

	{"id":15419,"date":"2024-06-20T18:12:25","date_gmt":"2024-06-20T21:12:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=15419"},"modified":"2024-06-25T08:50:02","modified_gmt":"2024-06-25T11:50:02","slug":"o-inicio-do-trotskismo-morenista-no-brasil-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/06\/20\/o-inicio-do-trotskismo-morenista-no-brasil-parte-i\/","title":{"rendered":"O in\u00edcio do trotskismo morenista no Brasil (PARTE I)"},"content":{"rendered":"<p><strong>50 anos da Liga Oper\u00e1ria: o in\u00edcio do trotskismo morenista no Brasil (PARTE I)<\/strong><\/p>\n<p>Michel Oliveira, Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ano \u00e9 1974. O general Geisel assumia como novo ditador. O carrasco Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici terminava seu \u201cmandato\u201d num dos mais terr\u00edveis per\u00edodos da ditadura militar. Os grupos guerrilheiros estavam destro\u00e7ados. Marighella e Lamarca fuzilados. A UNE na ilegalidade. Lideran\u00e7as como Wladimir Palmeira no ex\u00edlio e Honestino Guimar\u00e3es assassinado<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.\u00a0Os sindicatos sob interven\u00e7\u00e3o. Dirigentes das greves de Contagem e Osasco<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>, como \u00canio Seabra e Jos\u00e9 Ibrahim, foram presos ou estavam no ex\u00edlio. Os jornais e artistas sob vigil\u00e2ncia policial. Havia tortura e assassinatos de opositores.<\/p>\n<p>Nada disso aparecia no Jornal Nacional, cuja audi\u00eancia era de milh\u00f5es. N\u00e3o por acaso, Chico Buarque, quase impedido de compor pela censura, lan\u00e7ava o \u00e1lbum \u201cSinal fechado\u201d. Nas r\u00e1dios, Roberto Carlos retornava com um novo sucesso, cujo refr\u00e3o girava nas vitrolas sem parar \u201c<em>eu voltei, agora pra ficar<\/em>\u201d. E foi o momento de um outro retorno&#8230;<\/p>\n<p>Em 1974, um n\u00facleo de jovens revolucion\u00e1rios brasileiros retorna clandestinamente ao Brasil. Era o in\u00edcio da Liga Oper\u00e1ria no Brasil, uma organiza\u00e7\u00e3o trotskista ligada \u00e0 corrente internacional liderada por Nahuel Moreno. Foi a culmin\u00e2ncia de um processo marcado pelo golpe militar no Brasil e no Chile, al\u00e9m da vincula\u00e7\u00e3o aos debates da IV Internacional. \u00c9 o in\u00edcio da corrente morenista no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1- As origens da Liga Oper\u00e1ria <\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o golpe militar que derrubou o governo Jo\u00e3o Goulart, v\u00e1rios militantes partiram para o ex\u00edlio. Alguns foram para o Chile, governado pela Unidade Popular de Salvador Allende. Ali surge uma organiza\u00e7\u00e3o denominada\u00a0<strong>Ponto de Partida<\/strong>, fundada por militantes que realizaram uma profunda cr\u00edtica \u00e0s concep\u00e7\u00f5es foquistas e vanguardistas presentes tanto nas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda nas quais haviam militado<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>\u00a0quanto em outras organiza\u00e7\u00f5es, como o MR-8 (Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de outubro), ANL (A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional) e VPR (Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria), que ganharam visibilidade com o sequestro de embaixadores de pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p>No documento \u201cA prop\u00f3sito de um sequestro\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>, eles afirmam:<\/p>\n<p><em>&#8220;A ess\u00eancia do foquismo \u00e9 sua vis\u00e3o voluntarista da hist\u00f3ria. Acreditam s\u00f3 nos resultados de suas a\u00e7\u00f5es vanguardistas. Est\u00e3o convencidos de que sem os sequestros, os revolucion\u00e1rios presos no Brasil est\u00e3o condenados a sofrerem vinte ou trinta anos de pris\u00e3o. Os marxistas revolucion\u00e1rios, sabendo interpretar a realidade mundial e tendo confian\u00e7a nas massas, afirmam, sem o menor medo de errar, que a hist\u00f3ria, em nossa \u00e9poca, avan\u00e7a muito depressa para que se possa crer em duas outras d\u00e9cadas de aus\u00eancia de liberdades no Brasil. A justificativa usada pelos vanguardistas denota uma certa dose de fatalismo, que pode ser traduzida tamb\u00e9m por