

	{"id":140,"date":"2012-04-17T12:10:00","date_gmt":"2012-04-17T12:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2012\/04\/17\/arquivoid-9175\/"},"modified":"2012-04-17T12:10:00","modified_gmt":"2012-04-17T12:10:00","slug":"arquivoid-9175","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2012\/04\/17\/arquivoid-9175\/","title":{"rendered":"Venezuela: O golpe contra revolucion\u00e1rio de abril de 2002."},"content":{"rendered":"<p>Um olhar a partir do movimento oper\u00e1rio. | laclase.info, tradu\u00e7\u00e3o neide solim\u00f5es<\/p>\n<p>Por:  Orlando Chirino*<br \/>\ne Miguel \u00c1ngel Hern\u00e1ndez** (PSL) <\/p>\n<p>Nota dos autores: O presente texto, que apresentamos ao completar uma d\u00e9cada dos eventos de abril de 2002, constitui um extrato de um livro cuja publica\u00e7\u00e3o estamos preparando para a segunda metade deste ano, intitulado &quot;A classe trabalhadora e o chavismo&quot;.<\/p>\n<p>Quinze meses de vertigem.<br \/>\nEntre dezembro de 2001 e fevereiro de 2003, Venezuela viveu uma das crises pol\u00edticas mais longas de sua hist\u00f3ria. Foram quinze meses de vertigem, durante os quais as for\u00e7as pol\u00edticas que ansiavam voltar aos seus trilhos e liquidar o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o popular que se aprofundou a partir de 1989, se tensionaram ao m\u00e1ximo para reverter as reformas pol\u00edticas iniciadas no pa\u00eds com o triunfo do candidato Hugo Ch\u00e1vez nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1998, continuadas com as decis\u00f5es da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte e com as Leis Habilitantes do ano 2000. <\/p>\n<p>Temos advertido que a nova Carta Constitucional, as leis habilitantes e as primeiras decis\u00f5es pol\u00edticas postas em pr\u00e1tica pelo governo do presidente Ch\u00e1vez, n\u00e3o amea\u00e7avam produzir uma mudan\u00e7a transcendental ou revolucion\u00e1ria nas tradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds, impostas pelo bin\u00f4mio partid\u00e1rio AD-Copei desde 1958, j\u00e1 que muitas das institui\u00e7\u00f5es do regime pol\u00edtico e seu controle, seguiam impunemente em m\u00e3os dos velhos governantes do pa\u00eds. <\/p>\n<p>Nesse sentido, estava por se ver quais seriam os procedimentos a se estabelecer para tomar-lhes esse controle e qual seria o desenlace final da disputa pelas principais institui\u00e7\u00f5es do Estado, que estava dividida entre governo e os representantes da velha nomenclatura, organizada agora como oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O aparato administrativo de justi\u00e7a, as For\u00e7as Armadas, PDVSA e outras empresas do Estado, as estruturas sindicais, o sistema educativo superior, os meios de comunica\u00e7\u00e3o de propriedade estatal e at\u00e9 a diplomacia internacional, s\u00f3 para mencionar algumas parcelas, ocupavam primeir\u00edssimos lugares na agenda dessa batalha pol\u00edtica. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, assim como afirmamos que n\u00e3o existia uma mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria no esquema de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds, n\u00e3o se pode desdenhar um fato de grande import\u00e2ncia, de que os dois basti\u00f5es partid\u00e1rios fundamentais do regime precedente, Acci\u00f3n Democr\u00e1tica e Copei, haviam sido retirados da dire\u00e7\u00e3o do aparato pol\u00edtico do Estado, fato inc\u00f4modo e insuport\u00e1vel para essa velha m\u00e1quina pol\u00edtica, para as organiza\u00e7\u00f5es patronais, para a Igreja Cat\u00f3lica, para as multinacionais e principalmente para o governo dos Estados Unidos, os quais aumentavam sua inquieta\u00e7\u00e3o ao corroborar que Hugo Ch\u00e1vez, primeiro como insurreto, em seguida como candidato e depois como Presidente da na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seguia disciplinadamente as diretrizes emanadas de Washington, do FMI e do Banco Mundial. <\/p>\n<p>Esse fato em si mesmo, em um contexto de mobiliza\u00e7\u00e3o e crescentes exig\u00eancias econ\u00f4micas e democr\u00e1ticas da popula\u00e7\u00e3o, envolvia a possibilidade de uma mudan\u00e7a dram\u00e1tica na forma de exercer o poder pol\u00edtico na Venezuela. Para os partidos tradicionais uma coisa era aceitar uma sucess\u00e3o presidencial ap\u00f3s um processo eleitoral, por\u00e9m outra muito diferente era constatar e ter que aceitar que o novo governo n\u00e3o se inscrevia na linha da alternabilidade consensuada e a reparti\u00e7\u00e3o da bolsa estatal. Principalmente quando n\u00e3o se tratava de simples pressentimentos, sen\u00e3o de uma realidade que lhes esbofeteava diariamente com os inclementes discursos de Ch\u00e1vez que os acusava de corruptos, assassinos, respons\u00e1veis por hipotecar os bens e os recursos naturais da na\u00e7\u00e3o e curvados ante as imposi\u00e7\u00f5es das pot\u00eancias estrangeiras.<\/p>\n<p>Para amortecer os perigos que representava o governo do Presidente Ch\u00e1vez que os denunciava e confrontava, os velhos partidos se esfor\u00e7aram por dar a batalha, por\u00e9m a cada passo que deram sa\u00edram derrotados no terreno em que eram experts, os processos eleitorais. Nas urnas, a maioria da popula\u00e7\u00e3o lhes cobrava cada vez com mais contund\u00eancia os desatinos de sua obra de governo durante quarenta anos. <\/p>\n<p>Fracassada essa via, tinham que recorrer a outros mecanismos, pouco compat\u00edveis com sua forma regular de atua\u00e7\u00e3o como utilizar o descontentamento pol\u00edtico e econ\u00f4mico das classes m\u00e9dias e altas da popula\u00e7\u00e3o, apoiando-se na imprensa privada e nas organiza\u00e7\u00f5es patronais para aumentar os protestos e dirigi-las contra o governo. <\/p>\n<p>Se voltaram sobre os setores da classe m\u00e9dia, avivando-lhe rec\u00f4nditos e miser\u00e1veis sentimentos racistas e de \u00f3dio contra os estratos mais baixos da popula\u00e7\u00e3o.  Alimentaram o terror com a  possibilidade de perder privil\u00e9gios econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos. Ressucitaram o fantasma do comunismo e de maneira inescrupulosa associaram umas t\u00edmidas reformas dentro do marco capitalista com o pesadelo totalit\u00e1rio do estalinismo, ou com o tipo de medidas tomadas nos primeiros anos da revolu\u00e7\u00e3o cubana, nos que foram expulsas as transnacionais e se expropriou a burguesia.  A verdade \u00e9 que Fidel Castro n\u00e3o s\u00f3 havia renunciado d\u00e9cadas atr\u00e1s a promover a revolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, mas tamb\u00e9m que aberta e publicamente recomendou a Ch\u00e1vez n\u00e3o seguir o exemplo de Cuba, em um discurso pronunciado na Universidade Central de Venezuela, em fevereiro de 1999. Por\u00e9m os fatos eram irrelevantes para  campanha suja da oposi\u00e7\u00e3o patronal, condenada a alimentar um movimento com rasgos fascistas, propagando o terror sobre um futuro pr\u00f3ximo em que se, se mantivesse Ch\u00e1vez no governo, a classe m\u00e9dia perderia suas casas, ve\u00edculos, fazendas, seriam proibidos de viajar ou emigrar, e at\u00e9 teriam confiscadas suas poupan\u00e7as. Nesta ign\u00f3bil campanha, os meios de comunica\u00e7\u00e3o em m\u00e3os do grande capital jogaram um papel de estrela. <\/p>\n<p>Outro tanto sucedeu sobre a classe trabalhadora, que se propuseram acrescentar seu descontentamento pelas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho que padeciam. Assim, da noite para o dia, a velha dire\u00e7\u00e3o sindical adeca e copeyana que antes se negava a convocar mobiliza\u00e7\u00f5es e greves contra os governos de seus partidos, agora se convertia no m\u00e1ximo campe\u00e3o do protesto e a permanente amea\u00e7a da greve. Exig\u00eancias como melhores sal\u00e1rios, emprego digno, direto \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o de contratos coletivos, liberdade sindical, seguridade e higiene no trabalho e seguridade social, passaram a converter-se em pedra angular da burocracia sindical. Com a fortuna, para eles, de que a pol\u00edtica anti-oper\u00e1ria e anti-sindical do governo lhes facilitava a tarefa.