

	{"id":143,"date":"2012-04-19T11:24:00","date_gmt":"2012-04-19T11:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2012\/04\/19\/arquivoid-9178\/"},"modified":"2012-04-19T11:24:00","modified_gmt":"2012-04-19T11:24:00","slug":"arquivoid-9178","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2012\/04\/19\/arquivoid-9178\/","title":{"rendered":"Fora ingleses das Malvinas!"},"content":{"rendered":"<p>| Izquierda Socialista, tradu\u00e7\u00e3o Pedro Mara<\/p>\n<p>Foi uma guerra justa? Dever\u00edamos apoiar, apesar da ditadura? Quais foram os motivos da derrota? Qual o papel do peronismo, dos radicais e da Igreja? Que posi\u00e7\u00e3o tiveram os socialistas revolucion\u00e1rios?<\/p>\n<p>As Ilhas Malvinas foram usurpadas pela Gr\u00e3-Bretanha em 1833. Foi um cl\u00e1ssico roubo imperialista, similar ao que o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico realizara em outras partes do mundo. Nas Malvinas se instalou uma base militar e come\u00e7ou um saque dos recursos naturais, que continuou ao longo do s\u00e9culo XX e que segue at\u00e9 hoje. Deste ent\u00e3o os argentinos vivem reclamando a devolu\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio usurpado. Gera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s gera\u00e7\u00f5es repetem uma simples verdade: as Malvinas s\u00e3o argentinas. Por isso, n\u00f3s, socialistas revolucion\u00e1rios, dizemos com todas as letras: a causa das Malvinas \u00e9 uma causa justa, na guerra de 1982 est\u00e1vamos incondicionalmente do lado argentino contra o imperialismo brit\u00e2nico e norte-americano. <\/p>\n<p>O porqu\u00ea da guerra<\/p>\n<p>No dia 2 de Abril de 1982 a ditadura militar mais genocida e pr\u00f3-imperialista que tem conhecido a hist\u00f3ria argentina havia ocupado as Malvinas. O presidente Galtieri e seus s\u00f3cios da Junta Militar lan\u00e7aram uma opera\u00e7\u00e3o militar buscando uma sa\u00edda que \u201cdesse ar\u201d a uma ditadura enrolada entre a crise econ\u00f4mica e a resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular crescente. Apenas dois dias antes, em 30 de Mar\u00e7o, uma imensa marcha convocada pela CGT havia sido ferozmente reprimida. A \u00faltima coisa que queriam os militares era haver uma guerra progressivamente anti-imperialista. Mas a politica aventureira da ditadura de \u201csalvar-se\u201d e canalizar o \u00f3dio para os ingleses levou a uma guerra contra a Gr\u00e3-Bretanha, que contou com o apoio dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>A ditadura errou em seus c\u00e1lculos. Imaginava-se que por tr\u00e1s da ocupa\u00e7\u00e3o das ilhas viria uma etapa de negocia\u00e7\u00f5es que terminaria com o apoio norte-americano. Chamaram as massas a movimentar-se para apoiar sua \u201caventura\u201d para ganhar popularidade. Mas tudo ficou de cabe\u00e7a para baixo. Os norte-americanos n\u00e3o podiam permitir que se violasse o status-quo imperialista e, naturalmente, apoiaram seus s\u00f3cios ingleses. No intento de manipular as massas, gerando movimentos de apoio \u00e0 ditadura, terminaram desencadeando uma fenomenal mobiliza\u00e7\u00e3o anti-imperialista. Assim, no dia 10 de Abril daquele ano, mais de 150 mil pessoas se concentraram na Pra\u00e7a de Maio com cartazes dizendo \u201cfora ingleses e norte-americanos das Malvinas\u201d. Os militares se encontraram ante uma situa\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda: entrar em uma guerra contra o imperialismo ou retirar-se sem uma