

	{"id":15038,"date":"2023-09-14T16:51:42","date_gmt":"2023-09-14T19:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=15038"},"modified":"2024-05-14T17:12:55","modified_gmt":"2024-05-14T20:12:55","slug":"chile-fim-da-via-pacifica-antenor-alexandre-revista-da-america-1973","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/09\/14\/chile-fim-da-via-pacifica-antenor-alexandre-revista-da-america-1973\/","title":{"rendered":"Chile: Fim da via pac\u00edfica, Antenor Alexandre, Revista da Am\u00e9rica 1973"},"content":{"rendered":"<p>Quando se completa 50 anos do golpe de Pinochet no Chile, muitas s\u00e3o as li\u00e7\u00f5es que podemos aprender. \u00c9 o que pretendemos fazer. Para iniciar essa reflex\u00e3o, e extrair conclus\u00f5es para nossa constru\u00e7\u00e3o atualmente, vamos republicar um longo artigo de Antenor Alexandre. Um dos trotskistas brasileiros exilados no Chile que integrou o grupo Ponto de Partida.<\/p>\n<p>At\u00e9 onde verificamos, trata-se de uma primeira vers\u00e3o em portugu\u00eas dessa obra, realizada pelas edi\u00e7\u00f5es Combate Socialista. At\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 encontr\u00e1vamos em espanhol.O texto foi escrito no calor da hora, em meio ao golpe, com a conclus\u00e3o aguda do \u201cfim da via pac\u00edfica\u201d. Foi originalmente publicado na Revista da Am\u00e9rica n\u00b011 de novembro de 1973, peri\u00f3dico da corrente trotskista liderada por Nahuel Moreno.<\/p>\n<p>Em todo caso est\u00e1 o texto a disposi\u00e7\u00e3o de quem tiver interesse.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>O FIM DA VIA PAC\u00cdFICA<\/strong><\/p>\n<p><strong>ANTENOR ALEXANDRE<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>A partir de outubro de 1972, durante a famosa greve dos patr\u00f5es, as paredes de Santiago foram cobertas com um novo slogan: \u201cYAKARTA VIENE\u201d (YAKARTA EST\u00c1 VINDO)\u00b9. A direita lan\u00e7ou a sua primeira grande ofensiva e, perante a transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para o socialismo &#8211; proposta pelo Partido Comunista &#8211; respondeu com viol\u00eancia reacion\u00e1ria e a promessa de um banho de sangue.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Onze meses depois, a promessa foi cumprida. Milhares de ativistas oper\u00e1rios, estudantes e camponeses foram assassinados nas f\u00e1bricas, nas ruas, nos quart\u00e9is e nos est\u00e1dios. As organiza\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas da classe oper\u00e1ria (como a CUT e os Cordones Industriales) foram dizimadas por fogo de tanques e bombas de avi\u00f5es. Em poucos dias, a experi\u00eancia dourada da \u201cvia chilena para o socialismo\u201d deu lugar a uma trag\u00e9dia hist\u00f3rica, proporcionalmente t\u00e3o violenta como o golpe que derrubou Sukarno na Indon\u00e9sia.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Perante acontecimentos como este, que afetam todo o movimento revolucion\u00e1rio latino-americano e mundial, devemos perguntar-nos: a que se deve esta trag\u00e9dia? Qual foi a pol\u00edtica da Unidade Popular? O que faltou no Chile para que a revolu\u00e7\u00e3o socialista triunfasse?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para responder a estas perguntas da forma mais objetiva poss\u00edvel, escolhemos como m\u00e9todo basear o nosso artigo em cita\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios dirigentes pol\u00edticos da Unidade Popular. Desta forma, os camaradas ter\u00e3o documentado os principais eixos pol\u00edticos da esquerda chilena.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A POL\u00cdTICA DO REFORMISMO<\/strong><\/p>\n<p>Em 4 de mar\u00e7o de 1973, a Unidade Popular obteve uma vit\u00f3ria eleitoral (43% dos votos), o que demonstrou o apoio da classe trabalhadora ao governo de Salvador Allende e seus dois principais partidos pol\u00edticos, o PC e o SP. No entanto, em vez de implementar a vit\u00f3ria eleitoral fazendo recuar a direita, que j\u00e1 havia realizado uma tentativa de golpe em outubro de 1972, os partidos da Unidade Popular mantiveram sua pol\u00edtica reformista de fazer a revolu\u00e7\u00e3o por meios pac\u00edficos. Assim, dias depois de 4 de mar\u00e7o, Lu\u00eds Corval\u00e1n, secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista, declarou em uma entrevista \u00e0 revista Chile Hoy, edi\u00e7\u00e3o 43:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o apontamos duas obriga\u00e7\u00f5es (dos comunistas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es), mas tr\u00eas; <em>a terceira \u00e9 garantir que cheguemos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 76 e assegurar o triunfo de um novo governo popular e revolucion\u00e1rio que continuar\u00e1 o trabalho que coube ao camarada Allende iniciar. Essas tr\u00eas obriga\u00e7\u00f5es est\u00e3o intimamente unidas e basicamente delineiam uma perspectiva revolucion\u00e1ria que apenas reafirma a conhecida orienta\u00e7\u00e3o do Partido Comunista no sentido de considerar que \u00e9 poss\u00edvel, nas condi\u00e7\u00f5es concretas de nosso pa\u00eds, realizar a revolu\u00e7\u00e3o anti-imperialista e anti-olig\u00e1rquica e construir o socialismo sem a necessidade de um confronto armado.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u201c&#8230;Mas, assim como at\u00e9 agora conseguimos amarrar as m\u00e3os daqueles que buscaram esse tipo de confronto, acreditamos ser poss\u00edvel, no futuro, isolar e derrotar esses setores e, <em>assim, sustentar o governo, aprofundar simultaneamente o processo revolucion\u00e1rio e, com base nisso, conquistar a maioria do pa\u00eds e, assim, conseguir a gera\u00e7\u00e3o, na elei\u00e7\u00e3o de 1976, de um novo governo revolucion\u00e1rio<\/em>. Essa \u00e9 uma perspectiva ousada que provavelmente dar\u00e1 origem a opini\u00f5es contr\u00e1rias&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>\u201c&#8230;Ao elaborar essa perspectiva, \u00e9 claro que nos baseamos nas tend\u00eancias marcadas pelos resultados das elei\u00e7\u00f5es recentes. Fizemos um estudo dos resultados das elei\u00e7\u00f5es em 52 comunas de caracter\u00edsticas muito variadas, o que permite afirmar que eles s\u00e3o representativos do eleitorado como um todo. Bem, nas antigas se\u00e7\u00f5es eleitorais correspondentes a essas comunas, a oposi\u00e7\u00e3o obteve 58,3% dos votos e nas novas se\u00e7\u00f5es eleitorais obteve 48,7%. Por outro lado, nas antigas se\u00e7\u00f5es eleitorais, a Unidade Popular obteve 40% dos votos e, nas novas se\u00e7\u00f5es eleitorais, 49,7%. <em>Nas elei\u00e7\u00f5es de 1976, cerca de 800.000 novos eleitores poder\u00e3o se registrar e votar, jovens que agora t\u00eam entre 15 e 18 anos de idade. E se essa tend\u00eancia continuar, como \u00e9 previs\u00edvel, isso significa que a UP poder\u00e1 obter um aumento significativo em sua porcentagem por meio dos votos de seus novos eleitores<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m levamos em conta os resultados das mesas de mulheres. Na primeira vez que as mulheres votaram no Chile, a esquerda obteve 13 ou 15 votos em 100. Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, obteve 30 ou 31 votos em 100. Ao mesmo tempo, os resultados eleitorais mostram um apoio crescente da classe trabalhadora e dos camponeses \u00e0 UP, o que \u00e9 bastante compreens\u00edvel, j\u00e1 que essas s\u00e3o as for\u00e7as sociais que mais ganham com a transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade, que constituem o principal apoio do governo e que s\u00e3o chamadas a continuar sendo sua principal base de massa\u201d.<\/p>\n<p>Com essa pol\u00edtica eleitoralista, os partidos da UP &#8211; liderados pelo PC &#8211; entraram em di\u00e1logo com a Democracia Crist\u00e3. Luis Maira, deputado e l\u00edder nacional da Esquerda Crist\u00e3, explica por que e como isso ser\u00e1 feito para obter uma \u201campla maioria para apoiar o processo de mudan\u00e7a\u201d (Chile Hoy, n\u00ba 40):<\/p>\n<p>\u201c&#8230;Mas junto com a opini\u00e3o de Leighton, outra j\u00e1 est\u00e1 surgindo entre as tend\u00eancias n\u00e3o direitistas do PDC. E ela sustenta que, assim como ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es objetivas favor\u00e1veis para buscar a integra\u00e7\u00e3o da Democracia Crist\u00e3 nas responsabilidades do governo. <em>A presen\u00e7a das For\u00e7as Armadas no gabinete de Salvador Allende, fornece uma base nacional que pode servir de ponte para uma colabora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais ampla, \u00e9 uma boa ajuda para alcan\u00e7ar essa possibilidade<\/em>. Se isso fosse poss\u00edvel, seriam abertas perspectivas \u201chist\u00f3ricas\u201d, pois, de acordo com aqueles que defendem essa posi\u00e7\u00e3o, seria poss\u00edvel integrar praticamente toda a base da Democracia Crist\u00e3 \u00e0 base de apoio dos partidos da Unidade Popular, o que proporcionaria uma \u201campla maioria\u201d para apoiar o processo de mudan\u00e7a iniciado e garantir suas indispens\u00e1veis corre\u00e7\u00f5es&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Se o \u201cdi\u00e1logo\u201d \u00e9 o eixo pol\u00edtico da estrat\u00e9gia reformista para a transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, sua face econ\u00f4mica ser\u00e1 o aumento da produ\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c<em>O principal objetivo da revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a conquista do poder em si, mas a mudan\u00e7a da sociedade, a cria\u00e7\u00e3o de uma nova ordem econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social e uma nova cultura. <\/em>E, \u00e9 claro, falando apenas do aspecto econ\u00f4mico, n\u00e3o basta mudar as estruturas dessa ordem de coisas. \u00c9 indispens\u00e1vel mostrar, por exemplo, que as f\u00e1bricas de propriedade social e as terras nas m\u00e3os dos camponeses podem produzir mais e melhor agora do que antes. Por outro lado, n\u00e3o podemos negar a gravidade das dificuldades econ\u00f4micas e financeiras que o pa\u00eds est\u00e1 enfrentando e a obriga\u00e7\u00e3o que temos de super\u00e1-las. Para n\u00f3s, aumentar a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a tarefa das tarefas, tanto pol\u00edtica quanto socialmente\u201d. (Luis Corval\u00e1n, revista Chile Hoy, n\u00ba 43).