

	{"id":1439,"date":"2016-07-28T14:10:45","date_gmt":"2016-07-28T14:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=1439"},"modified":"2016-07-28T14:27:54","modified_gmt":"2016-07-28T14:27:54","slug":"polemica-no-psol-aliancas-e-financiamento-privado-foram-decisivos-na-degeneracao-do-pt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2016\/07\/28\/polemica-no-psol-aliancas-e-financiamento-privado-foram-decisivos-na-degeneracao-do-pt\/","title":{"rendered":"POL\u00caMICA NO PSOL: Alian\u00e7as e financiamento privado foram decisivos na degenera\u00e7\u00e3o do PT"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\">Por Diego Vitello, Coordena\u00e7\u00e3o da CST-PSOL<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;sob a apar\u00eancia de novos caminhos s\u00f3 se prop\u00f5e ao proletariado velhas receitas enterradas h\u00e1 muito tempo nos arquivos do socialismo anterior a Marx.&#8221; Leon, TROTSKY. O Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os companheiros do MAIS (Movimento Alternativo Independente Socialista) Matheus Gomes e Rodrigo Cl\u00e1udio e fizeram uma boa contribui\u00e7\u00e3o ao debate sobre as alian\u00e7as no PSOL atrav\u00e9s do texto \u201c<strong>Luciana Genro em primeiro lugar nas pesquisas e as tarefas da esquerda socialista<\/strong>\u201d. Preocupados com n\u00e3o repetir a trag\u00e9dia do PT, os companheiros fazem uma serie de pondera\u00e7\u00f5es que reivindicamos como corretas. Bernardo Corr\u00eaa, dirigente do MES, respondeu defendendo as alian\u00e7as que sua corrente tenta articular em Porto Alegre, com a Rede e o PPL. Poucos dias ap\u00f3s Bernardo publicar seu texto, a REDE anunciou apoio ao PMDB da cidade, mostrando como estavam equivocados os companheiros do MES.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Como marco nacional ao debate \u00e9 importante verificar que a Executiva Nacional do PSOL deliberou um arco de alian\u00e7as nacional envolvendo \u201c<em>PV, PCdoB, PDT, PSB, PT, REDE e outros<\/em>\u201d acrescentando que ser\u00e3o \u201c<em>analisados caso a caso, avaliando os crit\u00e9rios j\u00e1 definidos por nossos Congressos<\/em>\u201d (<strong>Diretrizes para pol\u00edtica de alian\u00e7as nas elei\u00e7\u00f5es 2016<\/strong>). Com base nessa resolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo constru\u00eddas alian\u00e7as com o PT no Rio Branco (AC), com o PCdoB em Friburgo (RJ) e outras mais com in\u00fameras siglas da ordem. No caso dos companheiros do MES temos al\u00e9m de Porto Alegre, o caso da coliga\u00e7\u00e3o com o PCdoB em Santar\u00e9m (PA) e Cachoeirinha (RS). Contra essa pol\u00edtica estamos batalhando e escrevemos este texto neste sentido. Mesmo a alian\u00e7a com a REDE n\u00e3o tendo se concretizado em Porto Alegre consideramos importante debater os principais argumentos do MES, j\u00e1 que eles tentam fundamentar essa pol\u00edtica com argumentos que supostamente seriam baseados em Lenin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Algumas conclus\u00f5es sobre a degenera\u00e7\u00e3o do PT<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Temos acordo em que o PT degenerou, n\u00e3o \u00e9 mais um instrumento de mudan\u00e7a, mas um partido da ordem que serve aos interesses capitalistas. Por\u00e9m, temos importantes desacordos sobre o processo que levou a isso. O texto do dirigente do MES afirma: &#8220;<em>Afinal, qual foi o conte\u00fado real da trai\u00e7\u00e3o do PT? Ser\u00e1 que foi ter feito in\u00fameras alian\u00e7as com partidos de classe m\u00e9dia como PSB, PDT ou com o PV? Ser\u00e1 que foi ter aceitado financiamento privado em sua campanha, quando isso n\u00e3o significava compromissos de classe? Em nossa opini\u00e3o, ap\u00f3s o balan\u00e7o da derrota de 1989, a dire\u00e7\u00e3o nacional do PT come\u00e7ou a operar uma mudan\u00e7a na natureza de classe das tarefas, da dire\u00e7\u00e3o e do programa do partido. Passou a considerar a administra\u00e7\u00e3o do Estado sua principal tarefa hist\u00f3rica