

	{"id":14248,"date":"2024-03-01T19:06:06","date_gmt":"2024-03-01T22:06:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14248"},"modified":"2024-04-01T19:27:31","modified_gmt":"2024-04-01T22:27:31","slug":"nao-ha-conteudo-revolucionario-que-sobreviva-a-liquidacao-numa-alianca-eleitoral-com-a-burguesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/03\/01\/nao-ha-conteudo-revolucionario-que-sobreviva-a-liquidacao-numa-alianca-eleitoral-com-a-burguesia\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o h\u00e1 conte\u00fado revolucion\u00e1rio que sobreviva \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o numa alian\u00e7a eleitoral com a burguesia\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O jornal Combate Socialista desde dezembro do ano passado vem batalhado por uma frente de esquerda independente e uma reuni\u00e3o conjunta das for\u00e7as que n\u00e3o est\u00e3o no governo Lula\/Alckmin. Nesse sentido dialogamos com Roj\u00fa Soares, Graduando em Ci\u00eancias do Estado pela UFMG, militante ecossocialista, e comunicador politico.<\/p>\n<p><strong>Combate Socialista: Qual sua vis\u00e3o do primeiro ano de mandato da frente ampla de Lula\/Alckmin? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Roju Soares<\/strong>: O governo Lula-Alckmin representa uma gest\u00e3o que d\u00e1 continuidade \u00e0s pol\u00edticas neoliberais implementadas nos \u00faltimos anos, inclusive \u00e0s pol\u00edticas marcadas pelos governos de Temer e Bolsonaro. N\u00e3o houve por parte desse governo ruptura com as medidas que marcaram o golpe institucional de 2016: a contrarreforma Trabalhista e da Previd\u00eancia, o Teto de Gastos. Ao contr\u00e1rio, a roupagem do governo \u00e9 a de normaliza\u00e7\u00e3o do regime burgu\u00eas, mas assumindo para si a imagem de um neoliberalismo progressista, pois ainda repercute pol\u00edticas de assist\u00eancia social para a popula\u00e7\u00e3o em que pese a manuten\u00e7\u00e3o e sofistica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica neoliberal. Vemos isso com o Arcabou\u00e7o Fiscal, que aprofunda os ataques aos servi\u00e7os p\u00fablicos desde o Teto de Gastos. Al\u00e9m disso, pol\u00edticas como o Novo Ensino M\u00e9dio e o projeto de privatiza\u00e7\u00f5es dos pres\u00eddios demonstram o compromisso priorit\u00e1rio do governo com a agenda dos milion\u00e1rios e com a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o mais empobrecida e racializada. Na ordem socioambiental, os retrocessos oriundos de um governo que n\u00e3o enfrenta o patronato e as pol\u00edticas neoliberais como o atual n\u00e3o nos coloca numa zona de conforto, muito pelo contr\u00e1rio. Retrocedemos e muito por meio de medidas como a entrada do Brasil na Opep+ (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo); o \u201cLeil\u00e3o do Fim do Mundo\u201d, que vendeu para explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s naturais 602 \u00e1reas do pa\u00eds, incluindo unidades de conserva\u00e7\u00e3o que colocam em risco n\u00e3o apenas biomas e ecossistemas, como tamb\u00e9m constitui uma amea\u00e7a para comunidades ind\u00edgenas e quilombolas; sem contar a amea\u00e7a cada vez mais iminente do Marco Temporal, um dos maiores ataques ao reconhecimento dos direitos origin\u00e1rios dos povos ind\u00edgenas e que n\u00e3o procede com uma resist\u00eancia e oposi\u00e7\u00e3o contundente do governo.<\/p>\n<p><strong>CS: Qual o impacto dessa linha de colabora\u00e7\u00e3o de classes nas lutas contra a extrema-direita? <\/strong><\/p>\n<p><strong>RS:<\/strong> Por meio da colabora\u00e7\u00e3o do governo Lula-Alckmin para com as classes dominantes no Brasil, a esquerda adesista ao lulismo se encontra estagnada num processo de desmobiliza\u00e7\u00e3o. Concomitantemente, ocorre um adestramento dos movimentos sociais ao reivindicarem melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida, o que tamb\u00e9m rebaixa nossas expectativas de construir alternativas, ou mesmo nas condi\u00e7\u00f5es que podemos alcan\u00e7ar ao enfrentarmos os agentes do capital e atuarmos com independ\u00eancia dos governos que s\u00e3o situa\u00e7\u00e3o da ordem. Tudo isso justificado com um discurso de que o risco do golpe est\u00e1 \u00e0 espreita e qualquer passo que seja dado no sentido de cr\u00edtica