luta, suicidando-se antes \u00e0s massas. Os acontecimentos terminaram levando \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>Se podia ganhar, mas a ditadura escolheu a derrota<\/p>\n<p>No dizer dos pr\u00f3prios especialistas militares ingleses se permitiu que uma frota inteira corresse todo o Oceano Atl\u00e2ntico sem ser perturbada (apesar de contar em negocia\u00e7\u00e3o com o apoio norte-americano), se recha\u00e7ou a ajuda que estavam oferecendo outros pa\u00edses da Am\u00e9rica-latina, n\u00e3o se tocou nos interesses econ\u00f4micos brit\u00e2nicos na Argentina e inclusive se seguiu pagando a divida externa inglesa. A isto tem que se somar que havia lideres militares (como o genocida Astiz) que se renderam sem disparar um \u00fanico tiro. Al\u00e9m destas condi\u00e7\u00f5es, sobraram atos de hero\u00edsmo de nossos soldados e inclusive de alguns setores da oficialidade (como os pilotos da For\u00e7a A\u00e9rea), que mais de uma vez amea\u00e7aram as for\u00e7as brit\u00e2nicas. <\/p>\n<p>Em terra firme a ditadura elogiou a derrota. Esta foi tamb\u00e9m a politica dos partidos patronais (PJ-UCR) e da Igreja Cat\u00f3lica, que \u201ccontribuiu\u201d com a vinda do Papa para passar a rendi\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, em 15 de Junho uma multid\u00e3o foi para a Pra\u00e7a de Maio para gritar \u201cas crian\u00e7as foram mortas, as cabe\u00e7as foram vendidas\u201d. Seria o come\u00e7o do fim da ditadura.<\/p>\n<p>Nosso partido de ent\u00e3o, o PST (Partido Socialista dos Trabalhadores) se encontrava ilegal e perseguido, com presos e mais de 100 desaparecidos. Mesmo na clandestinidade o PST denunciou o car\u00e1ter aventureiro da ocupa\u00e7\u00e3o militar de dois de Abril. Mas fomos claros desde o principio: ante um choque armado, estamos com a Argentina contra os ingleses. Mas isto ia al\u00e9m da ditadura, porque o que estava na ordem do dia n\u00e3o era a \u201cdemocracia ou o fascismo\u201d, e sim a justa causa de um pa\u00eds oprimido e atacado por uma pot\u00eancia do imperialismo. Alistamos-nos incondicionalmente no campo militar da Argentina, sem nenhuma confian\u00e7a nem apoio politica \u00e0 ditadura, enquanto segu\u00edamos denunciando seus crimes e propor\u00edamos uma politica para ganhar a guerra: ir a fundo contra os ingleses, aceitando a ajuda latino-americana e expropriando o imperialismo. Exigimos o levantamento das restri\u00e7\u00f5es dos partidos pol\u00edticos e interven\u00e7\u00f5es aos gr\u00eamios, liberara os presos pol\u00edticos e reclamamos aumento salarial, enfrent\u00e1vamos demiss\u00f5es, apostando sempre na mobiliza\u00e7\u00e3o. Chamamos a CGT que unificasse a \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o anti-imperialista\u201d, tudo ao contrario do que fizeram a ditadura, o PJ, a Igreja e a burocracia sindical. Hoje, trinta anos depois seguimos agitando: Fora o imperialismo da Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<p>O povo derrubou a ditadura genocida<\/p>\n<p>O PST, que havia estado durante seis anos em total clandestinidade, havia come\u00e7ado a participar de maneira cada vez mais aberta das mobiliza\u00e7\u00f5es iniciadas pela agress\u00e3o militar brit\u00e2nica, que teve seu \u00e1pice e sua maior express\u00e3o em 15 de Junho, quando uma multid\u00e3o repudiou a rendi\u00e7\u00e3o dos genocidas. \u00c9 poss\u00edvel perceber as mudan\u00e7as hist\u00f3ricas que haviam sido produzidas nas ruas: com a luta se recuperaram