

	{"id":144,"date":"2012-04-20T17:34:00","date_gmt":"2012-04-20T17:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/index.php\/2012\/04\/20\/arquivoid-9179\/"},"modified":"2012-04-20T17:34:00","modified_gmt":"2012-04-20T17:34:00","slug":"arquivoid-9179","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2012\/04\/20\/arquivoid-9179\/","title":{"rendered":"FORA REPSOL E MULTINACIONAIS DA ARGENTINA, DO BRASIL E DA AM\u00c9RICA LATINA!"},"content":{"rendered":"<p>| CST<\/p>\n<p>Bab\u00e1 \u2013 Dire\u00e7\u00e3o Nacional do PSOL  &#8211; Corrente Socialista dos Trabalhadores.<\/p>\n<p>Depois que a presidente argentina Cristina Kirchner decidiu a expropria\u00e7\u00e3o-compra de a\u00e7\u00f5es da petroleira Repsol, controladora da YPF privatizada, a multinacional espanhola acusou duramente o governo argentino de \u201cquebra de contratos\u201d \u201cinseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d \u201cquebra das regras do G-20\u201d e amea\u00e7ou denunciar o pa\u00eds nos tribunais internacionais. O Wall Street Journal publicou no seu editorial que os \u201cpa\u00edses civilizados do mundo deveriam expulsar Argentina do Grupo dos 20\u201d. <\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o ministerial de Com\u00e9rcio do Grupo dos 20 reunidos no M\u00e9xico, a Espanha obteve importante respaldo, uma vez que os representantes da Uni\u00e3o Europeia, EUA, Reino Unido, Peru e Chile criticaram a decis\u00e3o da Argentina. <\/p>\n<p>Por outro lado, na Argentina e nas popula\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina, a medida despertou simpatia, somado a que o governo de Cristina divulgou o fato como uma medida nacionalista e de recupera\u00e7\u00e3o e soberania, tema caro \u00e0 maioria dos irm\u00e3os latino-americanos.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos d\u00favidas que a Repsol \u00e9 uma multinacional a ser denunciada, expropriada e expulsa n\u00e3o s\u00f3 da Argentina, como tamb\u00e9m do Brasil, Bol\u00edvia e de toda a Am\u00e9rica Latina. Este empresa da qual os espanh\u00f3is det\u00e9m 51.2% enquanto o resto est\u00e1 em m\u00e3os estrangeiras, \u00e9 \u201ca empresa da Bolsa de Madrid com maior n\u00famero de sociedades domiciliadas em nichos e para\u00edsos fiscais\u201d de acordo com denuncia do Observat\u00f3rio da Responsabilidade Social Corporativa da Espanha. E denuncia tamb\u00e9m que a \u201cRepsol tem aproveitado a debilidade normativa e institucional dos pa\u00edses nos quais atua para eludir suas responsabilidades legais nos \u00e2mbitos do meio ambiente e dos direitos dos povos ind\u00edgenas sendo que os contratos das \u00faltimas d\u00e9cadas na Am\u00e9rica Latina lhe significaram a Repsol lucros extraordin\u00e1rios em preju\u00edzo dos ingressos p\u00fablicos no Equador, Peru, Bol\u00edvia, Argentina e Venezuela\u201d. <\/p>\n<p>Feito este esclarecimento, e deixando claro que opinamos que esta medida \u00e9 leg\u00edtima, mas completamente insuficiente, queremos aprofundar por que o governo de Cristina decidiu a compra de a\u00e7\u00f5es, definida por ela como um \u201cmodelo de neg\u00f3cio\u201d, agregando que ser\u00e1 conservada a explora\u00e7\u00e3o como uma sociedade an\u00f3nima que o estado compartilhar\u00e1 com capitais privados, nacionais e multinacionais via uma empresa mista, considerando como exemplos a Petrobr\u00e1s e a PDVSA (Venezuela). <\/p>\n<p>Um pouco de Hist\u00f3ria<\/p>\n<p>Em 1992 o governo de Carlos Menem vendeu a