

	{"id":15118,"date":"2024-05-22T18:39:43","date_gmt":"2024-05-22T21:39:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=15118"},"modified":"2024-05-22T18:39:43","modified_gmt":"2024-05-22T21:39:43","slug":"50-anos-do-massacre-de-pacheco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/05\/22\/50-anos-do-massacre-de-pacheco\/","title":{"rendered":"50 Anos do Massacre de Pacheco"},"content":{"rendered":"<p>Texto de Federico Novo Foti<\/p>\n<p>O dia 29 de maio marca o quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio de um dos mais importantes crimes pol\u00edticos perpetrados durante o \u00faltimo governo de Per\u00f3n. Um ataque fascista contra as instala\u00e7\u00f5es do PST e o assassinato de tr\u00eas dos seus militantes, organizado pela Triple A (Alian\u00e7a Anticomunista Argentina), composta por membros das for\u00e7as de seguran\u00e7a e da burocracia sindical peronista, que procurou levar a cabo um novo ataque feroz contra a ascens\u00e3o do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Na noite de quarta-feira, 29 de maio de 1974, cerca de quinze bandidos armados dispararam contra a fachada das instala\u00e7\u00f5es do Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) &#8211; o partido antecessor da Izquierda Socialista &#8211; localizado na cidade de General Pacheco, no norte da Grande Buenos Aires. Entre pancadas, gritos e insultos, seis camaradas que se encontravam reunidos nas instala\u00e7\u00f5es foram atirados ao ch\u00e3o e pontapeados. Depois de terem roubado, destru\u00eddo e incendiado o que encontraram, foram obrigados a sair e a entrar em carros estacionados do lado de fora das instala\u00e7\u00f5es. As tr\u00eas companheiras, depois de terem sido espancadas e amea\u00e7adas, foram deixadas a v\u00e1rios quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia. Os camaradas foram metidos nos porta malas dos carros e, na manh\u00e3 de 30 de maio, os seus corpos, crivados de balas, foram encontrados em Pilar.<\/p>\n<p>Os camaradas assassinados foram Oscar Dalmacio &#8220;Hijitus&#8221; Meza, que dirigia a luta na metal\u00fargica Astarsa e noutras f\u00e1bricas da zona norte, e tinha promovido a lista de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia da UOM em Vicente L\u00f3pez; Mario &#8220;el Tano&#8221; Zidda, que tinha sido um dos l\u00edderes da luta das escolas industriais em 1972, quando estudava na Escola Nacional de Educa\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica N\u00ba 1 em Tigre; e Antonio &#8220;Tony&#8221; Moses, que tinha entrado na metal\u00fargica Wobron. O &#8220;Massacre de Pacheco&#8221;, o assassinato dos tr\u00eas militantes do PST, representou um salto nos ataques at\u00e9 ent\u00e3o perpetrados por bandos fascistas sob o governo de Juan Domingo Per\u00f3n e teve enorme repercuss\u00e3o nacional. Foi o primeiro ataque a um partido pol\u00edtico legalmente reconhecido. A Triple A foi uma resposta desesperada ao levantamento oper\u00e1rio e popular que encurralou o &#8220;pacto social&#8221; de Per\u00f3n, os patr\u00f5es e a burocracia sindical, com o apoio do imperialismo. O PST chamou \u00e0 unidade de a\u00e7\u00e3o antifascista para enfrentar os ataques.<\/p>\n<p><strong>A RESPONSABILIDADE DO GOVERNO PERONISTA<\/strong><\/p>\n<p>Em 12 de outubro de 1973, Per\u00f3n assumiu a presid\u00eancia pela terceira vez. O &#8220;golpe&#8221; contra o seu antecessor, H\u00e9ctor J. C\u00e1mpora, e a sua tomada de posse visavam p\u00f4r fim \u00e0 ascens\u00e3o revolucion\u00e1ria oper\u00e1ria e popular iniciada em 1969 com o &#8220;Cordobazo&#8221;. Com o apoio dos militares, representados pelo general Alejandro Lanusse, do radicalismo, encabe\u00e7ado por Ricardo Balb\u00edn, e do imperialismo, Per\u00f3n se prop\u00f4s a desmantelar o ascenso e a continuar aplicando o &#8220;pacto social&#8221; de ajuste contra os trabalhadores. Mas as lutas n\u00e3o cessaram.