liberdades democr\u00e1ticas, se podia sair e gritar \u201cs\u00e3o todos assassinos os militares desse processo\u201d ou \u201cpared\u00e3o a todos os militares que venderam a na\u00e7\u00e3o\u201d, e, salvo algumas exce\u00e7\u00f5es, nada era reprimido. Por defini\u00e7\u00e3o o PST, os trabalhadores e o povo com sua mobiliza\u00e7\u00e3o pela recupera\u00e7\u00e3o das ilhas havia imposto uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica, abrindo uma situa\u00e7\u00e3o revolucionaria, encurralando a ditadura, e provocando imediatamente a crise do poder militar, num vazio politico que durou v\u00e1rios dias. <\/p>\n<p>Isto explica que em 16 de Junho, entre quatro paredes, era destitu\u00eddo Galtieri e se dissolvia a ent\u00e3o toda-poderosa Junta Militar. Seguiram-se duas semanas at\u00e9 que a burguesia, com apoio da burocracia sindical, conseguiu colocar um substituto. Para retomar o controle politico da situa\u00e7\u00e3o e encerrar a crise, entre os militares, os partidos patronais (agrupados de forma multipartid\u00e1ria) e a burocracia sindical, pactuaram que assumia a presid\u00eancia, em 1 de Julho o general Bignone. Da m\u00e3o do imperialismo norte-americano, proclamaram o fim da politica de encerramento (Estado de Exce\u00e7\u00e3o) e uma convocat\u00f3ria eleitoral, posando como os \u201ccampe\u00f5es da democracia\u201d. Todos queriam ocultar por completa que a ascens\u00e3o das massas havia derrotado abruptamente o regime genocida da ditadura militar, recuperando liberdades e logrando o triunfo de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Dizia Nahuel Moreno alguns meses depois: \u201ca mobiliza\u00e7\u00e3o das massas come\u00e7ou contra o imperialismo ingl\u00eas, estreitou la\u00e7os com os povos latino-americanos e, por \u00faltimo, ante a vergonhosa capitula\u00e7\u00e3o, terminou enfrentando Galtieri e a ditadura em geral, por traidores na condu\u00e7\u00e3o da guerra&#8230; Ao dissolver a Junta Militar o pa\u00eds correu fora das institui\u00e7\u00f5es de governo que o regiam. [&#8230;] Esta situa\u00e7\u00e3o de total colapso das institui\u00e7\u00f5es nacionais do governo burgu\u00eas de at\u00e9 ent\u00e3o \u2013 a Junta e o presidente nomeado por ela \u2013 e o eixo de que durantes dias e dias n\u00e3o apareceram outra institui\u00e7\u00e3o ou personalidade para preencher esse vazio, o que denominamos crise revolucion\u00e1ria&#8230; [&#8230;], precisamente porque houve uma crise revolucionaria que culminou na destrui\u00e7\u00e3o do antigo regime e sua substitui\u00e7\u00e3o por um novo, dizemos que o pa\u00eds ganhou uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&quot;Desmalviniza\u00e7\u00e3o&quot;: transporte atmosf\u00e9rico, ursos de pel\u00facia e padr\u00f5es duplos.<\/p>\n<p>A partir de 1982os pol\u00edticos peronistas e radicais se dedicam a refor\u00e7ar o novo regime politico que surgiu da derrota da ditadura para antes as massas. Eles cerraram filas com os genocidas para ocultar que tinha havido uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que varreu as for\u00e7as armadas e puseram em marcha um operativo de \u201carrependimento\u201d, para mediar boas rela\u00e7\u00f5es com os imperialistas norte-americanos e ingleses. Assim come\u00e7ou a \u201cdesmalviniza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O radical Raul Alfosin, que logo foi eleito presidente, come\u00e7ou um escarnio a guerra das Malvinas sem nenhum pudor. Pisoteando os sentimentos de dor pelos mortos da guerra, e mais meio s\u00e9culo de reclamos por soberania, declarou que essa luta havia sido um \u201ccarro atmosf\u00e9rico\u201d, ou seja, um caminh\u00e3o de m&#8230; (Caderno de ANSA, citado em Solidariedade Socialista, n. 12, 10\/2\u00b21983). Em seu governo se abandonou os ex-combatentes que come\u00e7aram a organizar-se pedindo pens\u00f5es, reinser\u00e7\u00e3o laboral, assist\u00eancia medica e outras pautas.