<\/p>\n<p>Enquanto o PC defendia a transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para o socialismo, com base nos resultados das elei\u00e7\u00f5es (e propunha, al\u00e9m do di\u00e1logo com a DC, a devolu\u00e7\u00e3o de algumas empresas adquiridas pelos trabalhadores em outubro de 1972), o Partido Socialista, por meio de seu secret\u00e1rio-geral, Carlos Altamirano, avan\u00e7ou mais para a esquerda, embora sem romper com toda a estrat\u00e9gia delineada pelo PC.<\/p>\n<p>Altamirano costumava falar sobre a necessidade de desenvolver o \u201cpoder do povo\u201d; que as empresas capitalistas tinham de ser expropriadas e que a classe m\u00e9dia tinha de ser conquistada por meio de uma pol\u00edtica ousada. Mas, na verdade, nem ele nem o Partido Socialista implementaram essa pol\u00edtica. Pelo contr\u00e1rio, o PC e o PS sempre tocaram uma pol\u00edtica conjunta: a de conter o proletariado, controlar suas mobiliza\u00e7\u00f5es e canaliz\u00e1-lo pelo caminho legal e constitucional proposto por Salvador Allende em seus discursos.<\/p>\n<p>Enquanto o PC sempre deixou claras suas inten\u00e7\u00f5es e seu programa, o mesmo n\u00e3o ocorreu com o PS. Embora seu programa fosse basicamente id\u00eantico (a via parlamentar, as reformas econ\u00f4micas e o apoio aos militares), ele precisava mistur\u00e1-lo com uma linguagem radicalizada. E havia uma raz\u00e3o para isso: por n\u00e3o liderar um partido monol\u00edtico como o PC, Altamirano era obrigado a radicalizar suas posi\u00e7\u00f5es verbalmente, a fim de evitar uma cis\u00e3o. Mas o descontentamento permaneceu at\u00e9 o fim em vastos setores da base socialista. Na linguagem da juventude socialista, o trabalho de Altamirano consistia em \u201cequilibrar os \u2018guatones\u2019 e os \u2018revolucion\u00e1rios\u2019\u00b2.<\/p>\n<p>O texto a seguir ilustra bem o palavreado do secret\u00e1rio-geral do PS (Chile Hoy N\u00b039):<\/p>\n<p>\u201c&#8230;Surpreendente para as for\u00e7as revolucion\u00e1rias. Antes da elei\u00e7\u00e3o, esper\u00e1vamos obter entre 40% e 41% como m\u00e9dia nacional. Nunca pensamos em 43,39%. <em>Mais uma vez a consci\u00eancia do povo nos atinge. A consci\u00eancia do povo e sua resposta revolucion\u00e1ria s\u00e3o superiores ao que seus l\u00edderes pensam<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, devemos considerar que na elei\u00e7\u00e3o municipal de 71, quando obtivemos pouco mais de 49% dos votos, o Partido Radical estava unido. A divis\u00e3o representa quase tr\u00eas por cento. Portanto, a deteriora\u00e7\u00e3o do apoio popular em rela\u00e7\u00e3o a essas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 insignificante, e devemos ter em mente que, naquela \u00e9poca, o processo revolucion\u00e1rio estava apenas come\u00e7ando. Ainda n\u00e3o havia s\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas. O processo inflacion\u00e1rio havia sido contido. Havia pleno abastecimento. Era o momento de ouro do processo.<\/p>\n<p>\u201cAgora, com todas as dificuldades e problemas existentes, o ex\u00e9rcito popular mant\u00e9m em subst\u00e2ncia suas for\u00e7as num\u00e9ricas, melhorando qualitativamente de forma extraordin\u00e1ria sua consci\u00eancia de classe, sua vontade de lutar e sua determina\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria&#8230;\u201d (idem).<\/p>\n<p>Como qualquer reformista que n\u00e3o confia nas massas, mas confia em sua capacidade de manobra parlamentar, Altamirano ficou surpreso com a resposta revolucion\u00e1ria do povo, que \u201c\u00e9 superior ao que seus l\u00edderes pensam\u201d. Mas ele n\u00e3o explicou o que os l\u00edderes da UP estavam pensando antes das elei\u00e7\u00f5es de 4 de mar\u00e7o. Ele n\u00e3o explicou por que Allende, militante do PS, destruiu as JAPS como organismos de duplo poder na distribui\u00e7\u00e3o e por que ele &#8211; Altamirano &#8211; n\u00e3o denunciou a atitude do \u201ccamarada presidente\u201d, que favoreceu os setores burgueses ligados \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o, como foi o caso da CENADI (Central Nacional de Distribuci\u00f3n), por exemplo. Altamirano tamb\u00e9m n\u00e3o explica como o PS &#8211; que a princ\u00edpio era contra &#8211; seguiu a linha do PC e come\u00e7ou a divulgar o general Carlos Prats e as For\u00e7as Armadas, ap\u00f3s a ascens\u00e3o do gabinete civil-militar. Logicamente, esses \u201cl\u00edderes\u201d tinham motivos para se surpreender: seus pensamentos e a\u00e7\u00f5es eram diametralmente opostos aos pensamentos e a\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora. Mas vamos continuar com Altamirano:<\/p>\n<p>\u201c&#8230;A vota\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria obtida pela Unidade Popular constitui um endosso categ\u00f3rico do car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do governo. O povo valorizou, acima de tudo, as medidas pol\u00edticas nacionais e internacionais. Apesar da esmagadora propaganda reacion\u00e1ria, eles desconsideraram os fatores econ\u00f4micos negativos, como infla\u00e7\u00e3o e escassez. Esse fato mostra que a nacionaliza\u00e7\u00e3o do cobre, a extens\u00e3o da \u00e1rea social, a reforma agr\u00e1ria, a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, a constitui\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas formas de poder popular por meio dos Comandos Comunais, Conselhos Camponeses, Cord\u00f5es Industriais, JAP, tiveram maior relev\u00e2ncia para a classe trabalhadora e os setores comprometidos da pequena e m\u00e9dia burguesia do que os fatores econ\u00f4micos tradicionais. <em>Em outras palavras, o povo votou a favor das medidas pol\u00edticas de car\u00e1ter revolucion\u00e1rio adotadas pelo Governo Popular. Ali\u00e1s, \u00e9 isso que distingue esse governo de apenas mais um governo reformista<\/em>. No caso muito hipot\u00e9tico de ele perder seu impulso revolucion\u00e1rio, o apoio das massas seria, sem d\u00favida, reduzido.\u201d<\/p>\n<p>\u201cRepetimos que, nacional e internacionalmente, o valor deste governo \u00e9 seu car\u00e1ter revolucion\u00e1rio. A convic\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, dos camponeses, da juventude e dos setores m\u00e9dios comprometidos de serem protagonistas dessa experi\u00eancia hist\u00f3rica transcendental levou-os a dar-lhe seu apoio entusi\u00e1stico e desinteressado&#8230; \u201c (idem).<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral do PS afirmou que o povo havia votado a favor das medidas revolucion\u00e1rias do governo. Correto. Todos n\u00f3s apoiamos as medidas anti-imperialistas do governo da Unidade Popular. Mas \u00e9 necess\u00e1rio explicar que foram as massas que exigiram as nacionaliza\u00e7\u00f5es e expropria\u00e7\u00f5es, e que, quando o esc\u00e2ndalo da ITT veio \u00e0 tona, o povo exigiu sua expropria\u00e7\u00e3o imediata, enquanto Allende e a lideran\u00e7a da UP duvidavam que a medida fosse \u201cpoliticamente conveniente\u201d. O mesmo aconteceu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o do cobre. Enquanto o povo, como um todo, se posicionava contra o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es, a UP oscilava sob as enormes press\u00f5es do imperialismo. Quando, semanas depois, o governo, baseando-se em aspectos legais, afirmou que n\u00e3o pagaria a indeniza\u00e7\u00e3o, quem estava \u00e0 frente dessa luta? N\u00e3o foi Altamirano, precisamente, nem Allende. Foi, sim, uma vit\u00f3ria da classe trabalhadora chilena, que passou por cima de suas lideran\u00e7as. E se essa classe trabalhadora votou na Unidade Popular, \u00e9 claro que n\u00e3o votou por seu reformismo, por seus acordos com a burguesia nacional por tr\u00e1s da cortina da \u201cvia legal\u201d, mas porque, ao votar na Unidade Popular, estava apoiando a \u00fanica op\u00e7\u00e3o anti-imperialista.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora sabia diferenciar entre as possibilidades que o per\u00edodo da UP havia aberto para eles e o reformismo que estava \u201cbloqueando seu caminho\u201d. Assim, por exemplo, no primeiro ano de governo, os trabalhadores j\u00e1 estavam se levantando contra o reformismo do \u201ccamarada presidente\u201d. Na Ind\u00fastria T\u00eaxtil Sumar Nylon, 38 trabalhadores democratas-crist\u00e3os foram expulsos da f\u00e1brica (por decis\u00e3o un\u00e2nime da assembleia), por sabotagem. Allende, sob press\u00e3o da DC &#8211; quando o governo estava fazendo as primeiras tentativas de di\u00e1logo &#8211; disse que os 38 trabalhadores seriam readmitidos a Sumar. E os trabalhadores de Sumar responderam a Salvador Allende que \u201cnenhum di\u00e1logo anularia uma decis\u00e3o tomada por eles em assembleia\u201d.