

	{"id":14868,"date":"2023-12-31T18:56:04","date_gmt":"2023-12-31T21:56:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14868"},"modified":"2024-05-09T18:57:33","modified_gmt":"2024-05-09T21:57:33","slug":"texto-4-o-levante-comunista-de-1935","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-4-o-levante-comunista-de-1935\/","title":{"rendered":"Texto 4 &#8211; O Levante Comunista de 1935"},"content":{"rendered":"<p><strong>Diego Vitello, Coordena\u00e7\u00e3o CST<\/strong><\/p>\n<p>Em novembro de 1935, a Alian\u00e7a Nacional Libertadora,\u00a0dirigida pelo\u00a0Partido Comunista Brasileiro (PCB), protagoniza um levante armado contra o governo de Get\u00falio Vargas em diversas cidades do pa\u00eds. Essa a\u00e7\u00e3o resultou num verdadeiro desastre pol\u00edtico. Neste texto, queremos expor e discutir os erros fundamentais do PCB naquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A funda\u00e7\u00e3o e o programa da Alian\u00e7a Nacional Libertadora<\/strong><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1935, foi fundada a ANL, organiza\u00e7\u00e3o policlassista que contou com a entusiasmada presen\u00e7a do PCB na \u00e9poca. A Alian\u00e7a surgiu da unidade do PCB com setores do movimento tenentista que estavam descontentes com a pol\u00edtica de Vargas. O movimento tenentista j\u00e1 existia desde a d\u00e9cada de 1920, promoveu a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas como os \u201c18 do Forte de Copacabana\u201d e foi parte da composi\u00e7\u00e3o da Coluna Prestes. Era um movimento essencialmente pequeno-burgu\u00eas, que falava abertamente em \u201cmoralizar a pol\u00edtica\u201d. Para simbolizar essa unidade, Herculino Cascardo, antigo l\u00edder do movimento tenentista, foi eleito o presidente do diret\u00f3rio nacional da ANL. Seu presidente de honra foi Lu\u00eds Carlos Prestes, que, no momento da funda\u00e7\u00e3o, encontrava-se na URSS. Essa alian\u00e7a entre os tenentistas e o PCB n\u00e3o parava por a\u00ed e tinha uma pol\u00edtica para atrair setores supostamente \u201canti-imperialistas\u201d da burguesia nacional. Pouco antes de Vargas impor a ilegalidade da ANL, Prestes redigiu um manifesto que colocava:\u00a0<em>\u201cS\u00f3 as grandes massas juntamente com a parte da burguesia nacional, n\u00e3o vendida ao imperialismo, ser\u00e3o capazes de, atrav\u00e9s de um governo popular revolucion\u00e1rio [&#8230;]\u201d.\u00a0<\/em>De fato o programa levantado pela ANL, para atrair os setores da burguesia nacional, foi um programa democr\u00e1tico-burgu\u00eas\u00a0radical,\u00a0que em nenhum momento colocou a perspectiva de ruptura com o capitalismo\u00a0e que recuperava muitas das pautas dos tenentistas, al\u00e9m de propostas de grupos nacionalistas. Algumas das principais medidas colocadas pela ANL est\u00e3o neste trecho de seu manifesto de funda\u00e7\u00e3o:\u00a0\u201c<em>[&#8230;] cancelamento das d\u00edvidas externas; a nacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas imperialistas; a entrega dos latif\u00fandios ao povo laborioso que os cultive;\u00a0 a liberdade em toda a sua plenitude; o direito do povo manifestar-se livremente; a liberta\u00e7\u00e3o de todas as camadas camponesas da explora\u00e7\u00e3o dos tributos feudais pagos pelo aforamento, pelo arrendamento da terra, etc.; a anula\u00e7\u00e3o total das d\u00edvidas agr\u00edcolas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>O VII Congresso da Internacional Comunista e a concilia\u00e7\u00e3o de classes<\/strong><\/p>\n<p>Para entendermos um pouco mais da pol\u00edtica do PCB na ANL, temos que contextualizar que, no movimento comunista internacional da \u00e9poca, a pol\u00edtica de alian\u00e7a com a burguesia passou a ser regra. \u00c0 \u00e9poca, o partido era filiado \u00e0 Internacional Comunista, organiza\u00e7\u00e3o que centralizava a atua\u00e7\u00e3o dos PCs no mundo inteiro. J\u00e1 completamente dominada por Stalin e pela burocracia sovi\u00e9tica, a Internacional n\u00e3o passava mais de um aparato pol\u00edtico burocr\u00e1tico a servi\u00e7o de manter os interesses e privil\u00e9gios da burocracia stalinista dominante na URSS. Foi nessa \u00e9poca, em seu VII Congresso, ocorrido em Moscou no ano de 1935, que a Internacional Comunista vota a pol\u00edtica da Frente Popular. Em 35, vale lembrar, as for\u00e7as fascistas est\u00e3o em ascens\u00e3o por todo o mundo, j\u00e1 tendo chegado ao poder na It\u00e1lia e na Alemanha. Esta