e jogando a ilus\u00e3o reacion\u00e1ria a todo o povo de que era poss\u00edvel concertar interesses antag\u00f4nicos como se fosse um governo \u2018de todos\u2019<\/em>&#8220;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ou seja, a conclus\u00e3o \u00e9, como n\u00e3o temos a mesma concep\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o petista, podemos nos aliar com diversos partidos e pegar financiamento privado de campanha, pois estamos &#8220;vacinados&#8221;! Por\u00e9m, como marxistas, sabemos que a hist\u00f3ria e os fen\u00f4menos se d\u00e3o por processos materiais, que impactam nas ideias e concep\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o contr\u00e1rio. O PT n\u00e3o degenerou\u00a0por uma \u201cconcep\u00e7\u00e3o errada\u201d, como coloca Correa. Sua degenera\u00e7\u00e3o foi pavimentada por bases materiais concretas ao longo dos anos, o que foi determinante. Da\u00ed sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa expressa em governos estaduais e municipais de concilia\u00e7\u00e3o de classes e em sua busca permanente por uma alian\u00e7a com a burguesia, ou com a sua &#8220;sombra&#8221;. O financiamento de suas campanhas por empresas tamb\u00e9m colaborou para pavimentar esse caminho. Os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo a c\u00fapula do PT desnudaram um processo que teve suas bases materiais fincadas na realidade muito antes do mensal\u00e3o e da lava-jato, no qual n\u00e3o temos d\u00favidas que alian\u00e7as e financiamento privado de campanha tiveram um papel fundamental. Com certeza n\u00e3o devem ter faltado boas inten\u00e7\u00f5es e autoconfian\u00e7a a alguns dirigentes petistas, por\u00e9m, a realidade foi mais complexa do que previram. E como Marx nos ensinou \u00e9 \u201ca exist\u00eancia que determina a consci\u00eancia\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Esse n\u00e3o \u00e9 um debate novo no PSOL<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O MES, por sua vez, j\u00e1 fez alian\u00e7as com PV em 2008; retirou a candidatura ao senado para apoiar o PT em 2010; em 2014 votou junto com a US na conven\u00e7\u00e3o do PSOL as alian\u00e7as com PT e PSB em Macap\u00e1 e PMN em Pernambuco. Ent\u00e3o, n\u00e3o estamos frente a um debate novo. Tamb\u00e9m no quesito financiamento, o MES em 2008 aceitou R$ 100 mil da Gerdau e outros R$ 60 mil de empresas como a fabricante de armas Taurus, para depois defender candidamente Luciana que o fizeram, pois, a Gerdau n\u00e3o \u201cera uma multinacional\u201d. Em 2010 voltaram a receber R$ 150 mil da Zaffari para a campanha ao governo do Estado. E at\u00e9 mesmo em 2014 esse tipo de financiamento foi utilizado. Ou seja, nosso debate com os companheiros sobre o tema n\u00e3o vem de hoje. Trata-se de uma organiza\u00e7\u00e3o que possui uma linha coerente, ao longo dos \u00faltimos 8 anos, realizando alian\u00e7as com partidos da ordem e financiamento patronal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Um exemplo dos companheiros do MES<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A esquerda que cede ao eleitoralismo, primeiro procura alian\u00e7as, para depois tentar justific\u00e1-las. A flexibilidade de Lenin, da qual falaremos depois, \u00e9 comumente utilizada e distorcida. O exemplo da mudan\u00e7a do MES em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s alian\u00e7as \u00e9 importante ser utilizado. Em 2003, o companheiro Roberto Robaina, dirigente do MES, em seu livro &#8220;<strong><em>Uma vis\u00e3o pela esquerda<\/em><\/strong>&#8221; onde analisa a degenera\u00e7\u00e3o do PT no marco de defender que se deveu a sua \u201cconcep\u00e7\u00e3o equivocada do Estado\u201d desliza uma frase com a qual temos acordo: &#8220;<em>No come\u00e7o, o PT ga\u00facho optou por governar com o PDT, um partido com la\u00e7os hist\u00f3ricos com o nacionalismo-burgu\u00eas, mas que no decorrer dos anos vinculou-se crescentemente com a lumpen-burguesia e o latif\u00fandio. Tal alian\u00e7a