

	{"id":14592,"date":"2024-04-23T18:26:21","date_gmt":"2024-04-23T21:26:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14592"},"modified":"2024-04-23T18:26:21","modified_gmt":"2024-04-23T21:26:21","slug":"portugal-50-anos-depois-da-revolucao-dos-cravos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/04\/23\/portugal-50-anos-depois-da-revolucao-dos-cravos\/","title":{"rendered":"Portugal: 50 anos depois da \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos cravos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Por Federico Novo Foti, jornal El Socialista, Argentina.<\/p>\n<p>22\/03\/2024. No dia 25 de abril de 1974, ocorreu a grande revolu\u00e7\u00e3o, conhecida como \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos cravos\u201d, liderada pelo chamado Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA), composto por jovens oficiais, com amplo apoio de suboficiais, soldados, oper\u00e1rios e setores populares.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o derrubou uma ditadura fascista, que governou Portugal durante 48 anos, instalada pelo golpe militar de 28 de maio de 1928. Tal ditadura foi liderada, a partir de 1932, por Antonio de Oliveira Salazar, que permaneceu no poder at\u00e9 1968, at\u00e9 ser substitu\u00eddo por Marcelo Caetano, um continuador do regime ditatorial.<\/p>\n<p>A fa\u00edsca que acendeu o fogo da revolu\u00e7\u00e3o veio da crise nas fileiras das for\u00e7as armadas. Setores dos oficiais e das tropas portuguesas sofriam o desgaste da ocupa\u00e7\u00e3o colonial na \u00c1frica. A resist\u00eancia dos povos oprimidos deu origem a uma guerra colonial em Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9-Bissau, Angola, Cabo Verde e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, que j\u00e1 durava mais de uma d\u00e9cada e que n\u00e3o tinha solu\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o das tropas em Lisboa, no dia 25 de abril, trouxe \u00e0 cena as massas populares, saudando a queda da ditadura. Nesse mesmo dia, os\/as trabalhadores\/as, a juventude e os setores populares anti-ditatoriais dirigiram-se aos quart\u00e9is para saudar os soldados rebeldes e dar-lhes cravos, ignorando os avisos para ficarem em casa.<\/p>\n<p><strong>O in\u00edcio de uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista<\/strong><\/p>\n<p>Assim, a \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos cravos\u201d tornou-se uma revolu\u00e7\u00e3o anticapitalista, oper\u00e1ria e socialista. Iniciou-se um processo revolucion\u00e1rio, com mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, contra todas as antigas institui\u00e7\u00f5es repressivas e contra a pr\u00f3pria burguesia portuguesa.<\/p>\n<p>Os comit\u00eas de f\u00e1brica se multiplicaram e tamb\u00e9m surgiram comit\u00eas na base das for\u00e7as armadas. A revolu\u00e7\u00e3o anti-colonial na \u00c1frica, que fazia parte do processo, continuou a desenvolver-se e a maioria das col\u00f4nias africanas tornou-se independente do jugo imperialista.<\/p>\n<p>No dia 1\u00b0 de maio, em Lisboa, houve uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o de quase um milh\u00e3o de pessoas gritando \u201cmorte ao fascismo\u201d e \u201cmorte \u00e0 PIDE\u201d, que era a pol\u00edcia pol\u00edtica do regime. O MFA e os partidos oper\u00e1rios reformistas \u2013 o Partido Comunista de Portugal (PCP) e o Partido Socialista (PS) &#8211; aderiram a um governo burgu\u00eas de \u201cunidade nacional\u201d, liderado pelo General Ant\u00f4nio de Sp\u00ednola e com a participa\u00e7\u00e3o de partidos democr\u00e1ticos de direita. No MFA, os espinolistas conviviam com setores mais radicalizados dos jovens oficiais. O MFA representava a pequena burguesia radicalizada e tinha um programa democr\u00e1tico, que n\u00e3o rompia com o capitalismo. Entretanto, no quartel, os soldados e suboficiais rebelaram-se contra os seus superiores. A classe trabalhadora exigiu seus direitos com greves e expropria\u00e7\u00f5es de empresas. A revolu\u00e7\u00e3o estava em andamento.