desprezo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s massas. S\u00e3o incapazes de apoiar-se na confian\u00e7a de que as massas participar\u00e3o em futuras jornadas de luta, que passar\u00e3o, inevitavelmente, pela exig\u00eancia de liberdades para todos os presos pol\u00edticos. Ent\u00e3o sim, teremos a certeza de que a ditadura ter\u00e1 que soltar todos e n\u00e3o s\u00f3 quinze em troca de duzentos<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essas e outras reflex\u00f5es, o Ponto de Partida aponta para um retorno ao caminho do marxismo revolucion\u00e1rio e do bolchevismo. No Chile, a organiza\u00e7\u00e3o Ponto de Partida, se vincula a IV Internacional, organiza\u00e7\u00e3o marxista revolucion\u00e1ria internacional fundada por Leon Trotsky em 1938 para manter vivo o legado de Marx, Engels, Lenin e do Partido Bolchevique. Na ocasi\u00e3o, em 1974, a IV Internacional estava atravessada por um debate acerca da ades\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o ao \u201cguerrilheirismo\u201d. Sua ala majorit\u00e1ria, cuja refer\u00eancia eram Ernest Mandel e Livio Maitan, aplicava essas concep\u00e7\u00f5es. E havia um setor minorit\u00e1rio \u2013 que agrupava o SWP estadunidense, cujo dirigente era Josep Hansen, e o PST Argentino, liderado por Nahuel Moreno \u2013 que criticava essa estrat\u00e9gia da maioria. Esse setor se agrupa como TLT (Tend\u00eancia Leninista Trotskista) e depois como FLT (Fra\u00e7\u00e3o Leninista Trotskista). Os jovens revolucion\u00e1rios brasileiros, rec\u00e9m integrados aos debates da IV Internacional, aderem \u00e0s teses da ala minorit\u00e1ria. Refletiam sua pr\u00f3pria experi\u00eancia com as concep\u00e7\u00f5es vanguardistas das organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras no Brasil.<\/p>\n<p>Mas nem s\u00f3 desse debate vivia o Ponto de Partida. Surge uma pol\u00eamica acerca da orienta\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, ou seja, sobre onde se deveria militar e a qual setor se dirigir, o que acaba dividindo seus integrantes em dois grupos, cada qual defendendo uma dessas orienta\u00e7\u00f5es (os grupos Ponto de Partida e Ponto de Partida \u2013 Tend\u00eancia Socialista). Uns defendendo a interven\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria diretamente na luta de classes do Chile e outros a atua\u00e7\u00e3o e milit\u00e2ncia na col\u00f4nia de exilados brasileiros. Para algu\u00e9m n\u00e3o familiarizado com a vida interna de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da sua equipe diretiva, pode parecer que se trata de um tema menor. Mas n\u00e3o \u00e9. Para um grupo pequeno, o debate sobre onde e como se vai atuar, \u00e9 importante. Mas de todo modo esse processo de debates n\u00e3o p\u00f4de continuar. Ap\u00f3s o golpe sanguin\u00e1rio de Pinochet esse n\u00facleo de jovens revolucion\u00e1rios n\u00e3o pode prosseguir os debates e nem na sua constru\u00e7\u00e3o. Tiveram que dar o fora do Chile.\u00a0 Um de seus camaradas, T\u00falio Quintiliano, n\u00e3o conseguiu sair e foi assassinado ap\u00f3s ser detido no Est\u00e1dio Nacional do Chile<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>.<\/p>\n<p>Da rica experi\u00eancia chilena e da trag\u00e9dia que se abateu com Pinochet o grupo extrai li\u00e7\u00f5es profundas sobre o significado da frente popular, do governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes da Unidade Popular de Salvador Allende, do Partido Socialista e Comunista, e sobre a chamada via pac\u00edfica ao socialismo<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>. Ao mesmo tempo se confirmam as experi\u00eancias negativas com o guerrilheirismo e o vanguardismo. Por um lado, porque o Partido Comunista Cubano respaldou a linha reformista da Unidade Popular e de Allende, ajudando nessa trag\u00e9dia. Em 1971 o pr\u00f3prio Fidel Castro viajou para o Chile, desfilou em carro oficial, participou de com\u00edcios e reuni\u00f5es, dando total apoio ao projeto reformista de Allende e da Unidade Popular. E por outro lado, as posi\u00e7\u00f5es guerrilheiristas e foquista do MIR (Movimento de Esquerda Revolucion\u00e1ria) do Chile.