudemos extrair a partir dele. Fica nosso agradecimento ao Pablo e tamb\u00e9m \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o irm\u00e3 chilena, o MST. Entender que nossas lutas n\u00e3o se resolvem no terreno nacional e que o internacionalismo \u00e9 um caminho fundamental para os de baixo \u00e9 um quesito b\u00e1sico se quisermos avan\u00e7ar nas lutas e conquistas em nosso pa\u00eds. Agora o companheiro Pablo far\u00e1 debates em outras universidades do Rio e tamb\u00e9m viajar\u00e1 ao Par\u00e1, trocando experi\u00eancias e refor\u00e7ando la\u00e7os de luta latino americanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Por Pedro Mara \u2013 Mestrando em Educa\u00e7\u00e3o na UFRJ Neste s\u00e1bado o estudante chileno Pablo Gutierrez, da Juventude do MST (Movimento Socialista dos Trabalhadores &#8211; Chile) esteve na UFF \u00e0 convite do coletivo Vamos \u00e0 Luta para falar sobre as experi\u00eancias das mobiliza\u00e7\u00f5es juvenis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}