

	{"id":14874,"date":"2023-12-31T19:06:32","date_gmt":"2023-12-31T22:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14874"},"modified":"2024-05-09T19:08:51","modified_gmt":"2024-05-09T22:08:51","slug":"texto-7-os-manifestos-de-janeiro-de-1948-e-agosto-de-1950-o-governo-democratico-e-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-7-os-manifestos-de-janeiro-de-1948-e-agosto-de-1950-o-governo-democratico-e-popular\/","title":{"rendered":"Texto 7 &#8211; Os manifestos de janeiro de 1948 e agosto de 1950 \u2013 o governo democr\u00e1tico e popular"},"content":{"rendered":"<p><em><u>Por Jo\u00e3o Santiago, Coordena\u00e7\u00e3o da CST do Par\u00e1<\/u><\/em><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A 7 de maio de 1947 o PCB teve seu registro cassado no Tribunal Superior Eleitoral por 3 votos a 2 e consequentemente a perda de todos os seus mandatos em 12 de janeiro de 1948, por conta da Lei aprovada no Congresso Nacional. Luis Carlos Prestes como senador pelo DF-RJ e os 14 deputados federais foram cassados. Inaugurava-se uma nova fase de ilegalidade do partido orquestrada pela ditadura de Dutra e Gois Monteiro, os mesmos que derrubaram Get\u00falio Vargas em 29 de outubro de 1945.<\/p>\n<p>Jogado na ilegalidade (depois de uma defesa exaustiva da \u201cdemocracia\u201d liberal-burguesa no discurso de Luis Carlos Prestes de 1945) e com uma nova conjuntura internacional favor\u00e1vel vindo do leste da \u00c1sia, com a vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa liderada por Mao-Tse-Tung, o PCB vai entrar em uma nova fase, que historiadores oriundos do PCB, como Jo\u00e3o Quartim de Moraes chamam de \u201cguinada \u00e0 esquerda\u201d ou de \u201cradicaliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d, no caso de Daniel Aar\u00e3o Reis a partir dos manifestos de janeiro de 1948 e agosto de 1950.<\/p>\n<p>Segundo Quartim \u201cfoi esse o contexto em que se operou a guinada \u00e0 esquerda do PCB, programaticamente assumida no Manifesto de janeiro de 1948 e levada ao extremo no de agosto de 1950, ambos assinados por Prestes\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>. Tamb\u00e9m Daniel Aar\u00e3o Reis, localiza essa \u201cradicaliza\u00e7\u00e3o\u201d pol\u00edtica da seguinte forma: \u201cDe volta aos subterr\u00e2neos da sociedade, os comunistas reagiram com a radicaliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Dois textos pol\u00edticos&#8230;exprimiram de modo mais completo o novo curso pol\u00edtico adotado: o manifesto de janeiro de 1948 e, principalmente, o de agosto de 1950\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>. O que ele chamou de \u201cret\u00f3rica catastr\u00f3fica revolucion\u00e1ria\u201d teve suas causas tamb\u00e9m na radicaliza\u00e7\u00e3o da Guerra fria desde 1947, a partir da Guerra da Cor\u00e9ia e pelo triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa em outubro de 1949 (idem, p. 78).<\/p>\n<p>Aparentemente, para quem estivesse conhecendo Prestes e o PCB pela primeira vez e nunca tivesse conhecido a fase anterior do partido, das frentes com o burguesia dita \u201cprogressista\u201d, da \u201cUni\u00e3o Nacional\u201d, do apoio ao ex-ditador Get\u00falio Vargas quando da luta contra o nazi-fascismo, o envio de soldados para a guerra e a redemocratiza\u00e7\u00e3o por cima em 1945, se poderia concordar com as afirma\u00e7\u00f5es de Quartim e de outros historiadores como Daniel Aar\u00e3o Reis. Entretanto, mesmo quando analisamos os Manifestos de 1948 e 1950, e o informe pol\u00edtico de maio de 1949, todos assinados por Prestes, vemos que as coisas n\u00e3o s\u00e3o bem assim, e que a velha f\u00f3rmula stalinista das frentes populares e concilia\u00e7\u00e3o com a burguesia nacional progressista est\u00e3o presentes, principalmente ao insistirem na caracteriza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira como \u201csemifeudal e semicolonial\u201d, na proposta de uma Frente Democr\u00e1tica de Liberta\u00e7\u00e3o