

	{"id":14404,"date":"2024-04-04T12:18:20","date_gmt":"2024-04-04T15:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14404"},"modified":"2024-04-25T12:12:43","modified_gmt":"2024-04-25T15:12:43","slug":"comemorar-abril-e-lutar-por-uma-nova-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/04\/04\/comemorar-abril-e-lutar-por-uma-nova-revolucao\/","title":{"rendered":"Comemorar Abril \u00e9 Lutar Por Uma Nova Revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por MAS e Em Luta<\/p>\n<p>50 anos depois do 25 de abril, as elei\u00e7\u00f5es de 10 de mar\u00e7o mostraram claramente a crise que o atual regime atravessa, com os seus dois pilares, PS e PSD, a verem o bipartidarismo que lhes tem permitido governar o pa\u00eds nestas \u00faltimas d\u00e9cadas a desabar, e com a extrema-direita a alcan\u00e7ar uma vota\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Estas elei\u00e7\u00f5es mostram ainda as consequ\u00eancias da(s) Geringon\u00e7a(s), que n\u00e3o virou a p\u00e1gina da austeridade e da crise social no pa\u00eds. A fal\u00eancia da democracia dos ricos, provocada pela sua incapacidade de levar adiante um projeto que garanta uma vida digna para os trabalhadores e os setores mais oprimidos do pa\u00eds, deve fazer-nos pensar como chegamos aqui e decidir que caminho queremos trilhar.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a nossa democracia atual, apesar de ser herdeira de v\u00e1rias conquistas democr\u00e1ticas da revolu\u00e7\u00e3o, \u00e9, acima de tudo, produto da sua derrota \u00e0s m\u00e3os da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, que instituiu o poder dos grandes patr\u00f5es, contra o poder dos trabalhadores que se tinha constru\u00eddo nas ruas, nas empresas, nas escolas, nos bairros, durante aquele per\u00edodo de 1974-75. Os problemas que hoje encaramos no pa\u00eds s\u00e3o produto desta revolu\u00e7\u00e3o incompleta, que foi derrotada no seu projeto de construir uma sociedade oposta ao capitalismo: uma sociedade socialista, sem explora\u00e7\u00e3o nem opress\u00e3o.<\/p>\n<p>O SNS tirou Portugal do atraso em \u00edndices como a mortalidade infantil ou a vacina\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica permitiu que a escolaridade deixasse de ser um privil\u00e9gio das elites, mas ambos s\u00e3o hoje destru\u00eddos pela falta de financiamento. A habita\u00e7\u00e3o deixou de ser um direito, para ser um privil\u00e9gio. Os direitos laborais transformaram-se na generaliza\u00e7\u00e3o da precariedade, enquanto o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 cada vez mais o sal\u00e1rio m\u00e9dio e o dinheiro n\u00e3o chega ao fim do m\u00eas. O colonialismo acabou, mas o racismo \u00e9 uma constante na sociedade portuguesa. A igualdade entre homens e mulheres ficou consagrada na lei, mas est\u00e1 longe de se tornar realidade na pr\u00e1tica. Se o pa\u00eds mudou em 50 anos foi gra\u00e7as \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o e \u00e0s suas conquistas, alcan\u00e7adas pela luta dos trabalhadores e da juventude, mas todos os seus avan\u00e7os est\u00e3o a ser destru\u00eddos.<\/p>\n<p>A esta altura, j\u00e1 ficou claro que para os trabalhadores n\u00e3o serve governar com a burguesia. Nem serviu durante a revolu\u00e7\u00e3o de 1974\/1975, nos governos provis\u00f3rios com PS e PSD, integrados pelo PCP, nem serviu durante os v\u00e1rios Governos da Geringon\u00e7a, que n\u00e3o acabaram com a austeridade e se mostraram incapazes de mudar o pa\u00eds e a vida de quem trabalha, presos \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e aos seus ditames. Se a Geringon\u00e7a afogou o esp\u00edrito de luta, combatividade e confian\u00e7a da juventude e da classe trabalhadora em ilus\u00f5es de governa\u00e7\u00e3o com a burguesia, a UE tamb\u00e9m j\u00e1 mostrou que n\u00e3o \u00e9 o nosso el dourado, mas o nosso carrasco, mantendo-nos atados \u00e0 ditadura do d\u00e9fice e da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi para isto que se fez o 25 de abril. \u00c9 por isso que, para n\u00f3s, comemorar abril n\u00e3o \u00e9 defender esta democracia das elites em que vivemos, mas sim lutar por uma nova revolu\u00e7\u00e3o. Assim, convidamos a que se juntem a n\u00f3s na manifesta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo dia 25 de abril, onde vamos formar um bloco alternativo e independente: alternativo aos rumos que a esquerda parlamentar tem dado aos trabalhadores, circunscrevendo-os em exclusivo ao parlamentarismo e \u00e0 institucionalidade; e independente dos patr\u00f5es, ao contr\u00e1rio da experi\u00eancia recente com a Geringon\u00e7a, que continua a ser o centro da pol\u00edtica da esquerda parlamentar.<\/p>\n<h3><strong>Abril \u00e9 revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Ao assinalarmos estes 50 anos, \u00e9 preciso relembrar que no dia 25 de abril de 1974 se derrubou a ditadura, mas a revolu\u00e7\u00e3o que a\u00ed se iniciou n\u00e3o se limitou \u00e0 busca por democracia: na luta contra o fascismo portugu\u00eas, ficou claro que este estava diretamente ligado \u00e0s estruturas mais profundas do capitalismo e aos grandes grupos econ\u00f3micos no pa\u00eds \u2013 os donos de Portugal. Al\u00e9m disso, \u00e9 tamb\u00e9m crucial lembrar que foi a luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional dos povos africanos pela sua autodetermina\u00e7\u00e3o, junto com as lutas dos trabalhadores que conseguiram avan\u00e7ar nas suas conquistas no final da d\u00e9cada de 60 e 70, que abriram as portas ao fim do regime ditatorial.<\/p>\n<p>Foi a burguesia portuguesa, dependente das col\u00f3nias, que arrastou o pa\u00eds para o abismo da guerra. No dia 25 de abril de 1974 derrubou-se a ditadura, mas o golpe militar transformou-se em revolu\u00e7\u00e3o popular, que tomou as ruas, derrubou o antigo regime e lan\u00e7ou as bases para a constru\u00e7\u00e3o de um outro pa\u00eds: os trabalhadores e a juventude deixaram de ficar \u00e0 espera e come\u00e7aram a construir novos organismos de poder e decis\u00e3o &#8211; as comiss\u00f5es de trabalhadores, moradores, soldados e camponeses, na luta por tomar os seus destinos na m\u00e3o e mudar as suas vidas. Por isso, as liberdades democr\u00e1ticas n\u00e3o foram dadas, mas conquistadas.<\/p>\n<p>PS e PCP disputaram os rumos da revolu\u00e7\u00e3o, mas ambos tinham um grande acordo: n\u00e3o seriam os trabalhadores a governar o pa\u00eds. O PS prop\u00f4s o chamado \u201csocialismo democr\u00e1tico\u201d, uma democracia capitalista atrelada ao projeto dos grandes pa\u00edses da Europa, e que foi o projeto vitorioso. J\u00e1 o PCP, sempre fiel \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es e interesses de Moscovo de divis\u00e3o pac\u00edfica do mundo entre os EUA e a URSS, assumiu um projeto autorit\u00e1rio de controlo dos trabalhadores e as suas lutas que n\u00e3o se queriam ficar apenas pelo fim do fascismo, um projeto que tamb\u00e9m n\u00e3o punha em causa o capitalismo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da narrativa dominante, que atribui ao 25 de novembro de 1975 a democracia, o que o golpe desse dia fez foi derrotar os setores que nos quart\u00e9is e nas empresas queriam ir mais al\u00e9m por um pa\u00eds mais justo para os trabalhadores e o povo, para assim reorganizar o poder e o estado burgu\u00eas. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1976 consagrou um regime que integrou algumas das reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas dos trabalhadores conquistadas nas suas lutas, mas, acima de tudo, instituiu a democracia do capital, um regime oposto e que tinha por objetivo derrotar a democracia dos trabalhadores, nos locais de trabalho, nas escolas, nos quart\u00e9is e nas ruas.