concretizou um governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes<\/em>&#8220;. Estamos falando da alian\u00e7a PT-PDT em 1998 para o governo do RS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sem nenhuma seriedade ou balan\u00e7o, o MES muda sua concep\u00e7\u00e3o do PDT. Isso obedece a uma press\u00e3o material (a possibilidade de ganhar uma prefeitura) influindo na mudan\u00e7a de ideias e concep\u00e7\u00f5es, mesmo naqueles se creem \u201cvacinados\u201d frente a esses perigos. A defini\u00e7\u00e3o anterior do MES era globalmente correta, ainda que limitada pois o PDT j\u00e1 era um partido diretamente burgu\u00eas. Mesmo assim, caso esse mesmo crit\u00e9rio de classe aplicado ao PDT fosse aplicada hoje as siglas do arco de alian\u00e7as do PSOL, o pr\u00f3prio MES n\u00e3o poderia realizar alian\u00e7a com a REDE e o PPL.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Aprender com a hist\u00f3ria e o presente<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O texto esquece algo fundamental no desenvolvimento hist\u00f3rico: a burguesia teve e tem uma pol\u00edtica de cooptar as organiza\u00e7\u00f5es da esquerda ou oper\u00e1rias para que n\u00e3o representem um perigo a sua domina\u00e7\u00e3o, utilizando a press\u00e3o eleitoral como um dos principais instrumentos. E, se analisarmos o \u00faltimo s\u00e9culo, a ampla maioria das organiza\u00e7\u00f5es vindas do movimento oper\u00e1rio passaram a ser agentes diretos ou indiretos do capital. Minimizar isso, negar a hist\u00f3ria, \u00e9 apenas mais um elemento do empirismo do texto do companheiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Mas n\u00e3o falamos somente do PT e de um s\u00e9culo de capitula\u00e7\u00f5es imensas. N\u00e3o precisamos ir t\u00e3o longe. A primeira prefeitura do PSOL em uma capital foi cooptada pelo regime burgu\u00eas. Cl\u00e9cio, ainda no PSOL, foi parte da aplica\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal, reprimiu uma greve de servidores e acabou saindo do PSOL e migrando para a REDE. Os argumentos que os companheiros do MES utilizam hoje, de &#8220;manobrar&#8221; com a burguesia, de que n\u00e3o podemos nos &#8220;fechar&#8221; e de que temos que batalhar por &#8220;deslocamentos municipais&#8221;, eram utilizados por Cl\u00e9cio e Randolfe. Como vimos, suas &#8220;manobras&#8221; n\u00e3o acabaram bem para o PSOL e para os trabalhadores de Macap\u00e1. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, apesar de estar debatendo alian\u00e7as eleitorais, o texto de B.Correa n\u00e3o fala sobre a atual dire\u00e7\u00e3o do PSOL, nem tira conclus\u00f5es sobre a desastrosa experi\u00eancia do PSOL em Macap\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Sobre a alian\u00e7a com a Rede e o PPL<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A Rede de Marina Silva \u00e9 um partido burgu\u00eas e um governo em comum com ela ser\u00e1 um governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Financiada pelo banco Ita\u00fa e defensora do ajuste fiscal que sofremos desde as elei\u00e7\u00f5es de 2014, Marina ser\u00e1 uma das alternativas da burguesia para 2018. Embelezar Marina e seu partido como algo &#8220;\u00e9tico&#8221; e &#8220;democr\u00e1tico&#8221; \u00e9\u00a0completamente equivocado. Vemos que o papel da esquerda\u00a0\u00e9 desmascar\u00e1-los denunciando os interesses que defendem. N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que a REDE terminou apoiando o PMDB de Cunha, Renan e Michel Temer\u00a0para as elei\u00e7\u00f5es de Porto Alegre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, frente \u00e0 enorme crise do regime pol\u00edtico, frente ao \u00f3dio que o movimento de massas tem do atual congresso, \u00e9 bom para o PSOL se aliar a partidos fisiol\u00f3gicos como o PPL, que pode estar com o PSOL ou com o DEM, pois se move em torno de conveni\u00eancias de aparato? \u00c9 positivo em meio \u00e0 enorme rebeli\u00e3o do movimento secundarista em n\u00edvel nacional, se aliar a partidos que comandam entidades estudantis como uma verdadeira m\u00e1fia n\u00e3o permitindo nada de democracia pela base? Achamos que \u00e9 ruim,\u00a0pois n\u00e3o ajuda as lutas\u00a0e n\u00e3o acelera a ruptura de massas com esse regime apodrecido.