nacional e em um \u201cgoverno democr\u00e1tico e popular\u201d de todas as classes e camadas sociais<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>De fato, quando se compara toda a hist\u00f3ria anterior do PCB de antes do per\u00edodo de 1948-1954, tem-se a impress\u00e3o de que houve uma refunda\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas do PCB; os documentos e manifestos produzidos pareciam que colocavam o partido \u00e0s portas da tomada do poder pol\u00edtico, quando atacavam impiedosamente as classes dominantes e os governos \u201ctraidores\u201d, como Dutra e o pr\u00f3prio Get\u00falio Vargas no seu segundo per\u00edodo. Ledo engano. E \u00e9 isso que tentaremos demonstrar aqui.<\/p>\n<p><strong>Manifesto de 1948: Autocr\u00edtica pela trai\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas e viragem \u201cesquerdista\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O Manifesto de 1948 assinado por Prestes traz \u201ca necessidade de uma viragem\u201d na linha pol\u00edtica do PCB, e \u00e9 interessante como os elementos da <em>Autocr\u00edtica<\/em> feita pelo partido cont\u00e9m algumas das cr\u00edticas que a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda(trotskysta) fazia h\u00e1 anos: tend\u00eancias oportunistas, espontane\u00edsmo, o reformismo, a falta de um esp\u00edrito cr\u00edtico mais agudo, a incapacidade de levar mais a fundo o estudo da realidade; foi tudo isso junto que n\u00e3o permitiu ao partido perceber e assinalar as grandes mudan\u00e7as que houveram na situa\u00e7\u00e3o nacional e internacional desde o in\u00edcio de 1946, principalmente o car\u00e1ter reacion\u00e1rio da situa\u00e7\u00e3o brasileira a partir da deposi\u00e7\u00e3o de Vargas em outubro de 1945, e consequentemente da elei\u00e7\u00e3o e da posse de Dutra.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias para a classe oper\u00e1ria e para o povo se fizeram logo sentir, com a proibi\u00e7\u00e3o da campanha contra a Carta Fascista de 37 (de Vargas e do Estado Novo), a proibi\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es do 1\u00ba de maio a chacina do Largo da Carioca, no RJ, onde dois trabalhadores(Joaquim Coelho e Altair Figueira)<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a> foram mortos a metralhadas no dia 23 de maio de 1946; cerca de 1.500 trabalhadores paulistas que haviam feito greve estavam sendo processados pela Lei de Seguran\u00e7a Nacional, com o aval do governo de Ademar de Barros, o mesmo que o PCB ajudou a eleger. O \u201csil\u00eancio criminoso\u201d do partido diante das atrocidades de Ademar de Barros em SP e a \u201cconten\u00e7\u00e3o da luta das massas prolet\u00e1rias em nome da colabora\u00e7\u00e3o oper\u00e1rio-patronal e da alian\u00e7a com a <em>\u2018burguesia progressista<\/em>\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>, \u00e9 a tend\u00eancia direitista da qual fala o Manifesto de 1948.<\/p>\n<p>\u00c9 significativo na \u201cautocr\u00edtica\u201d presente no \u00a0Manifesto a sinceridade com que Prestes fala da trai\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas oper\u00e1rias e de como os comunistas \u201cfugiam\u201d das mesmas: \u201cca\u00edmos no exagero de ver em qualquer greve ou movimento de massas espont\u00e2neo uma provoca\u00e7\u00e3o perigosa e sempre contr\u00e1ria aos interesses do proletariado(&#8230;)mas, como no caso do \u201cquebra-bonde\u201d em S\u00e3o Paulo ou do com\u00edcio de 18 de setembro de 1947, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, quando as massas espontaneamente se lan\u00e7avam \u00e0 luta, eram os comunistas que delas fugiam ou se afastavam da luta em nome da ordem, para evitar \u2018provoca\u00e7\u00f5es\u2019&#8230;\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que em sua \u00faltima parte \u201cIniciativa nas lutas pelas reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas e imediatas das grandes massas\u201d, o PCB conclama uma