<br \/>\nO triunfo da burocracia sindical e de seus partidos nas elei\u00e7\u00f5es sindicais da CTV em outubro de 2001, marcou uma mudan\u00e7a na conjuntura pol\u00edtica nacional, agora favor\u00e1vel para a burguesia opositora e o imperialismo. Depois de tr\u00eas anos de forte ofensiva do presidente Ch\u00e1vez, a oposi\u00e7\u00e3o patronal logrou conter sua situa\u00e7\u00e3o de retrocesso, alcan\u00e7ando um primeiro triunfo, potenciando o descontentamento social e canalizando-o em contra do governo e suas medidas. <\/p>\n<p>A nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds foi subestimada pelo Governo, que quis acelerar o passo para tomar as r\u00e9deas da Pdvsa, sem ter em conta que havia sofrido uma importante derrota em uma batalha em que havia centrado suas expectativas estrat\u00e9gicas para obter o controle dos trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, ap\u00f3s alocar uma forte quantidade de recursos econ\u00f4micos e pol\u00edticos. <\/p>\n<p>Por sua parte, a oposi\u00e7\u00e3o triunfante sobre valorizou o triunfo e a nova conjuntura pol\u00edtica, que se entendeu como a oportunidade prop\u00edcia para lan\u00e7ar-se \u00e0 batalha final contra do governo, que lhe permitiria desandar o caminho de reforma pol\u00edtica vivida durante tr\u00eas anos, e esmagar o movimento obreiro e popular. <\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es, a polariza\u00e7\u00e3o se acentuou no pa\u00eds, reacomodou e delimitou aos diversos atores sociais e pol\u00edticos, e criou o ambiente para uma longa confronta\u00e7\u00e3o, que duraria 15 meses, com saldo final a favor do governo do Presidente Ch\u00e1vez, por\u00e9m muito mais que isso, significou um extraordin\u00e1rio triunfo popular, que subverteu pela via revolucion\u00e1ria e n\u00e3o reformista, os caducos cimentos do regime nascido do pacto de Punto Fijo. <\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o de dezembro de 2001. A primeira escaramu\u00e7a <\/p>\n<p>Em 13 de novembro de 2001, o Presidente Ch\u00e1vez, correndo em frente ap\u00f3s a derrota nas elei\u00e7\u00f5es sindicais, pressionou o acelerador, anunciando 49 leis aprovadas no marco dos poderes habilitantes outorgados pela Assembl\u00e9ia Nacional.  A rea\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o patronal n\u00e3o se fez esperar e encabezado pela Fedec\u00e2maras, convocou a realiza\u00e7\u00e3o de uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional, de car\u00e1ter empresarial, supostamente contra a decad\u00eancia econ\u00f4mica que produziriam as medidas adotadas pelo governo. O presidente da Fedec\u00e2maras, Pedro Carmona Estanga, havia advertido em declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que n\u00e3o se tolerariam leis ou medidas &quot;de corte esquerdista&quot;. <\/p>\n<p>Com a experi\u00eancia desenvolvida ao longo do \u00faltimo ano, os setores convocantes da paralisa\u00e7\u00e3o patronal estavam lado a lado dos excelentes resultados que proporcionava utilizar a grave situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que agoniava a milh\u00f5es de venezuelanos. Falar de desemprego, infla\u00e7\u00e3o, pobreza e inseguridade eram cartas fortes para arrastar a maioria da popula\u00e7\u00e3o a protestar contra o governo. <\/p>\n<p>Curiosamente, no repert\u00f3rio de Fedec\u00e2maras, da CTV e dos partidos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa n\u00e3o aparecia com muita for\u00e7a o recha\u00e7o \u00e0s medidas que eles consideravam mais amea\u00e7antes contra o modelo econ\u00f4mico imperante no pa\u00eds. Bem sabiam que defender a propriedade e ociosidade de terrenos superiores a 5.000 hectares n\u00e3o mobilizaria o campesinato pobre nem o conjunto da popula\u00e7\u00e3o, como tampouco poderiam obter bons resultados entre os pescadores artesanais, se chamassem a se oporem \u00e0 lei de pesca e alimenta\u00e7\u00e3o. E ficariam ao descoberto como agentes das multinacionais petroleiras em caso de explicar publicamente sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei Org\u00e2nica de Hidrocarbonetos, que elevava os impostos por direitos autorais a uns 30%. Por tais motivos preferiam n\u00e3o converter em bandeiras os reais objetivos da paralisa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m mais bem camufl\u00e1-los sob as reivindica\u00e7\u00f5es sentidas de verdade pela popula\u00e7\u00e3o empobrecida. <\/p>\n<p>Uma excelente descri\u00e7\u00e3o do momento pol\u00edtico que se vivia o momento da convocat\u00f3ria da paralisa\u00e7\u00e3o empresarial, foi realizada pelos setores sindicais classistas e combativos agrupados na Corrente \u201cLa Chispa\u201d em Val\u00eancia, que em um boletim distribu\u00eddo profusamente entre os trabalhadores em 5 de dezembro de 2001, manifestavam: <\/p>\n<p>Companheiros trabalhadores:<br \/>\nOs empres\u00e1rios, banqueiros e grandes donos de terras, apoiados pelos partidos pol\u00edticos que  representam seus interesses e pela burocracia sindical que segue encasteladas na CTV, est\u00e3o chamando a uma Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional para o dia 10 de dezembro de 2001. Exploradores e burocratas dizem que a paralisa\u00e7\u00e3o \u00e9 porque se op\u00f5em ao desemprego, \u00e0 pobreza e \u00e0 inseguridade e para que o Presidente Ch\u00e1vez os escute. Dizem, portanto, que \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o a favor dos interesses do pa\u00eds. <\/p>\n<p>N\u00f3s que n\u00e3o somos parte nem apoiamos este governo, estamos contra esta paralisa\u00e7\u00e3o e dizemos a todos os trabalhadores que s\u00e3o falsos e hip\u00f3critas os argumentos dos empres\u00e1rios, dos politiqueiros e dos sindicaleiros para a convoca\u00e7\u00e3o da Paralisa\u00e7\u00e3o do dia 10.<\/p>\n<p>Fedec\u00e2maras convoca a paralisa\u00e7\u00e3o porque sente que com a apresenta\u00e7\u00e3o de algumas leis, que se est\u00e3o discutindo e aprovando na Assembl\u00e9ia Nacional, em meio \u00e0 Lei Habilitante, se prejudica seus interesses de classe. Os burocratas pol\u00edticos e sindicais apoiam a paralisa\u00e7\u00e3o porque s\u00e3o aliados aos patr\u00f5es e porque t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de pressionar a Ch\u00e1vez, buscando recuperar seus privil\u00e9gios anteriores, administrando este estado burgu\u00eas. <\/p>\n<p>As verdadeiras raz\u00f5es da paralisa\u00e7\u00e3o nacional do dia 10 s\u00e3o:<br \/>\nPorque com a &quot;Lei de Terras e Desenvolvimento Agr\u00e1rio&quot; e Instituto Nacional de Terras ( o governo), pode avaliar quais s\u00e3o as terras produtivas  as que n\u00e3o s\u00e3o, suas donos t\u00eam at\u00e9 dois anos para coloc\u00e1-las a produzir porque sen\u00e3o, pode ser declaradas de utilidade p\u00fablica, tendo que pagar um imposto por terras improdutivas e at\u00e9 podem ser &quot;sofrer interven\u00e7\u00e3o ou expropriadas&quot;. Isso incomoda aos grandes donos de terras, porque se acostumaram por anos, a possuir enormes quantidades de hectares, muitas delas obtidas de maneiras mal havidas, mantendo-as ociosas y engordando-as para depois querer especular com elas.<\/p>\n<p>Porque com a &quot;Lei de Pesca e Agricultura&quot; as grandes empresas pesqueiras de arrast\u00e3o e de atum, n\u00e3o podem pescar a menos de 10 milhas n\u00e1uticas das costas e s\u00f3 os camaroneiros artesanais poder\u00e3o pescar em ba\u00edas e lagoas. Isso est\u00e1 estabelecido na maioria dos pa\u00edses, por\u00e9m aqu\u00ed,  como os tubar\u00f5es industriais pesqueiros se acostumaram a pescar aonde seja e como seja, ent\u00e3o se incomodam porque agora essa Lei, busca proteger o meio ambiente e trata de cobrir os pequenos pescadores artesanais. <\/p>\n<p>Porque com a &quot;Lei Org\u00e2nica de Hidrocarbonetos&quot;, independentemente que agora os empres\u00e1rios se podem meter em neg\u00f3cios de refinar o petr\u00f3leo e, d\u00e1 car\u00e1ter org\u00e2nico \u00e0 abertura petroleira, coisa que a Lei anterior n\u00e3o permitia, os que querem entrar na explora\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o petroleira, j\u00e1 que estes s\u00e3o o lombinho e a ponta traseira da &quot;carne da vaca petroleira&quot;<br \/>\nOs patr\u00f5es, banqueiros e fazendeiros est\u00e3o em levante por causa dessas leis, assim como pelos projetos de Lei de Reformas da Lei Geral de Bancos e outras Institui\u00e7\u00f5es Financeiras; a Lei de Empresas de Seguros e Resseguros; a Lei de Contratos de Seguro; porque nestas se prev\u00ea maior vigil\u00e2ncia e controle por parte do estado. Que querem estes usur\u00e1rios e fraudadores, depois de rec\u00e9m-passado de quebra de bancos e seguros? Eles