

	{"id":14351,"date":"2024-03-27T12:16:42","date_gmt":"2024-03-27T15:16:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14351"},"modified":"2024-03-27T12:16:42","modified_gmt":"2024-03-27T15:16:42","slug":"argentina-marchas-multitudinarias-marcam-os-48-anos-do-golpe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/03\/27\/argentina-marchas-multitudinarias-marcam-os-48-anos-do-golpe\/","title":{"rendered":"Argentina: marchas multitudin\u00e1rias marcam os 48 anos do golpe"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Juan Carlos Giordano \u2013 deputado nacional eleito pela Izquierda Socialista\/ FIT-Unidad<\/strong><\/p>\n<p>25\/04\/2024 <\/p>\n<p><strong>Um duro rev\u00e9s para Milei-Villarruel!<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 dava para perceber antecipadamente que o 24M, 48 anos ap\u00f3s o golpe genocida, seria massivo. E como foi! Foi multitudin\u00e1rio, de massas. A Plaza de Mayo ficou lotada. As ruas adjacentes pareciam rios por onde desembocavam continuamente milhares de manifestantes na pra\u00e7a. A mar\u00e9 n\u00e3o parou de subir do meio-dia at\u00e9 o final da tarde. Foram pessoas de todas as idades, fam\u00edlias inteiras com filhas e filhos, grupos de amigos, colunas sindicais, mulheres com len\u00e7os verdes da mar\u00e9 do 8M e, especialmente, milhares de pessoas que participaram \u201cpor conta pr\u00f3pria\u201d pela primeira vez, ou seja, que atenderam espontaneamente \u00e0 convocat\u00f3ria da manifesta\u00e7\u00e3o. Elas entraram e sa\u00edram v\u00e1rias vezes da pra\u00e7a, mostrando que n\u00e3o se esqueceram, n\u00e3o perdoaram e nem se reconciliaram. Foram 30 mil mortos e desaparecidos pela ditadura e a luta contra a impunidade de ontem e de hoje vai continuar, agora contra o repugnante negacionismo do governo de extrema direita de Milei. As marchas aconteceram em todo o pa\u00eds, ocupando v\u00e1rias ruas na maior parte das prov\u00edncias, com uma participa\u00e7\u00e3o estimada em 500 mil pessoas na CABA [Cidade Aut\u00f4noma de Buenos Aires], mais v\u00e1rias dezenas de milhares em todo o territ\u00f3rio nacional, mesmo em cidades pequenas e at\u00e9 povoados do interior.<\/p>\n<p><strong>Primeira conclus\u00e3o:<\/strong> o multitudin\u00e1rio 24M foi outro duro rev\u00e9s para o governo negacionista, repressivo e de arrocho de Milei-Villarruel e da gendarme Patricia Bullrich. No dia 24 foi derrotado o \u201cprotocolo anti-piquetes\u201d, que pro\u00edbe a mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas! Foi dado um tremendo passo adiante!<\/p>\n<p>Dias antes, houve um ataque mafioso \u00e0 vida de uma militante da H.I.J.O.S. [Filhos e Filhas pela Identidade e Justi\u00e7a contra o Esquecimento e o Sil\u00eancio] e amea\u00e7as a Teresa Laborde, filha de Adriana Calvo, que testemunhou no Juicio a las Juntas [Julgamento das Juntas]. E, de forma provocativa, o governo divulgou um v\u00eddeo no dia 24 negando os 30 mil mortos e desaparecidos, dizendo que n\u00e3o houve genoc\u00eddio (novamente levantando a \u201cteoria dos dois dem\u00f4nios\u201d) e defendendo a suposta \u201cmem\u00f3ria completa\u201d. Em tal v\u00eddeo fala, por exemplo, o obscuro personagem \u201cTata\u201d Yofre, ex-chefe da m\u00e1fia da antiga SIDE durante o menemismo, que se dedicou a escrever livros com a vers\u00e3o dos genocidas. Por sua vez, a vice Villaruel lan\u00e7ou a hashtag #NoFueron30.000. Isso gerou mais rep\u00fadio, fazendo com que milhares de pessoas sa\u00edssem \u00e0s ruas.<\/p>\n<p>Negar o genoc\u00eddio quando h\u00e1 provas e condena\u00e7\u00f5es contundentes sobre os desaparecidos, os voos da morte (o avi\u00e3o \u00e9 exibido nas visitas guiadas na Ex ESMA), o roubo de beb\u00eas, a tortura e tantas viola\u00e7\u00f5es \u00e9 um absurdo com o intuito de proteger os militares genocidas e seus c\u00famplices civis. E com o objetivo de continuar com \u201cA mis\u00e9ria planificada\u201d da ditadura, denunciada por Rodolfo Walsh, crime que continua sendo cometido agora com Milei. \u201cN\u00e3o foi guerra, foi genoc\u00eddio\u201d, entoou o povo nas pra\u00e7as.<\/p>\n<p>A grande demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a nas ruas prova a clara predisposi\u00e7\u00e3o do povo trabalhador e das novas gera\u00e7\u00f5es para enfrentar o governo. Demonstra que eles n\u00e3o v\u00e3o permitir impunemente a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e o ataque \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas m\u00ednimas por parte da extrema-direita.