t\u00e1tica ousada para as lutas sindicais, a ponto inclusive, de propor que se criem \u201cnovas organiza\u00e7\u00f5es profissionais nos pr\u00f3prios locais de trabalho\u201d, no caso de ser imposs\u00edvel fazer as lutas dentro das organiza\u00e7\u00f5es sindicais existentes. \u00c9 dever sempre dos comunistas, agora, \u201ctomar a iniciativa e n\u00e3o poupar nenhum esfor\u00e7o para organizar as massas trabalhadoras\u201d. Al\u00e9m disso um pequeno programa de seis pontos \u00e9 proposto para organizar um amplo movimento de oposi\u00e7\u00e3o ao governo Dutra, como a defesa da independ\u00eancia nacional contra a interven\u00e7\u00e3o imperialista, a defesa do petr\u00f3leo contra as concess\u00f5es aos monop\u00f3lios norte-americanos(1); defesa das liberdades populares(2), do n\u00edvel de vida das massas trabalhadoras, defesa do sal\u00e1rio contra a carestia de vida(3), defesa dos interesses dos camponeses(4), defesa da ind\u00fastria nacional(5) e a defesa contra a injusti\u00e7a, a desigualdade crescente, a corrup\u00e7\u00e3o (6)<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Quanto ao \u201cobjetivo estrat\u00e9gico\u201d presente no Manifesto repete a velha f\u00f3rmula stalinista de \u201cinstaura\u00e7\u00e3o no pa\u00eds de <em>um governo popular, democr\u00e1tico e progressista<\/em>\u201d, \u00fanico capaz de salvar o pa\u00eds da mis\u00e9ria, do aniquilamento, da perda total da soberania. Essa quest\u00e3o aprofundaremos mais adiante.<\/p>\n<p><strong>Manifesto de 1950: chamado \u00e0 luta revolucion\u00e1ria pelo poder e radicaliza\u00e7\u00e3o das t\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de dezembro de 1950, \u00e9 lan\u00e7ado em agosto o segundo Manifesto do PCB, que trouxe uma radicaliza\u00e7\u00e3o maior das t\u00e1ticas do partido e com uma proposta mais ousada da solu\u00e7\u00e3o dos problemas brasileiros (ausente no manifesto de 1948), que pregava o \u201ccaminho revolucion\u00e1rio\u201d atrav\u00e9s de uma Frente de Liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Essa foi a grande novidade deste Manifesto, embora mantenha as mesmas caracteriza\u00e7\u00f5es do Manifesto de 1948, do Informe pol\u00edtico de maio de 1949 \u2013 e que inclusive permanecer\u00e3o no Documento aprovado no IV Congresso de 1954<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a> \u2013 de que o Brasil sofria o risco iminente de ser uma na\u00e7\u00e3o colonizada, em uma rela\u00e7\u00e3o de completa submiss\u00e3o ao imperialismo norte-americano, de uma militariza\u00e7\u00e3o acelerada, onde o pa\u00eds seria arrastado para uma nova guerra mundial incentivada pelos Estados Unidos, e onde todos os governos eram governos de \u201ctrai\u00e7\u00e3o nacional\u201d(inclusive Vargas), \u201cgovernos de latifundi\u00e1rios e grandes capitalistas\u201d ou governos de \u201ctraidores e assassinos\u201d.<\/p>\n<p>Com essa caracteriza\u00e7\u00e3o, complementada com a execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Vargas que disputa a elei\u00e7\u00e3o de dezembro, taxando-o como \u201cvelho tirano\u201d e \u201clatifundi\u00e1rio\u201d, \u201cpai dos tubar\u00f5es dos lucros extraordin\u00e1rios\u201d, o Manifesto abre o caminho para uma t\u00e1tica eleitoral in\u00e9dita, que nunca antes o PCB havia executado: o chamado ao <em>voto em branco<\/em> nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. \u201dSob o jugo imperialista, como nos encontramos, nem elei\u00e7\u00f5es nem golpes de Estado \u2018salvadores\u2019 poder\u00e3o modificar a situa\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Qual seria a sa\u00edda ent\u00e3o? O \u201ccaminho da luta e da a\u00e7\u00e3o\u201d, \u201co caminho da revolu\u00e7\u00e3o\u201d. H\u00e1 um apelo muito claro no Manifesto pela sa\u00edda revolucion\u00e1ria, visto que as elei\u00e7\u00f5es de dezembro n\u00e3o resolver\u00e3o os problemas das massas: \u201c&#8230;diante dos perigos que amea\u00e7am os destinos da