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Sobre Lenin, pactos, acordos e frentes<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Como ocorreu em outras ocasi\u00f5es, os dirigentes do MES utilizam cita\u00e7\u00f5es de Lenin para tentar justificar sua pol\u00edtica. Em particular trechos de obras cr\u00edticas aos ultra-esquerdistas. Estamos plenamente de acordo em recha\u00e7ar qualquer linha auto-proclamat\u00f3ria, sect\u00e1ria e \u201cultra\u201d, pois in\u00fameras organiza\u00e7\u00f5es caem nesse desvio n\u00e3o realizando frentes, acordos ou pactos. Mas achamos importante enfatizar que Lenin tamb\u00e9m lutava contra o desvio oposto, as frentes e alian\u00e7as pol\u00edticas com a burguesia que levam a ruptura da independ\u00eancia de classe.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O companheiro Bernardo justifica a coliga\u00e7\u00e3o com a REDE pela participa\u00e7\u00e3o nos debates de TV ao afirmar \u201co grave \u00e9 que sem alian\u00e7a, podemos estar fora dos debates, objetivamente\u201d. Ou seja, se trataria de uma t\u00e1tica para enfrentar a lei da morda\u00e7a de Eduardo Cunha sancionada por Dilma. Lei diretamente contra o PSOL e a esquerda (PSTU, PCB, o PCR etc). \u00c9 fato que contra essa Lei antidemocr\u00e1tica devemos seguir o conselho de Lenin e realizar acordos e manobras para derrot\u00e1-la. Cabe, portanto, unidade de a\u00e7\u00e3o com todos os que queiram lutar. O PSOL poderia ter feito uma campanha real contra essa lei, com todas organiza\u00e7\u00f5es adversarias ou as inimigas, caso algumas sigla burguesa estivesse disposta a lutar. Foram corretas as conversas de Luciana com FHC, Lula e Dilma contra essa lei, mesmo tendo sido um movimento apenas superestrutural. Foi correta a campanha na executiva do PSOL, ainda que limitada as redes sociais. Mas \u00e9 evidente que faltou uma campanha\u00a0mais ampla\u00a0e efetiva, de mobiliza\u00e7\u00e3o, contra esse absurdo. Ou seja, no terreno da luta contra a lei era necess\u00e1rio utilizar qualquer divis\u00e3o dentre os partidos advers\u00e1rios e os partidos inimigos de classe, pois isto faria avan\u00e7ar o espa\u00e7o democr\u00e1tico da esquerda e ajudaria a luta dos trabalhadores e do povo. A\u00ed sim, na luta, era e ainda \u00e9 preciso toda e qualquer acordo de combate e unidade de a\u00e7\u00e3o. Obviamente que temos que fazer uma forte campanha para que o PSOL esteja nos debates, por meio de abaixo-assinado, mo\u00e7\u00f5es nos movimentos sociais, fortes com\u00edcios. Um exemplo positivo \u00e9 apostar como afirmaram Freixo e Erundina na convoca\u00e7\u00e3o de debates abertos em frente \u00e0s emissoras de TV caso excluam o PSOL, um tremendo fato pol\u00edtico que dificilmente a m\u00eddia burguesa suportaria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por\u00e9m, nesse caso particular, a maioria das correntes do PSOL optou por um outro caminho. Se jogaram a superar a Lei buscando frentes eleitorais com partidos da ordem, fisiol\u00f3gicos e burgueses. Um retrocesso na independ\u00eancia de classe. A\u00ed j\u00e1 n\u00e3o estamos mais no plano de uma t\u00e1tica qualquer, mas sim no da estrat\u00e9gia e dos princ\u00edpios, pois uma frente com organiza\u00e7\u00f5es capitalistas, partidos da ordem estabelecida, \u00e9 na verdade uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes integralmente adaptada aos mecanismos da democracia burguesa e de seu estado capitalista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Lenin \u00e9 categ\u00f3rico, mesmo nas obras citados por Bernardo. No segundo texto do livro \u201c<strong>Esquerdismo<\/strong>\u201d, Lenin explica a infinidade de compromissos v\u00e1lidos: \u201c<em>Os social-democratas revolucion\u00e1rios da R\u00fassia aproveitaram repetidas vezes antes da queda do tzarismo os servi\u00e7os dos liberais burgueses, isto \u00e9, conclu\u00edram com eles in\u00fameros compromissos pr\u00e1ticos&#8230; sem deixar de sustentar, simultaneamente, a luta ideol\u00f3gica e pol\u00edtica mais implac\u00e1vel contra o liberalismo burgu\u00eas.