<\/p>\n<p>Essas reflex\u00f5es est\u00e3o contidas no artigo \u201c<strong>o fim da via pac\u00edfica<\/strong>\u201d. A conclus\u00e3o \u00e9 que:<\/p>\n<p><em>&#8220;A trag\u00e9dia chilena mostra claramente como o reformismo trai a classe trabalhadora e a leva ao massacre. A experi\u00eancia chilena, historicamente, n\u00e3o \u00e9 a primeira derrota do proletariado sofrida por causa dos mercadores da \u201ctransi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica\u201d e da \u201crevolu\u00e7\u00e3o por etapas\u201d. A derrota chilena tamb\u00e9m mostra como o ultraesquerdismo \u2013 embora reflita a ascens\u00e3o das massas \u2013 assume posi\u00e7\u00f5es vanguardistas, isolando-se do proletariado ou, por falta de uma pol\u00edtica clara de massas, acaba capitulando ao reformismo. Ap\u00f3s seis anos de ascens\u00e3o cont\u00ednua da luta de classes no Chile, o proletariado e suas lideran\u00e7as foram esmagados. Por que isso aconteceu? A culpa \u00e9 dos partidos reformistas e, at\u00e9 certo ponto, tamb\u00e9m do MIR, que n\u00e3o preparou e mobilizou a classe trabalhadora para a conquista do poder. Mas acreditamos que este n\u00e3o \u00e9 o momento de lamentar nossos mortos. Nossa principal obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 entender as raz\u00f5es da derrota, para que possamos estabelecer as bases para uma vit\u00f3ria futura&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>As derrotas, na vers\u00e3o stalinista e social-democrata, bem como a incapacidade do vanguardismo, refor\u00e7am o caminho em dire\u00e7\u00e3o ao marxismo revolucion\u00e1rio. Vai consolidando o caminho da atua\u00e7\u00e3o no interior da IV Internacional, em sua ala minorit\u00e1ria, a FLT. Vejamos o que nos diz Maria Jos\u00e9 Louren\u00e7o, conhecida como Zez\u00e9, uma das principais lideran\u00e7as da organiza\u00e7\u00e3o sobre sua vincula\u00e7\u00e3o ao trotskismo. E, especial o ingresso na corrente liderada por Nahuel Moreno. Ela relata que conheceu Moreno no seguinte contexto:<\/p>\n<p><em>&#8220;em 1972, ainda no Chile, quando n\u00f3s, alguns brasileiros, nos aproximamos da Internacional, do trotskismo. Era o 9\u00ba Congresso da Internacional e havia uma discuss\u00e3o entre aqueles que defendiam a linha da guerrilha e os que defendiam a constru\u00e7\u00e3o de um partido internacional com influ\u00eancia de massas. N\u00f3s que v\u00ednhamos da guerrilha e t\u00ednhamos feito uma experi\u00eancia desastrosa com a guerrilha brasileira, nos identificamos com os que defendiam a constru\u00e7\u00e3o de partidos com influ\u00eancia de massas e fomos apresentados, atrav\u00e9s dos norte-americanos que passaram pelo Chile, pra visitar o M\u00e1rio Pedrosa<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>, e fomos apresentados ao Moreno. E ele come\u00e7ou uma discuss\u00e3o conosco de que, se n\u00f3s nos aproxim\u00e1vamos teoricamente da proposta de que a sa\u00edda para a revolu\u00e7\u00e3o e o socialismo era a constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios com influ\u00eancia de massas, ter\u00edamos que nos dedicar a esta tarefa. A partir da\u00ed desenvolvemos uma rela\u00e7\u00e3o importante com ele&#8230; Ele nos levou para uma escola de quadros, de quase 20 dias, na Argentina, que come\u00e7ava com Feuerbach, Hegel, as leis da dial\u00e9tica, a lei do desenvolvimento desigual e combinado, revolu\u00e7\u00e3o permanente, para concluir com estudos sobre o partido teoria leninista de organiza\u00e7\u00e3o e a concep\u00e7\u00e3o de partido&#8221;<\/em><a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>.<\/p>\n<p>O que se nota, nos antecedentes da funda\u00e7\u00e3o da Liga Oper\u00e1ria, \u00e9 um processo de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtico, te\u00f3rico e program\u00e1tico marcado pelo golpe militar brasileiro de 1964 e pelo golpe de Pinochet no Chile em 1973.\u00a0 Al\u00e9m da vincula\u00e7\u00e3o aos debates da IV Internacional. Vejamos isso mais de perto.