<\/p>\n<p>Para Altamirano, entretanto, o governo era revolucion\u00e1rio. N\u00e3o era \u201capenas mais um governo reformista\u201d. Duas posi\u00e7\u00f5es diferentes. A classe trabalhadora, sem uma lideran\u00e7a independente e sem um partido revolucion\u00e1rio, n\u00e3o aceitou as manobras do \u201cpulso de ouro\u201d\u00b3 de Allende e da UP. Em vez de se apoiar nos setores avan\u00e7ados da classe trabalhadora e denunciar o reformismo da UP, Altamirano, com um palavreado falsamente revolucion\u00e1rio, reteve o movimento de massas ao diluir as medidas concretas da UP (aquelas que favoreciam a burguesia e enfraqueciam o movimento dos trabalhadores) no abstrato de frases vazias. Assim, o slogan eleitoral de Altamirano para as elei\u00e7\u00f5es de mar\u00e7o foi: \u201cAltamirano, decis\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d. Mas era preciso perguntar: quais eram as medidas, qual era o programa pol\u00edtico que ele estava apresentando para garantir essa \u201cdecis\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d? Nenhuma. Para Altamirano, n\u00e3o havia necessidade de um programa, pois j\u00e1 existia o \u201cPrograma da UP\u201d, que era o mesmo do PC: um programa democr\u00e1tico-burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Vamos continuar a cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c .. Em termos muito gerais, defendemos que nenhuma empresa requisitada ou apreendida deve ser devolvida, exceto, \u00e9 claro, aquelas em que os trabalhadores concordam em faz\u00ea-lo. Acreditamos que a extens\u00e3o da \u00e1rea social fortalece o Governo Popular e aumenta a consci\u00eancia de classe dos trabalhadores. Voltando \u00e0 greve de outubro, se n\u00e3o houvesse uma \u00e1rea social da magnitude que existia e uma consci\u00eancia de classe do tipo que se desenvolveu, o governo dificilmente teria resistido ao ataque da burguesia nativa e dos ianques. Quanto mais ampla for a \u00e1rea social, quanto maior for o n\u00famero de novas estruturas de poder popular existentes no campo e na cidade, maiores ser\u00e3o as chances de derrotar os reacion\u00e1rios. Os direitistas e at\u00e9 mesmo os companheiros da Unidade Popular t\u00eam argumentado que n\u00e3o podemos continuar a aumentar a \u00e1rea social enquanto a \u00e1rea existente n\u00e3o melhorar seu n\u00edvel de efici\u00eancia. Em nossa opini\u00e3o, essa vis\u00e3o est\u00e1 errada, tanto do ponto de vista pol\u00edtico quanto do ponto de vista econ\u00f4mico. A \u00e1rea social \u00e9, em termos relativos, eficiente. Ela aumentou sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs problemas de d\u00e9ficit se devem basicamente \u00e0 pol\u00edtica de pre\u00e7os do governo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 s\u00e9rios problemas de abastecimento devido \u00e0 dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior do pa\u00eds. Tudo isso n\u00e3o \u00e9 responsabilidade da \u00e1rea social, nem dos trabalhadores dessas empresas, nem de seus controladores. Isso n\u00e3o significa que a disciplina trabalhista, a efici\u00eancia e o novo esp\u00edrito com o qual os interventores devem agir n\u00e3o possam e n\u00e3o devam ser melhorados.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, do ponto de vista pol\u00edtico, a amplitude dessa \u00e1rea possibilita o enfrentamento vitorioso de quaisquer maquina\u00e7\u00f5es da burguesia aliada ao imperialismo americano. Por essas raz\u00f5es, somos fortemente favor\u00e1veis n\u00e3o apenas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atual \u00e1rea social, mas \u00e0 sua amplia\u00e7\u00e3o, porque isso constitui o passo mais decisivo para a constru\u00e7\u00e3o do socialismo e para o fortalecimento do Governo Popular.<\/p>\n<p>\u201cQuanto aos mecanismos de distribui\u00e7\u00e3o popular, nosso partido tem insistido que novas estruturas de distribui\u00e7\u00e3o devem ser criadas tanto em n\u00edvel governamental quanto nas v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de massa criadas para esse fim. Essa pol\u00edtica n\u00e3o significa dispensar os comerciantes que est\u00e3o determinados a prestar honestamente o servi\u00e7o que prestam \u00e0 comunidade, ou seja, a n\u00e3o acumular ou especular com produtos essenciais. Em uma palavra, a pol\u00edtica do Partido Socialista nessa quest\u00e3o est\u00e1 expressa na declara\u00e7\u00e3o feita em nome do Governo pelo companheiro Ministro Fernando Flores.<\/p>\n<p>\u201cEm s\u00edntese, nossa pol\u00edtica visa a ampliar a \u00e1rea social, criar novos canais de distribui\u00e7\u00e3o, aumentar o poder popular, aumentar a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, agir com mais energia contra nossos inimigos e n\u00e3o abandonar o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio desse processo.<\/p>\n<p>\u201cComo j\u00e1 dissemos, n\u00f3s, socialistas, acreditamos que os estratos m\u00e9dios n\u00e3o podem ser conquistados para o processo revolucion\u00e1rio por meio de ofertas de um padr\u00e3o de vida que muitas vezes \u00e9 imposs\u00edvel de manter em um pa\u00eds subdesenvolvido. Os estratos m\u00e9dios est\u00e3o sempre do lado da classe vitoriosa; por isso, ser\u00e1 a for\u00e7a do Governo Popular que os atrair\u00e1 e sua fraqueza que os empurrar\u00e1 para a rea\u00e7\u00e3o. A elei\u00e7\u00e3o mostrou que importantes setores deles est\u00e3o conosco por convic\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, por um genu\u00edno esp\u00edrito hist\u00f3rico desse processo. Quanto maior for o predom\u00ednio da ideologia prolet\u00e1ria e quanto mais contingentes forem gerados os novos valores de vida das camadas m\u00e9dias, mais elas se integrar\u00e3o ao processo de substitui\u00e7\u00e3o do capitalismo pelo socialismo\u201d.<\/p>\n<p>(Chile Hoy N\u00ba 39 &#8211; 15 de mar\u00e7o de 1973)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, Altamirano estava ciente da radicaliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e, portanto, tentou desempenhar um papel \u201cesquerdista\u201d dentro da UP. Ele acompanhou a mudan\u00e7a para a esquerda das massas, mas n\u00e3o para impulsion\u00e1-las, e sim para mant\u00ea-las no cerco reformista da Unidad Popular. Assim, muitos de seus discursos levantaram problemas reais, sentidos pela classe trabalhadora e expressos nas assembleias de f\u00e1brica ou nos Cordones Industriales. Mas em nenhum momento ele prop\u00f4s tarefas para a classe trabalhadora. Por mais \u201cbrilhantes\u201d que tenham sido seus discursos, eles pouco ou nada fizeram para armar o proletariado contra a escalada burguesa e imperialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>OS CORD\u00d5ES INDUSTRIAIS<\/strong><\/p>\n<p>A linguagem falsamente revolucion\u00e1ria de Carlos Altamirano n\u00e3o foi adiante. Estreitamente ligado ao PC, o PS cedeu a todo momento e n\u00e3o refletiu (exceto em discursos) os sentimentos dos trabalhadores chilenos. Portanto, de fato, n\u00e3o defender\u00e1 o desenvolvimento dos Cordones Industriales, nem se lan\u00e7ar\u00e1 contra o di\u00e1logo com a burguesia.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 muito bem explicado pelo camarada Armando Cruces, militante do PS e presidente do Cord\u00f3n Industrial Vicu\u00f1a Makenna.<\/p>\n<p>\u201cNo Chile, neste momento, a mesma coisa est\u00e1 acontecendo conosco. O camarada Allende, Presidente da Rep\u00fablica, um reformista, um militante do meu Partido Socialista, que est\u00e1 em constantes negocia\u00e7\u00f5es com o inimigo. H\u00e1 uma vacila\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o Partido Comunista do Chile demonstrou estar totalmente comprometido em trazer a \u201cpaz social\u201d ao Chile e, com isso, arrastou consigo o pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, onde os militares invadem diariamente empresas, \u00e1reas industriais, vilarejos, onde h\u00e1 confrontos com a pol\u00edcia. E n\u00f3s, os trabalhadores do Chile, estamos revolucionando neste momento! Temos centenas de empresas em nossas m\u00e3os, administradas pelos trabalhadores, dirigidas por n\u00f3s, com participa\u00e7\u00e3o. Acreditamos que, nos 150 anos de independ\u00eancia do Chile, isso nunca foi visto antes. Mas isso aconteceu desde o camarada Allende. Mas, infelizmente, hoje em dia, quando a classe trabalhadora &#8211; em sua consci\u00eancia avan\u00e7ou muito, eles querem parar com isso. Eles querem lev\u00e1-la para um terreno reformista, e o que conquistamos com tanto sacrif\u00edcio, derramando nosso pr\u00f3prio sangue, eles querem retirar.<\/p>\n<p>\u201cAs mobiliza\u00e7\u00f5es que os Cordones Industriales realizam no Chile s\u00e3o fortes. Em Vicu\u00f1a Mackenna, mobilizamos de 5.000 a 7.000 trabalhadores em cada mobiliza\u00e7\u00e3o e tr\u00eas ou quatro s\u00e3o mortos. Porque a for\u00e7a no momento est\u00e1 nos Cordones Industriales e n\u00e3o na CUT. A Central \u00danica dos Trabalhadores do Chile deixou de ser um baluarte, e \u00e9 por isso que essas sementes de poder popular que s\u00e3o os Cordones Industriales, a ess\u00eancia do que os trabalhadores pensam, nasceram. No Cord\u00f3n Vicu\u00f1a Mackenna &#8211; do qual sou presidente &#8211; temos 350 empresas. E cada mobiliza\u00e7\u00e3o nos custa uma vida. Uma vida que tamb\u00e9m \u00e9 ignorada ou n\u00e3o recebe import\u00e2ncia dos funcion\u00e1rios do governo. E \u00e9 por isso que dizemos: no momento, no Chile, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica. Neste momento, h\u00e1 uma luta contra o fascismo e h\u00e1 tamb\u00e9m uma luta contra o reformismo, que \u00e9 bastante perigoso. E que isso vem acontecendo em todos os pa\u00edses e que, tamb\u00e9m pelas not\u00edcias que temos aqui, na Argentina eles est\u00e3o sofrendo a mesma coisa. Entendemos que h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o aos grupos revolucion\u00e1rios de esquerda. Tamb\u00e9m h\u00e1 persegui\u00e7\u00e3o no Chile. O MIR, os camaradas socialistas, o camarada que est\u00e1 falando com voc\u00eas, e muitos outros partidos de esquerda que se identificam com a classe s\u00e3o perseguidos. \u00c9 por isso que dizemos que, no momento, os Cordones Industriales no Chile est\u00e3o sendo a vanguarda do processo\u201d.<\/p>\n<p>(Entrevista com Avanzada Socialista &#8211; N\u00ba 72 &#8211; 16\/8\/73).<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica catastr\u00f3fica, explicada pelo camarada Cruces, permitir\u00e1 que o imperialismo, a burguesia e a oligarquia fortale\u00e7am sua escalada golpista.<\/p>\n<p>Para promover o di\u00e1logo com a DC, a Unidade Popular est\u00e1 tentando frear o desenvolvimento de todos os \u00f3rg\u00e3os de duplo poder.