<\/em>\u201d Em seguida cita apoios pol\u00edticos a partidos burgueses em fun\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es do julgo da ditadura czarista: \u201c<em>Os bolcheviques sempre praticaram essa mesma pol\u00edtica. Desde 1905 defenderam sistematicamente a alian\u00e7a da classe oper\u00e1ria com os camponeses contra a burguesia liberal e o tzarismo sem negar-se nunca, ao mesmo tempo, a apoiar a burguesia contra o tzarismo (na segunda fase das elei\u00e7\u00f5es ou nos empates eleitorais, por exemplo) e sem interromper a luta ideol\u00f3gica e pol\u00edtica mais intransigente contra o partido campon\u00eas revolucion\u00e1rio-burgu\u00eas, os &#8220;social-revolucion\u00e1rios&#8221;, que eram denunciados como democratas pequeno-burgueses que falsamente se apresentavam como socialistas<\/em>\u201d. E fala de frentes eleitorais e acordos com outras organiza\u00e7\u00f5es: \u201c<em>Em 1917, os bolcheviques constitu\u00edram, por pouco tempo, um bloco pol\u00edtico formal com os &#8220;social-revolucion\u00e1rios&#8221; para as elei\u00e7\u00f5es da Duma.\u00a0 Com os mencheviques, estivemos formalmente durante v\u00e1rios anos, de 1903 a 1912, num partido social-democrata \u00fanico, sem interromper nunca a luta ideol\u00f3gica e pol\u00edtica contra eles como portadores da influ\u00eancia burguesa no seio do proletariado e como oportunistas<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Lenin sempre fala de acordo \u201cpr\u00e1ticos\u201d com partidos burgueses, o que seria uma unidade de a\u00e7\u00e3o e provavelmente muitas manobras para fugir da repress\u00e3o. Fala de apoio a burguesia liberal em determinadas circunst\u00e2ncias bem estritas, \u201cna segunda fase das elei\u00e7\u00f5es ou nos empates eleitorais\u201d, condicionados a derrota do czarismo, o que n\u00e3o \u00e9 o caso visto que n\u00e3o vivemos uma ditadura no Brasil. Para as elei\u00e7\u00f5es sobram frentes com organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, mesmo reformistas. E Lenin enfatiza que sempre combateram encarni\u00e7adamente as concep\u00e7\u00f5es de seus aliados circunstanciais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O companheiro Bernardo faz um tremendo esfor\u00e7o para tentar encaixar a linha do MES dentro da tradi\u00e7\u00e3o de Lenin, mas mesmo assim n\u00e3o obt\u00eam sucesso. O dirigente do MES diz que \u201c<em>O caso concreto \u00e9 uma disputa eleitoral, na qual se busca a partir de um programa e uma conflu\u00eancia de setores plebeus e pequeno-burgueses dar um sinal positivo \u00e0 esquerda, de que \u00e9 poss\u00edvel experimentar uma fatia de poder local, como trincheira de esperan\u00e7a, mobiliza\u00e7\u00e3o (&#8230;) \u00c9 o caso concreto da Rede, um partido que n\u00e3o se define como classista, que tem vasos comunicantes com a burguesia, que vacila, como a classe m\u00e9dia que ele representa, est\u00e1 entre as vozes da conserva\u00e7\u00e3o e vozes que querem mudan\u00e7a<\/em>\u201d. Definitivamente \u00e9 imposs\u00edvel qualificar a REDE nos termos do MES. A REDE \u00e9 um partido capitalista, financiado por um dos maiores bancos do pa\u00eds. Banco que hoje sustenta o governo Temer e sua pol\u00edtica econ\u00f4mica. E de forma alguma se pode encontrar em Lenin alguma cita\u00e7\u00e3o que justifique essa frente eleitoral.