<\/p>\n<p><strong>1.1-<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>O fracasso do nacionalismo, stalinismo, guerrilheirismo e reformismo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O golpe militar em abril de 1964 mostrou, por um lado, o fracasso do nacionalismo burgu\u00eas de Goulart. Por outro, o absurdo da tese do PCB acerca de uma suposta burguesia nacional progressista e do etapismo stalinista. O PCB propunha abertamente a alian\u00e7a com a burguesia pois \u201c<em>o objetivo consiste em isolar o inimigo principal da na\u00e7\u00e3o brasileira e derrotar a sua pol\u00edtica&#8230; n\u00e3o tem por fim isolar a burguesia nem romper a alian\u00e7a com ela, mas visa defender os interesses espec\u00edficos do proletariado e das vastas massas, simultaneamente ganhando a pr\u00f3pria burguesia e as demais for\u00e7as para aumentar a coes\u00e3o da frente \u00fanica<\/em>\u201d. Al\u00e9m da defesa do caminho pac\u00edfico \u201cOs comunistas consideram que existe hoje em nosso pa\u00eds a possibilidade real de conduzir, por formas e meios pac\u00edficos, a revolu\u00e7\u00e3o antiimperialista e antifeudal. Nestas condi\u00e7\u00f5es, este caminho \u00e9 o que conv\u00e9m \u00e0 classe oper\u00e1ria e a toda a na\u00e7\u00e3o\u2026\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>. Diferente do que dizia o PCB n\u00e3o havia a tal burguesia anti-imperialista com que fazer a fase \u201cnacional libertadora\u201d da revolu\u00e7\u00e3o brasileira. Diferente dos discursos de Luiz Carlos Prestes, o lend\u00e1rio secret\u00e1rio geral do PCB, n\u00e3o havia a burguesia nacionalista e democr\u00e1tica que resistiria ao golpe e \u201ccortaria a cabe\u00e7a\u201d do fascismo. Na espera da burguesia \u201cprogressista\u201d o PCB n\u00e3o fez nada para resistir ao golpe de 1964 e deixou \u00e0 deriva os setores que resistiram<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>.<\/p>\n<p>A Liga Oper\u00e1ria, elaborou um documento hist\u00f3rico denominado \u201c10 anos depois: rumo um bonapartismo cl\u00e1ssico?\u201d avaliando os acontecimentos assim:<\/p>\n<p><em>&#8220;As causas principais da derrota do movimento oper\u00e1rio brasileiro foram: por um lado, o fracasso hist\u00f3rico da ideologia e da pol\u00edtica das dire\u00e7\u00f5es nacionalistas burguesas, estabelecidas no governo desde Vargas em diante, e, por outro lado, a pol\u00edtica reformista do Partido Comunista, que jamais ofereceu \u00e0s massas uma alternativa independente da dire\u00e7\u00e3o burguesa pela qual eram arrastadas. O Partido Comunista amarrou o movimento popular \u00e0 burguesia nacional, o fez confiar em seu nacionalismo, nos \u201cmilitares patriotas\u201d, e freou a mobiliza\u00e7\u00e3o e a iniciativa da classe oper\u00e1ria, impedindo que ela se al\u00e7asse como uma alternativa clara e s\u00f3lida frente \u00e0s classes m\u00e9dias, que optaram, ent\u00e3o, entre duas dire\u00e7\u00f5es burguesas: a vacilante e incapaz dire\u00e7\u00e3o nacionalista, fracassada no governo, e a dire\u00e7\u00e3o golpista, reacion\u00e1ria e diretamente pr\u00f3-imperialista, por\u00e9m cheia de promessas e planos enganosos de um \u2018futuro melhor\u2019. O Partido Comunista jamais deu \u00e0 classe trabalhadora uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica clara contra o golpe de Estado que se aproximava. O Partido Comunista jamais foi, ent\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o da qual necessitava o movimento de massas para frear a rea\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>A revolta contra o imobilismo e reboquismo do PCB stalinista em 1964, lan\u00e7ou uma camada de jovens para as a\u00e7\u00f5es vanguardistas via os projetos guerrilheiros. O PCB se fraturou em dezenas de peda\u00e7os, dando origens a v\u00e1rios outros partidos stalinistas que adotaram a estrat\u00e9gia guerrilheira<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>. E outros grupos como setores do nacionalismo tamb\u00e9m se radicalizaram e muitos aderiram \u00e0s teses foquistas.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Maria Jose Loureiro, a Zez\u00e9, integrou o MNR (Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio), organiza\u00e7\u00e3o oriunda de militares inspirador por Leonel Brizola que tentaram implantar focos guerrilheiros no Brasil sob a linha Cubana. Uma dessas experi\u00eancias foi tentada no Rio Grande do Sul e outra realizada na Serra do Capara\u00f3, mas desarticulada em 1967. Ap\u00f3s essas e outras experi\u00eancias frustradas, lideran\u00e7as do MNR fundam o jornal \u201cO SOL\u201d, em cuja reda\u00e7\u00e3o se encontrava Maria Jos\u00e9 Louren\u00e7o, ent\u00e3o estudante de Jornalismo na UFRJ e integrante do Centro Acad\u00eamico desse curso. O jornal alcan\u00e7ou certa fama no contexto da ditadura, tanto que \u00e9 citado por Caetano na c\u00e9lebre can\u00e7\u00e3o \u201cAlegria, Alegria\u201d. Era um momento em que esse tipo de jornal, da chamada impressa alternativa, estava em alta (vide o \u201cPasquim\u201d ou posteriormente \u201cOpini\u00e3o\u201d e \u201cVersus\u201d, nos anos 1970).