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caso dos Cordones Industriales, que na greve de outubro de 1972 desempenharam o papel principal na luta pol\u00edtica contra a burguesia e que come\u00e7aram a sofrer ataques diretos dos comunistas. Os Cordones Industriales eram as organiza\u00e7\u00f5es que a classe trabalhadora havia formado a partir de junho de 1972, reunindo todas as f\u00e1bricas de um determinado setor, com suas lideran\u00e7as eleitas pelas bases. Eles tamb\u00e9m inclu\u00edam as pequenas f\u00e1bricas que n\u00e3o estavam integradas \u00e0 Central \u00danica porque n\u00e3o tinham um sindicato. Os delegados dos Cordones n\u00e3o eram necessariamente os l\u00edderes sindicais burocratizados. Suas principais tarefas n\u00e3o eram econ\u00f4micas, mas pol\u00edticas, como organizar a defesa do territ\u00f3rio, estabelecer quais ind\u00fastrias do setor deveriam ser transferidas para a \u00e1rea social e determinar os m\u00e9todos de luta (tomadas de controle, mobiliza\u00e7\u00f5es, com\u00edcios, greves etc.).<\/p>\n<p>Mas vamos deixar que o pr\u00f3prio camarada Cruces, presidente do principal Cord\u00e3o Industrial, explique como isso funcionava.<\/p>\n<p>\u201cA organiza\u00e7\u00e3o de um Cord\u00e3o Industrial, na verdade, custa muito. Porque voc\u00ea tem que levar em conta que gerenciar 350 empresas \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. E que s\u00f3 estamos dando conta com trabalhadores, n\u00e3o com dirigentes da CUT. Jovens! &#8230; O companheiro que est\u00e1 falando com voc\u00eas tem 26 anos, sou presidente do Sindicato Industrial da Elecmetal e sou presidente do Cord\u00f3n Vicu\u00f1a Mackenna. Aqui voc\u00eas podem ver claramente que o trabalho \u00e9 bastante \u00e1rduo. Temos de trabalhar na empresa como l\u00edderes e no Cord\u00f3n com essas 350 empresas. Problemas todos os dias, por causa do reformismo. Quando os companheiros assumem o controle de uma empresa e o governo ordena que ela seja devolvida, os companheiros v\u00eam at\u00e9 os l\u00edderes do Cord\u00f3n: \u201cO que fazemos?\u201d Como somos uma semente do poder popular e vamos proteger nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s de classe, fazemos mobiliza\u00e7\u00f5es contra o governo, quando o governo assume uma posi\u00e7\u00e3o reformista, uma posi\u00e7\u00e3o de compromisso com o inimigo, uma posi\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o aos militares.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s dizemos: os Cord\u00f5es Industriais t\u00eam um trabalho muito forte. Ele precisa da participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, decis\u00e3o. E aqui no Chile ele nasceu dos Cordones Industriales. E nesses momentos, quando as cal\u00e7as do governo ca\u00edram, n\u00f3s encurralamos a burguesia. N\u00e3o h\u00e1 mais fascistas nas empresas, pois n\u00f3s os expulsamos. E eles est\u00e3o do lado de fora, est\u00e3o encurralados no Barrio Alto de Santiago. \u00c9 por isso que dizemos que a tarefa do Cord\u00f3n \u00e9 dif\u00edcil, mas \u00e9 bastante positiva. Repito, estamos na vanguarda do processo no momento. E, de uma forma ou de outra, no confronto que vemos chegando, os Cordones Industriales continuar\u00e3o a ser a vanguarda e ser\u00e3o onde os trabalhadores desesperados se refugiar\u00e3o, e n\u00e3o na Central \u00danica dos Trabalhadores, que acho que \u00e9 mais ou menos semelhante \u00e0 CGT na Argentina\u201d (idem).<\/p>\n<p>Diante da possibilidade de desenvolvimento desse poder embrion\u00e1rio dos trabalhadores, a pol\u00edtica do PC era clara: castr\u00e1-lo por meio de seus v\u00ednculos org\u00e2nicos com a burocracia da CUT (controlada pelo Partido Comunista):<\/p>\n<p>\u201cNo caso particular dos Cordones Industriales, n\u00f3s os concebemos como membros da CUT, como organiza\u00e7\u00f5es de base da Central \u00danica dos Trabalhadores e n\u00e3o como organiza\u00e7\u00f5es paralelas e divis\u00f3rias do movimento sindical\u201d (Lu\u00eds Corval\u00e1n, Chile Hoy, n\u00ba 43).<\/p>\n<p>Mas o que era a CUT? Ela tinha a democracia oper\u00e1ria que a realidade exigia? O l\u00edder comunista Galvarino Escorza, presidente do Sindicato Unico Textil Progreso, explicou a situa\u00e7\u00e3o da Central \u00danica dos Trabalhadores da seguinte forma: \u201c\u00c9 claro que \u00e9 verdade que a pr\u00f3pria Central precisa ser reestruturada, porque est\u00e1 ficando um pouco desatualizada, porque nos tempos em que estamos vivendo agora, \u00e9 necess\u00e1rio algo mais. Porque como ela pode cobrir a grande popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 surgindo agora?\u201d (Chile Hoy, n\u00ba 61).<\/p>\n<p>Era a essa organiza\u00e7\u00e3o ultrapassada, mas controlada pelos comunistas, que Corval\u00e1n queria vincular os Cordones Industriales. Essa organiza\u00e7\u00e3o, mesmo como uma central sindical, era limitada porque estava vinculada &#8211; por meio do Acordo CUT-Governo &#8211; aos planos econ\u00f4micos da Unidad Popular, que funcionava como o sustent\u00e1culo do regime.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O DI\u00c1LOGO, AS FOR\u00c7AS ARMADAS E SUAS CONSEQU\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>A Unidade Popular e o governo iniciaram um di\u00e1logo sem princ\u00edpios com a burguesia e para frear os organismos de duplo poder que ganharam for\u00e7a em outubro de 1972, como as Juntas de Abastecimento e Pre\u00e7os, por exemplo (as JAPs se lan\u00e7aram em outubro para controlar a distribui\u00e7\u00e3o, abrindo lojas por meio de a\u00e7\u00f5es de massa, atacando o a\u00e7ambarcamento e o mercado negro).<\/p>\n<p>Para n\u00e3o assustar a burguesia, Allende combateu publicamente essa a\u00e7\u00e3o das JAPs e criou uma Secretaria de Distribui\u00e7\u00e3o, controlada pelo general Bachelet, que durante o \u00faltimo ano controlaria apenas 28% da distribui\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>A burguesia, diante dessas hesita\u00e7\u00f5es, ataca no campo pol\u00edtico-parlamentar, com o projeto de Hamilton- Fuentealba sobre as tr\u00eas \u00e1reas da economia, e com o projeto de Rafael Moreno sobre a reforma agr\u00e1ria (impossibilidade de expropriar terras com menos de 40 hectares e expropria\u00e7\u00e3o daquelas entre 40 e 80 hectares, apenas da diferen\u00e7a). Ele tamb\u00e9m atacou no campo social, com a mobiliza\u00e7\u00e3o dos sindicatos controlados pelos democratas-crist\u00e3os (a greve de El Teniente, por exemplo).<\/p>\n<p>\u201cA UP n\u00e3o adotou uma pol\u00edtica de expropria\u00e7\u00e3o total da oligarquia e dos grandes monop\u00f3lios, como os setores de distribui\u00e7\u00e3o atacadista, por exemplo. Sem isso, era imposs\u00edvel evitar o mercado negro e o caos econ\u00f4mico, pois deixava alavancas fundamentais da economia nas m\u00e3os da subvers\u00e3o\u201d. Como disse o Avanzada Socialista na edi\u00e7\u00e3o 80.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que a direita veta um projeto de lei que pune crimes econ\u00f4micos at\u00e9 com pris\u00e3o. Com a classe trabalhadora paralisada pela a\u00e7\u00e3o reformista, a classe m\u00e9dia desempenha um papel muito importante no colapso da institucionalidade:<\/p>\n<p>\u201cA classe m\u00e9dia funciona no Chile como um vaso comunicante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s For\u00e7as Armadas, porque grandes setores dessa institui\u00e7\u00e3o, tanto no escal\u00e3o de oficiais quanto no de suboficiais, v\u00eam da pequena burguesia. Assim, durante os tr\u00eas anos do governo da UP, a classe m\u00e9dia foi alvo do imperialismo, da oligarquia e dos monop\u00f3lios, que agiram por meio do caos econ\u00f4mico e social (bloqueio econ\u00f4mico, mercado negro, escassez e atentados) para ganh\u00e1-la para a sedi\u00e7\u00e3o e ruptura da ordem constitucional e, por meio dela, empurrar as For\u00e7as Armadas para um golpe. Diante disso, o que a Unidade Popular faz? Cede\u201d (Avanzada Socialista, n\u00ba 80).<\/p>\n<p>Nesse contexto, surgiram contradi\u00e7\u00f5es nas For\u00e7as Armadas, com um setor tentando um golpe de Estado. Esse foi o \u201ctancazo\u201d de 29 de junho.<\/p>\n<p>No mesmo dia, Allende, diante da amea\u00e7a da direita, apoiou-se novamente nas For\u00e7as Armadas, como havia feito em outubro, e, em segundo lugar, no movimento dos trabalhadores:<\/p>\n<p>\u201cE, a partir da\u00ed, chamei o povo duas vezes pelo r\u00e1dio. Primeiro, para dizer-lhes que confiassem nas For\u00e7as Armadas, nos Carabineros e nas Investiga\u00e7\u00f5es, e segundo para dizer-lhes que ocupassem as empresas, as ind\u00fastrias, que estivessem nos locais de trabalho; que os l\u00edderes e militantes do partido estivessem em seus centros, em suas casas pol\u00edticas, e tamb\u00e9m que o povo se agrupasse em quatro ou cinco setores que indiquei, para que estivessem prontos e caso precis\u00e1ssemos de sua presen\u00e7a para lutar ao lado dos soldados do Chile. \u201c(Discurso de Allende no dia do \u2018Tancazo\u2019).<\/p>\n<p>Mas para Allende, quem eram os \u201csoldados do Chile\u201d em quem ele tinha tanta confian\u00e7a? No mesmo discurso, ele d\u00e1 nomes e sobrenomes: \u201cEnquanto esses eventos estavam ocorrendo &#8211; repito &#8211; o comandante-chefe do Ex\u00e9rcito, juntamente com os generais Pinochet, Pickering, Urbina e Sep\u00falveda, elaborou o plano para reprimir os subversivos\u201d. (Salvador Allende falando ao povo de La Moneda, depois que a tentativa de golpe de 29 de junho foi controlada. Citado em El Tancazo, edi\u00e7\u00e3o especial de Quimant\u00fa 1973).<\/p>\n<p>\u00c9 interessante ver como, dos quatro oficiais militares citados, dois participaram ativamente do golpe de 11 de setembro que finalmente derrubou Allende. Pinochet \u00e9 hoje presidente da Junta Militar e Urbina, comandante-chefe do Ex\u00e9rcito. Os outros dois &#8211; Pickering e Sepulveda Squella &#8211; tomaram a mesma atitude de Prats: renunciaram, deixando o caminho aberto para o golpe.