YPF (Yacimientos Petrol\u00edferos Fiscais, estatal argentina) por 6,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares quando a empresa, no m\u00ednimo, valia o dobro. Assim, uma empresa com reservas comprovadas para 30 anos foi privatizada com apoio dos Kirchner, na \u00e9poca governando a prov\u00edncia petrol\u00edfera de Santa Cruz. <\/p>\n<p>A Repsol chegou em 1999 ficando com o petr\u00f3leo e o g\u00e1s. Num mercado sem regulamenta\u00e7\u00e3o, apto para o saque mais descarado, entraram tamb\u00e9m Panamerican Energy, Techint, Petrobras, Total, Esso e Shell. Sendo que durante o per\u00edodo de governo Kirchner foram outorgadas jazidas de g\u00e1s e petr\u00f3leo prorrogando escandalosamente concess\u00f5es a 30 e 40 anos. Obviamente o eixo da Repsol e das outras empresas foi extrair tudo o poss\u00edvel para export\u00e1-lo, abandonando praticamente a explora\u00e7\u00e3o, com o resultado que Argentina corre o risco de ficar sem petr\u00f3leo em 10 anos; teve que come\u00e7ar a importar g\u00e1s e gasolina, desequilibrando desfavoravelmente a balan\u00e7a comercial j\u00e1 prejudicada pela crise da economia mundial. <\/p>\n<p>Com problemas de \u201ccaixa\u201d e buscando recuperar popularidade perdida depois de tentar impor diversos \u201ctarifa\u00e7os\u201d (transporte e energia) e corte de subs\u00eddios, fracassados ap\u00f3s o brutal \u201cacidente\u201d do trem que, por responsabilidade da empresa amiga do governo que det\u00eam a concess\u00e3o da ferrovia, resultou na morte de 51 passageiros, a Presidente decidiu fazer \u201ccaixa\u201d com a Repsol. Sendo que a mesma teve em 2011 um faturamento de 65 bilh\u00f5es de pesos!<\/p>\n<p>A medida, apoiada praticamente por todos os partidos contou tamb\u00e9m com a simpatia do Senador Carlos Menem, hoje novo amigo da presidenta. Desta forma, o governo de Cristina Kirchner, que avalizou durante os \u00faltimos 20 anos o saque descarado por parte da Repsol, agora pretende se apresentar como \u201cnacionalista e defensora da soberania\u201d. N\u00e3o causa surpresa ent\u00e3o, que tenha nomeado com seu consultor para esta nova etapa da YPF ao Sr. Roberto Dromi, um dos melhores defensores do saque da d\u00e9cada dos 90. Dromi foi governador durante a ditadura na prov\u00edncia de Mendoza, bra\u00e7o direito de Menem durante as privatiza\u00e7\u00f5es como ministro de Obras e Servi\u00e7os P\u00fablicos, que declarou na \u00e9poca que \u201cnada permanecer\u00e1 nas m\u00e3os do Estado\u201d enquanto entregava Aerol\u00edneas Argentina para a Ib\u00e9ria, privatizava as estradas impondo os ped\u00e1gios, e outras perolas!<\/p>\n<p>Paragrafo aparte merecem os Presidentes chamados de bolivarianos ou nacionalistas. Evo Morales rapidamente se diferenciou do governo argentino defendendo a Repsol, esclarecendo que \u201c\u00e9 um tema entre Argentina e a Espanha\u201d sendo que ele \u201ctem uma rela\u00e7\u00e3o de muita confian\u00e7a com a Repsol\u201d. Na Bol\u00edvia, os companheiros da organiza\u00e7\u00e3o socialista \u201cLa Protesta\u201d respondem: \u201cRepsol n\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel, visto que est\u00e1 fazendo na Bol\u00edvia o mesmo que fez na Argentina, ou seja, \u201csecar\u201d os po\u00e7os, levando todo o g\u00e1s poss\u00edvel sem investir na explora\u00e7\u00e3o. Nos reclamamos que todas as multinacionais petroleiras sejam expropriadas sem indeniza\u00e7\u00e3o por ter saqueado o pa\u00eds durante d\u00e9cadas\u201d. O