orienta\u00e7\u00e3o, em s\u00edntese, significava a unidade pol\u00edtica e a possibilidade de governos em comum de todas as for\u00e7as que se diziam contra o fascismo. Como havia, em todos os pa\u00edses capitalistas, um setor da burguesia que se autodenominava \u201cdemocr\u00e1tico&#8221;, era preciso formar Frentes Populares com estes setores, onde se agregaria, tamb\u00e9m, a pequena-burguesia democr\u00e1tica. Dimitrov, maior porta-voz da pol\u00edtica da burocracia sovi\u00e9tica em seu VII Congresso, falava abertamente de governos em comum com a \u201cburguesia antifascista\u201d. Essa orienta\u00e7\u00e3o levou ao completo desastre, j\u00e1 que os fortes partidos comunistas do mundo todo tinham como centro da sua pol\u00edtica se aliar a um setor \u201cdemocr\u00e1tico\u201d da burguesia nacional.\u00a0Essa \u201cultrada\u201d no Brasil de 35, por meio de uma quartelada militar isolada do movimento de massas, n\u00e3o nega a estrat\u00e9gia geral stalinista. A estrat\u00e9gia etapista se mantinha \u2013 primeiramente uma fase nacional \u2013 e n\u00e3o contradizia a linha de colabora\u00e7\u00e3o de classes, j\u00e1 que o governo seria em comum com setores da burguesia.<\/p>\n<p><strong>O aventureirismo do levante de 35<\/strong><\/p>\n<p>Em julho de 35, logo ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de um manifesto que colocava a necessidade da queda do governo, Get\u00falio Vargas coloca a ANL na ilegalidade. Apesar de ter cerca de 50 mil filiados nesse momento, a manifesta\u00e7\u00e3o contra o decreto presidencial re\u00fane apenas cerca de 500 pessoas em S\u00e3o Paulo. Mesmo nessa situa\u00e7\u00e3o, Prestes e os dirigentes do PCB avaliam que estavam amadurecendo rapidamente condi\u00e7\u00f5es para uma derrubada revolucion\u00e1ria do governo e come\u00e7am a preparar uma insurrei\u00e7\u00e3o. A ANL segue funcionando na ilegalidade, ainda que com muito mais dificuldades. Em 23 de novembro, o \u201cputsch\u201d come\u00e7a. Os dirigentes da ANL esperavam ades\u00e3o ampla da massa, al\u00e9m de unidade nos quart\u00e9is em apoio ao levante. Nada disso se deu. Em quatro dias, o levante estava completamente esmagado pela repress\u00e3o de Vargas. O ponto mais alto onde chegou foi em Natal, onde o governo local foi destitu\u00eddo durante os quatro dias que durou o levante.<\/p>\n<p><strong>A repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Vargas\u00a0utilizou-se\u00a0politicamente do fracasso do levante para executar in\u00fameras pris\u00f5es. Prestes, l\u00edder do movimento, foi preso alguns meses depois, em mar\u00e7o de 1936; Olga Ben\u00e1rio, conhecida militante, foi deportada por Vargas \u00e0 Alemanha de Hitler, onde seria morta brutalmente em um campo de concentra\u00e7\u00e3o; ademais de outros membros da Internacional stalinista que aqui estavam.\u00a0O PCB foi atingido duramente pela repress\u00e3o e, juntamente com os tenentistas, teve diversos militantes presos. Os trotskistas, que n\u00e3o participaram nem apoiaram a ideia do levante da ANL, tamb\u00e9m foram atingidos. Em dezembro de 35, o dirigente trotskista Aristides Lobo foi levado \u00e0 pris\u00e3o. Nos meses subsequentes, a Liga Comunista Internacionalista (LCI), organiza\u00e7\u00e3o trotskista da \u00e9poca, foi perdendo outros militantes v\u00edtimas da repress\u00e3o. O levante de 35 foi utilizado por Vargas para justificar politicamente\u00a0o golpe bonapartista e a\u00a0ditadura que imp\u00f4s no Brasil entre 37 e 45, com o Estado Novo.\u00a0Ap\u00f3s essa dura derrota para o movimento de massas, o PCB, acompanhando a pol\u00edtica stalinista mundial, consolida seu giro \u00e0 direita numa orienta\u00e7\u00e3o de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Em meio a uma forte repress\u00e3o interna na URSS, os chamados processos de Moscou, em que toda a velha guarda bolchevique foi assassinada por Stalin. Mas a nova fase da pol\u00edtica do PCB j\u00e1 \u00e9 assunto para a pr\u00f3xima parte deste especial, numa nova edi\u00e7\u00e3o do Combate Socialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diego Vitello, Coordena\u00e7\u00e3o CST Em novembro de 1935, a Alian\u00e7a Nacional Libertadora,\u00a0dirigida pelo\u00a0Partido Comunista Brasileiro (PCB), protagoniza um levante armado contra o governo de Get\u00falio Vargas em diversas cidades do pa\u00eds. Essa a\u00e7\u00e3o resultou num verdadeiro desastre pol\u00edtico. 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