<\/p>\n<p>Assim como outros jornais, \u201cO SOL\u201d, era uma forma de recrutar novos militantes para um novo \u201cfoco guerrilheiro\u201d do MNR. Do mesmo modo como setores do mao\u00edsmo utilizaram o jornal \u201cMovimento\u201d, por exemplo. Mas no caso de \u201cO SOL\u201d, vejamos o que nos conta Jorge Pinheiro, tamb\u00e9m integrante do CA de jornalismo da UFRJ e outro dos fundadores da Liga Oper\u00e1ria, acerca do jornal O SOL:<\/p>\n<p>&#8220;<em>era um projeto do MNR para atrair jovens e organizar uma nova guerrilha, mas muitos dos participantes de O SOL nem sabiam disso. Eu fui recrutado l\u00e1 dentro. O MNR j\u00e1 tinha feito a primeira guerrilha e est\u00e1vamos nos organizando para outra&#8230; houve grande influ\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o cubana<\/em>&#8220;<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto pouco a pouco os projetos guerrilheiros, de linha Cubana ou Chinesa, mostraram sua incapacidade de derrubar a ditadura, isolando os ativistas mais combativos, radicais e heroicos em a\u00e7\u00f5es militaristas afastadas da classe oper\u00e1ria. O vanguardismo guerrilheiro, extenuando por assaltos e sequestros, amargando isolamento social e pol\u00edtico, tamb\u00e9m fracassa.<\/p>\n<p>O contato desses jovens revolucion\u00e1rios com a luta de classes latino-americana no Chile, o surgimento do Ponto de Partida, o fracasso da via pac\u00edfica ao socialismo de Allende \u00e9 um novo patamar de consolida\u00e7\u00e3o desses quadros. O golpe de Pinochet mostrava a impossibilidade de qualquer avan\u00e7o pac\u00edfico ao socialismo.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es contidas no texto \u201cA prop\u00f3sito de um sequestro\u201d e de \u201co fim da via pac\u00edfica\u201d n\u00e3o s\u00e3o casuais. S\u00e3o um balan\u00e7o das estrat\u00e9gias, programas e organiza\u00e7\u00f5es visando um novo curso. S\u00e3o a avalia\u00e7\u00e3o das heran\u00e7as que se deveria abandonar (o nacionalismo-burgu\u00eas, o stalinismo<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a> e o vanguardismo de vi\u00e9s cubano ou chin\u00eas, o reformismo social-democrata da Unidade Popular Chilena). Mas, os fundadores da Liga Oper\u00e1ria trataram de superar suas concep\u00e7\u00f5es vanguardistas, n\u00e3o pela via do reformismo e sim pela via do marxismo revolucion\u00e1rio, do bolchevismo, aderindo ao trotskismo: a revolu\u00e7\u00e3o permanente mundial, a estrat\u00e9gia transicional e a ditadura revolucion\u00e1ria do prolet\u00e1rio. Fizeram um percurso diferente de muitos ex-guerrilheiros que se tornaram social-democratas \u201c<em>verdes<\/em>\u201d como Gabeira ou Sirkis<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a>; e diferente de grupos como o MR-8 que passa dos sequestros e assaltos de armas na m\u00e3o para a inser\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na via institucional do MDB, se diluindo na alian\u00e7a com burguesia liberal, tendo como refer\u00eancia Orestes Quercia<a href=\"#_edn15\"><sup>[xv]<\/sup><\/a>. Mas nem s\u00f3 de teoria -programa vive uma organiza\u00e7\u00e3o bolchevique-Leninista. Haveria tamb\u00e9m de avan\u00e7ar em como construir o partido revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>1.2 \u2013 A constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Para construir um partido revolucion\u00e1rio al\u00e9m de teoria-programa, da a\u00e7\u00e3o na luta de classes, \u00e9 preciso um m\u00e9todo Leninista e uma organiza\u00e7\u00e3o bolchevique internacional.