<\/p>\n<p>Embora tenha fracassado, o \u201cTancazo\u201d abalou ainda mais o j\u00e1 inst\u00e1vel equil\u00edbrio de Salvador Allende. Essa situa\u00e7\u00e3o levou a Unidad Popular a lan\u00e7ar, agora mais do que nunca, uma tentativa de di\u00e1logo com a DC.<\/p>\n<p>Mas, mais uma vez, a direita se aproveitou disso e atacou em todos os n\u00edveis. Nesse meio tempo, a DC exigiu, para dialogar, que um gabinete militar completo assumisse o cargo. Por\u00e9m, muito antes disso, a pol\u00edtica da UP era confiar nas for\u00e7as armadas, e Corval\u00e1n, j\u00e1 em abril, era o porta-voz dessa posi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cTenho certeza de que as for\u00e7as armadas, fazendo ou n\u00e3o parte do governo, continuar\u00e3o a defender e respeitar o governo legitimamente constitu\u00eddo e, portanto, aqueles que pensam que a sa\u00edda dos militares do gabinete deixa as portas abertas para que eles lancem, quando quiserem, um movimento sedicioso como o de outubro, est\u00e3o fazendo os c\u00e1lculos errados. Se tal coisa acontecesse, eles seriam recebidos novamente com uma resposta mais en\u00e9rgica dos trabalhadores e do povo, e com o apoio das for\u00e7as armadas ao governo do pa\u00eds\u201d. (Revista Chile Hoy, 6 de abril de 1973).<\/p>\n<p>O MIR tamb\u00e9m n\u00e3o tinha uma pol\u00edtica clara em rela\u00e7\u00e3o aos militares. Em novembro de 1972, ap\u00f3s a greve dos donos de caminh\u00f5es e depois que o primeiro gabinete militar tomou posse, um dos principais l\u00edderes do MIR e da FTR, Manuel Cabieses Donoso, escreveu o seguinte na revista Punto Final (o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o oficial do MIR):<\/p>\n<p>\u201cAs For\u00e7as Armadas t\u00eam um papel verdadeiramente patri\u00f3tico e democr\u00e1tico a desempenhar ao lado do povo, apoiando os trabalhadores em sua luta contra a explora\u00e7\u00e3o da burguesia&#8230;.\u201d \u201cNa constru\u00e7\u00e3o de um novo Estado, de uma nova sociedade, as For\u00e7as Armadas podem de fato desempenhar um grande papel, protegendo os trabalhadores e a seguran\u00e7a do pa\u00eds. Se isso acontecesse &#8211; e \u00e9 isso que a classe trabalhadora espera quando v\u00ea as For\u00e7as Armadas como parte do governo &#8211; isso daria a possibilidade de superar uma sociedade desgastada e injusta como a atual, mantendo os inimigos do povo \u00e0 dist\u00e2ncia. Somente os fatos confirmar\u00e3o ou descartar\u00e3o essa possibilidade\u201d:<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o \u201ctancazo\u201d, a UP capitulou mais uma vez e o segundo gabinete, com a participa\u00e7\u00e3o dos militares, foi instalado. Ao inaugurar esse novo gabinete &#8211; em um momento de crise total do governo da UP e do pr\u00f3prio regime capitalista no Chile &#8211; Allende declarou:<\/p>\n<p>\u201cEu chamo este gabinete de Gabinete de Seguran\u00e7a Nacional. Sua tarefa \u00e9 defender o Chile, impedir a separa\u00e7\u00e3o entre o povo e o governo e entre o povo e as For\u00e7as Armadas\u2026 Esse gabinete deve impor a ordem pol\u00edtica\u201d. (El Siglo, 12 de agosto de 1973).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No final de junho e durante os 14 dias do \u201cgabinete de seguran\u00e7a nacional\u201d, a intensifica\u00e7\u00e3o da luta de classes na sociedade chilena como um todo significou que ela tamb\u00e9m penetrou nas For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Conforme explicado no Avanzada Socialista n\u00ba 80:<\/p>\n<p>\u201cIsso ser\u00e1 explorado pela direita e pelo imperialismo e facilitado pelo car\u00e1ter burgu\u00eas dessas institui\u00e7\u00f5es. Alguns exemplos mostram isso claramente: os democratas-crist\u00e3os mobilizaram suas bases em prol de aumentos salariais para os Carabineros. O Partido Nacional e o Patria y Libertad organizaram festas semanais para os recrutas do Blindado 2.<\/p>\n<p>\u201cA esquerda n\u00e3o agiu da mesma forma, deixando o caminho livre para a direita. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o elaborou uma pol\u00edtica para conquistar e organizar soldados, suboficiais e oficiais contra o golpe, como tamb\u00e9m n\u00e3o apoiou os movimentos espont\u00e2neos que surgiram nas For\u00e7as Armadas em defesa da legalidade constitucional.<\/p>\n<p>\u201cA organiza\u00e7\u00e3o dos marinheiros em Valpara\u00edso e Talcahuano, \u00e0 qual o camarada chileno se refere em sua carta, \u00e9 o grande exemplo do trabalho que a UP teve a oportunidade de desenvolver e n\u00e3o o fez. Os partidos pol\u00edticos estavam cientes das demandas dos marinheiros e soldados (suprimentos diretos, melhor alimenta\u00e7\u00e3o, aumentos salariais, horas de trabalho e fim dos castigos corporais). Essas demandas eram p\u00fablicas. Mesmo quando o General Prats era Ministro da Defesa, os suboficiais se reuniam com ele, exigindo que o governo tomasse uma posi\u00e7\u00e3o sobre suas demandas. Nem o governo, nem a UP, nem a CUT fizeram nada a respeito.<\/p>\n<p>\u201cEm Valparaiso e Talcahuano &#8211; de acordo com relat\u00f3rios verbais emitidos pelas regi\u00f5es Central e Cordillera do Partido Socialista &#8211; os marinheiros e soldados de infantaria estavam lutando por duas outras reivindica\u00e7\u00f5es: o direito de reuni\u00e3o e o direito de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm julho, os marinheiros de Valpara\u00edso e Talcahuano detectaram a exist\u00eancia de um golpe que seria deflagrado em 6 de agosto. Algumas semanas depois, as duas regionais socialistas mencionadas acima explicaram aos seus dirigentes que os marinheiros haviam entrado em contato com os secret\u00e1rios gerais do PS, MAPU e MIR para denunciar o golpe e saber o que fazer. Os fuzileiros navais receberam ordens para resistir, enquanto os partidos realizariam uma tarefa dupla: denunciar publicamente o golpe e mobilizar as massas em defesa dos fuzileiros navais e da ordem constitucional.<\/p>\n<p>\u201cOs soldados de infantaria e os fuzileiros navais cumpriram sua parte no acordo e impediram o golpe. E o que a Unidade Popular fez? Nada. O PS, o MAPU e o MlR n\u00e3o fizeram uma den\u00fancia p\u00fablica no momento combinado, nem mobilizaram a classe trabalhadora em favor dos marinheiros. O grupo de oficiais golpistas (que j\u00e1 n\u00e3o obedecia abertamente \u00e0s ordens do almirante Montero, o comandante-chefe legalista da Marinha) havia sido pego em flagrante. Era uma oportunidade magn\u00edfica para desmantel\u00e1-los. Mas nem o governo, nem a UP, nem a CUT agiram nesse sentido. Como resultado, os oficiais que haviam realizado o golpe se reorganizaram, os marinheiros foram isolados e violentamente reprimidos e torturados.<\/p>\n<p>\u201cEm seguida, tornou-se p\u00fablica a tortura na Marinha e os demais marinheiros, em apoio a seus companheiros detidos, fizeram uma greve de fome de um dia e n\u00e3o compareceram para receber seus sal\u00e1rios. Enquanto isso, a UP e a CUT permaneceram em sil\u00eancio e n\u00e3o mobilizaram os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cA Unidade Popular n\u00e3o estava interessada em agitar a quest\u00e3o porque havia entrado em di\u00e1logo com a Democracia Crist\u00e3 e, como resultado do di\u00e1logo, Allende estava investindo em um novo gabinete com pessoal militar\u201d (Avanzada Socialista N\u00ba 80). Sobre esse gabinete, os socialistas e comunistas tinham uma posi\u00e7\u00e3o un\u00e2nime: \u201c&#8230;Sem esconder a dificuldade da tarefa, os socialistas e comunistas e toda a Unidade Popular expressamos nossa confian\u00e7a de que a conjun\u00e7\u00e3o da for\u00e7a irresist\u00edvel do povo, de sua unidade de prop\u00f3sito e do cumprimento de seus deveres constitucionais pelas For\u00e7as Armadas e pelos Carabineros desencorajar\u00e1 o golpismo de direita e impor\u00e1 um clima de autoridade e respeito que permitir\u00e1 o desenvolvimento das for\u00e7as criadoras e produtivas dos trabalhadores. O povo, as For\u00e7as Armadas e os Carabineros t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o, como disse o Presidente Allende na posse do Gabinete, de \u201clutar contra a subvers\u00e3o\u201d. Isso significa \u201cp\u00f4r fim \u00e0 greve fascista das transportadoras\u201d, \u201clutar contra a agiotagem e a especula\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ctomar medidas que permitam uma distribui\u00e7\u00e3o justa e democr\u00e1tica\u201d. \u00c9 essencial obter a modifica\u00e7\u00e3o da lei sobre o controle de armas, para evitar a repeti\u00e7\u00e3o dos tr\u00e1gicos erros cometidos e permitir que a gigantesca conspira\u00e7\u00e3o que o imperialismo e a direita montaram contra o Chile seja sancionada. O Congresso deve ser chamado a fornecer as ferramentas para punir o crime econ\u00f4mico de forma exemplar.<\/p>\n<p>\u201cOs reacion\u00e1rios est\u00e3o indignados com a participa\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas no governo do presidente Allende e sustentam a falsidade de que a Unidade Popular tentaria tirar proveito de sua for\u00e7a para fins escusos. Por outro lado, alguns setores da DC insinuam que elas deveriam participar como uma esp\u00e9cie de entidade despersonalizada. Est\u00e1 claro para n\u00f3s que jamais ofender\u00edamos as For\u00e7as Armadas com uma participa\u00e7\u00e3o mesquinha e interesseira, marginal ao processo pelo qual nosso pa\u00eds est\u00e1 passando. Elas n\u00e3o podem ficar alheias \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es do povo do qual fazem parte. Seu senso patri\u00f3tico, sua organiza\u00e7\u00e3o, sua integra\u00e7\u00e3o real e sua decis\u00e3o de avan\u00e7ar no caminho da independ\u00eancia e da dignidade s\u00e3o mais importantes do que suas armas. Essa tem sido nossa pol\u00edtica invari\u00e1vel, expressa desde o in\u00edcio deste governo, incorporando-os \u00e0s tarefas de liberta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, conceitos insepar\u00e1veis da seguran\u00e7a nacional&#8230;\u201d. (Declara\u00e7\u00e3o conjunta dos partidos comunista e socialista sobre o novo gabinete, publicada pelo EI Siglo, 12 de agosto de 1973).