<\/p>\n<p>\u00c0 classe trabalhadora faltou um programa que unificasse as comiss\u00f5es de trabalhadores do campo e da cidade, moradores e soldados; um programa que desse como horizonte tomar o poder e construir um Estado dos Trabalhadores, governado por Trabalhadores e para Trabalhadores. Faltou tamb\u00e9m um partido revolucion\u00e1rio, com for\u00e7a e prest\u00edgio nos setores centrais da classe trabalhadora, para levar a cabo esse programa.<\/p>\n<h3><strong>Por uma verdadeira alternativa aos governos PS\/PSD e \u00e0 extrema-direita<\/strong><\/h3>\n<p>A extrema-direita diz querer atacar o sistema e buscar o dinheiro onde ele est\u00e1, mas recusa-se a atacar os verdadeiros privil\u00e9gios dos grandes patr\u00f5es (que inclusive os financiam, como \u00e9 o caso de Champalimaud ou Barbot). Apontam o dedo aos imigrantes ou ciganos apenas para desviar a aten\u00e7\u00e3o dos verdadeiros culpados, os grandes capitalistas que nos exploram e que, na maioria dos casos, nem pagam impostos em Portugal. Dizem atacar a corrup\u00e7\u00e3o, mas protegem os corruptos e n\u00e3o atacam a fonte do problema: o sistema capitalista e a sua mis\u00e9ria. \u00c9 dividir os de baixo para deixar reinar os de cima.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m consideramos que n\u00e3o basta estar contra o novo governo da AD e a extrema-direita. Foram os 50 anos de altern\u00e2ncia entre governos PS e PSD\/CDS que nos trouxeram at\u00e9 aqui, transformando-nos, a mando da Uni\u00e3o Europeia, num pa\u00eds de turismo, servi\u00e7os, m\u00e3o-de-obra barata e para extra\u00e7\u00e3o de recursos sem qualquer contempla\u00e7\u00e3o pelos interesses da popula\u00e7\u00e3o, como acontece com o l\u00edtio. Ao mesmo tempo, n\u00e3o podemos ficar ref\u00e9ns daqueles que \u00e0 esquerda, como PCP e BE, afogaram as lutas contra a troika nas ilus\u00f5es eleitorais e apoiaram os governos que mantiveram a austeridade. Tamb\u00e9m estes s\u00e3o respons\u00e1veis por termos chegado at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>A atual democracia dos ricos n\u00e3o foi o futuro pelo qual lutaram as gera\u00e7\u00f5es que fizeram abril. Perante este estado de coisas, \u00e9 preciso uma nova revolu\u00e7\u00e3o, contra toda a forma de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o e pela constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira democracia dos trabalhadores \u2013 o socialismo. Foi h\u00e1 50 anos, mas n\u00e3o basta celebrar a data e dizer que \u201cfoi bonita a festa\u201d. O esp\u00edrito de abril \u00e9 de luta e rebeldia, \u00e9 por isso que convidamos todos os indignados com este atual estado de coisas, trabalhadores ou coletivos, a conformar um bloco alternativo e independente na manifesta\u00e7\u00e3o do dia 25 de Abril. Porque h\u00e1 vida depois de Abril, h\u00e1 um pa\u00eds para mudar e isso s\u00f3 se faz a lutar por uma nova revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MAS e Em Luta 50 anos depois do 25 de abril, as elei\u00e7\u00f5es de 10 de mar\u00e7o mostraram claramente a crise que o atual regime atravessa, com os seus dois pilares, PS e PSD, a verem o bipartidarismo que lhes tem permitido governar o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14405,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[2013,515,2014,1002,1586,2012,50,1152,144],"class_list":["post-14404","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-e-formacao-politica","tag-abril","tag-democracia","tag-fascismo","tag-luta","tag-oposicao","tag-portugal-mas","tag-revolucao","tag-socialismo","tag-trabalhadores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14404\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14405"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}