presidente \u201cnacionalista\u201d Ollanta Humala, atrav\u00e9s do ministro da Economia, Miguel Castilla, disparou: \u201crespeitamos as pol\u00edticas de nossos vizinhos, mas n\u00e3o as compartilhamos. Aprendemos da forma mais dura para onde levam essas pol\u00edticas insanas\u201d! Por sua vez Hugo Ch\u00e1vez apoiou&#8230; enquanto em  seu pa\u00eds \u201cmant\u00eam neg\u00f3cios com a multinacional &#8230; impulsionou uma pol\u00edtica de desnacionaliza\u00e7\u00e3o de  nosso principal recurso ao promover as empresas mistas permitindo que as multinacionais sejam s\u00f3cias e copropriet\u00e1rias  de 40% do petr\u00f3leo\u201d denunciou o combativo Secret\u00e1rio Geral da Federa\u00e7\u00e3o Unit\u00e1ria de Trabalhadores Petroleiros da Venezuela, Jos\u00e9 Bodas, dirigente da Corrente Sindical C-CURA<\/p>\n<p>A PETROBR\u00c1S N\u00c3O \u00c9 UM BOM EXEMPLO<\/p>\n<p>A Presidente argentina afirma que seu exemplo s\u00e3o as empresas Petrobras e a PDVSA (Venezuela), as duas empresas mistas com participa\u00e7\u00e3o de numerosas multinacionais.<\/p>\n<p>O Governo brasileiro do PT\/PMDB manteve os leil\u00f5es das \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural e continua permitindo o saque das riquezas pelas multinacionais como a Chevron ou a Shell, e as \u201cnacionais\u201d do grupo Queiroz Galv\u00e3o e do magnata queridinho do governo Eike Batista. J\u00e1 em 2006, 40% das a\u00e7\u00f5es da empresa estavam em m\u00e3os de estrangeiros. Por outro lado, a multinacional Petrobr\u00e1s cumpre nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina como Bol\u00edvia, Argentina ou Equador o mesmo papel que todas as multinacionais: sugar as riquezas para obter o m\u00e1ximo lucro deixando o pa\u00eds e os trabalhadores exauridos e mais pobres. N\u00e3o por acaso uma reivindica\u00e7\u00e3o dos combativos trabalhadores bolivianos \u00e9 a ruptura dos contratos com a Petrobras, e a expuls\u00e3o da mesma do pa\u00eds andino. <\/p>\n<p>Mas o que mostra que a atitude da Presidente Kirchner n\u00e3o tem nada de \u201csoberana\u201d \u00e9 a proposta para que a Petrobr\u00e1s, que j\u00e1 det\u00e9m 8% do mercado argentino, aumente sua participa\u00e7\u00e3o para 15% do mercado de produ\u00e7\u00e3o, processamento de petr\u00f3leo e distribui\u00e7\u00e3o na Argentina. Frente a este proposta, o ministro de Minas e Energias Edison Lob\u00e3o do PMDB se apressou a responder que o Brasil far\u00e1 todo o que puder para ampliar os investimentos, pois \u00e9 um bom neg\u00f3cio para a Petrobr\u00e1s. Por isso as declara\u00e7\u00f5es do governo brasileiro frente \u00e0 \u201cexpropria\u00e7\u00e3o\u201d foram muito prudentes, esperando a oportunidade de se somar ao neg\u00f3cio de Cristina!<\/p>\n<p>Da mesma forma como a esquerda consequente brasileira defende uma Petrobr\u00e1s 100% estatal, devemos expressar nossa solidariedade com os irm\u00e3os argentinos e exigir a completa nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo em todos os pa\u00edses. Tamb\u00e9m, como defende a Esquerda Socialista da Argentina, junto com exigir uma \u201cYPF 100% estatal\u201d, devemos lutar pelo controle oper\u00e1rio e exigir a sa\u00edda das multinacionais que, como vampiros, continuam sugando nossos recursos.<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>| CST Bab\u00e1 \u2013 Dire\u00e7\u00e3o Nacional do PSOL &#8211; Corrente Socialista dos Trabalhadores. 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