

	{"id":14864,"date":"2023-12-31T18:48:18","date_gmt":"2023-12-31T21:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14864"},"modified":"2024-05-09T18:50:58","modified_gmt":"2024-05-09T21:50:58","slug":"texto-2-adesao-ao-stalinismo-e-a-defesa-do-etapismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-2-adesao-ao-stalinismo-e-a-defesa-do-etapismo\/","title":{"rendered":"Texto 2 \u2013 Ades\u00e3o ao Stalinismo e a defesa do etapismo"},"content":{"rendered":"<p>Michel Tunes e Diego Vitello, coordena\u00e7\u00e3o da CST<\/p>\n<p>No primeiro artigo deste especial, tratamos da funda\u00e7\u00e3o do PCB em 1922. O partido rec\u00e9m fundado enfrenta o problema da repress\u00e3o policial. Mas o maior obst\u00e1culo \u00e9 o surgimento de uma burocracia na URSS e na Internacional Comunista, que bloqueou o desenvolvimento dos partidos comunistas e os desviou da revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional. Uma de suas principais teses era a da \u201crevolu\u00e7\u00e3o por etapas\u201d, uma divis\u00e3o mec\u00e2nica da luta de classes, como se existisse uma fase \u201cburguesa\u201d ou \u201cpequeno-burguesa\u201d com fins exclusivamente \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d ou \u201canti-imperialistas\u201d. Isso subordina o movimento oper\u00e1rio aos limites da ordem burguesa e contraria o pr\u00f3prio bolchevismo e a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917.<\/p>\n<p><strong>Agrarismo e industrialismo<\/strong><\/p>\n<p>Uma das primeiras elabora\u00e7\u00f5es do PCB foi \u201cAgrarismo e Industrialismo\u201d de Oct\u00e1vio Brand\u00e3o, um dos seus dirigentes junto com Astrojildo Pereira e Paulo Lacerda. Esse documento caracteriza a \u201csitua\u00e7\u00e3o feudal do Brasil\u201d (Editora Anita Garibaldi, p\u00e1g. 76), \u201cum pa\u00eds medieval\u201d e utiliza as palavras de ordem \u201cpelo industrialismo\u201d e \u201ccontra o governo de agr\u00e1rios do Brasil\u201d (p\u00e1g. 81). A classe oper\u00e1ria deveria se subordinar \u00e0 pequena-burguesia \u2013 em especial aos pra\u00e7as, que protagonizaram as revoltas militares &#8211; marchar em bloco com a burguesia industrial para o \u201cesmagamento dos agr\u00e1rios\u201d (p\u00e1g. 148). Um dos processos internacionais citado positivamente \u00e9 o Kuomintag, um partido burgu\u00eas nacionalista chin\u00eas. Essa linha vai se aprofundar em 1926 e 1927. A dire\u00e7\u00e3o do PCB fez um acordo com um setor da oposi\u00e7\u00e3o liderado por Le\u00f4nidas de Rezende para lan\u00e7ar o jornal \u201cA Na\u00e7\u00e3o\u201d. Nas suas p\u00e1ginas \u00e9 tra\u00e7ada a linha de construir um Kuomintang brasileiro. Era o momento em que Stalin imp\u00f4s a aprova\u00e7\u00e3o do Koumintang como membro simpatizante da Internacional Comunista. Essa linha levou ao massacre do operariado chin\u00eas em 1927 (ver mais no livro \u201c<em>China: da revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista<\/em>)<\/p>\n<p><strong>A cis\u00e3o de 1928<\/strong><\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica de alian\u00e7as kuomintanguista foi recha\u00e7ada na dire\u00e7\u00e3o do PCB por Rodolfo Coutinho, que, anos antes, representou o PCB no V Congresso da Internacional Comunista. Na mesma reuni\u00e3o, Joaquim Barbosa, lideran\u00e7a sindical do PCB, absteve-se.