

	{"id":14928,"date":"2024-05-11T15:16:04","date_gmt":"2024-05-11T18:16:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=14928"},"modified":"2024-05-11T15:16:04","modified_gmt":"2024-05-11T18:16:04","slug":"tragedia-no-rs-poderia-ser-evitada-mas-nao-foi-em-razao-da-negligencia-de-governos-e-ganancia-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/05\/11\/tragedia-no-rs-poderia-ser-evitada-mas-nao-foi-em-razao-da-negligencia-de-governos-e-ganancia-capitalista\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia no RS poderia ser evitada, mas n\u00e3o foi em raz\u00e3o da neglig\u00eancia de governos e gan\u00e2ncia capitalista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por: CSP-Conlutas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. Tem causas e respons\u00e1veis e fazer esse debate \u00e9 fundamental para tentarmos evitar que isso se repita<\/strong><\/p>\n<p>Em menos de um ano, o Rio Grande do Sul enfrenta a quarta temporada de fortes chuvas que resultou em enchentes hist\u00f3ricas, destrui\u00e7\u00e3o e mortes. Nos temporais que atingiram o estado nos meses de junho, setembro e novembro, morreram 81 pessoas. Com as chuvas dos \u00faltimos dias, j\u00e1 foram mais de 100. \u00c9 a maior cat\u00e1strofe ambiental e social da hist\u00f3ria do estado e uma das maiores do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A gravidade da situa\u00e7\u00e3o exige que a solidariedade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o deve ser prioridade neste momento, seja com a cobran\u00e7a contundente aos governos para que garantam toda assist\u00eancia e recursos \u00e0s fam\u00edlias agora e tamb\u00e9m no pr\u00f3ximo per\u00edodo, seja atrav\u00e9s das campanhas que o povo brasileiro tem realizado de forma exemplar e comovente, como a que nossa Central est\u00e1 fazendo (saiba mais aqui).<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 preciso que se diga: essa situa\u00e7\u00e3o poderia ter sido evitada ou, pelo menos, ter suas consequ\u00eancias minimizadas. N\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. Tem causas e respons\u00e1veis. Fazer esse debate \u00e9 fundamental para tentarmos evitar que isso se repita.<\/p>\n<p><strong>O capitalismo pode destruir o planeta<\/strong><\/p>\n<p>Diante da como\u00e7\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul, os governos, especialmente do governador Eduardo Leite (PSDB), jogam a culpa na \u201cnatureza\u201d e tentam se esquivar de qualquer responsabilidade. A ultradireita, que \u00e9 negacionista e contradiz a Ci\u00eancia e as evid\u00eancias da crise clim\u00e1tica, tem a cara de pau de dizer que \u201cbuscar respons\u00e1veis no atual momento \u00e9 politizar o debate\u201d. Uma postura c\u00ednica e criminosa.<\/p>\n<p>Climatologistas alertam: essa trag\u00e9dia n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima. H\u00e1 anos, ambientalistas avisam que a ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos cada vez mais extremos ser\u00e1 o \u201cnovo normal\u201d, em raz\u00e3o da crise ambiental que afeta o planeta. A situa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul faz parte desse cen\u00e1rio, assim como outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Essa semana, o Maranh\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 sob fortes chuvas e 31 munic\u00edpios decretaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. O Pantanal enfrenta nova seca.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 assim, pois a causa para essas cat\u00e1strofes ambientais \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o imposta pela gan\u00e2ncia capitalista que, para obter lucros, n\u00e3o se preocupa com a preserva\u00e7\u00e3o da natureza. Uma degrada\u00e7\u00e3o que conta com a coniv\u00eancia de todos os governos.<\/p>\n<p><strong>Governos receberam alertas e ignoraram<\/strong><\/p>\n<p>No caso do RS, para usarmos como exemplo, os modelos climatol\u00f3gicos j\u00e1 previam h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada o aumento na precipita\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Sul e do entorno da bacia do Prata. Segundo o Observat\u00f3rio do Clima, em 2015, um estudo produzido pelo pr\u00f3prio governo federal afirmava que o sul da Am\u00e9rica do Sul, em especial a bacia do Prata, poderia ter chuvas mais intensas e por mais tempo, conforme o aquecimento global piorasse. A pesquisa \u201cBrasil 2040: cen\u00e1rios e alternativas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima\u201d foi divulgada sem alarde, ap\u00f3s o ent\u00e3o ministro Roberto Mangabeira Unger assumir a Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos e demitir a equipe respons\u00e1vel pela pesquisa. De l\u00e1 para c\u00e1, n\u00e3o se fez o necess\u00e1rio para evitar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio. Como mostrou a Ag\u00eancia P\u00fablica, o governo de Eduardo Leite engavetou planos para lidar com a mudan\u00e7a do clima e os parlamentares do estado, assim como no Congresso Nacional, t\u00eam se dedicado a desmontar a legisla\u00e7\u00e3o ambiental do Brasil, o que fragiliza cada vez mais o meio ambiente, favorecendo inunda\u00e7\u00f5es, cheias, deslizamentos, etc.