<\/p>\n<p>O 24M foi um novo cap\u00edtulo do enfrentamento oper\u00e1rio e popular contra o plano motosserra do governo, que come\u00e7ou em 20 de dezembro, com a marcha do sindicalismo combativo e da esquerda at\u00e9 a Plaza de Mayo, no anivers\u00e1rio do Argentinazo, e com o enorme panela\u00e7o de noite diante do an\u00fancio do DNU. Depois aconteceu a primeira greve geral, imposta \u00e0 CGT, 45 dias ap\u00f3s o in\u00edcio do governo. Ent\u00e3o a \u201cLei \u00f4nibus\u201d foi derrubada e ocorreram os extraordin\u00e1rios e massivos protestos no 8M do movimento de mulheres e das dissid\u00eancias. E agora o multitudin\u00e1rio 24M, em meio a greves e protestos de muitos sindicatos, dos professores, dos metal\u00fargicos, na universidade, dos ferrovi\u00e1rios de Sarmiento, da T\u00e9lam etc.<\/p>\n<p>\u00c9 mentira que \u201ch\u00e1 um povo adormecido\u201d, como dizem alguns jornalistas e l\u00edderes peronistas. Tudo prova o contr\u00e1rio. \u00c9 por isso que a pol\u00edtica de deixar o governo se desgastar por si pr\u00f3prio, defendida pelo peronismo, \u00e9 um erro. \u00c9 necess\u00e1rio derrotar o plano motosserra, confrontando-o consequentemente com a luta e a mobiliza\u00e7\u00e3o, com uma nova greve geral e um plano nacional de luta, como estamos exigindo da CGT. Tal central sindical se somou, pela primeira vez, a uma marcha nessa data hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Destacamos tamb\u00e9m que o dia 24 poderia ter sido ainda mais contundente. Infelizmente, ocorreram duas marchas, por responsabilidade do peronismo e de suas organiza\u00e7\u00f5es afins, que se recusaram a aceitar a proposta de unifica\u00e7\u00e3o feita pelo Encontro Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a (EMVyJ), formado por centenas de organiza\u00e7\u00f5es e pela esquerda revolucion\u00e1ria. Uma recusa em enfrentar de forma unit\u00e1ria a extrema direita. E, ao lerem seu manifesto no ato, os peronistas continuaram a afirmar que os avan\u00e7os na luta contra a impunidade foram viabilizados por N\u00e9stor e Cristina, auto-proclamados como defensores dos Direitos Humanos. Por\u00e9m, nos doze anos do governo peronista kirchnerista, Julio L\u00f3pez desapareceu; o repressor Milani foi nomeado como Chefe do Ex\u00e9rcito; os arquivos da ditadura nunca foram abertos; e a d\u00edvida externa da ditadura continuou a ser paga. E, se as leis da Obediencia Debida [Obedi\u00eancia Devida] e do Punto Final [Ponto Final] foram anuladas em 2003, n\u00e3o foi por causa desses governos, mas por conta da luta sustentada ao longo de vinte anos por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. S\u00e3o reflex\u00f5es que achamos que os\/as lutadores\/as devem continuar a fazer.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da Izquierda Socialista\/ FIT Unidade, como parte da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI), estivemos mobilizados junto com o EMVyJ. Nossas principais figuras p\u00fablicas estiveram no palco em que foi lido o manifesto do ato, agitando a bandeira palestina. Ao final, realizamos um evento com a nossa milit\u00e2ncia, em que lembramos dos m\u00e1rtires do nosso partido antecessor, o Partido Socialista de los Trabajadores (PST) [Partido Socialista dos Trabalhadores], liderado por Nahuel Moreno. Tal partido foi v\u00edtima dos primeiros assassinatos da Triple A [Alian\u00e7a Anticomunista Argentina] durante o governo peronista dos anos 70 e teve mais de 100 companheiros\/as detidos-desaparecidos na ditadura. Gritamos \u201cPresente, agora e sempre!\u201d, jurando dar continuidade \u00e0 luta pela qual eles deram suas vidas, por um governo da classe trabalhadora e por uma Argentina e um mundo socialistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juan Carlos Giordano \u2013 deputado nacional eleito pela Izquierda Socialista\/ FIT-Unidad 25\/04\/2024 Um duro rev\u00e9s para Milei-Villarruel! J\u00e1 dava para perceber antecipadamente que o 24M, 48 anos ap\u00f3s o golpe genocida, seria massivo. E como foi! Foi multitudin\u00e1rio, de massas. 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