<\/p>\n<p>Essa declara\u00e7\u00e3o foi feita uma semana ap\u00f3s a tentativa de golpe na Marinha e quando os marinheiros j\u00e1 haviam sido presos e estavam sendo brutalmente torturados. Mas a declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o dizia nada sobre eles; pelo contr\u00e1rio, ela embelezava e pedia confian\u00e7a nos torturadores.<\/p>\n<p>No dia seguinte, V\u00edctor D\u00edas, vice-secret\u00e1rio geral do PC, elogiou a declara\u00e7\u00e3o conjunta e aos militares.<\/p>\n<p>\u201cPor essa raz\u00e3o, consideramos que esta declara\u00e7\u00e3o conjunta tem o valor de confirmar todas as conquistas do Governo Popular alcan\u00e7ados at\u00e9 o momento e de garantir que o processo revolucion\u00e1rio possa avan\u00e7ar com passos seguros, pondo fim \u00e0 confus\u00e3o que pode surgir em certos momentos do processo dentro da classe. Portanto, a constitui\u00e7\u00e3o do Gabinete de Seguran\u00e7a Nacional, no qual, juntamente com os partidos da Unidade Popular, os tr\u00eas Comandantes-em-Chefe das For\u00e7as Armadas e o Diretor Geral do Corpo de Carabineiros assumiram responsabilidade direta no governo, presidido pelo companheiro Salvador Allende, \u00e9 para garantir a constitucionalidade, para dizer a todo o pa\u00eds que chegou a hora de normalizar a situa\u00e7\u00e3o sediciosa em que se encontram os l\u00edderes dos caminhoneiros, liderados pelo Sr. Vilar\u00edn. (Siglo, 13 de agosto de 1973).<\/p>\n<p>\u201cA experi\u00eancia dos suboficiais, soldados, soldados de infantaria e marinheiros foi tr\u00e1gica. Eles n\u00e3o conseguiram nenhuma de suas reivindica\u00e7\u00f5es (nem os partidos da UP lutaram por eles). Eles impediram o golpe, mas n\u00e3o tiveram o apoio dos partidos, nem da CUT, e foram violentamente reprimidos\u201d. (Avanzada Socialista N\u00ba 80).<\/p>\n<p>Enquanto na Marinha os suboficiais eram julgados por tribunais militares, nas f\u00e1bricas as botas eram usadas sob o pretexto da \u201clei de controle de armas e explosivos\u201d.<\/p>\n<p>Diante dessa agress\u00e3o golpista, a UP evitou um confronto pol\u00edtico e, sem mobilizar a CUT ou os trabalhadores, distorceu o problema. Foi assim que os comunistas explicaram o ataque \u00e0 Lanera Austral, onde morreu o oper\u00e1rio Manuel Gonzalez, atingido por uma rajada de metralhadora:<\/p>\n<p>\u201cEssa a\u00e7\u00e3o da FACH obedece \u00e0s den\u00fancias irrespons\u00e1veis que os elementos de direita fazem \u00e0s For\u00e7as Armadas para que elas apliquem a Lei de Controle de Armas, em uma tentativa de colocar as For\u00e7as Armadas contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cSob o pretexto de aplicar a Lei de Controle de Armas, alega\u00e7\u00f5es infundadas conseguiram distrair as For\u00e7as Armadas em batidas e buscas em ind\u00fastrias, escolas, hospitais, instala\u00e7\u00f5es de sindicatos e sedes de partidos pol\u00edticos populares.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a isso que conduzem as den\u00fancias irrespons\u00e1veis: distraem as For\u00e7as Armadas de suas fun\u00e7\u00f5es patri\u00f3ticas de salvaguarda e prote\u00e7\u00e3o da riqueza nacional e dos trabalhadores que a produzem, para mant\u00ea-las realizando a\u00e7\u00f5es baseadas na irresponsabilidade e no engano\u201d. (El Siglo, 6 de agosto de 73).<\/p>\n<p>Quando o golpe j\u00e1 estava sendo preparado, tanto a UP quanto o MIR se recusaram &#8211; na pr\u00e1tica &#8211; a lan\u00e7ar a palavra de ordem da frente unida contra o golpe, com base nos \u00fanicos organismos que a classe havia dado a si mesma: os Cord\u00f5es Industriais.<\/p>\n<p>Os partidos da UP estavam engajados no di\u00e1logo com a DC e na tentativa de conquistar os militares. O MIR, por sua vez, estava tentando criar seu \u201corganismo de massa\u201d &#8211; os Comandos Comunais &#8211; que se baseavam nas popula\u00e7\u00f5es das favelas (em grande parte o lumpen proletariado) e nos setores pequeno-burgueses (estudantes, pequenos comerciantes etc.). Em outras palavras, para o MIR, o centro do poder duplo n\u00e3o eram as organiza\u00e7\u00f5es existentes e reais do proletariado. Portanto, em seus documentos, ele vai propor a dissolu\u00e7\u00e3o dos Cordones Industriales em comandos comunais, que, na verdade, nunca existiram.<\/p>\n<p>De fato, em rela\u00e7\u00e3o aos Cordones Industriales, o eixo e o embri\u00e3o do poder dos trabalhadores chilenos, tanto os comunistas quanto os miristas tinham a mesma posi\u00e7\u00e3o, cada um por sua pr\u00f3pria raz\u00e3o. Mas o que \u00e9 certo \u00e9 que ambos declararam que os Cordones Industriales deveriam se tornar \u00f3rg\u00e3os de base da CUT e, por esse motivo, recusaram-se a aceitar um Comit\u00ea Coordenador de Cordones.<\/p>\n<p>Em uma entrevista (Chile Hoy n\u00ba 61), o l\u00edder comunista Galvarino Escorza elogia o MIR por ter a mesma posi\u00e7\u00e3o que o PC em rela\u00e7\u00e3o aos cord\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cQual deve ser a rela\u00e7\u00e3o entre os cord\u00f5es e a CUT?\u201d (pergunta Chile Hoy).<\/p>\n<p>\u201cAcho que tem que ser muito pr\u00f3ximo: eles devem ser liderados pela CUT e tamb\u00e9m orientados pela Central. Mas, sim, em alguns casos, eles ter\u00e3o que ter sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, concordamos com isso. \u00c9 claro que \u00e9 verdade que a pr\u00f3pria Central precisa ser reestruturada, porque est\u00e1 se tornando um pouco ultrapassada, camarada, porque nos tempos em que estamos vivendo agora, \u00e9 necess\u00e1rio algo mais. Porque como ela pode cobrir a grande popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 surgindo agora?<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea fizesse parte do Cord\u00f3n Vicu\u00f1a Mackenna, tamb\u00e9m faria parte da Coordinadora de Cordones que foi criada h\u00e1 algumas semanas, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>\u201cVeja, na \u00faltima assembleia de que estou falando, onde havia o \u00fanico cord\u00e3o, o cord\u00e3o unificado liderado pelo companheiro Cruces, o companheiro Aguil\u00f3, do MIR, levantou a quest\u00e3o com muita veem\u00eancia e disse que nunca poder\u00edamos pretender ter esse Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o, porque isso realmente significa um paralelismo com a CUT. E estamos totalmente de acordo com isso; eu at\u00e9 disse ao companheiro Aguil\u00f3, quando a assembleia terminou: companheiro, veja, voc\u00ea roubou todas as minhas palavras, n\u00e3o havia quase nenhuma necessidade de eu intervir! Porque, na verdade, isso \u00e9 dar pasto ao porco, (&#8230;); para mim, isso n\u00e3o \u00e9 apropriado, e eu digo que n\u00e3o pode haver um Comit\u00ea Coordenador de Cordones, porque \u00e9 um paralelismo. O que n\u00e3o significa que os cord\u00f5es recebam suas tarefas concretas e pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>O camarada Galvarino Escorza, infelizmente, como o resto do stalinismo, n\u00e3o esclareceu quais eram essas \u201ctarefas concretas e pr\u00f3prias\u201d dos Cordones Industriales.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O QUE FOI FEITO<\/strong><\/p>\n<p>A carta de um camarada socialista chileno (publicada em Avanzada Socialista N\u00b0 80) mostra at\u00e9 que ponto o reformismo e a ultraesquerda (o MIR e se\u00e7\u00f5es do Partido Socialista) foram incapazes de elaborar um programa revolucion\u00e1rio para a classe trabalhadora. E como, ao n\u00e3o organizar os setores antigolpistas nas For\u00e7as Armadas, eles permitiram que a balan\u00e7a pendesse, no final, para o lado da rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA UP mobilizou at\u00e9 um milh\u00e3o de pessoas em seus eventos e manifesta\u00e7\u00f5es em Santiago.<\/p>\n<p>\u201cA grande maioria era de trabalhadores, estudantes, empregados e camponeses pobres das comunas vizinhas. Quantos desses homens e mulheres camaradas n\u00e3o tiveram um namorado, irm\u00e3o ou algum outro parente que fosse soldado, suboficial ou at\u00e9 mesmo oficial? Quantos deles n\u00e3o tiveram como vizinho um carabineiro que morava na mesma vila pobre que eles? Ser\u00e1 que as coisas n\u00e3o teriam sido diferentes se os partidos, a CUT e os Cordones tivessem se unido para dar algumas tarefas muito simples a esses milh\u00f5es de companheiros? Por exemplo, para se conectar com um parente ou vizinho, soldado ou suboficial, para conquist\u00e1-lo politicamente contra o golpe e se organizar em defesa da legalidade contra qualquer tentativa de golpe.<\/p>\n<p>\u201cAs m\u00famias enviavam suas lolitas pelos regimentos, atraindo os soldados, suboficiais e oficiais para festas no Barrio Alto. L\u00e1 eles eram politicamente trabalhados e organizados a servi\u00e7o do golpe pelo Patria y Libertad.<\/p>\n<p>\u201cPor que a CUT e os Cordones n\u00e3o poderiam fazer algo semelhante, como os bolcheviques fizeram na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, por exemplo, com grande sucesso? A CUT e os Cordones n\u00e3o deveriam ter feito de cada vila de trabalhadores um lugar de celebra\u00e7\u00e3o e confraterniza\u00e7\u00e3o com soldados e suboficiais, muitos dos quais sofrem por n\u00e3o estarem com suas fam\u00edlias? Eles n\u00e3o deveriam ter pulso firme para abrir o muro que separava o trabalhador do soldado?<\/p>\n<p>\u201cOs democratas-crist\u00e3os mobilizaram as mulheres dos carabineiros por aumentos salariais. O que a CUT fez em rela\u00e7\u00e3o a esse problema? Nada.