<\/p>\n<p>O peronista Carlos Menem manteve a desmalviniza\u00e7\u00e3o. Seu chanceler Guido Di Tella colocou o pa\u00eds no rid\u00edculo enviando ursos de pel\u00facia Winnie-Pooh aos kelpers (nome ingl\u00eas dos malvinenses). O governo radical-frepasista da alian\u00e7a n\u00e3o inovou e foi varrido dois anos depois pelo argentina\u00e7o. <\/p>\n<p>Em 25 de Maio de 2003 assumiu o peronista Nestor Kirchner. Como em todos os temas, a respeito \u00e0s Malvinas instalou um conhecido duplo discurso. Sem muito esfor\u00e7o, se distanciou do \u201ccarro atmosf\u00e9rico\u201d do radical Alfosin, e enterrou os ursos de pel\u00facia de Di Tella (que havia criticado quando era governador da prov\u00edncia de Santa Cruz). Na chave \u201cnacional e popular\u201d do peronismo kirchnerista foi aplaudido em seu discurso inaugural, falando da \u201ccultura Malvinas\u201d, e prometendo manter a \u201creinvindica\u00e7\u00e3o da nossa soberania\u201d. Pouco tempo depois viajou para Londres para participar de uma reuni\u00e3o de \u201cgovernos progressistas\u201d, onde abra\u00e7ou o primeiro-ministro ingl\u00eas Tony Blair e praticamente n\u00e3o se mencionou o tema Malvinas. Em um de seus discursos de 2006 classificou o conflito de \u201cinsensato e sinistro\u201d. Primeiro Nestor e logo Cristina Kirchner tem mantido a desmalviniza\u00e7\u00e3o. Eles mantiveram o discurso da farsa da guerra de 1982, n\u00e3o afetaram nenhum interesse econ\u00f4mico ingl\u00eas, e tem sido incapaz de dar qualquer sa\u00edda para a afirma\u00e7\u00e3o dos que foram recrutados durante a guerra, mas estavam no continente. <\/p>\n<p>O exemplo do PST<\/p>\n<p>No desencadeamento da Guerra das Malvinas, em Abril de 1982, o PST solicitou a Juan Carlos Lopez Osornio, o \u201cPelado Matosas\u201d (preso durante mais de sete anos nos c\u00e1rceres da ditadura) e a \u201cPetiso\u201d Jos\u00e9 Francisco Paez (ex-dirigente da Sitrac-sitram, preso em 1976 e libertado em 1981) que se alistassem como volunt\u00e1rios para ir pro combate contra os ingleses. Ambos (hoje falecidos) haviam compartilhado cela, e, apesar de terem sa\u00eddo recentemente do c\u00e1rcere como presos pol\u00edticos, aceitaram o desafio e demonstraram na pr\u00e1tica como se apoia a luta do povo argentino contra o imperialismo, embora os mesmos genoc\u00eddas que os mantiveram presos durante anos estivesse na vanguarda da guerra. <\/p>\n<p>Neste processo tampouco faltou solidariedade internacional. Desde o PST peruano (partido integrante da corrente trotskista dirigida por Nahuel Moreno), seu dirigente, Enrique Fernandez Chacon, se apresentou no consulado argentino de Lima para inscrever-se como voluntario, declarando: \u201ctemos que estar ao lado da Argentina e seu campo militar agredido pelo colonialismo brit\u00e2nico e pelo retiro imediato da frota inglese dos mares latino-americanos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| Izquierda Socialista, tradu\u00e7\u00e3o Pedro Mara Foi uma guerra justa? 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