<\/p>\n<p><strong>As massas derrotam um golpe contrarrevolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Em setembro de 1974, Sp\u00ednola caiu devido \u00e0 resist\u00eancia das massas e foi substitu\u00eddo por outro general, Costa Gomes, que tentou apaziguar os setores mais \u00e0 esquerda do MFA.<\/p>\n<p>Em 11 de mar\u00e7o de 1975, Sp\u00ednola tentou um golpe contrarrevolucion\u00e1rio, que fracassou devido \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular. A derrota do golpe abriu uma nova etapa da revolu\u00e7\u00e3o. O processo foi radicalizado. Por exemplo, conseguiu-se a expropria\u00e7\u00e3o e nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e de parte dos grandes grupos empresariais.<\/p>\n<p>Milhares de burgueses fugiram do pa\u00eds. Cresceram as ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas, casas e terras e aprofundou-se a crise militar. Os comit\u00eas de empresas, de inquilinos e de soldados generalizaram-se, deixando claro o car\u00e1ter oper\u00e1rio e socialista da revolu\u00e7\u00e3o. O grande d\u00e9fice foi a aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria. Os trotskistas, entre eles os apoiadores de Nahuel Moreno, atuaram no processo, mas ainda eram uma minoria.<\/p>\n<p><strong>O duplo poder e a aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Um governo direto do MFA-PCP-PS foi ratificado, com uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes e um duplo discurso. O MFA, por exemplo, proclamou o in\u00edcio da \u201cprimeira etapa rumo ao socialismo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDurante toda essa etapa de unidade do bloco pequeno-burgu\u00eas MFA-PCP-PS, o programa e a ideologia comuns foram democr\u00e1tico-burgueses. O objetivo era alcan\u00e7ar um sistema parlamentar, a come\u00e7ar pela Assembleia Constituinte, que canalizasse a ascens\u00e3o revolucion\u00e1ria para o beco sem sa\u00edda da democracia burguesa\u201d, advertiu Nahuel Moreno no seu texto de 1975, \u201cRevolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o em Portugal\u201d (ver o texto da p\u00e1gina 45 em nahuelmoreno.org).<\/p>\n<p>Nesse texto, Moreno fez uma analogia com a revolu\u00e7\u00e3o russa de 1917 e apontou o perigo da falta de um partido revolucion\u00e1rio de tipo bolchevique, que conduzisse as massas ao socialismo na revolu\u00e7\u00e3o portuguesa. Moreno e os trotskistas de sua corrente propuseram o desenvolvimento da mobiliza\u00e7\u00e3o e do duplo poder sob o lema \u201cPor um Congresso Nacional das Comiss\u00f5es de Oper\u00e1rios e Soldados, que derrote o governo do MFA e tome o poder\u201d.<\/p>\n<p>O fim da ditadura e a conquista de amplas liberdades democr\u00e1ticas foram enormes conquistas, que continuam a ser valorizadas 50 anos depois. Mas o papel das dire\u00e7\u00f5es reformistas do PCP \u2013 liderado pelo seu l\u00edder hist\u00f3rico \u00c1lvaro Cunhal, que fez parte dos governos como ministro sem pasta at\u00e9 1976 \u2013, do MFA e do Partido Socialista, de M\u00e1rio Soares, impediu o progresso em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo, quando estavam dadas as condi\u00e7\u00f5es para isso.<\/p>\n<p>Foi imposta a submiss\u00e3o \u00e0 Comunidade Econ\u00f4mica Europeia (CEE) e, posteriormente, \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. As conquistas da revolu\u00e7\u00e3o \u2013 como a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos, o controle oper\u00e1rio sobre muitas empresas e as organiza\u00e7\u00f5es de duplo poder \u2013 foram gradualmente desmanteladas.<\/p>\n<p>Cinquenta anos depois da \u201crevolu\u00e7\u00e3o dos cravos\u201d, o Movimento Alternativa Socialista (MAS), se\u00e7\u00e3o portuguesa da UIT-QI, levanta as bandeiras de abril de 1974, lutando contra os governos patronais de hoje e por uma nova revolu\u00e7\u00e3o, que deve ser socialista. E construindo uma alternativa pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, que conduza a revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Federico Novo Foti, jornal El Socialista, Argentina. 22\/03\/2024. 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