<\/p>\n<p>\u201cQue programa de reivindica\u00e7\u00f5es de reajustes, melhor tratamento, direitos civis e pol\u00edticos, possibilidade de subir em todas as fileiras a CUT e a UP tinham para os soldados, suboficiais e oficiais; como ela agitou e se mobilizou para esse programa? Nenhuma demanda foi levantada e nada foi feito.<\/p>\n<p>\u201cCom medidas como essas &#8211; facilitadas pelo fato de a UP ter o Executivo &#8211; e combinadas com a press\u00e3o firme e organizada de milh\u00f5es de companheiros, teria sido poss\u00edvel neutralizar &#8211; em grande parte &#8211; a escalada sediciosa. Porque se falava em \u201cunidade indestrut\u00edvel de oper\u00e1rios, camponeses e soldados\u201d, mas isso era falso, porque nada foi feito para forjar essa unidade na pr\u00e1tica, confraternizando, assumindo seus problemas de reivindica\u00e7\u00f5es e &#8211; j\u00e1 em um n\u00edvel mais alto organizando-os para evitar o colapso da ordem constitucional, apoiando-os na forma\u00e7\u00e3o, por exemplo, de comit\u00eas contra a sedi\u00e7\u00e3o com delegados nos Cord\u00f5es etc. A divulgada \u201cunidade entre o povo e as For\u00e7as Armadas\u201d foi reduzida aos acordos feitos no topo pelo camarada presidente com o general Prats. Enquanto isso &#8211; durante tr\u00eas anos &#8211; as m\u00famias tiveram liberdade para conquistar as For\u00e7as Armadas e os Carabineros e organiz\u00e1-los para o golpe. Assim, esses acordos n\u00e3o serviram para nada, porque o punhado de oficiais e generais antigolpistas ficou no ar: uma parte se corrompeu e aderiu ao golpe e outra caiu sem gl\u00f3ria, como Prats.<\/p>\n<p>\u201cQuando &#8211; como em Valpara\u00edso e Talcahuano &#8211; um grupo de soldados se organizou espontaneamente contra o golpe, o governo, a UP e a CUT os abandonaram \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Depois dessa trag\u00e9dia, por que um soldado antigolpista (seja ele soldado ou general) arriscaria sua cabe\u00e7a em defesa de um governo que permitiu a repress\u00e3o daqueles que o defendiam e da ordem institucional?<\/p>\n<p>\u201cNada de firme foi feito para conquistar soldados, suboficiais e oficiais. Tampouco foi feito para organizar os trabalhadores para lutar contra o golpe. E os dois pontos est\u00e3o intimamente ligados, porque, para trazer parte das For\u00e7as Armadas para o campo popular, era necess\u00e1rio mostrar a esses soldados, suboficiais e oficiais que o povo estava organizado para lutar e vencer. Era necess\u00e1rio provar \u00e0s tropas que \u201ctrocar de fuzil\u201d, passar para o lado popular, n\u00e3o era um ato heroico, mas suicida (como o dos marinheiros em Valpara\u00edso).<\/p>\n<p>\u201cComo, ent\u00e3o, a classe trabalhadora e o povo estavam preparados?<\/p>\n<p>\u201cLembremo-nos novamente dos milh\u00f5es de companheiros que encheram a Alameda nos eventos da UP. Em tr\u00eas anos de governo, n\u00e3o teria sido poss\u00edvel organizar 20%, 200.000, em Comit\u00eas de Prote\u00e7\u00e3o centralizados por um Comando \u00danico dependente de um comit\u00ea unificado dos Cordones e dos partidos de esquerda? A CUT s\u00f3 deu o slogan de Comit\u00eas de Prote\u00e7\u00e3o e Vigil\u00e2ncia por f\u00e1brica. Foi assim que eles funcionaram sem unidade de comando e vimos o que aconteceu. Porque o mais doloroso, companheiros, \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1vamos completamente desarmados, mas o que o Comit\u00ea de Vigil\u00e2ncia de uma ind\u00fastria &#8211; que em muitos lugares tinha at\u00e9 bazucas e metralhadoras .30 &#8211; estava fazendo no dia do golpe se n\u00e3o recebeu nenhuma ordem ou plano?<\/p>\n<p>\u201cSa\u00edmos da f\u00e1brica para La Moneda? Nos entrincheiramos na empresa? Lutamos na rua? Com quem, como, com que plano? Na manh\u00e3 de 11 de setembro, a CUT nos deu uma \u00fanica \u201cordem\u201d pelo r\u00e1dio: permanecer nas f\u00e1bricas \u201calertas e vigilantes\u201d \u00e0 espera de \u201cnovas instru\u00e7\u00f5es\u201d, que nunca vieram. Com as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio legais do MIR e da UP silenciadas, ningu\u00e9m mais ouviu nada das lideran\u00e7as da CUT e dos partidos.<\/p>\n<p>Para que os companheiros argentinos tenham uma vis\u00e3o clara do que aconteceu no Chile, imaginem a Revolu\u00e7\u00e3o Russa sem um Comit\u00ea Executivo dos Sovietes e sem um Comit\u00ea Militar Revolucion\u00e1rio dependente dele e comandando a Guarda Vermelha. No Chile, t\u00ednhamos germes de sovietes &#8211; os Cord\u00f5es Industriais &#8211; e tamb\u00e9m germes de Guardas Vermelhas &#8211; os Comit\u00eas de Vigil\u00e2ncia, etc. Mas o PC, a ala direita do meu partido, a lideran\u00e7a da CUT &#8211; e tamb\u00e9m o MIR &#8211; se opunham firmemente \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o dos Cord\u00f5es em um \u00fanico Comit\u00ea Coordenador. Isso era, para eles, \u201cparalelismo com a CUT\u201d. Eles se opunham ainda mais a que esse poder oper\u00e1rio e popular &#8211; que teria sido os Cordones unificados e que tamb\u00e9m incluiria delegados das cidades, camponeses e militares antigolpistas &#8211; organizasse um Comando \u00danico dos Comit\u00eas de Vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A UP fez isso porque sempre confiou nos generais \u201cprofissionais\u201d e em um acordo negociado com a Democracia Crist\u00e3.O MIR, porque no centro de sua pol\u00edtica mantinha sua antiga concep\u00e7\u00e3o de guerrilha, vanguardista e desvinculada do movimento de massa.<\/p>\n<p>\u201cFaltou-nos muita coisa no Chile. A carta \u00e9 longa, mas posso resumir todas as coisas que nos faltaram em uma frase: faltou-nos uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e um partido revolucion\u00e1rio de trabalhadores que a aplicasse com ousadia e no tempo certo, como fez o Partido Bolchevique na Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Um partido e uma pol\u00edtica completamente diferentes do reformismo da UP e de seu complemento &#8216;guerrilheiro&#8217;, o MIR\u201d. (Avanzada Socialista, N\u00ba 80).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O GOLPE (OS \u00daLTIMOS DIAS DE ALLENDE)<\/strong><\/p>\n<p>O golpe j\u00e1 estava \u00e0 vista v\u00e1rios dias antes.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, por exemplo, houve pela primeira vez resist\u00eancia dos trabalhadores \u00e0s batidas militares, na f\u00e1brica Sumar-Nylon, \u00e0 frente do Cord\u00f3n San Joaqu\u00edn.<\/p>\n<p>Como regra geral, antes de qualquer opera\u00e7\u00e3o de busca de armas ou explosivos, os militares tinham que apresentar um \u201cmandado de busca\u201d. Mas como essa ordem, dada pelo promotor, circulava por tr\u00eas ou quatro dias por muitas m\u00e3os (incluindo as dos soldados e suboficiais), os trabalhadores sempre sabiam quais f\u00e1bricas seriam invadidas. E, logicamente, eles retiraram todas as armas que tinham das f\u00e1bricas. Sabe-se que, ap\u00f3s o \u201ctancazo\u201d de 29 de junho, houve uma corrida armamentista. Armas, coquet\u00e9is molotov, granadas etc. foram fabricados nas f\u00e1bricas. E os partidos tamb\u00e9m distribu\u00edram algumas armas, principalmente armas de pequeno porte, bem como alguns rifles.<\/p>\n<p>\u201cPor esse motivo, quando os militares da FACH foram invadir Sumar Nylon, eles n\u00e3o tinham uma ordem. Eles tinham uma ordem para invadir um vilarejo pr\u00f3ximo e invadiram o vilarejo com um grande contingente de for\u00e7as: 300 homens, tanques e helic\u00f3pteros. Invadiram a casa de um militante socialista e tentaram entrar na f\u00e1brica. Mas os trabalhadores exigiram um mandado de busca dos militares e, como n\u00e3o o tinham, alegaram que n\u00e3o podiam entrar na f\u00e1brica (\u00e9 evidente que havia armas na Sumar Nylon). Ent\u00e3o, eles fecharam as portas da f\u00e1brica e come\u00e7aram a resistir. Ao mesmo tempo, tocaram a sirene para avisar as f\u00e1bricas e as aldeias do setor que a f\u00e1brica estava sendo invadida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, as pessoas das aldeias e das f\u00e1bricas sa\u00edram e cercaram os soldados. At\u00e9 aquele momento, os soldados estavam atirando na f\u00e1brica. Eles feriram dois trabalhadores que estavam resistindo do lado de dentro, destru\u00edram algumas partes da f\u00e1brica, mas foram for\u00e7ados a recuar. E se concentraram a oito quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia, esperando uma oportunidade para atacar novamente. Mas em frente \u00e0 Sumar Nylon j\u00e1 havia cerca de quatro mil trabalhadores que passaram a noite toda no local. Diante disso, os militares n\u00e3o tiveram outra alternativa a n\u00e3o ser se retirar.<\/p>\n<p>Qual foi a pol\u00edtica da UP diante dessa resist\u00eancia?<\/p>\n<p>Nenhum partido queria reconhecer publicamente que a Sumar Nylon havia resistido ao ataque. E que essa deveria ser a posi\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Os partidos de direita diziam que a FACH havia entrado na f\u00e1brica, o que era falso, mas tinha o objetivo de desmoralizar a resist\u00eancia dos trabalhadores. Os partidos da Unidade Popular disseram que os militares foram invadir uma cidade e que houve um confronto a tiros, mas que eles n\u00e3o tentaram entrar na f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a Unidade Popular manteve sua pol\u00edtica de apoio \u00e0s For\u00e7as Armadas e, por isso, omitiu a informa\u00e7\u00e3o \u00e0 classe trabalhadora de que os militares em Sumar Nylon tiveram de recuar devido \u00e0 press\u00e3o das massas quando tentaram invadir a f\u00e1brica.<\/p>\n<p>No mesmo dia, ocorreram mais tr\u00eas invas\u00f5es, que se seguiram no s\u00e1bado e no domingo.