

	{"id":14328,"date":"2024-03-25T12:00:32","date_gmt":"2024-03-25T15:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14328"},"modified":"2024-03-25T12:00:32","modified_gmt":"2024-03-25T15:00:32","slug":"a-politica-de-frente-ampla-nas-eleicoes-municipais-levara-a-colaboracao-de-classes-as-ultimas-consequencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/03\/25\/a-politica-de-frente-ampla-nas-eleicoes-municipais-levara-a-colaboracao-de-classes-as-ultimas-consequencias\/","title":{"rendered":"\u201cA pol\u00edtica de frente ampla nas elei\u00e7\u00f5es municipais levar\u00e1 a colabora\u00e7\u00e3o de classes \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Entrevistamos Plinio de Arruda Sampaio Jr, economista e editor do Contrapoder sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a luta de classes e as elei\u00e7\u00f5es de 2024.<br \/>\nConfira:<\/p>\n<p><strong>Combate Socialista: Qual sua vis\u00e3o do primeiro ano de mandato da frente ampla de Lula\/Alckmin?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Plinio Jr:<\/strong> Tendo como refer\u00eancia o slogan &#8220;Uni\u00e3o e Reconstru\u00e7\u00e3o&#8221;, o primeiro ano do governo Lula ficou muito aqu\u00e9m do que seria necess\u00e1rio para cumprir seus objetivos. Sem reverter nenhuma das mudan\u00e7as estruturais promovidas pelos governos Temer e Bolsonaro, que aprofundaram qualitativamente o car\u00e1ter neoliberal do Estado brasileiro, a administra\u00e7\u00e3o Lula\/Alckmin apenas arrefeceu o ritmo e a intensidade dos golpes contra a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Na economia, o Novo Arcabou\u00e7o Fiscal de Fernando Haddad \u2013 uma exig\u00eancia do grande capital &#8211; inviabilizou irremediavelmente qualquer possibilidade de colocar o pobre no or\u00e7amento &#8211; uma das principais promessas de campanha. As novas regras, que limitam drasticamente a capacidade de gasto p\u00fablico do Estado, enquadram-se perfeitamente na filosofia de Estado m\u00ednimo do famigerado Teto de Gasto de Temer. A Reforma Tribut\u00e1ria, t\u00e3o comemorada pelas associa\u00e7\u00f5es empresariais pa\u00eds afora, n\u00e3o toca nos dois principais problemas do sistema tribut\u00e1rio brasileiro: a injusti\u00e7a fiscal e a baixa arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria em face \u00e0s necessidades financeiras das pol\u00edticas p\u00fablicas. O novo PAC \u00e9 um mero factoide. A arquitetura da administra\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica, organizada em torno do trip\u00e9 formado pelas metas de infla\u00e7\u00e3o, busca de super\u00e1vits fiscais e c\u00e2mbio flutuante, permaneceu inc\u00f3lume. Continua, como consequ\u00eancia, a sangria provocada pelas despesas financeiras com a gest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica \u2013 a grande respons\u00e1vel pela crise financeira do Estado.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica, onde se poderia esperar alguma ousadia, o governo Lula primou pela covardia. Para al\u00e9m do al\u00edvio que significa n\u00e3o ter um presidente que conspira dia e noite contra o Estado de direito, as continuidades s\u00e3o evidentes. N\u00e3o houve mudan\u00e7a no pacto de poder que condiciona as bases sociais e pol\u00edticas de Estado. O governo federal permanece ref\u00e9m do fisiologismo do Centr\u00e3o. Assim como Ciro Nogueira mandava no governo Bolsonaro, ningu\u00e9m duvida que Arthur Lira seja o homem forte do governo Lula. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tutela militar, o m\u00e1ximo que se conseguiu foi torn\u00e1-la mais discreta. Ainda que Lula tenha nomeado um civil para o Ministro da Defesa, Jos\u00e9 Mucio n\u00e3o passa de um menino de recado entre o presidente e as For\u00e7as Armadas. A impot\u00eancia do GSI e da ABIN nos epis\u00f3dios do 08 de janeiro e sua cumplicidade no caso do esc\u00e2ndalo da &#8220;ABIN Paralela&#8221; s\u00e3o exemplos gritantes de que o governo Lula n\u00e3o controla os aparelhos de informa\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>Mesmo em \u00e1reas onde se esperaria alguma mudan\u00e7a de rumo, a administra\u00e7\u00e3o Lula\/Alckmin revelou-se surpreendentemente reacion\u00e1ria. Para al\u00e9m da ret\u00f3rica &#8220;progressista&#8221; para ingl\u00eas ver, a relut\u00e2ncia em revogar a reforma trabalhista, a reforma da Previd\u00eancia de Bolsonaro e a reforma educacional ultraliberal corporificada no NEM \u2013 Novo Ensino M\u00e9dio \u2013 evidencia que o governo Lula aceita os ataques contra os trabalhadores como um fato consumado. Mesmo a capacidade da nova administra\u00e7\u00e3o de conter a ofensiva do capital sobre o trabalho e o meio ambiente \u00e9 bastante limitada, como ficou patente no &#8220;veto fake&#8221; ao Marco Temporal, que deixa as terras ind\u00edgenas expostas a novas grilagens, e nos planos de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas.<\/p>\n<p><strong>CS: Qual o impacto dessa linha de colabora\u00e7\u00e3o de classes nas lutas contra a extrema direita?