na\u00e7\u00e3o, apresentamos a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel e progressista dos problemas brasileiros \u2013 a solu\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u2013 que pode e h\u00e1 de ser realizada pela a\u00e7\u00e3o unida do pr\u00f3prio povo com a classe oper\u00e1ria \u00e0 frente\u201d<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Entretanto, essa fraseologia revolucion\u00e1ria do PCB traz junto consigo a velha f\u00f3rmula stalinista de um governo \u201cdemocr\u00e1tico e popular\u201d. Colocar abaixo a ditadura de latifundi\u00e1rios e grandes capitalistas, substituir o governo da trai\u00e7\u00e3o, da guerra e do terror, s\u00f3 pode ser pela via do \u201cgoverno efetivamente democr\u00e1tico e popular\u201d, onde caberia todos os democratas e patriotas atrav\u00e9s de uma Frente Democr\u00e1tica de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional. Esse governo teria a tarefa de liquidar as bases econ\u00f4micas da rea\u00e7\u00e3o, confiscando as empresas imperialistas e os grandes monop\u00f3lios estrangeiros e nacionais, a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos, dos servi\u00e7os p\u00fablicos, das minas, das quedas d\u2019\u00e1gua, assim como o confisco das grandes propriedades latifundi\u00e1rias, sem indeniza\u00e7\u00e3o, que devem \u201cpassar gratuitamente para as m\u00e3os dos que nelas vivem e trabalham, os camponeses pobres. Na composi\u00e7\u00e3o desse governo \u201cdemocr\u00e1tico e popular\u201d caberiam \u201ctodas as classes e camadas sociais que lutem efetivamente pela liberta\u00e7\u00e3o nacional, sob a dire\u00e7\u00e3o do proletariado\u201d. Al\u00e9m de oper\u00e1rios e camponeses, intelectuais pobres, pequenos funcion\u00e1rios, cabe tamb\u00e9m \u201ccomerciantes e industriais\u201d, soldados e marinheiros, oficiais das for\u00e7as armadas. Essa seria a composi\u00e7\u00e3o da Frente Democr\u00e1tica de Liberta\u00e7\u00e3o nacional. Nos nove pontos program\u00e1ticos apresentados no final do Manifesto, a hierarquia n\u00famero 1 \u00e9 para o governo \u201cdemocr\u00e1tico popular\u201d, depois a quest\u00e3o da paz e contra a guerra imperialista, onde entra a defesa da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, da China e dos governos de democracia popular do Leste Europeu, a liberta\u00e7\u00e3o do jugo imperialista, principalmente com a anula\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa do Estado, a entrega da terra para quem nela trabalha, desenvolvimento da economia nacional, liberdades democr\u00e1ticas para o povo, melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das massas trabalhadoras, instru\u00e7\u00e3o e cultura para o povo e a conforma\u00e7\u00e3o de um Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A falada \u201cguinada \u00e0 esquerda\u201d ou a dita \u201cradicaliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d do PCB, como diziam os historiadores do PCB, n\u00e3o poderia durar muito tempo. E de fato n\u00e3o durou. N\u00e3o fazia parte da linha pol\u00edtica de Prestes e da maioria da dire\u00e7\u00e3o do PCB uma \u201ca\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d contra os latifundi\u00e1rios e o imperialismo e contra os governos de \u201ctrai\u00e7\u00e3o nacional\u201d. O atrelamento \u00e0 linha do stalinismo mundial atrav\u00e9s da ex-URSS, da paz mundial, da coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo, colocavam limites \u00e0 linha tra\u00e7ada nos Manifestos de 1948 e 1950. Esses seis anos de \u201cesquerdismo\u201d, de \u201cradicaliza\u00e7\u00e3o\u201d, foram um ponto fora da reta. Antes mesmo do IV Congresso se realizar, em 1954, \u00a0o PCB j\u00e1 havia mudado sua t\u00e1tica sindical, de fundar \u201csindicatos vermelhos\u201d, voltando \u00e0 unidade e \u00e0s frentes com os velho sindicalismo do PTB de Vargas. Bastou o suic\u00eddio de Vargas para que o PCB retomasse toda sua linha anterior a 1948, com as frentes