<\/p>\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos burocr\u00e1ticos que impedem os debates de problemas sindicais leva Joaquim Barbosa a publicar uma carta aberta com cr\u00edticas nesse terreno. Ele termina expulso e o Comit\u00ea Regional do Rio de Janeiro \u00e9 burocraticamente destitu\u00eddo. O que motiva Rodolfo Coutinho a se demitir da dire\u00e7\u00e3o nacional do PCB. Posteriormente, 50 membros do partido enviam um abaixo-assinado \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do PCB exigindo uma confer\u00eancia. Sendo ignorados pela dire\u00e7\u00e3o, a maioria deixa o PCB. Barbosa seguiu seu rumo sindical por fora do PCB. Rodolfo Coutinho, junto a outros militantes, dentre eles L\u00edvio Xavier, encaminham um \u201cmemorial\u201d ao III Congresso do PCB onde afirmaram que \u201cO bloco oper\u00e1rio e campon\u00eas de agita\u00e7\u00e3o, tornou-se a caixinha de segredos dos conchavos, tramados \u00e0 revelia do partido, com parlamentares profissionais e pol\u00edticos da burguesia. A quest\u00e3o do Kuomintang, preconizado pela CCE, foi a pedra de toque de todos os desvios, cristaliza\u00e7\u00e3o dos erros em que incidiu \u2018A na\u00e7\u00e3o\u2019 (&#8230;) os erros doutrin\u00e1rios da CCE, a estrat\u00e9gia tonta por ela preconizada e a concep\u00e7\u00e3o de um antagonismo irremedi\u00e1vel entre o agrarismo e o industrialismo, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 luta de classes, provocaram nas esferas superiores do partido os resultados mais lastim\u00e1veis\u201d. Tal texto n\u00e3o foi publicado aos organismos de base do PCB, aparecendo apenas anos depois no jornal Luta de Classe (n\u00famero 3, julho 1930).<\/p>\n<p><strong>A ades\u00e3o definitiva \u00e0 fra\u00e7\u00e3o stalinista<\/strong><\/p>\n<p>O VI Congresso da Internacional Comunista, em 1928, controlado por Stalin e Bukharin, selou os rumos dos partidos comunistas. Ali Astrojildo Pereira, do PCB, foi eleito para a Executiva da Internacional Comunista. \u00c9 o ano do expurgo dos trotskistas dos PCs. Um longo relat\u00f3rio sobre a \u201copposi\u00e7\u00e3o trotskista\u201d \u00e9 publicado no jornal do PCB. O VI Congresso definiu para o mundo colonial e semicolonial uma etapa de revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, onde os PCs deveriam \u201ctomar parte ativa e geral do movimento revolucion\u00e1rio de massas dirigido contra o regime feudal e contra o imperialismo\u201d. Poucos meses depois ocorre o III Congresso do PCB, onde a dire\u00e7\u00e3o do Partido aprova essa linha. No relat\u00f3rio dos delegados do PCB ao VI Congresso da Internacional Comunista, publicado em Autocr\u00edtica, n\u00b06, as diretrizes s\u00e3o: \u201csustentaremos (o governo da pequena-burguesia) enquanto lutar contra o imperialismo, os propriet\u00e1rios agr\u00edcolas e contra a rea\u00e7\u00e3o e o combateremos quando se aliar a eles, ao mesmo tempo em que devemos preparar a segunda vaga para derrubar a pequena-burguesia\u201d (ContraCorrente, p\u00e1g. 43).<\/p>\n<p>O VI congresso da IC \u00e9 o que marca uma virada ao ultraesquerdismo, o chamado \u201cterceiro per\u00edodo\u201d. Bruscamente, Stalin come\u00e7a os ataques \u00e0 ala direita do PCUS. Bukharin e outros dirigentes s\u00e3o destitu\u00eddos e isso se reflete na Internacional Comunista. No PCB, a antiga dire\u00e7\u00e3o \u00e9 toda destitu\u00edda, com Brand\u00e3o e Astrojildo caindo no ostracismo. \u00c9 a prepara\u00e7\u00e3o para uma linha aventureira que levou o proletariado a muitas derrotas internacionais. No Brasil, o \u00e1pice desse processo foi o boicote \u00e0 Frente \u00danica Antifascista e, sobretudo, o desastrado levante comunista de 1935. Nos anos 30, o PCB j\u00e1 est\u00e1 sob uma nova dire\u00e7\u00e3o, tendo \u00e0 frente Lu\u00eds Carlos Prestes e outros militares. Mas isso j\u00e1 \u00e9 assunto para a terceira parte deste especial, numa pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do Combate Socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michel Tunes e Diego Vitello, coordena\u00e7\u00e3o da CST No primeiro artigo deste especial, tratamos da funda\u00e7\u00e3o do PCB em 1922. O partido rec\u00e9m fundado enfrenta o problema da repress\u00e3o policial. 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