<\/p>\n<p>Em 2019, no primeiro mandato de Eduardo Leite, um projeto do governo removeu ou alterou 480 pontos do C\u00f3digo Ambiental do estado, flexibilizando exig\u00eancias e enfraquecendo a prote\u00e7\u00e3o. O texto, apresentado pela gest\u00e3o Leite e aprovado na Assembleia Legislativa com 37 votos favor\u00e1veis (dos 55 deputados), autorizou, por exemplo, a supress\u00e3o parcial ou total de matas ciliares (que ficam em volta de rios) e \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o vegetal defensivas \u00e0 eros\u00e3o de encostas em todo o estado. Essas matas e vegeta\u00e7\u00f5es ajudam a prevenir enchentes e deslizamentos. Em 2021, o governo autorizou o chamado &#8220;autolicenciamento privado&#8221; para 49 atividades econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Poucos dias antes do in\u00edcio das chuvas, segundo o site Sul21, a Agapan (Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural) enviou ao governador o of\u00edcio intitulado \u201cAlerta ao Estado do Rio Grande do Sul e ao Governador do Estado\u201d. \u201cAlertamos que a falta de atitudes para estancar e reverter processos que contribuem para o avan\u00e7o da crise \u2013 a exemplo da libera\u00e7\u00e3o de mais venenos agr\u00edcolas, da autoriza\u00e7\u00e3o para destruir \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, da falta de uma pol\u00edtica permanente de recupera\u00e7\u00e3o de matas ciliares, do incentivo anacr\u00f4nico \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de polos carboqu\u00edmicos e de instala\u00e7\u00f5es de infraestrutura que n\u00e3o reconhe\u00e7am os direitos das comunidades tradicionais, da falta de cuidados e inger\u00eancia dos recursos h\u00eddricos, entre outros \u2013 ser\u00e1 motivo de proposta de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica de nossa parte. \u00c9 apenas um alerta com o objetivo claro de contar com a parceria para encontrar \u2018solu\u00e7\u00f5es coletivas\u2019 para estancar e fazer a nossa parte, enquanto povo ga\u00facho, para ajudar a reverter as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirma trecho do documento.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que com o discurso em defesa de um suposto \u201cdesenvolvimento\u201d, o Rio Grande do Sul, assim como outros governos, pol\u00edticos e empres\u00e1rios, defendem, na pr\u00e1tica, a l\u00f3gica da privatiza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sem limites da natureza para garantir lucros do agroneg\u00f3cio, grandes empresas e a especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e imobili\u00e1ria. Em resumo, os lucros de uma minoria em detrimento da vida das pessoas e do meio ambiente.<\/p>\n<p>Em live realizada nesta quinta-feira pela CSP-Conlutas, os dirigentes da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Rejane Oliveira e Paulo Barela, que s\u00e3o ga\u00fachos inclusive, falaram sobre essa situa\u00e7\u00e3o e destacaram essa responsabilidade direta dos governos e do capitalismo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos sofrendo as consequ\u00eancias de pol\u00edticas que h\u00e1 muito tempo estamos denunciando que s\u00e3o as privatiza\u00e7\u00f5es, o desmatamento, a a\u00e7\u00e3o de grileiros, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, que n\u00e3o respeitam \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental, terras ind\u00edgenas, os povos ribeirinhos, enfim, que n\u00e3o se preocupam com a natureza ou a vida das pessoas. \u00c9 nossa tarefa mostrar para as pessoas que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. Tem causas e respons\u00e1veis\u201d, disse Rejane.<\/p>\n<p>Paulo Barela trouxe v\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es que demonstram a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e a responsabilidade dos governantes nas esferas federal, estadual e municipal. Destacou que \u00e9 preciso denunciar e cobrar os governos um plano emergencial para garantir assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o atingida, especialmente os mais pobres e vulner\u00e1veis, e outras medidas como a suspens\u00e3o do pagamento da D\u00edvida P\u00fablica que drena os recursos do Or\u00e7amento do pa\u00eds para garantir lucros dos banqueiros. \u201cAcima de tudo, precisamos discutir com a classe trabalhadora, a mais afetada por esse crise clim\u00e1tica, que \u00e9 preciso atacar a causa dessa barb\u00e1rie provocada pelo capitalismo. Precisamos lutar por uma sociedade socialista\u201d, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: CSP-Conlutas Situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. 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