populares e o apoio \u00e0s \u201cburguesias progressistas\u201d, apoiando Juscelino Kubtchesk nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1956 e Jo\u00e3o Goulart na elei\u00e7\u00e3o seguinte, com as suas \u201creformas de Base\u201d. \u00a0Na verdade, os dirigentes do PCB voltaram ao ponto de onde nunca deveriam ter sa\u00eddo, na opini\u00e3o de velhos quadros e dirigentes do partido, como Mois\u00e9s Vinhas, que nunca aceitaram a fase de radicaliza\u00e7\u00e3o do PCB<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> . Jo\u00e3o Quartim de Moraes. Concep\u00e7\u00f5es Comunistas do Brasil Democr\u00e1tico, Esperan\u00e7as e Crispa\u00e7\u00f5es (1944-1954). In: Jo\u00e3o Quartim de Moraes (org.). <em>Hist\u00f3ria do Marxismo no Brasil<\/em>. Vol. 3 Teorias, Interpreta\u00e7\u00f5es. 2\u00aa ed.Campinas\/SP: Editora da Unicamp, 2007; p\u00e1g. 220.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> . Daniel Aar\u00e3o Reis. Entre Reforma e Revolu\u00e7\u00e3o: a trajet\u00f3ria do Partido Comunista do brasil entre 1943 e 1964. In: Ridenti, Marcelo e Reis Filho, Daniel Aar\u00e3o. <em>Hist\u00f3ria do marxismo no Brasil<\/em>, Vol. V (partidos e organiza\u00e7\u00f5es dos anos 20 aos 60). Campinas: SP: Editora da Unicamp, 2002, p. 76.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> . Edgar Carone. O PCB (1943-1964), volume II. S\u00e3o Paulo: Difel, 1982, p\u00e1g. 109.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> . Voz Oper\u00e1ria, Rio, 13\/05\/50, p\u00e1g. 5.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> . Edgar Carone, \u00a0obra citada, p. 81.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> . Edgar Carone, obra citada, p.83.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> . Edgar Carone, obra citada, pp.88-89,<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> . \u201cArrastar o Brasil \u00e0 guerra, vend\u00ea-lo aos imperialistas norte-americanos a fim de conservar o latif\u00fandio e as sobreviv\u00eancias feudais e escravistas na agricultura \u2014 eis o objetivo de toda a pol\u00edtica do governo de latifundi\u00e1rios e grandes capitalistas\u201d. <em>O Programa do Partido Comunista do Brasil<\/em>. In; <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/tematica\/rev_prob\/64\/programa.htm.%20Acesso\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/tematica\/rev_prob\/64\/programa.htm. Acesso<\/a> em: 16\/12\/22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> . Voz Oper\u00e1ria, Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1950. In: PCB: Manifesto de 1950. <em>Nova Cultura<\/em>.info, 14 de agosto de 2020. Acesso em: 16\/12\/22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> . In: PCB: Manifesto de 1950. <em>Nova Cultura<\/em>.info, 14 de agosto de 2020, p. 6. Acesso em: 16\/12\/22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> . Ede Ricardo Soares. Do Manifesto de Janeiro de 1948 \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o de 1958 e al\u00e9m: a insubordina\u00e7\u00e3o das bases do PCB frente \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es dos Manifestos de Janeiro de 1948 e agosto de 1950. In: SENA J\u00daNIOR, C.Z., ed. <em>Cap\u00edtulos de hist\u00f3ria dos comunistas no Brasil <\/em>[online]. Salvador: EDUFBA, 2016, pp. 197-213. ISBN: 978-85-232-1873-7.https:\/\/doi.org\/10.7476\/9788523218737.0011.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Santiago, Coordena\u00e7\u00e3o da CST do Par\u00e1 Introdu\u00e7\u00e3o A 7 de maio de 1947 o PCB teve seu registro cassado no Tribunal Superior Eleitoral por 3 votos a 2 e consequentemente a perda de todos os seus mandatos em 12 de janeiro de 1948,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14874","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14874","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14874"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14874\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}