querem seguir fazendo e desfazendo com o dinheiro dos poupadores e do estado sem que ningu\u00e9m nem nada lhes ponha  controle e um ponto final. <\/p>\n<p>Enquanto os burgueses choram e se sublevam  contra essas leis, n\u00e3o dizem nada sobre as que abertamente saem favorecidos, como a Lei de Pequena e Media Ind\u00fastria e outras 10 leis mais. Os patr\u00f5es s\u00e3o insaci\u00e1veis. J\u00e1 conseguiram que a discuss\u00e3o do Projeto de Lei Org\u00e2nica de Seguridade Social fosse postergada para o  pr\u00f3ximo ano, buscando eliminar assim os artigos que a eles n\u00e3o agradaram. Querem que reformem as leis aprovadas a seu favor. Por suposi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muitos patr\u00f5es que tamb\u00e9m querem a sa\u00edda j\u00e1 de Ch\u00e1vez para colocar um Presidente que lhes seja inteiramente d\u00f3cil e cordeiro. Por essas raz\u00f5es convocam a Paralisa\u00e7\u00e3o e por essas mesmas raz\u00f5es os traidores  Carlos Ortega, Presidente da CTV e  Omar Escalante, Presidente de FETRACARABOBO, tamb\u00e9m apoiam a paralisa\u00e7\u00e3o nacional do dia 10. Estes burocratas Adecos, querem que saia Ch\u00e1vez para voltar sem obst\u00e1culos, a suas velhas pr\u00e1ticas de n\u00e3o fazer elei\u00e7\u00f5es sindicais, de vender-se e servir aos multimilion\u00e1rios. Este governo \u00e9 burgu\u00eas e tamb\u00e9m \u00e9 incapaz.<br \/>\nAssim como desmascaramos as farsantes declara\u00e7\u00f5es dos patr\u00f5es quando dizem que a paralisa\u00e7\u00e3o que promovem \u00e9 porque se op\u00f5em \u00e0 pobreza e ao desemprego, porque se isso fosse verdade, n\u00e3o despediriam massivamente, deveriam cortar suas taxas de lucros e trazer os milh\u00f5es de d\u00f3lares que t\u00eam no estrangeiro para investi-lo no pa\u00eds, na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, n\u00f3s queremos desmascarar a este governo. Denunciamos tamb\u00e9m que \u00e9 verdade, que s\u00e3o alarmantes os \u00edndices de desemprego, que segue crescendo a pobreza e os n\u00edveis de inseguridade p\u00fablica porque este governo burgu\u00eas tem sido incapaz de lutar contra estes problemas que afetam a  maioria da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Se h\u00e1 diferen\u00e7as entre este governo e a maioria dos setores tradicionais da burguesia \u00e9 porque alguns destes setores sentem que n\u00e3o s\u00e3o consultados, como se fazia antes, na hora de promulgar leis e fazer pol\u00edtica econ\u00f4mica. Sem d\u00favidas, isso n\u00e3o quer dizer que o governo de Ch\u00e1vez \u00e9 um governo anticapitalista ou anti-imperialista, ainda quando possa ter com eles em alguns pontos de fric\u00e7\u00e3o. Tampouco cremos que este seja um governo revolucion\u00e1rio, dos trabalhadores e do povo ou socialista. Se agora n\u00e3o se consulta a todos os setores burgueses como se fazia no passado, \u00e9 porque Ch\u00e1vez est\u00e1 impondo um novo regime capitalista, fortemente estatista, respaldado por alguns setores burgueses como o de telecomunica\u00e7\u00f5es. Este regime busca o surgimento de novos grupos de capitalistas aonde apoiar-se, com a dificuldade que em meio a esta etapa do capitalismo globalizado, estes setores n\u00e3o quebram mas se imp\u00f5em os grandes monop\u00f3lios como o grupo Polar, os Cisneros e os das transnacionais, os que buscam minimizar o controle do estado. <\/p>\n<p>Ch\u00e1vez, tratando de impor seu novo regime faz populismo com os setores populares que o levaram ao poder e declara irreverente contra quem o critica  e se lhe op\u00f5e. N\u00e3o obstante, na hora das defini\u00e7\u00f5es Ch\u00e1vez governa para a burguesia e imediatamente que \u00e9 cr\u00edtico ao imperialismo, se retrata. Como Presidente essa tem sido sua conduta. Em meio de 53 projetos de leis que acabou de apresentar, incluiu uma Lei do Estatuto dos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos que corta direitos dos trabalhadores, por\u00e9m foi incapaz de incluir, na Lei de Reforma a  Lei Org\u00e2nica do Trabalho para devolver a Retroatividade das Presta\u00e7\u00f5es Sociais, depois do roubo que fizeram o governo anterior, os patr\u00f5es e a CTV. Reivindica\u00e7\u00e3o social que prometeu resgatar quando estava em campanha eleitoral. <\/p>\n<p>Aos 3 anos de governo de Ch\u00e1vez, apesar de todo o apoio popular e de contar desde o princ\u00edpio com enormes recursos econ\u00f4micos, gra\u00e7as ao pre\u00e7o do petr\u00f3leo, sua obra de governo tem sido uma fraude. Cresce o desemprego, a quebra de empresas, as futilidades, a inseguran\u00e7a pessoal, a fuga de divisas e a corrup\u00e7\u00e3o. Segue proliferando os tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos at\u00e9 para resolver-se a mudan\u00e7a de uma c\u00e9dula ou placa de ve\u00edculo. J\u00e1 milhares de honestos homens e mulheres que o apoiaram entusiasticamente tem come\u00e7ado a dar-se conta que Ch\u00e1vez fala muito a favor do soberano por\u00e9m, faz pouca pol\u00edtica econ\u00f4mica e social para resolver os problemas dos trabalhadores e do povo. Por essa raz\u00e3o tem diminu\u00eddo a popularidade de Ch\u00e1vez e come\u00e7a a crescer o desespero de imensa quantidade de venezuelanos. <\/p>\n<p>Em meio dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que os poderosos setores econ\u00f4micos  pol\u00edticos que eram donos do regime anterior, tem se animado para tratar de recuperar as tetas do estado na qual tanto mamaram. Para gerar mais crises e provocar a sa\u00edda de Ch\u00e1vez, conta para isso com o apoio do governo ultradireitista de Bush. Motivo pelo qual chamamos aos trabalhadores e aos setores populares a n\u00e3o deixarem se manipular por esses setores. H\u00e1 muita raz\u00e3o para criticar ao governo e estar contra ele, por\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nem uma raz\u00e3o para estar com os patr\u00f5es, o imperialismo e os setores pol\u00edticos que administraram  conviveram com o regime anterior.<\/p>\n<p>Cremos que h\u00e1 que se mobilizar e se organizar para reclamar os direitos dos trabalhadores e do povo, at\u00e9 com greve geral, contra este e contra qualquer governo, por\u00e9m, n\u00e3o se pode ser ao lado dos respons\u00e1veis pela atual situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tal como s\u00e3o: Fedec\u00e2maras, CTV, AD, Copei e os novos partidos e personagens que tem surgido destes. <\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o cremos que Ch\u00e1vez, com este regime militarista, estatista e burgu\u00eas, possa resolver os problemas fundamentais que vivem os trabalhadores e o povo. Menos os resolver\u00e3o os que n\u00e3o os resolveram governando durante mais de 40 anos. Os problemas dos trabalhadores e do povo, os resolver\u00e3o os mesmos trabalhadores e setores populares, tomando o poder  governando para  benef\u00edcio deles. <\/p>\n<p>Alcance e car\u00e1ter da Paralisa\u00e7\u00e3o de 10 de dezembro de 2001 <\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil pensar que a oposi\u00e7\u00e3o e o empresariado agrupado na Fedec\u00e2maras aspiravam quebrar o governo com esta primeira a\u00e7\u00e3o. A data escolhida, e as vacila\u00e7\u00f5es de alguns setores do com\u00e9rcio e da pequena e  m\u00e9dia ind\u00fastria em coquetel com o governo que na \u00faltima hora decidiram n\u00e3o participar da paralisa\u00e7\u00e3o, diminu\u00edram as for\u00e7as da paralisa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, eram mais al\u00e9m dos nulos resultados pr\u00e1ticos  no prop\u00f3sito de fazer retroceder ao governo, a paralisa\u00e7\u00e3o produziu, sim, o in\u00edcio do colapso da equipe de governo, sustentado na dupla Hugo Ch\u00e1vez-Luis Miquilena. <\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o de 10 de dezembro de 2001 contra as leis sociais aprovadas no marco da Lei Habilitante outorgada ao Presidente pela Assembl\u00e9ia Nacional, constitui por for\u00e7a dos acontecimentos, um ponto de inflex\u00e3o no processo pol\u00edtico venezuelano. Desde 1999 at\u00e9 esse momento, se havia produzido uma confronta\u00e7\u00e3o eleitoral midi\u00e1tica, basicamente de car\u00e1ter discursivo e ret\u00f3rico atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, enquanto que a convuls\u00e3o social e a polariza\u00e7\u00e3o a favor e contra o governo, avan\u00e7ava subterr\u00e2neamente. Com a paralisa\u00e7\u00e3o de 10 de dezembro, se produziu