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, os mesmos militares espalharam o boato de que duas das principais f\u00e1bricas do Cordon Vicu\u00f1a Mackenna (Elecmetal e Cristaler\u00edas Chile) seriam invadidas. Isso fez com que os trabalhadores dessas f\u00e1bricas retirassem o material militar que estava l\u00e1. E isso n\u00e3o aconteceu apenas com essas duas f\u00e1bricas: por causa dos rumores de ataques, as principais f\u00e1bricas tentaram esconder as armas que possu\u00edam.<\/p>\n<p>\u00c0s tr\u00eas horas da manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira, 11 de setembro, um grupo fascista invadiu a esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio da Universidade T\u00e9cnica e a destruiu. \u00c0s sete horas da manh\u00e3, um grupo de soldados invadiu a esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio Nacional &#8211; que era a esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio do MIR &#8211; e tamb\u00e9m a destruiu. \u00c0s 7h30 da manh\u00e3, todas as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio estavam dizendo que Allende estava chegando ao pal\u00e1cio La Moneda, com dois tanques Carabineros e quatro carros do GAP (Grupo de Amigos Pessoais).<\/p>\n<p>Naquele momento, algo \u201cestranho\u201d estava acontecendo em Valpara\u00edso. Um setor militar havia tomado a cidade e n\u00e3o havia mais comunica\u00e7\u00e3o com o resto do pa\u00eds. Allende falou no r\u00e1dio, informando que havia se comunicado pessoalmente com o comandante-chefe do Ex\u00e9rcito da guarni\u00e7\u00e3o de Santiago e tamb\u00e9m com a For\u00e7a A\u00e9rea, e que eles lhe haviam assegurado que tudo estava em ordem e que nada estava acontecendo em Santiago, que as for\u00e7as estavam aquarteladas aguardando o que estava acontecendo em Valpara\u00edso, mas que eram leais ao governo. Allende conclamou os trabalhadores a irem para suas f\u00e1bricas, permanecendo \u201calertas e vigilantes\u201d para qualquer eventualidade.<\/p>\n<p>Mas em nenhum momento ele deu tarefas concretas, explicando o que significava estar \u201calerta e vigilante\u201d.<\/p>\n<p>Quinze minutos depois do discurso de Allende, um avi\u00e3o da FACH passou e bombardeou a torre de r\u00e1dio do PS, mas os tiros n\u00e3o a atingiram em primeiro lugar. Ent\u00e3o, o pessoal da r\u00e1dio p\u00f4de alertar: \u201cum avi\u00e3o da FACH tentou bombardear nossa torre de transmiss\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 algo isolado em Valpara\u00edso. Trata-se de um golpe\u201d. Mas o avi\u00e3o j\u00e1 estava bombardeando novamente e o r\u00e1dio parou de transmitir.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e0s 10h30 da manh\u00e3, Allende falou pela segunda vez e disse aos trabalhadores que havia recebido um ultimato para renunciar. Ele reafirmou que n\u00e3o renunciaria e lamentou que os militares tivessem tra\u00eddo seu profissionalismo &#8211; a doutrina Schneider &#8211; dizendo que a hist\u00f3ria os julgaria.<\/p>\n<p>Mas ele n\u00e3o disse ao movimento trabalhista como resistir. Ele apenas disse que os trabalhadores deveriam estar vigilantes na defesa de suas conquistas. Em seguida, ele se despediu. De fato, ele declarou o golpe vitorioso.<\/p>\n<p>Durante toda a manh\u00e3 de 11 de setembro, nem o PS nem o PC deram instru\u00e7\u00f5es a seus militantes ou aos trabalhadores. A instru\u00e7\u00e3o dos partidos era obedecer \u00e0s ordens da CUT. E a ordem da CUT era: ocupar todas as f\u00e1bricas, todos os locais de trabalho, todas as fazendas e permanecer \u201cem alerta aguardando novas instru\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Mas as novas instru\u00e7\u00f5es nunca vieram.<\/p>\n<p>Nas semanas anteriores ao 11 de setembro, nem o partido Unidade Popular nem o MIR se prepararam para resistir ao golpe reacion\u00e1rio da direita e do imperialismo. Nenhum sistema de comunica\u00e7\u00e3o foi organizado entre as f\u00e1bricas, exceto as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e os partidos legais. Inclusive, eles n\u00e3o tinham outra imprensa al\u00e9m das imprensas legais, que todos sabiam onde estavam. E as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio legais n\u00e3o tinham nenhum equipamento clandestino de emerg\u00eancia. N\u00e3o havia nenhum plano de resist\u00eancia, nenhum comando centralizado. A \u00fanica instru\u00e7\u00e3o que eles tinham era ficar em suas f\u00e1bricas: e os militares foram de f\u00e1brica em f\u00e1brica, destruindo qualquer resist\u00eancia que houvesse.<\/p>\n<p>A diretriz dos partidos era n\u00e3o resistir. At\u00e9 mesmo o MIR, que controlava Concepci\u00f3n, onde n\u00e3o havia resist\u00eancia alguma. E nas minas de carv\u00e3o, controladas pelo PC, tamb\u00e9m n\u00e3o houve resist\u00eancia. L\u00e1, todos voltaram a trabalhar normalmente.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia era espont\u00e2nea e isolada, f\u00e1brica por f\u00e1brica, nos Cordones Industriales, mas somente nas ind\u00fastrias que j\u00e1 desempenhavam um papel de vanguarda no setor.<\/p>\n<p>Depois que Allende morreu e as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio de esquerda foram silenciadas, os militares cercaram as f\u00e1bricas. Os trabalhadores resistiram por dentro. Os militares deram um ultimato para que se rendessem, mas ningu\u00e9m obedeceu. Em seguida, a FACH come\u00e7ou a bombardear as f\u00e1bricas. E a resist\u00eancia heroica, desesperada e isolada da vanguarda dos trabalhadores n\u00e3o conseguiu frear o golpe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia chilena mostra claramente como o reformismo trai a classe trabalhadora e a leva ao massacre. A experi\u00eancia chilena, historicamente, n\u00e3o \u00e9 a primeira derrota do proletariado sofrida por causa dos mercadores da \u201ctransi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica\u201d e da \u201crevolu\u00e7\u00e3o por etapas\u201d.<\/p>\n<p>A derrota chilena tamb\u00e9m mostra como o ultraesquerdismo &#8211; embora reflita a ascens\u00e3o das massas &#8211; assume posi\u00e7\u00f5es vanguardistas, isolando-se do proletariado ou, por falta de uma pol\u00edtica clara de massas, acaba capitulando ao reformismo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s seis anos de ascens\u00e3o cont\u00ednua da luta de classes no Chile, o proletariado e suas lideran\u00e7as foram esmagados. Por que isso aconteceu? A culpa \u00e9 dos partidos reformistas e, at\u00e9 certo ponto, tamb\u00e9m do MIR, que n\u00e3o preparou e mobilizou a classe trabalhadora para a conquista do poder.<\/p>\n<p>Mas acreditamos que este n\u00e3o \u00e9 o momento de lamentar nossos mortos. Nossa principal obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 entender as raz\u00f5es da derrota, para que possamos estabelecer as bases para uma vit\u00f3ria futura.<\/p>\n<p>Embora derrotada, ainda \u00e9 muito cedo para falar do esmagamento total da classe trabalhadora chilena.<\/p>\n<p>Em vez de uma caracteriza\u00e7\u00e3o apressada, que busca resolver a quest\u00e3o do poder com um golpe de caneta ou com f\u00f3rmulas ultristas, a situa\u00e7\u00e3o exige uma an\u00e1lise detalhada e profunda.<\/p>\n<p>Tentar, agora, emocionalmente, encontrar na guerrilha ou na frente unida sem princ\u00edpios a alternativa para o processo revolucion\u00e1rio chileno \u00e9 deixar de lado as ferramentas do marxismo.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es da burguesia, assim como as das For\u00e7as Armadas, al\u00e9m da inexist\u00eancia de uma pol\u00edtica burguesa para conquistar a classe m\u00e9dia, parecem descartar a possibilidade de consolida\u00e7\u00e3o de um semifascismo \u201c\u00e0 brasileira\u201d no Chile.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que dizemos que o estudo da realidade \u00e9, neste momento, fundamental para determinar o caminho a seguir. Mas essa tarefa n\u00e3o pode ser realizada pelo mesmo reformismo que traiu a classe trabalhadora. A exist\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio \u00e9 indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que convocamos os camaradas de base dos partidos comunista e socialista chilenos a romperem com suas dire\u00e7\u00f5es reformistas e burocr\u00e1ticas, e as correntes revolucion\u00e1rias, como o MIR, a reverem seus erros, para que, junto com a classe trabalhadora, possam iniciar a constru\u00e7\u00e3o de um verdadeiro partido marxista revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Acreditamos que essa \u00e9 a \u00fanica maneira de realmente honrar os m\u00e1rtires de nossos trabalhadores: criando o partido revolucion\u00e1rio que liderar\u00e1 a revolu\u00e7\u00e3o chilena e transformar\u00e1 o Chile em um Estado oper\u00e1rio e socialista.<\/p>\n<hr \/>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1- Jacarta, capital da Indon\u00e9sia. Infelizmente famosa pelo golpe militar de Suharto contra o governo de Sukarno (1965), em que 700.000 pessoas foram massacradas num dia, quase todas militantes do Partido Comunista. O governo de Sukarno apoiou-se nas massas atrav\u00e9s de uma frente burguesa com a participa\u00e7\u00e3o do PC. Tal como Allende, Sukarno tamb\u00e9m se apoiou nos militares nacionalistas.<\/p>\n<p>2- Express\u00e3o desdenhosa utilizada pela juventude para designar a burocracia do Partido Socialista.<\/p>\n<p>3- \u201cPulso de Ouro\u201d: express\u00e3o depreciativa utilizada pelos militantes da UP para definir a capacidade parlamentar e as manobras pol\u00edticas de Salvador Allende, conhecido como \u201co Primeiro Pulso do Chile\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se completa 50 anos do golpe de Pinochet no Chile, muitas s\u00e3o as li\u00e7\u00f5es que podemos aprender. \u00c9 o que pretendemos fazer. Para iniciar essa reflex\u00e3o, e extrair conclus\u00f5es para nossa constru\u00e7\u00e3o atualmente, vamos republicar um longo artigo de Antenor Alexandre. Um dos trotskistas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-15038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-e-formacao-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}