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PJ:<\/strong> A crise pol\u00edtica-institucional est\u00e1 longe de ser resolvida. Na melhor das hip\u00f3teses, o governo Lula conseguiu obter uma prec\u00e1ria tr\u00e9gua na escalada autorit\u00e1ria. Sem atacar os condicionantes objetivos e subjetivos respons\u00e1veis pelo avan\u00e7o da ultradireita &#8211; a escalada da barb\u00e1rie capitalista e a aus\u00eancia de uma pol\u00edtica anticapitalista \u2013 \u00e9 imposs\u00edvel imaginar que se possa evitar suas consequ\u00eancias \u2013 a necessidade de um padr\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o burgu\u00eas cada vez mais autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao fomentar o imobilismo social e identificar o Estado de direito com o status quo, bloqueando qualquer possibilidade de uma solu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, impulsionada de baixo para cima, para a crise civilizat\u00f3ria que envenena a vida nacional, a pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classe deixa a avenida aberta para que a ultradireita se apresente como \u00fanica alternativa antissistemica. Para al\u00e9m dos problemas pol\u00edticos e legais da fam\u00edlia Bolsonaro, a ultradireita permanece em plena ofensiva ideol\u00f3gica e pol\u00edtica. Ela cresce impulsionada pela enorme frustra\u00e7\u00e3o gerada pela desilus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a completa incapacidade de os governos conservadores de colabora\u00e7\u00e3o de classes resolverem os problemas mais elementares da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>CS: Qual sua opini\u00e3o sobre a frente ampla nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PJ:<\/strong> A pol\u00edtica de frente ampla nas elei\u00e7\u00f5es municipais levar\u00e1 a colabora\u00e7\u00e3o de classes \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Todos os efeitos perversos dessa pol\u00edtica ser\u00e3o potencializados. O pleito municipal ser\u00e1 um vale tudo que intensificar\u00e1 o descr\u00e9dito da pol\u00edtica e dos pol\u00edticos. Estamos assistindo \u00e0 completa descaracteriza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da esquerda da ordem. A chapa Boulos-Marta em S\u00e3o Paulo \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico. Para a burguesia, a frente ampla \u00e9 uma garantia de que n\u00e3o haver\u00e1 questionamento \u00e0 agenda do capital. \u00c9 prov\u00e1vel que renda votos e cargos para o PT e para o PSOL, mas a m\u00e9dio e longo prazos, refor\u00e7ar\u00e1 a direita da ordem, a crise pol\u00edtica-institucional e, pior, a direita contra a ordem.<\/p>\n<p><strong>CS: O que avalia sobre a ideia de uma frente eleitoral envolvendo UP, PCB, PCB-RR, PSTU e outras organiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PJ:<\/strong> Sem fundos p\u00fablicos e sem acesso aos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, a esquerda contra a ordem encontra-se completamente neutralizada como for\u00e7a eleitoral. As regras do jogo eleitoral tendem a agravar essa situa\u00e7\u00e3o. Nessas condi\u00e7\u00f5es, a participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es torna-se um mero ritual sem nenhuma possibilidade de incidir nos rumos da luta de classes.<\/p>\n<p>Para sair da estaca zero, a esquerda revolucion\u00e1ria precisa construir for\u00e7a m\u00ednima. Da\u00ed, a necessidade da unidade de suas diferentes organiza\u00e7\u00f5es em todas as dimens\u00f5es da luta social e pol\u00edtica. Fragmentada e dispersa, a esquerda socialista desperdi\u00e7ar\u00e1 a oportunidade de discutir com a popula\u00e7\u00e3o os problemas dos trabalhadores e suas poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso pautar o debate sobre a crise estrutural do capitalismo e a urg\u00eancia de mudan\u00e7as estruturais em todas as dimens\u00f5es da sociedade.<\/p>\n<p>Mais do que uma montar uma frente eleitoral para participar de um jogo de cartas marcadas, talvez seja o caso de apresentar anticandidaturas, por fora da institucionalidade falida de um arremedo de Rep\u00fablica Nova, constru\u00eddo de maneira esp\u00faria sobre os escombros da Nova Rep\u00fablica. Sem denunciar a total impossibilidade de resolver as mazelas do povo por dentro do neoliberalismo desenfreado e sem apresentar alternativas concretas, que respondam \u00e0s necessidades imediatas dos trabalhadores, tendo como norte a busca da igualdade substantiva, \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel n\u00e3o ser tragado pelo p\u00e2ntano da pol\u00edtica convencional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevistamos Plinio de Arruda Sampaio Jr, economista e editor do Contrapoder sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a luta de classes e as elei\u00e7\u00f5es de 2024. Confira: Combate Socialista: Qual sua vis\u00e3o do primeiro ano de mandato da frente ampla de Lula\/Alckmin? 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