uma quebra nesta primeira etapa do processo pol\u00edtico venezuelano, abrindo-se uma nova fase de agudiza\u00e7\u00e3o dos conflitos sociais que significou um salto qualitativo na organiza\u00e7\u00e3o dos setores da oposi\u00e7\u00e3o patronal para sua batalha contra o governo. <\/p>\n<p>Vale a pena esclarecer, o equ\u00edvoco conceitual cometido pelos defensores do governo do Presidente Ch\u00e1vez, os quais identificam esta primeira paralisa\u00e7\u00e3o patronal como contra revolucion\u00e1rio. Consequentes com sua an\u00e1lise de que a Venezuela assistia a uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, lograda atrav\u00e9s do triunfo de Hugo Ch\u00e1vez nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1998 e ratificada com a aprova\u00e7\u00e3o por parte da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte de um suposto marco constitucional revolucion\u00e1rio, os apologistas n\u00e3o t\u00eam mais rem\u00e9dio que insistir no car\u00e1ter contra revolucion\u00e1rio da a\u00e7\u00e3o patronal de 10 de dezembro. <\/p>\n<p>O abuso das categorias pol\u00edticas \u00e9 uma constante nos ide\u00f3logos do chavismo, refletindo sua pobreza anal\u00edtica, uma vez que colocam em evid\u00eancia sua tend\u00eancia a aumentar os fatos. Para eles, o sucedido em Venezuela n\u00e3o tem paralelo na hist\u00f3ria recente da humanidade, o mesmo que seu \u201cm\u00e1ximo l\u00edder\u201d, que segundo esta confraria \u00e9 a melhor estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria dos \u00faltimos s\u00e9culos. Por isso \u00e9 bom insistir em que a Venezuela estava imersa em um processo de transforma\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter reformista. A revolu\u00e7\u00e3o nem sequer se assomava a n\u00edvel governamental onde os personagens das classes sociais dominantes haviam sido substitu\u00eddos em quase 90%, com a chegada de Ch\u00e1vez a Miraflores. Muito menos pode-se dizer do corpo pol\u00edtico-institucional estatal. Assim como outras coisas, a paralisa\u00e7\u00e3o de 10 de dezembro n\u00e3o deixou de ser mais que um primeiro ensaio pol\u00edtico de car\u00e1ter reacion\u00e1rio dos oligarcas do pa\u00eds, os quais apoiados em setores da classe m\u00e9dia e em menor medida em trabalhadores descontentes com sua situa\u00e7\u00e3o, tentavam for\u00e7ar o governo a modificar as leis aprovadas no marco da Lei Habilitante. <\/p>\n<p>Os contendores miram na cabe\u00e7a <\/p>\n<p>A partir da paralisa\u00e7\u00e3o de 10 de dezembro, os clarins da guerra soaram e cada contendor fez seus primeiros movimentos tentando atacar os flancos d\u00e9beis do oponente. A oposi\u00e7\u00e3o logrou arrastar atr\u00e1s de si as organiza\u00e7\u00f5es provenientes da esquerda tradicional, como o MAS, LCR, Bandera Roja e as correntes sindicais que estas representavam, enquanto isso  o governo fez o mesmo com algumas cabe\u00e7as vis\u00edveis do m\u00e9dio e pequeno empresariado, assim como figuras chaves do setor financeiro, a quem neutralizou para que n\u00e3o participassem nesta primeira escaramu\u00e7a.<br \/>\nPassadas as festas de dezembro e iniciado o ano 2002, os contendores se dispuseram a dar continuidade \u00e0 confronta\u00e7\u00e3o, estando claro em ambos os lados que agora teriam que apontar mais acima, diretamente na cabe\u00e7a do oponente. <\/p>\n<p>As limita\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e program\u00e1ticas do Presidente Ch\u00e1vez haviam ficado em evid\u00eancia na designa\u00e7\u00e3o das equipes de dire\u00e7\u00e3o de entidades chaves como a Pdvsa. Em sua inconsequ\u00eancia, na hora de recuperar o controle estatal do principal recurso do nosso pa\u00eds, o Presidente estava convencido de que atribuindo car\u00e1ter org\u00e2nico \u00e0 abertura petroleira que se vinha desenvolvendo por tr\u00e1s dos bastidores nos governos anteriores, e se deixava a porta entreaberta para que as multinacionais seguissem intervindo na esfera da refina\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, poderia sem nenhum sobressalto nomear as pessoas encarregadas de dirigir o complexo neg\u00f3cio petroleiro. <\/p>\n<p>Desgra\u00e7adamente para o pa\u00eds e para sua soberania, o presidente Ch\u00e1vez longe estava de compreender que a ind\u00fastria petroleira \u00e9 o m\u00fasculo, nervo e alma do Estado capitalista rentista venezuelano e muito menos estava disposto a dar uma batalha crucial para impedir que os estruturadores do velho regime do pacto de Punto Fijo seguissem controlando-a. <\/p>\n<p>S\u00f3 que a realidade, muito mais teimosa que os torpes dirigentes do chavismo, lhes bateu na cara e demonstrou atrav\u00e9s de muitos sinais, que na batalha com a velha ordem pol\u00edtica e institucional, o controle da Pdvsa, para os devidos fins, era fundamental. Por essa raz\u00e3o o governo do Presidente Ch\u00e1vez terminou apontando na dire\u00e7\u00e3o da Pdvsa, finalmente reconhecendo que teria que control\u00e1-la, sob pena de fracassar na gest\u00e3o de seu projeto pol\u00edtico, econ\u00f4mico, social e militar. <\/p>\n<p>Por sua parte, a oposi\u00e7\u00e3o se fez mais calculadora, unificando suas for\u00e7as e definindo que os representantes da Fedec\u00e2maras e a CTV seriam seus porta-vozes, tal como foi acordado com o ausp\u00edcio da c\u00fapula da Igreja Cat\u00f3lica, em 5 de mar\u00e7o de 2002  na reuni\u00e3o desenvolvida na Quinta da Esmeralda. Do mesmo modo identificou com clareza meridiana o significado da Pdvsa e a import\u00e2ncia de entricheirar-se em sua dire\u00e7\u00e3o, recrutando um importante n\u00famero de gerentes, tecnocratas, empregados e trabalhadores de base, os quais haviam sido ganhos pol\u00edtica e ideol\u00f3gicamente, para resguardar-se ante a eventualidade de que o governo quisesse desfazer-se da burocracia &quot;meritocr\u00e1tica&quot; que controlava a ind\u00fastria. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, tamb\u00e9m teve a clareza sobre outro aspecto de suma import\u00e2ncia, de que o governo em sua ingenuidade pol\u00edtica, contornava: de que lado estava a lealdade da c\u00fapula das for\u00e7as armadas? O Presidente Ch\u00e1vez acreditava t\u00ea-las controladas pela via discursiva e se sentia seguro disso por seu passado militar. N\u00e3o era assim e a oposi\u00e7\u00e3o sabia que contava com a fidelidade de boa parte da alta hierarquia do aparato repressivo do Estado, \u00e0 qual poderia recorrer em qualquer momento, para seus fins estrat\u00e9gicos de deixar o Presidente Ch\u00e1vez e aplacar as exig\u00eancias econ\u00f4micas e pol\u00edticas da popula\u00e7\u00e3o pela via repressiva. <\/p>\n<p>O per\u00edodo Janeiro-abril, esteve ent\u00e3o caracterizado por enfrentamentos cada vez menos discursivos, e por uma escalada cada vez mais violenta. O governo apostou em controlar a Pdvsa, enquanto que a oposi\u00e7\u00e3o de direita se jogou a mobilizar a tecnocracia e suas hostes, a classe m\u00e9dia e a burocracia sindical para defender-se, ao mesmo tempo que contra atacava lan\u00e7ando-se \u00e0 procura do controle da c\u00fapula militar para colocar a balan\u00e7a a seu favor. Logo ap\u00f3s o primeiro pronunciamento militar contra o governo, realizado por um oficial da avia\u00e7\u00e3o em 6 de fevereiro, v\u00e1rios militares formados na Escola das Am\u00e9ricas e vinculados aos partidos pol\u00edticos da direita se declararam publicamente contra o governo, agitando a seus companheiros de armas para que apoiassem uma sa\u00edda golpista. <\/p>\n<p>O governo, com sua reinterada forma burocr\u00e1tica de atuar, se lan\u00e7ou a decapitar a ger\u00eancia tecnocr\u00e1tica sem apoiar-se nos trabalhadores da ind\u00fastria petroleira, e inclusive acompanhando seus atos administrativos com provoca\u00e7\u00f5es verbais \u00e0 dire\u00e7\u00e3o direitista, logrando como resultado uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia de recha\u00e7o que foi utilizada pela oposi\u00e7\u00e3o empresarial para mobilizar a milhares de pessoas da classe m\u00e9dia, empregados da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e estudantes, atacando o governo e preparando as condi\u00e7\u00f5es para um golpe reacion\u00e1rio. <\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o de 9 e 10 de abril de 2002 <\/p>\n<p>Sobre essas defini\u00e7\u00f5es globais, Pedro Carmona Estanga da Fedec\u00e2maras, com o respaldo de Carlos Ortega da CTV, se lan\u00e7ou a convocar uma paralisa\u00e7\u00e3o de 48 horas para os dias 9 e 10 de abril, que precipitaria a luta corpo a corpo pelo controle do aparato do Estado.