e oposi\u00e7\u00e3o ao governo e sua linha pol\u00edtica de alinhamento \u00e0 ordem capitalista fortalece as manobras da direita, e isso basicamente paralisou a esquerda de um modo geral. Se de um lado temos uma extrema-direita que se fortalece e radicaliza suas t\u00e1ticas repressivas, suas alian\u00e7as com o militarismo, o fundamentalismo religioso e com pol\u00edticas fiscais cada vez mais brutais contra as classes oprimidas mundo afora; temos uma esquerda cada vez mais resignada e sem disposi\u00e7\u00e3o a apresentar qualquer perspectiva de alternativa capaz de estimular nossas possibilidades e condi\u00e7\u00f5es de vida, bem como enfrentar os setores capitalistas com organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o, de modo a deix\u00e1-los acuados em aplicar suas medidas antipopulares. Agora restou a defesa das institui\u00e7\u00f5es burguesas e liberais. Restou a defesa do status quo, a defesa daquilo que j\u00e1 se demonstrou falido em v\u00e1rios processos da hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p><strong>CS: Qual sua opini\u00e3o sobre a frente ampla nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RS:<\/strong> Eu venho de uma tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que acumula balan\u00e7os sobre as frentes amplas. Elas tendem a levar \u00e0s trai\u00e7\u00f5es das dire\u00e7\u00f5es, \u00e0s suas respectivas capitula\u00e7\u00f5es ao projeto liberal de gest\u00e3o do Estado e fortalecem as burocratiza\u00e7\u00f5es de quadros pol\u00edticos, organiza\u00e7\u00f5es, partidos e at\u00e9 mesmo de Estados. Para al\u00e9m disso, precisamos entender que a frente ampla implica uma pol\u00edtica de concess\u00f5es e alian\u00e7as para com as burguesias nacionais. Nesse aspecto, o programa pol\u00edtico que prevalece \u00e9 sempre daquela classe que det\u00e9m a hegemonia na ordem pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica. N\u00e3o h\u00e1 conte\u00fado revolucion\u00e1rio que sobreviva \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o numa alian\u00e7a eleitoral com a burguesia, ainda mais no contexto da periferia do capitalismo. N\u00e3o h\u00e1 burguesia progressista, mas burguesias ainda mais reacion\u00e1rias e conservadoras, para al\u00e9m de subservientes ao capitalismo estrangeiro, imperial e monopolista. Nesse sentido, o custo de se embarcar numa pol\u00edtica como essa pode ser irrevers\u00edvel e nos inclina \u00e0 desmoraliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de produzir sobre as classes oprimidas pelo regime um desencantamento, uma frustra\u00e7\u00e3o e uma consequente ruptura com os setores da esquerda como um todo, sobretudo quando aquelas se deparam com os direitos sociais e liberdades democr\u00e1ticas sendo rifadas pelos representantes da esquerda a fim de agradar aos interesses dos patr\u00f5es e dos grandes milion\u00e1rios. No frigir dos ovos, a frente ampla que se pretende ser uma poss\u00edvel resposta da esquerda reformista e liberal para lidar com a atual crise de consenso com a Nova Rep\u00fablica e o presidencialismo de coaliz\u00e3o, acaba a acentuando em alguma medida, mais cedo ou mais tarde, e fortalece os setores da burguesia &#8211; agroneg\u00f3cio, latif\u00fandio, fundamentalistas, militares, banqueiros &#8211; para que avancem no terreno da pol\u00edtica, explorando inclusive as fraquezas dos setores da esquerda que se curvam aos seus interesses.<\/p>\n<p><strong>CS: O que avalia sobre a ideia de uma frente eleitoral envolvendo UP, PCB, PCB-RR, PSTU e outras organiza\u00e7\u00f5es? <\/strong><\/p>\n<p><strong>RS:<\/strong> Eu venho acompanhando propostas que a CST tem feito com rela\u00e7\u00e3o a uma Frente Eleitoral da Esquerda Independente, bem como da organiza\u00e7\u00e3o Socialismo ou Barb\u00e1rie que lan\u00e7ou uma carta recentemente em defesa de um Movimento Pela Esquerda Socialista Revolucion\u00e1ria, com um potencial de tamb\u00e9m intervir nas elei\u00e7\u00f5es, de modo que ambas as propostas ao meu ver s\u00e3o dial\u00f3gicas e complementares. Considero que representam uma t\u00e1tica correta para a esquerda radical se lan\u00e7ar nesse per\u00edodo. Eu respeito profundamente a concep\u00e7\u00e3o de t\u00e1tica eleitoral que utiliza das elei\u00e7\u00f5es como um momento para que organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas divulguem e defendam o seu programa, e qualquer organiza\u00e7\u00e3o que queira se utilizar desse per\u00edodo para levar e defender o seu projeto pr\u00f3prio, ainda que sem alian\u00e7as com outras dentro de um campo comum, est\u00e1 exercendo um direito democr\u00e1tico e deve ser respeitada por isso. Apesar disso, nossa esquerda radical tem estado cada vez mais fragmentada e com pouca precis\u00e3o para conseguir superar as barreiras da pr\u00f3pria democracia liberal, de tal maneira que consiga, se ancorando nas brechas do sistema, apresentar o seu programa por meio dos espa\u00e7os de debate e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Sendo assim, candidaturas isoladas tendem a pulverizar ainda mais o debate e sa\u00edrem prejudicadas e cada vez mais invisibilizadas como um todo, n\u00e3o logrando \u00eaxito no seu objetivo de conseguir apresentar de maneira minimamente democr\u00e1tica os seus projetos para a popula\u00e7\u00e3o. Por isso, uma candidatura ao executivo unificada poderia obter mais sucesso nas condi\u00e7\u00f5es de participar de debates exibidos nacionalmente, de mobilizar movimentos e setores sociais em torno uma campanha mais popular e massificada, bem como de ampliar a visibilidade das candidaturas parlamentares, independente de quais partidos estejam filiadas. Al\u00e9m disso, em meio a uma conjuntura onde enfrentamos uma ofensiva fundamentalista religiosa, ultraliberal e fascista no Brasil, devemos ter uma atua\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica em todas as esferas onde se possa disputar a consci\u00eancia das pessoas. N\u00e3o podemos ignorar a import\u00e2ncia da disputa eleitoral nesse processo, inclusive visando eleger mandatos efetivamente socialistas. Se prezamos por uma interven\u00e7\u00e3o no pleito eleitoral com um programa pautado pela independ\u00eancia pol\u00edtica e de classe, devemos para tanto construir uma alian\u00e7a em torno de pautas e princ\u00edpios comuns que harmonizem as organiza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o estar\u00e3o dispostas a negociar o princ\u00edpio da nossa independ\u00eancia pol\u00edtica e de classe. Por isso, organiza\u00e7\u00f5es como o PSTU, PCB, PCB-RR, UP, CST, MRT, SoB, dentre outras possuem a oportunidade de debater um projeto eleitoral com pautas que elevem as demandas da classe trabalhadora (redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, a defesa dos biomas e da Amaz\u00f4nia, pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, transi\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica f\u00f3ssil para fontes de energia renov\u00e1veis e limpas, o fim dos regimes de concess\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais, a revoga\u00e7\u00e3o imediata das contrarreformas trabalhista, previd\u00eancia e do arcabou\u00e7o fiscal, o fim do NEM, a defesa das popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias, bem como o compromisso no enfrentamento \u00e0 todas as formas de opress\u00e3o) tendo como base a nossa independ\u00eancia da concilia\u00e7\u00e3o de classes e das burguesias nacionais. Para al\u00e9m disso, \u00e9 igualmente importante realizarmos um chamado \u00e0 rebeldia \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda radical do PSOL que possuem uma avalia\u00e7\u00e3o de que a frente ampla n\u00e3o \u00e9 a sa\u00edda para responder \u00e0 crise pol\u00edtica que enfrentamos. Essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem acatar as decis\u00f5es capituladoras do campo majorit\u00e1rio do PSOL. Estas devem procurar estabelecer di\u00e1logos e v\u00ednculos com os setores da esquerda radical que buscam enfrentar a extrema-direita pelos m\u00e9todos da luta de classes. Por isso, o apoio e ades\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es como a Rebeli\u00e3o Ecossocialista, Revolu\u00e7\u00e3o Socialista, APS, MES, LSR, entre outras, pode fortalecer ainda mais essa investida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal Combate Socialista desde dezembro do ano passado vem batalhado por uma frente de esquerda independente e uma reuni\u00e3o conjunta das for\u00e7as que n\u00e3o est\u00e3o no governo Lula\/Alckmin. 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