<\/p>\n<p>Os debates no interior da IV internacional abordavam esse tema. Os documentos da Tend\u00eancia Leninista Trotskista (posteriormente Fra\u00e7\u00e3o Leninista Trotskista), ao qual os brasileiros se vincularam, tinham esse aspecto em sua plataforma. O debate se arrastava de antes do contato dos brasileiros com a ala minorit\u00e1ria (FLT). Nahuel Moreno um dos mais importantes dirigentes dessa ala resume o tema no contexto do triunfo da revolu\u00e7\u00e3o cubana e do impacto que ela causou na IV internacional, destacando que foi positivo o apoio da maioria da IV para esta revolu\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m alerta que Mandel, assim como j\u00e1 havia feito em outras ocasi\u00f5es, \u201c<em>come\u00e7ou a capitular<\/em>\u201d e \u201c<em>aceitar toda concep\u00e7\u00e3o guerrilheira<\/em>\u201d o que<\/p>\n<p><em>&#8220;culminou no nono congresso da internacional no ano de 1969, originando uma categ\u00f3rica divis\u00e3o, ao redor do problema do guevarismo e da guerrilha na am\u00e9rica latina (&#8230;) o SWP, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) argentino \u2013 antecessor do atual Movimento ao Socialismo (MAS) \u2013 e alguns companheiros sul-americanos lideramos uma corrente que se op\u00f4s a essa an\u00e1lise e orienta\u00e7\u00e3o do foco guerrilheiro. Assinalamos que em princ\u00edpio n\u00e3o est\u00e1vamos contra a guerrilha, sempre que estivesse apoiada no movimento de massas. Por\u00e9m a teoria do foco era justamente o oposto. Era uma linha elitista&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Um documento importante do setor minorit\u00e1rio na IV internacional foi apresentado no CEI (Comit\u00ea Executivo Internacional) de dezembro de 1972, denominado \u201c<strong>Argentina e Bol\u00edvia: um balan\u00e7o<\/strong>\u201d, assinado por Hugo Blanco, Peter Camejo, Joseph Hansen, Ernesto Gonzales e Nahuel Moreno. Neste documento se explicita a diferen\u00e7as com a maioria (liderada por Mandel) afirmando que estava ligada ao problema de\u00a0<em>\u201ccomo fazer para construir partidos revolucion\u00e1rios de massas no contexto da situa\u00e7\u00e3o atual na qual se encontra a Quarta Internacional\u201d<\/em>. E defendem manter a linha \u201c<em>proposta pela Quarta Internacional desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1938, de tratar de ligar-se as massas atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o consequente do m\u00e9todo exposto no programa de transi\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a>.<\/p>\n<p>Para o grupo fundacional da Liga Oper\u00e1ria estes debates foram centrais. Em uma luta pol\u00edtica como essa, as concep\u00e7\u00f5es em choque se expressam abertamente. S\u00e3o muitos os casos em que as diverg\u00eancias ajudam a compreender melhor as posi\u00e7\u00f5es. S\u00e3o muitos os veteranos da corrente que contam que Moreno aproveitava debates e diverg\u00eancias para educar novos quadros. E na luta pol\u00edtica da IV isso tamb\u00e9m ocorreu. Sem d\u00favida para a Liga Oper\u00e1ria foi de fundamental import\u00e2ncia um texto escrito por Nahuel Moreno nessa \u00e9poca. Trata-se de \u201c<em>Um documento escandaloso (em resposta a \u2018em defesa do leninismo, em defesa da Quarta Internacional, de Ernest Germain)<\/em>\u201d, editado posteriormente como\u00a0<em>\u201cO Partido e a Revolu\u00e7\u00e3o: Teoria, programa e pol\u00edtica \u2013 Pol\u00eamica com Ernest Mandel\u201d<\/em>. Tal documento foi apelidado pelos veteranos da corrente como \u201co Morena\u00e7o\u201d tal o impacto dele para a constru\u00e7\u00e3o da corrente, justamente do n\u00facleo fundador da Liga Oper\u00e1ria. Uma das partes centrais \u00e9 o cap\u00edtulo VI\u00a0<em>\u201cPartido mandelista ou partido leninista\u201d<\/em>\u00a0que tratou em profundidade a diferen\u00e7a com Mandel afirmando que \u201c<em>a origem das diferen\u00e7as que temos com a maioria em todos os terrenos \u2013 te\u00f3rico, program\u00e1tico, estrat\u00e9gico e t\u00e1tico \u2013 nasce de um fundamental: a que mantemos respeito ao m\u00e9todo de constru\u00e7\u00e3o de nossas se\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>.