<br \/>\nGonzalo G\u00f3mez, no momento o promotor do espa\u00e7o pol\u00edtico Assembl\u00e9ia Popular Revolucion\u00e1ria, descreveu a situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-golpe da seguinte forma: <\/p>\n<p>\u201cHavia uma paralisa\u00e7\u00e3o patronal e da m\u00e1fia sindicaleira da CTV, que se prolongava com uma grande marcha dos setores sociais acomodados, da classe m\u00e9dia alta e do conjunto da burguesia. Tudo era impulsionado com a mais perversa manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica por parte dos donos da televis\u00e3o, r\u00e1dio e imprensa privada, com t\u00e1ticas de guerra de IV gera\u00e7\u00e3o, com a teses de que havia no pa\u00eds uma \u201cditadura fidelista\u201d e havia que recuperar a democracia. Era o \u00e1libi, para mascarar um golpe militar com uma mobiliza\u00e7\u00e3o de massas que permitiria mostrar ao mundo a apar\u00eancia de que Ch\u00e1vez era derrubado pelo povo.<\/p>\n<p>O governo n\u00e3o tinha a orienta\u00e7\u00e3o de chamar a mobilizar, argumentava que a situa\u00e7\u00e3o estava &quot;controlada&quot; e dizia que havia que evitar confronta\u00e7\u00f5es violentas ou sangrentas. Por\u00e9m a conspira\u00e7\u00e3o vinha tamb\u00e9m de dentro e ali n\u00e3o percebiam bem o que ia acontecer. Por isso, as pessoas foram desmobilizadas e se inibiu a mais potente ferramenta de combate que pod\u00edamos ter: as massas populares nas ruas. <\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas estavam nesse momento neutralizadas pelos traidores do controle do processo e o povo era a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o.  A superestrutura pol\u00edtica preferiu confiar no pr\u00f3prio aparato do Estado, que j\u00e1 se encontrava minado, e esse foi um erro fatal. <\/p>\n<p>E mais adiante registra da seguinte maneira a atitude do governo frente ao evento que estava por desenvolver-se em 11 de abril:<br \/>\nA Assembl\u00e9ia  Popular Revolucionaria (APR) vinha se reunindo no P\u00e1tio dos Le\u00f5es da Prefeitura de Caracas, no Sal\u00e3o Andr\u00e9s Eloy Blanco, em frente \u00e0  Pra\u00e7a  Bol\u00edvar de Caracas. Se realizavam intensas jornadas de discuss\u00e3o e atividades para manter o movimento popular em estado de alerta em zonas chaves. <\/p>\n<p>Houve desesperados contatos para persuadir o governo a que colocasse todos seus recursos a servi\u00e7o da mobiliza\u00e7\u00e3o do povo em defesa do presidente Ch\u00e1vez, por\u00e9m o crit\u00e9rio governamental era que dev\u00edamos mantermo-nos calmos e deixar as coisas em suas m\u00e3os. Na noite anterior ao golpe, o pr\u00f3prio Ministro de Defesa, Jos\u00e9 Vicente Rangel, insistia em que permanec\u00eassemos em nossas casas, que n\u00e3o ca\u00edssemos em provoca\u00e7\u00f5es, que tudo estava \u201cnormal\u201d, enquanto tinha os golpistas pisando-lhes os calcanhares. (destaque nosso).<\/p>\n<p>Essa mesma noite, a APR se manteve em vig\u00edlia, movendo-se ativamente com suas comiss\u00f5es de trabalho, eleitas nas sess\u00f5es da Assembl\u00e9ia. Na madrugada do dia 11, com o golpe em cima, os coletivos integrantes da APR distribu\u00edmos cerca de 100 mil panfletos nos bairros e se chamou por todas as vias poss\u00edveis a que o povo se concentrasse em Miraflores, com o objetivo de interpor um \u201ctamp\u00e3o popular\u201d que impedisse o assalto \u00e0 sede do governo pela marcha opositora.<\/p>\n<p>Em uma equa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica aonde o governo era irresponsavelmente inconsciente da situa\u00e7\u00e3o em que estava metido e a maioria da popula\u00e7\u00e3o se encontrava completamente desorientada, a \u00fanica resultante poss\u00edvel era a potencia\u00e7\u00e3o da ofensiva da oposi\u00e7\u00e3o de direita, j\u00e1 com uma clara agenda golpista. Dal\u00ed \u00e0 coroa\u00e7\u00e3o do triunfo contra revolucion\u00e1rio era s\u00f3 uma quest\u00e3o de horas. <\/p>\n<p>E, efetivamente sucedeu por duas a\u00e7\u00f5es escrupulosamente pr\u00e9-definidas pela oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica assessorada pelo governo norte americano desde sua embaixada em Caracas. A primeira foi golpear o sitio mais vulner\u00e1vel do governo, que era seu d\u00e9bil respaldo entre a alta oficialidade das for\u00e7as armadas. E em segundo lugar, entrincheirar-se na Pdvsa ganhando o apoio da ger\u00eancia e de milhares de empregados e trabalhadores que sentiam temor pela poss\u00edvel perda de seus privil\u00e9gios ou simplesmente de sua fonte de trabalho. <\/p>\n<p>H\u00e1 que se admitir ent\u00e3o que a pol\u00edtica golpista da oposi\u00e7\u00e3o foi muito mais consistente que a do governo, que em meio de grandes vacila\u00e7\u00f5es, naufragou em um sem fim de orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sem sentido, descoordenadas, e sobretudo contr\u00e1rias \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Caso contr\u00e1rio a da oposi\u00e7\u00e3o que quebrou a lealdade na c\u00fapula das For\u00e7as Armadas e mediante a convocat\u00f3ria a uma nova paralisa\u00e7\u00e3o empresarial, se sustentou na mobiliza\u00e7\u00e3o de milhares de pessoas, as quais instigou para marchar at\u00e9 Miraflores na perspectiva de levantar as velhas ins\u00edgnias da Quarta Rep\u00fablica e fechar o ciclo hist\u00f3rico aberto com o Caracazo em 1989. <\/p>\n<p>Em 11 de abril se produziu um golpe contra revolucion\u00e1rio <\/p>\n<p>Aos cruentos enfrentamentos na manh\u00e3 e tarde do dia 11 de abril que deixaram dezenas de v\u00edtimas, se seguiram quase 8 horas de incerteza provocada em grande parte pelo sil\u00eancio dos porta-vozes mais importantes do chavismo. Dois ou tr\u00eas personagens incomodados da tend\u00eancia pol\u00edtica do governo pouco ou nada puderam dizer ante os meios de comunica\u00e7\u00e3o, minimizando a crise e a gravidade dos fatos, com ele gerando mais confus\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o que respaldava o Presidente Ch\u00e1vez. Deixava a nu a profunda incapacidade pol\u00edtica desses supostos l\u00edderes revolucion\u00e1rios de alinhavar uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em uma situa\u00e7\u00e3o extrema. <\/p>\n<p>Os militares golpistas tomaram o controle de Forte Tiuna, o aeroporto de La Carlota, e outras instala\u00e7\u00f5es militares. O ministro da Defesa, General Lucas Rinc\u00f3n Romero, anunciou em horas da madrugada de 12 de abril que \u201cos membros de Alto Mando Militar da Rep\u00fablica Bolivariana de Venezuela deploram os lament\u00e1veis acontecimentos sucedidos na cidade- capital no dia de ontem. Ante tais fatos, se solicitou ao senhor Presidente da Rep\u00fablica a ren\u00fancia de seu cargo, o qual aceitou. Os integrantes de Alto Mando p\u00f5em seus cargos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, os quais entregaremos aos oficiais que sejam designados pelas novas autoridades\u201d. <\/p>\n<p>Sem tentar fazer uma mobiliza\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia por sua conta, o Presidente Ch\u00e1vez e suas figuras mais pr\u00f3ximas, renunciaram a dar uma batalha consequente para manter-se de p\u00e9. Ao confiar unicamente no aparato militar, sem apostar nada na  mobiliza\u00e7\u00e3o, foram incapazes de fazer uma publica\u00e7\u00e3o chamando um levante popular para resistir ao golpe, muito menos estiveram dispostos a entregar armas aos milhares de lutadores e populares dos bairros urbanos que estavam dispostos a defend\u00ea-los. Nesse sentido, em 12 de abril ficar\u00e1 registrado na hist\u00f3ria, como o momento em que Ch\u00e1vez e a c\u00fapula de seu movimento pol\u00edtico como condutores pol\u00edticos das amplas maiorias do pa\u00eds, n\u00e3o sobrepassaram a prova dos acontecimentos, se curvaram e docilmente cederam o governo \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o sem dar a batalha contra os golpistas nativos e seus assessores internacionais entrincheirados na embaixada dos Estados Unidos em Caracas. Ch\u00e1vez chegou ao extremo de negociar com os golpistas a entrega do poder em troca da garantia de seu traslado \u00e0 Cuba, tal e qual escreve o jornalista Ernesto Villegas em seu livro \u201cAbril, golpe adentro\u201d. <\/p>\n<p>Essa foi a causa fundamental