\u00a0 E diferente de Lenin, o texto em quest\u00e3o embeleza a REDE e lhe d\u00e1 um car\u00e1ter \u201cprogressista\u201d que ela n\u00e3o tem, n\u00e3o por acaso fechou com o PMDB na capital ga\u00facha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O texto de Bernardo usa e abusa de cita\u00e7\u00f5es de Lenin e respondemos a isso com um importante alerta de que a p\u00e9ssima utiliza\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00f5es descontextualizadas do livro citado de Lenin n\u00e3o vem de hoje. Nos parece genial esta considera\u00e7\u00e3o de Trotsky sobre o tema: \u201c<em>Lenin, quando condenava o \u201cesquerdismo\u201d formal \u2013 o radicalismo dos gestos e os discursos vazios &#8211; defendia n\u00e3o menos apaixonadamente a verdadeira intransig\u00eancia revolucion\u00e1ria da pol\u00edtica de classe. Ao faz\u00ea-lo n\u00e3o se assegurou[&#8230;] contra o abuso que os oportunistas de toda cor \u2013 que, desde que se publicou esse livro h\u00e1 mais de doze anos, o citaram centenas e milhares de vezes para defender a concilia\u00e7\u00e3o sem princ\u00edpios<\/em>.\u201d (Trotsky, Leon. Pr\u00f3logo \u00e0 edi\u00e7\u00e3o polaca de Esquerdismo) Ou seja, mesmo doze anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do \u201cEsquerdismo\u201d, j\u00e1 haviam o utilizado de todas as formas para \u201cdefender a concilia\u00e7\u00e3o sem princ\u00edpios\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Obviamente que os pactos, acordos, com classes inimigas, s\u00e3o em ocasi\u00f5es necess\u00e1rios em determinadas situa\u00e7\u00f5es na luta de classes. Por\u00e9m, justificar alian\u00e7as eleitorais em cima do debate gen\u00e9rico se \u00e9 poss\u00edvel ou n\u00e3o fazermos pactos, \u00e9 um m\u00e9todo equivocado que deve ser combatido. Pois o que temos que debater, e se esses acordos, servem ou n\u00e3o a nossa estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria, servem ou n\u00e3o servem a constru\u00e7\u00e3o do PSOL como alternativa de massas, servem ou n\u00e3o para superar e derrotar o PT. E \u00e9 preciso ser muito mais rigor quando se trata de propor uma Frente, mesmo que seja eleitoral, pois ela n\u00e3o pode ocorrer com organiza\u00e7\u00f5es inimigas j\u00e1 que pressup\u00f5e um programa e organismos comuns.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Outra vez mais: Luciana Genro com uma Frente de Esquerda!<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A desastrosa experi\u00eancia de votar coliga\u00e7\u00e3o com\u00a0 REDE e ver esse partido terminar na frente eleitoral do PMDB deve fazer os companheiros da dire\u00e7\u00e3o do MES refletirem bem sobre sua atual pol\u00edtica. Ainda h\u00e1 tempo de mudar o rumo. Nesse sentido reivindicamos \u201c<strong>Manifesto pela Frente de Esquerda e Socialista em Porto Alegre<\/strong>\u201d quando afirma: \u201c<em>A candidatura de Luciana Genro (PSOL) ganhou express\u00e3o na disputa com os pol\u00edticos tradicionais. Para n\u00e3o repetir os erros do PT, precisamos de um programa e uma pol\u00edtica que tenha lado, que defenda os interesses da classe trabalhadora e dos setores explorados&#8230; Propomos uma Frente de Esquerda e Socialista referenciada em partidos como PSOL, PSTU e PCB e em organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sem registro eleitoral, sindicais, estudantis&#8230; A unidade entre a esquerda deve estar a servi\u00e7o da luta contra os planos de ajuste fiscal, aplicados pelos governos Temer, Sartori e Fortunati\/Melo e contra os ataques aos direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios, Uma unidade que enfrente a Lei de Responsabilidade Fiscal&#8230; que defenda a reforma urbana contra a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria; a estatiza\u00e7\u00e3o do transporte, sob administra\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e passageiros; e que lute pela auditoria e pelo n\u00e3o pagamento d\u00edvida p\u00fablica federal e dos estados<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Diego Vitello, Coordena\u00e7\u00e3o da CST-PSOL &nbsp; &#8220;sob a apar\u00eancia de novos caminhos s\u00f3 se prop\u00f5e ao proletariado velhas receitas enterradas h\u00e1 muito tempo nos arquivos do socialismo anterior a Marx.&#8221; Leon, TROTSKY. 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