<\/p>\n<p>Nos primeiros meses de 1974, os bandos fascistas come\u00e7aram a atuar com crescente viol\u00eancia contra activistas sindicais, estudantis e populares. As instala\u00e7\u00f5es e os militantes da Juventude Peronista (JP), ligada aos Montoneros, e da esquerda foram os alvos dos seus ataques. Os bandos fascistas eram alimentados pelas patotas da burocracia sindical e do aparelho repressivo, por sectores da pol\u00edcia e das for\u00e7as armadas, ativos ou demitidos por delinqu\u00eancia ou corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na madrugada de 7 de maio, Inocencio &#8220;Indio&#8221; Fern\u00e1ndez, delegado da fundi\u00e7\u00e3o Cormasa e o primeiro militante do PST a ser assassinado \u00e0 tiros pelos bandos fascistas. Em 11 de maio, foi assassinado o padre Carlos Mugica. Alguns dias depois, a 13 de maio, numa reuni\u00e3o com membros importantes da burocracia sindical, Per\u00f3n declarou: &#8220;Dentro das organiza\u00e7\u00f5es, como cavalos de Tr\u00f3ia dessas organiza\u00e7\u00f5es, surgiram agora aqueles que s\u00e3o chamados de &#8216;base&#8217;, como se a organiza\u00e7\u00e3o sindical n\u00e3o fosse a maior organiza\u00e7\u00e3o de base que existe. [&#8230;]S\u00e3o tentativas de dissocia\u00e7\u00e3o e de anarquia. Ceder \u00e9 muito perigoso&#8230; cada dirigente deve esfor\u00e7ar-se por manter a homogeneidade da sua organiza\u00e7\u00e3o, afastando pelas for\u00e7as colaterais ou centr\u00edpetas todos aqueles que tentam, ao servi\u00e7o de qualquer causa [&#8230;] destruir a organiza\u00e7\u00e3o&#8221;.\u00b9 Per\u00f3n deu assim &#8220;carta branca&#8221; \u00e0 a\u00e7\u00e3o das patrulhas armadas contra o ativismo sindical. Nessa altura, a legenda Triple A, um bando fascista organizado a partir do Minist\u00e9rio do Bem-Estar Social pelo ministro Jos\u00e9 L\u00f3pez Rega, come\u00e7ou a aparecer em panfletos e graffitis reivindicando a responsabilidade pelos ataques a instala\u00e7\u00f5es sindicais e partid\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>A REPERCUSS\u00c3O NACIONAL<\/strong> <\/p>\n<p>O Massacre de Pacheco provocou imediata rejei\u00e7\u00e3o em amplos sectores do movimento oper\u00e1rio e em grande parte do espetro pol\u00edtico. A repercuss\u00e3o foi tamanha que a imprensa nacional tamb\u00e9m repercutiu o assassinato dos tr\u00eas militantes do PST, aparecendo nas capas do Clar\u00edn, Cr\u00f3nica e Noticias. O PST qualificou o triplo assassinato como o crime pol\u00edtico mais importante perpetrado at\u00e9 ent\u00e3o sob o governo peronista, juntamente com o massacre de Ezeiza. Denunciou que os bandos fascistas operavam de forma selectiva nos seus alvos e que eram tolerados e alimentados pelo pr\u00f3prio governo.\u00b2<\/p>\n<p>Nos locais de trabalho e na atividade sindical e pol\u00edtica dos tr\u00eas camaradas assassinados, a rea\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida. Em Astarsa, a f\u00e1brica foi paralisada no dia do funeral de Hijitus. Os patr\u00f5es tiveram de enviar o seu apoio e at\u00e9 Gregorio Minguito, o burocrata da UOM de Vicente L\u00f3pez, rodeado de guarda-costas, teve de passar. Na Wobron, a f\u00e1brica ficou paralisada, pois as se\u00e7\u00f5es receberam a not\u00edcia do assassinato de Tony, contra a indica\u00e7\u00e3o dos delegados burocr\u00e1ticos. Nas escolas e col\u00e9gios, houve todo o tipo de actividades de rep\u00fadio e solidariedade. O ENET N\u00ba 1 de Tigre parou na quinta e na sexta-feira para &#8220;Tano&#8221;. Na noite de quinta-feira, dia 30, quando se realizava uma manifesta\u00e7\u00e3o na Faculdade de Direito, juntaram-se os trabalhadores gr\u00e1ficos, que realizavam outra manifesta\u00e7\u00e3o pela liberdade de imprensa com o dirigente de Luz y Fuerza de C\u00f3rdoba, Agust\u00edn Tosco. Juntamente com estudantes de outras faculdades, juntaram-se mais de 3.000 pessoas. Entre outros, intervieram Miguel Sorans pela Juventud Socialista de Avanzada (JSA) do PST, a dirigente peronista Alicia Eguren de Cooke, companheira do falecido John William Cooke, e Tosco encerrou o evento.