pela qual a oposi\u00e7\u00e3o patronal obteve o triunfo pol\u00edtico na madrugada de 12 de abril, na qual aperfei\u00e7oariam dezesseis horas mais tarde ao juramentar a Pedro Carmona como novo Presidente da Rep\u00fablica, apoiado pelo grande empresariado local e internacional, a Igreja Cat\u00f3lica, os poderosos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a burocracia sindical da CTV, guiados politicamente pela embaixada norte americana que em todo momento lhes assessorou na execu\u00e7\u00e3o do plano preconcebido. <\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, a unidade de mando dos triunfadores n\u00e3o estava garantida, tanto que os interesses particulares e os vorazes apetites pol\u00edticos econ\u00f4micos de muitos dos participantes, os impediram fazer um acordo global para encaminhar o retorno planejado do pa\u00eds pelo velho modelo pol\u00edtico bipartidista do pacto de Punto Fijo. <\/p>\n<p>Pedro Carmona e seu setor terminou impondo as condi\u00e7\u00f5es e seguros de seu triunfo n\u00e3o duvidaram em desconhecer de um golpe na Constitui\u00e7\u00e3o e as leis promulgadas em tr\u00eas anos e meio de gest\u00e3o. T\u00e3o convencidos estavam de seu triunfo e de sua legitimidade que n\u00e3o lhes tremeu o pulso para dissolver a Assembl\u00e9ia Nacional, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, o Conselho Nacional Eleitoral, governadores, prefeitos e conselheiros, a remo\u00e7\u00e3o do Fiscal Geral, do Controlador, e do Defensor P\u00fablico, os embaixadores, c\u00f4nsules e vice-c\u00f4nsules como tamb\u00e9m das Miss\u00f5es Permanentes Diplom\u00e1ticas, assim como a elimina\u00e7\u00e3o das 48 leis habilitantes, e a mudan\u00e7a da Constitui\u00e7\u00e3o, restituindo o nome de Rep\u00fablica de Venezuela.<\/p>\n<p>Em rigor, o setor mais reacion\u00e1rio da oposi\u00e7\u00e3o terminou impondo-se mediante um aut\u00eantico golpe contra-revolucion\u00e1rio no campo pol\u00edtico. Dizemos contra-revolucion\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 porque emitiu um decreto que liquidou a institucionalidade que se vinha erigindo e articulando a partir das decis\u00f5es da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte e os decretos ditados pelo Presidente Ch\u00e1vez sob o amparo da Lei Habilitante concedida pela Assembl\u00e9ia Nacional, sen\u00e3o porque em seu interesse de retroceder o pa\u00eds \u00e0s condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, jur\u00eddicas e institucionais anteriores a 1998, estabeleceram um novo regime pol\u00edtico que se sustentava na elimina\u00e7\u00e3o das liberdades democr\u00e1ticas, a proscri\u00e7\u00e3o do partido que at\u00e9 esse momento estava no governo, assim como o mais desenfreado ataque aos ativistas e lutadores populares que se mostraram solid\u00e1rios com o governo do Presidente Ch\u00e1vez. Desta fan\u00e1tica pol\u00edtica totalit\u00e1ria n\u00e3o se salvou nem a embaixada de Cuba em Caracas nem seus funcion\u00e1rios, sitiados e amea\u00e7ados pelos grupos de choque do golpismo. <\/p>\n<p>Um ano depois, a hierarquia do  Supremo Tribunal de Justi\u00e7a fieis a um Luis Miquilena somado ao golpismo, e amparados nas incapacidades, incongru\u00eancias e cumplicidades pol\u00edticas das cabe\u00e7as vis\u00edveis do chavismo como Lucas Rinc\u00f3n, Jos\u00e9 Vicente Rangel e Diosdado Cabello, terminaram eximindo a v\u00e1rios dos respons\u00e1veis pol\u00edtico-militares do golpe e at\u00e9 lhes atribu\u00edram supostas boas inten\u00e7\u00f5es de contribuir em fechar a situa\u00e7\u00e3o de vazio de poder gerada pela ren\u00fancia do presidente Ch\u00e1vez anunciada por seu ministro de Defesa. Uma aberra\u00e7\u00e3o jur\u00eddica  monstruosa. O governo, por sua parte, desenvolveu a orienta\u00e7\u00e3o de pactuar e desmobilizar ditada por aquele Ch\u00e1vez que em gesto suplicante pediu perd\u00e3o aos golpistas com um crucifixo entre as m\u00e3os, naquela madrugada de 14 de abril. Ele explica que o governo deixara que Carmona Estanga e outros chefes do golpe se asilassem em embaixadas estrangeiras e obtivessem salvo condutos para sair do pa\u00eds. Nunca houve vontade pol\u00edtica para castigar os cr\u00edmes do golpe: Ap\u00f3s o assassinato do fiscal Danilo Anderson por meio de um atentado com bomba, as causas judiciais relacionadas com o golpe foram congeladas, e finalmente em dezembro de 2007, o pr\u00f3prio presidente Ch\u00e1vez selou a impunidade ao decretar uma anistia que beneficiou a grande maior\u00eda dos criminosos que atentaram contra os direitos democr\u00e1ticos da popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m ficaram na impunidade praticamente todas as mortes violentas dos dias  11, 12, 13 e 14 de abril. <\/p>\n<p>13 de abril: uma revolu\u00e7\u00e3o contra os golpistas e o imperialismo <\/p>\n<p>Tudo foi vertiginoso. Em menos de 72 horas os golpistas coroaram com \u00eaxito seu trabalho, derrubando Ch\u00e1vez e instaurando a ditadura de Pedro Carmona. Por\u00e9m com maior velocidade e decis\u00e3o, uma insurrei\u00e7\u00e3o de profundo conte\u00fado popular que preencheu as ruas das principais cidades do pa\u00eds, acompanhada de uma rebeli\u00e3o da oficialidade m\u00e9dia e a tropa, derrotou aos golpistas e aos governos das pot\u00eancias econ\u00f4micas internacionais que os apoiavam, restituindo as liberdades democr\u00e1ticas pisoteadas pela breve ditadura e permitindo o retorno de Ch\u00e1vez a seu cargo de Presidente da Rep\u00fablica. <\/p>\n<p>Bem disse Ch\u00e1vez na madrugada de 14 de abril de 2002, que muito havia que escrever para rever este gesto heroico do povo venezuelano, que em menos de 48 horas passou de uma situa\u00e7\u00e3o de contra revolu\u00e7\u00e3o a outra que ele mesmo qualificou de contra-contra revolu\u00e7\u00e3o. Ou mais simplificadamente para n\u00f3s, de revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica triunfante; ainda que de todas as maneiras, o triunfo popular n\u00e3o significou uma derrota esmagadora dos golpistas, devido \u00e0s pol\u00edticas conciliadoras de Ch\u00e1vez, que se jogou a desmobilizar o povo que derrotou o golpe, e  permitiu aos golpistas  se reorganizar e prosseguir sua atua\u00e7\u00e3o conspiradora. <\/p>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica triunfante <\/p>\n<p>De maneira contr\u00e1ria a como atuou o governo do presidente Ch\u00e1vez, os setores mais empobrecidos da sociedade e grandes setores da classe trabalhadora que n\u00e3o estavam manietados pela dire\u00e7\u00e3o da CTV nem pelos partidos pol\u00edticos da direita ou pela Igreja Cat\u00f3lica, sa\u00edram dos populosos bairros e baixaram das serras de Caracas, fazendo por sua conta e risco o que lhes correspondia.  Nesta insurrei\u00e7\u00e3o popular se destacaram as novas organiza\u00e7\u00f5es surgidas ao calor dos primeiros avan\u00e7os democr\u00e1ticos de car\u00e1ter reformista liderados pelo governo do presidente Ch\u00e1vez, entre eles as Assembl\u00e9ias Populares Revolucion\u00e1rias que aglutinavam os ativistas e militantes das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de vanguarda, assim como os C\u00edrculos Bolivarianos, organismos de base criados pelo governo para discutir os problemas de sua comunidade e canaliz\u00e1-los atrav\u00e9s dos organismos competentes para buscar-lhes pronta solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro tanto devemos dizer da oficialidade m\u00e9dia e a tropa de v\u00e1rias guarni\u00e7\u00f5es, como a dos Paraquedistas de Maracay e um pequeno n\u00facleo da c\u00fapula militar, que passaram da paralisia inicial a realocar-se contra o golpe ao calor da mobiliza\u00e7\u00e3o que tomou as principais cidades do pa\u00eds. N\u00e3o s\u00f3 se alarmaram ante os primeiros atos brutais do governo de fato e perceberam a precariedade e as divis\u00f5es na ditadura carmonista, mas que sobretudo muitos militares dos estratos m\u00e9dios cederam \u00e0 press\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o popular e tomaram posi\u00e7\u00e3o contra o golpe, chegando a constituir-se em um importante baluarte da rebeli\u00e3o anti-golpista. <\/p>\n<p>Em defesa das conquistas democr\u00e1ticas logradas com a queda do regime bipartid\u00e1rio adeco-copeyano e postas em grave perigo pela nascente ditadura, o povo se levantou  igual que em O Caracazo, sem nenhuma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica reconhecida a frente. Milhares de venezuelanas e venezuelanos encheram as ruas, enfrentaram os golpistas nos arredores de Miraflores, rodearam os quart\u00e9is e motivaram a insubordina\u00e7\u00e3o das tropas, retomaram o canal de televis\u00e3o estatal e puseram em funcionamento rudimentares por\u00e9m efetivos sistemas de intercomunica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de apelar \u00e0 solidariedade internacional e denunciando a m\u00e3o criminosa do governo dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>Na tarde de 13 de abril, um setor da c\u00fapula militar golpista, representada pelo general V\u00e1squez Velasco, imaginando o perigo real que representavam as massas mobilizadas e a insubordina\u00e7\u00e3o das tropas nos quart\u00e9is, tratou de recuar solicitando publicamente a Pedro Carmona que voltasse atr\u00e1s na medida de dissolu\u00e7\u00e3o da Assembl\u00e9ia Nacional e que desse continuidade aos programas sociais do governo chavista, por\u00e9m j\u00e1 era demasiado tarde. As massas populares haviam aberto uma ferida profunda e de morte na rec\u00e9m instalada ditadura, gerando com ela uma crise revolucion\u00e1ria, que combinada com a inexist\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria alternativa ao chavismo, s\u00f3 podia ser encerrada com o retorno de Ch\u00e1vez a ocupar seu cargo no  Pal\u00e1cio de Miraflores. <\/p>\n<p>Por isso dizemos que foi essencialmente uma poderosa revolu\u00e7\u00e3o, de car\u00e1ter democr\u00e1tico (Revolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XX, p\u00e1g 20. Nahuel Moreno) que permitiu recuperar as liberdades suprimidas pelos golpistas e restabelecer a ordem institucional inaugurado pelo governo de Ch\u00e1vez. Em coisa de horas a Assembl\u00e9ia Nacional recuperou seu lugar, e seu presidente foi o encarregado de repor na primeira magistratura a Ch\u00e1vez. Os quart\u00e9is foram postos sob o controle da oficialidade e da tropa anti-golpista. Os decretos de emerg\u00eancia, reacion\u00e1rios e subordinados aos interesses do governo norte americano que firmou em suas breves horas de ditador Pedro Carmona, foram parar no lixo. Em um abrir e fechar de olhos, o povo mobilizado garantiu que o pesadelo ditatorial finalizara. <\/p>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o com um profundo conte\u00fado anti-imperialista <\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel compreender as reais causas que motivaram aos golpistas nativos a empreender sua a\u00e7\u00e3o, sem relacion\u00e1-los com os interesses que guiam a pol\u00edtica exterior do governo norte americano. O golpe ditatorial promovido pelo Fedec\u00e2maras, os generais, a CTV e a c\u00fapula da Igreja Cat\u00f3lica se explica em grande medida pelos esfor\u00e7os do governo dos Estados Unidos, nesses momentos presidido por George Bush, por reverter a seu favor uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que a n\u00edvel internacional lhe era adversa nessa conjuntura. Recordemos que no princ\u00edpio do S\u00e9culo XXI se agudizava a cr\u00edtica situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica internacional, a qual por sua vez provocava e generalizava explos\u00f5es sociais em diversos pa\u00edses, especialmente na Am\u00e9rica Latina, sendo epicentros Argentina e Bol\u00edvia. Nesse dif\u00edcil transe, o governo norte americano necessitava revalidar sua condi\u00e7\u00e3o de pol\u00edcia mundial da contra revolu\u00e7\u00e3o e isso o obrigava a intensificar seus ataques contra os povos que se opuseram a seus planos. <\/p>\n<p>No caso da Venezuela, apesar de que o governo de Ch\u00e1vez se manteria nos marcos do sistema capitalista, cedia aos patr\u00f5es, continuava pagando a d\u00edvida externa e aplicando planos de ajuste ao estilo dos receitados pelo FMI e pelo Banco Mundial, isso n\u00e3o era suficiente para o imperialismo. A Casa Branca e a oligarquia venezuelana n\u00e3o aceitava as meias tintas, necessitavam um governo t\u00edtere que cumprisse sem objetar suas ordens, como o faziam em seu momento, Fox, Duhalde, Pastrana e a grande maioria dos governos latino americanos.<br \/>\nNesse sentido seria parcial a an\u00e1lise, se n\u00e3o completarmos a defini\u00e7\u00e3o do sucedido durante a noite de 13 e a madrugada do d\u00eda 14 de abril, dizendo que a revolu\u00e7\u00e3o teve um profundo conte\u00fado anti imperialista, na medida em que se derrotou aos governos dos Estados Unidos  e Espanha, principais instigadores e patrocinadores do golpe, al\u00e9m de serem seus defensores no  terreno diplom\u00e1tico. Triunfo que limitou a inger\u00eancia pol\u00edtica dos Estados Unidos sobre a Venezuela nos anos subsequentes e potencializou o conjunto de lutas que se desenvolveram no  continente americano. <\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o c\u00edvico-militar? <\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua restitui\u00e7\u00e3o, o Presidente Hugo Ch\u00e1vez e a totalidade dos te\u00f3ricos de seu movimento insistiram, e ainda  seguem fazendo, no car\u00e1ter &quot;c\u00edvico-militar&quot; do levantamento do dia 13, que acabou com a curta ditadura de Carmona. Para Ch\u00e1vez e seu movimento esta defini\u00e7\u00e3o \u00e9 de suma import\u00e2ncia, porque ela alimenta a tese do suposto car\u00e1ter revolucion\u00e1rio das for\u00e7as armadas, o conte\u00fado patri\u00f3tico da insurrei\u00e7\u00e3o do dia 13 de abril e subtra\u00edda import\u00e2ncia ao papel transcendental da mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. <\/p>\n<p>Eva Golinger, em seu livro \u201cO C\u00f3digo Ch\u00e1vez\u201d, \u00e9 quem melhor sintetiza esta vis\u00e3o. De dez linhas dedicados ao epis\u00f3dio de 13 de abril, em dois deles sumariamente assinala que \u201cMilh\u00f5es de seguidores de Ch\u00e1vez tomaram as ruas em 13 de abril e exigiam sua reinstaura\u00e7\u00e3o\u201d, enquanto que \u00e0 a\u00e7\u00e3o militar lhe dedica seis linhas, afirmando que \u201cA Guarda Presidencial, junto com outras fac\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito que  haviam se mantido leais a Ch\u00e1vez, detiveram rapidamente a Carmona e seus assessores e devolveram o Pal\u00e1cio aos membros do Gabinete de Ch\u00e1vez, os quais se deram a  tarefa de resgatar o seu presidente constitucional\u201d. <\/p>\n<p>Quem l\u00ea este par\u00e1grafo, pode err\u00f4neamente chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que houve um desenvolvimento simult\u00e2neo da mobiliza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es nas ruas e a insubordina\u00e7\u00e3o das tropas leais ao Presidente Ch\u00e1vez. E em segundo lugar, que os militares tiveram a iniciativa de deter  Carmona, entregar o Pal\u00e1cio de Miraflores aos ministros chavistas e que estes \u00faltimos foram os encarregados de resgatar  Ch\u00e1vez. <\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de dem\u00e9rito ao imenso rol progressivo cumprido por uma parte da oficialidade e da tropa em 13 de abril, por\u00e9m definitivamente n\u00e3o foi assim como se sucederam os fatos. O sucedido no primeiro momento quando aconteceu o golpe, foi a quebra da c\u00fapula militar que se passa para o lado dos promotores do golpe e uma grave situa\u00e7\u00e3o de indecis\u00e3o das camadas m\u00e9dias da oficialidade e das tropas, que n\u00e3o sabiam o que fazer e para onde se dirigir.  