<\/p>\n<p>Sobre esse aspecto, o da constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, as li\u00e7\u00f5es relatadas por Zez\u00e9 sobre sua vincula\u00e7\u00e3o ao PST Argentino e a lideran\u00e7a de Moreno s\u00e3o as seguintes:<\/p>\n<p><em>&#8220;A primeira, que eu acho que foi muito importante a concep\u00e7\u00e3o de que dever\u00edamos militar onde a gente estava e que a constru\u00e7\u00e3o do partido era mais do que a constru\u00e7\u00e3o de um partido nacional. Tanto que havia uma pol\u00eamica no Chile, entre a milit\u00e2ncia, entre os exilados: um setor defendia militar apenas para o seu pr\u00f3prio pa\u00eds e outro defendia entrar para o Partido Socialista, para o PC, fazer qualquer coisa para a revolu\u00e7\u00e3o. E ele dizia, voc\u00eas t\u00eam que construir o partido trotskista, enquanto estiverem no Chile, no Chile; e depois que sa\u00edrem do Chile onde for necess\u00e1rio. A segunda era a vincula\u00e7\u00e3o com o movimento de massas, eliminando qualquer ran\u00e7o ou resqu\u00edcio que n\u00f3s ainda tiv\u00e9ssemos da concep\u00e7\u00e3o aparelhista, guerrilheira, de substitui\u00e7\u00e3o das massas por a\u00e7\u00f5es exemplares, que era o que mais a experi\u00eancia guerrilheira tinha no passado. Essa vincula\u00e7\u00e3o com o movimento de massas era necess\u00e1ria onde quer que o movimento estivesse acontecendo<\/em>&#8220;<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Em rela\u00e7\u00e3o vincula\u00e7\u00e3o ao movimento de massas e a constru\u00e7\u00e3o na classe oper\u00e1ria Zez\u00e9 relata as seguintes sugest\u00f5es de Nahuel Moreno para os jovens militantes da Liga Oper\u00e1ria:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Ele dizia: A classe revolucion\u00e1ria \u00e9 a classe oper\u00e1ria, mas h\u00e1 momentos em que em vez de ir \u00e0 classe oper\u00e1ria, voc\u00ea tem que ir ao movimento estudantil, porque o importante \u00e9 que, a partir da inser\u00e7\u00e3o no movimento de massas voc\u00ea pode estabelecer o di\u00e1logo para poder se aproximar da classe oper\u00e1ria. Esta li\u00e7\u00e3o nos ajudou muito, porque quando voltamos ao Brasil, apesar de que nosso objetivo era nos construirmos na classe oper\u00e1ria, nos metemos todos no movimento estudantil, onde a luta contra a ditadura estava se dando de forma mais forte e onde era poss\u00edvel construir um ac\u00famulo inicial de quadros. Em um ano de constru\u00e7\u00e3o do grupo n\u00f3s conquistamos o 100\u00ba militante, que pra n\u00f3s, naquela \u00e9poca da ditadura, era muito dif\u00edcil. Capt\u00e1vamos um a um, discutindo quatro, cinco documentos antes de que eles entrassem, com um monte de teoria. Depois de um ano, pudemos juntar um pouquinho destes cem para come\u00e7ar um trabalho de inser\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas<\/em>&#8220;<em> (idem). <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Construir um partido, captar trabalhadores ou jovens, \u00e9 uma das tarefas mais dif\u00edceis e crucial para o desenvolvimento de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Segundo Zez\u00e9 est\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o foi central para a constru\u00e7\u00e3o da Liga Oper\u00e1ria pois:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Se a gente n\u00e3o tivesse ido para o movimento estudantil, muito possivelmente n\u00f3s levar\u00edamos, desde 1974, quando n\u00f3s chegamos aqui, at\u00e9 o grande ascenso da classe oper\u00e1ria, j\u00e1 depois de 1978\/79, sem conseguir chegar nem sei se em 20 militantes. Talvez muito menos. Mas, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o de Moreno, chegamos em 100 militantes em um ano, um ano e meio. Teve at\u00e9 festa, comemora\u00e7\u00e3o. Este cent\u00e9simo militante foi um militante que depois entrou na Mercedes Benz, pra fazer o trabalho oper\u00e1rio. Foi o Celso Brambilla, que foi militante do partido durante muitos anos, depois preso, muito torturado, inclusive. Ele deixou a universidade de S\u00e3o Carlos para trabalhar como oper\u00e1rio na Mercedes. E l\u00e1, distribuindo panfletos sobre o 1\u00ba de Maio, ele foi preso. O que provocou uma mobiliza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s levamos oper\u00e1rios para a USP o que permitiu uma forte mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil que avan\u00e7ou muito na luta contra a ditadura<\/em>&#8221; <em>(idem)<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\"><strong>[xviii]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Nota-se que a prioriza\u00e7\u00e3o do trabalho no setor estudantil estava ligada ao in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o do partido e a necessidade de um ac\u00famulo inicial de militantes para formar quadros. E com esses quadros preparar o giro ao movimento oper\u00e1rio, a estrutura\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas, se implantar nas grandes ind\u00fastrias e na classe trabalhadora. E isso deu certo. Realmente a Liga se implantou no movimento estudantil, inicialmente na USP, PUC, UFF, depois outras universidades como a UNICAMP e UFSCAR, e desde a\u00ed preparou a interven\u00e7\u00e3o no ascenso posterior no ABC e da funda\u00e7\u00e3o da CUT. A Liga Oper\u00e1ria crescia, penetrava nas f\u00e1bricas, e virou alvo da ditadura militar.