<\/p>\n<p>O vel\u00f3rio, realizado na sede do PST, localizada na Rua 24 de Noviembre, no bairro do Once, transformou-se num grande ato pol\u00edtico em defesa dos direitos dos trabalhadores e das liberdades democr\u00e1ticas, contra os bandos fascistas. Sob uma faixa colocada em frente \u00e0s instala\u00e7\u00f5es que dizia &#8220;Aqui velamos pelos camaradas socialistas&#8221;, dirigentes pol\u00edticos e sociais desfilaram com as suas delega\u00e7\u00f5es. Sindicatos como o Smata-C\u00f3rdoba, a Fotia, a Lista Castanha dos metal\u00fargicos de Villa Constituci\u00f3n, Raimundo Ongaro da Federa\u00e7\u00e3o dos Gr\u00e1ficos, Di Pascuale do Sindicato dos Farmac\u00eauticos, comiss\u00f5es internas e corpos de delegados de todos os cantos do pa\u00eds enviaram o seu rep\u00fadio. No meio de um desfile permanente de pessoas no vel\u00f3rio, apareceu Juan Carlos Dante Gullo, juntamente com outros dirigentes da JP regional (que deixaram claro que n\u00e3o estariam presentes no evento do dia seguinte devido \u00e0s nossas diferen\u00e7as pol\u00edticas). Intervieram a Uni\u00e3o C\u00edvica Radical, o Partido Intransigente, o Partido Comunista, o PCR, a Pol\u00edtica Obrera, entre outros.<\/p>\n<p><strong>O FASCISMO N\u00c3O DEVE SER DEBATIDO, DEVE SER DESTRU\u00cdDO<\/strong><\/p>\n<p>No s\u00e1bado, realizou-se um ato unit\u00e1rio e o enterro dos camaradas com cerca de cinco mil pessoas. Houve mais de vinte oradores. Entre os principais estiveram Juan Carlos Coral e Nahuel Moreno, pela dire\u00e7\u00e3o do PST, e o deputado nacional Rodolfo Ortega Pe\u00f1a, pelo Bloque del Peronismo de Base. Tamb\u00e9m falaram Marcelo Stubrin, pela Juventude Radical, Julio Magri, pela Pol\u00edtica Obrera, al\u00e9m de Miguel Sorans, da Juventud Socialista de Avanzada (JSA), Arturo Apaza, l\u00edder do Del Carlo e do militante Lista Cinza da UOM da Zona Norte (desaparecido em 1976) e Jorge \u00c1vila, da Comiss\u00e3o Interna da Propulsora, todos os tr\u00eas do PST.<\/p>\n<p>No ato, Nahuel Moreno, em nome da dire\u00e7\u00e3o do PST, chamou \u00e0 unidade de a\u00e7\u00e3o antifascista: &#8220;Hoje estamos aqui a gritar pela unidade de a\u00e7\u00e3o. [N\u00e3o queremos que a unidade de a\u00e7\u00e3o acompanhe a nossa prociss\u00e3o, queremos que ela esmague o fascismo e fa\u00e7a o desfile da vit\u00f3ria! [&#8230;] O fascismo tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 para ser discutido. O fascismo, camaradas, destr\u00f3i-se na rua, com os mesmos m\u00e9todos que eles utilizam!&#8221;\u00b3<\/p>\n<p>Infelizmente, este apelo \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o antifascista n\u00e3o foi ouvido pelas organiza\u00e7\u00f5es presentes, com honrosas excep\u00e7\u00f5es, como Ortega Pe\u00f1a e o Peronismo de Base. Apesar da continuidade dos ataques fascistas, esse evento acabou por ser o \u00faltimo de seu tipo at\u00e9 ao golpe de 1976.<\/p>\n<p>Hoje, 50 anos ap\u00f3s o Massacre de Pacheco, recordamos os nossos camaradas assassinados com as palavras de Moreno nesse evento: &#8220;Foram grandes porque a sua luta foi grande, foram grandes porque o nosso partido \u00e9 grande, foram grandes porque a sua ideologia era grande! Morreram pelo que eram: socialistas, revolucion\u00e1rios, internacionalistas leg\u00edtimos, e por tudo isso queremos reivindic\u00e1-los. &#8220;\u2074 Izquierda Socialista e a UIT-CI declaram-se orgulhosos continuadores da sua luta socialista e revolucion\u00e1ria. Por isso dizemos: Tony, Tano e Hijitus! At\u00e9 o Socialismo, sempre!<\/p>\n<p>1. Ver Ricardo de Titto. &#8220;Hist\u00f3ria do PST&#8221;. Volume 2. Ediciones CEHuS, Buenos Aires, 2018.<\/p>\n<p>2. Ver &#8220;Avanzada Socialista&#8221; N\u00ba 106, 4\/6\/1974. Dispon\u00edvel em www.nahuelmoreno.org<\/p>\n<p>3. Nahuel Moreno. &#8220;Discurso por la Masacre de Pacheco&#8221; (1974) Ediciones CEHuS, Buenos Aires, 2018. Dispon\u00edvel em www.nahuelmoreno.org  <\/p>\n<p>4. Idem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Federico Novo Foti O dia 29 de maio marca o quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio de um dos mais importantes crimes pol\u00edticos perpetrados durante o \u00faltimo governo de Per\u00f3n. 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