At\u00e9 personagens como Garc\u00eda Carneiro, logo apresentados como her\u00f3is pelo governo chavista, se retrataram com os golpistas nas primeiras horas da queda de Ch\u00e1vez. Em termos cronol\u00f3gicos e pol\u00edticos, o segundo e definitivo fato se constitui na poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o de massas que avan\u00e7aram pelas partes centrais das cidades mais importantes do pa\u00eds e iam \u00e0s guarni\u00e7\u00f5es militares a exigir dessa oficialidade m\u00e9dia que desobedecesse \u00e0 c\u00fapula militar pr\u00f3-golpista. <\/p>\n<p>Os que tiveram a oportunidade de participar da concentra\u00e7\u00e3o que dezenas de milhares fizeram na 42\u00aa Brigada Militar de Maracay, podem certificar que o general Ra\u00fal Isa\u00edas Baduel, um dos poucos que desconheceram o governo usurpador de Pedro Carmona, s\u00f3 atinava a pedir aos manifestantes que mobilizaram a maior quantidade de pessoas para o quartel, de tal forma que se pudesse impactar e ajudar a ganhar a oficialidade m\u00e9dia e as tropas para a defesa da institucionalidade. O mesmo sucedeu com a Guarda Presidencial que s\u00f3 atuou quando constatou que milhares rodeavam o Forte Tiuna e os arredores do Pal\u00e1cio do Governo. <\/p>\n<p>Sem d\u00favida alguma o decisivo foi a mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do povo e dos trabalhadores, que encurralou a c\u00fapula golpista e pressionou os setores m\u00e9dios e de base das For\u00e7as Armadas a oporem-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o ditatorial. Os procedimentos de capturar  Carmona, recuperar Miraflores e devolver a Caracas o Presidente Ch\u00e1vez, foram tr\u00e2mites resultantes do triunfo popular. <\/p>\n<p>O papel da classe trabalhadora em 13 de abril <\/p>\n<p>O golpe ditatorial e a revolu\u00e7\u00e3o triunfante de abril de 2002, encontraram a classe trabalhadora em um estado de divis\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o extrema. Em um extremo estava a burocracia sindical da CTV, que desde tempos atr\u00e1s havia se submetido totalmente \u00e0 dire\u00e7\u00e3o empresarial e se havia colocado como vag\u00e3o de trem  de Fedec\u00e2maras, que nessas condi\u00e7\u00f5es participou da paralisa\u00e7\u00e3o de 10 de abril, promovido pelos patr\u00f5es. No outro extremo estavam tanto os trabalhadores que se identificavam politicamente com o chavismo, como aquelas correntes sindicais classistas e independentes, que se vinham consolidando desde o in\u00edcio do governo do Presidente Ch\u00e1vez, e se distinguiam por sua combatividade e  defensa da autonomia sindical. <\/p>\n<p>Frente \u00e0 convocat\u00f3ria da paralisa\u00e7\u00e3o empresarial para o dia  9 de abril, como era de se esperar, a divis\u00e3o e polariza\u00e7\u00e3o nas fileiras da classe trabalhadora se agudizou. Por\u00e9m, diferente da paralisa\u00e7\u00e3o de 10 de dezembro de 2001, que contou com uma propor\u00e7\u00e3o importante de trabalhadores que n\u00e3o foram a seus postos de trabalho motivados pela promessa de que se lhes reconheceria seu sal\u00e1rio; nesta ocasi\u00e3o os trabalhadores organizados sindicalmente perceberam com mais clareza os perigos existentes na convocat\u00f3ria da paralisa\u00e7\u00e3o e a das mobiliza\u00e7\u00f5es programadas para esses dias. <\/p>\n<p> O resultado da queda de bra\u00e7o entre a burocracia promotora da paralisa\u00e7\u00e3o e os trabalhadores que se opunham foi contundente. A paralisa\u00e7\u00e3o foi um fracasso porque os trabalhadores foram a aos seus postos de trabalho. Nas instala\u00e7\u00f5es petroleiras, aonde os golpistas tinham cifradas suas esperan\u00e7as, estes foram repudiados e viram como os petroleiros e os setores populares se enfrentavam nos arredores das refinarias com os bandos armados financiados pela executiva da Pdvsa que queria a todo custo garantir o lockout patronal. <\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 se tratava de uma resposta de for\u00e7a dos trabalhadores. Tamb\u00e9m era ideol\u00f3gica, pol\u00edtica e program\u00e1tica. Assim o entenderam os meios de comunica\u00e7\u00e3o escritos em m\u00e3os privadas no Estado Carabobo, que colocaram seu grito no c\u00e9u e denunciaram como &quot;trotskismo jur\u00e1ssico e desfigurado&quot; o boletim expedido pelo Bloco Sindical Classista e Democr\u00e1tico nesse estado, em que chamavam os trabalhadores a se oporem \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o patronal e expropriar as empresas envolvidas. <\/p>\n<p>E no pr\u00f3prio 13 de abril, ainda que sem jogar um papel dirigente, a classe trabalhadora foi parte dos rios humanos que sa\u00edram dos bairros para enfrentar o golpe e exigir a restitui\u00e7\u00e3o do Presidente Ch\u00e1vez. \u00c9 claro ent\u00e3o que o papel cumprido pela classe trabalhadora no triunfo revolucion\u00e1rio de 13 de abril foi definitivo, porque logrou impedir a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, blindar as instala\u00e7\u00f5es petroleiras dos ataques das for\u00e7as opositoras que desenvolveram o script golpista e foi parte da torrente revolucion\u00e1ria que imobilizou e derrotou os golpistas. O papel cumprido pela classe trabalhadora se fez evidente tr\u00eas semanas depois, quando se realizou a jornada comemorativa de Primeiro de Maio. Esse dia centenas de milhares de trabalhadores, provenientes de todas partes do pa\u00eds junto com a  popula\u00e7\u00e3o da Grande Caracas, realizaram uma das maiores mobiliza\u00e7\u00f5es que se recordam na hist\u00f3ria moderna da Venezuela. Com um trecho percorrido de mais de 15 quil\u00f4metros, iniciando no Poliedro e finalizando nas cercanias do Pal\u00e1cio de Miraflores, os participantes exigiram c\u00e1rcere e castigo aos promotores da paralisa\u00e7\u00e3o e os respons\u00e1veis pelos assassinatos, nenhuma negocia\u00e7\u00e3o nem concess\u00e3o aos golpistas, recha\u00e7o \u00e0 inger\u00eancia norte americana, reclamaram a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em m\u00e3os privadas, tudo isso apesar de que o governo propunha n\u00e3o realizar a mobiliza\u00e7\u00e3o para evitar provoca\u00e7\u00f5es e enfrentamentos. <\/p>\n<p>Como culmina\u00e7\u00e3o, podemos dizer que nitidamente ficou para o sindicalismo venezuelano a tarefa de tirar a dire\u00e7\u00e3o de Carlos Ortega e seu s\u00e9quito de burocratas e iniciar o processo de refunda\u00e7\u00e3o do movimento sindical sobre bases classistas, democr\u00e1ticas, com plena independ\u00eancia e autonomia frente ao governo do Presidente Ch\u00e1vez, por uma central solid\u00e1ria com as lutas e apoiada em m\u00e9todos de mobiliza\u00e7\u00e3o para defender de forma consequente os direitos dos trabalhadores. <\/p>\n<p>A partir desse momento, as tend\u00eancias sindicais com assento em Carabobo e Aragua que se identificavam com essas abordagens, aceleraram seu crescimento, ganhando o respeito e o apre\u00e7o da nova camada de ativistas e lutadores sindicais que fizeram suas primeiras armas neste epis\u00f3dio revolucion\u00e1rio de abril de 2002. <\/p>\n<p>A  conclus\u00e3o que podemos extrair como ensinamento dos acontecimentos abril de 2002, \u00e9 que n\u00e3o foi suficiente para que os governos de George Bush dos Estados Unidos, Aznar da Espanha e Andr\u00e9s Pastrana da Col\u00f4mbia reconhecessem o novo governo de fato. N\u00e3o conseguiu que a maioria da c\u00fapula militar se passasse para o bando dos golpistas o que os meios de comunica\u00e7\u00e3o, cumpriram um eficiente papel de \u201cformadores de opini\u00e3o\u201d favor\u00e1vel aos golpistas. Como tampouco foi bastante que os empres\u00e1rios e os banqueiros respaldaram e identificaram como sua a ditadura de Carmona. Nenhuma ditadura, por mais forte que ela pare\u00e7a e apesar de que conte com o apoio de governos estrangeiros, pode subsistir por muito tempo ante a press\u00e3o de centenas de milhares nas ruas. N\u00e3o foram as inconsequ\u00eancias ou os erros cometidos pelo \u201cbreve ditador\u201d; como tampouco foram as d\u00favidas da c\u00fapula militar sobre o papel que devem cumprir as for\u00e7as armadas nacionais; nem foram alegados problemas circunstanciais, os que definitivamente ocasionaram a queda da ditadura. Ela caiu v\u00edtima de uma poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o popular que meteu medo na oligarquia, ao empresariado e ao movimento semi-fascista que havia enchido as ruas durante o golpe; uma mobiliza\u00e7\u00e3o que encorajou a insubordina\u00e7\u00e3o das tropas e da oficialidade m\u00e9dia. Foi essa mobiliza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es que terminou restituindo a Ch\u00e1vez e recuperando as liberdades democr\u00e1ticas suprimidas pelo decreto ditatorial de Carmona &quot;o Breve&quot;. <\/p>\n<p>* Dirigente Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSL) e da Corrente Classista, Unit\u00e1ria, Revolucion\u00e1ria e Aut\u00f4noma (C-cura). <\/p>\n<p>** Secret\u00e1rio Geral do Partido Socialismo e Liberdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um olhar a partir do movimento oper\u00e1rio. | laclase.info, tradu\u00e7\u00e3o neide solim\u00f5es Por: Orlando Chirino* e Miguel \u00c1ngel Hern\u00e1ndez** (PSL) Nota dos autores: O presente texto, que apresentamos ao completar uma d\u00e9cada dos eventos de abril de 2002, constitui um extrato de um livro cuja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}