<\/p>\n<p>Confira a segunda parte desse artigo: <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/06\/24\/a-liga-operaria-retorna-clandestinamente-no-brasil-parte-ii\/\"><strong>A Liga Oper\u00e1ria retorna clandestinamente no Brasil (PARTE II)<\/strong><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Wladimir Palmeira, dirigente da Uni\u00e3o Metropolitana dos Estudantes, foi o dirigente da passeata do 100 mil, ap\u00f3s o assassinato do estudante paraense Edson Luiz no restaurante Calabou\u00e7o no RJ. Honestino Guimaraes, estudante da UnB, foi presidente da UNE, preso pela Marinha e assassinado em 1973.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Em 1968 ocorrem duas importantes greves oper\u00e1rias em SP (Osasco) e MG (Contagem). Em Contagem a greve foi fruto do trabalho das comiss\u00f5es de base e teve como eixo as f\u00e1bricas da Mannesman e a Belgo-Mineira. Em Osasco a greve foi organizada pela dire\u00e7\u00e3o Sindical e teve como eixo a f\u00e1brica Cobrasma. Nessas greves atuaram grupos que j\u00e1 estavam em prepara\u00e7\u00e3o para a guerrilha e a\u00e7\u00f5es armadas isoladas do movimento oper\u00e1rio, o que desaproveitou a for\u00e7a dessas greves. Ibrahin afirmaria \u201c<em>Nossa concep\u00e7\u00e3o era de guerrilha rural. A maioria de n\u00f3s tinha a ambi\u00e7\u00e3o de sair do movimento oper\u00e1rio para fazer guerrilha no campo. Minha vontade, por exemplo, era partir para formas mais avan\u00e7adas de luta. N\u00f3s \u00e9ramos lideran\u00e7as do movimento de massas, que tinha apoio das massas, mas que estava sendo absorvida pelas concep\u00e7\u00f5es partilhadas por amplos setores da esquerda<\/em>\u201d. Ver do pr\u00f3prio Jose Ibrahin \u201c<strong>O que todo cidad\u00e3o precisa saber sobre Comiss\u00f5es de F\u00e1brica<\/strong>\u201d \u2013 Caderno de Educa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, 1986.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Alguns haviam atuado no MNR (Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio), uma organiza\u00e7\u00e3o nacionalista com origem no Brizolismo, por exemplo Maria Jos\u00e9 Louren\u00e7o (a Zez\u00e9) e Jorge Pinheiro. Outros eram oriundos do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucion\u00e1rio), racha do PCB impulsionado por Mario Alves e Apol\u00f4nio de Carvalho em 1968, como Tulio Quintiliano.\u00a0E por fim alguns tinha origem na AP (A\u00e7\u00e3o Popular) uma organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, surgida da juventude universit\u00e1ria da Igreja, que se radicaliza no ascenso de 1968, caso de Enio Bucchioni. Posteriormente a AP se fraciona com uma ala tornando-se Maoista (AP-Marxista-Leninista) e se unifica com o PCdoB.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Ver em nosso site o artigo\u00a0<strong>A prop\u00f3sito de um sequestro<\/strong>\u00a0do grupo Ponto de Partida. O texto foi escrito no contexto dos sequestros de embaixadores. A mais espetacular dessas a\u00e7\u00f5es foi o sequestro do embaixador estadunidense. A a\u00e7\u00e3o comandada pela Dissid\u00eancia da Guanabara \u2013 que adotou o nome de MR8 (Movimento Revolucion\u00e1rio 8 de Outubro) \u2013 e a ALN (A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional Libertadora) libertou v\u00e1rias lideran\u00e7as que amargavam o calabou\u00e7o da ditadura, como as lideran\u00e7as estudantis Vladimir Palmeira, Lu\u00eds Travassos, Jos\u00e9 Dirceu, o hist\u00f3rico dirigente do PCB Greg\u00f3rio Bezerra, o l\u00edder da greve de Osasco de 1968 Jose Ibraim, Ricardo Zarattini do PCR, dentre outros. A a\u00e7\u00e3o causou simpatia imensa na col\u00f4nia de exilados brasileiros e n\u00e3o era simples lan\u00e7ar uma cr\u00edtica ao guerrilheirismo. Ver\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/05\/17\/a-proposito-de-um-sequestro-grupo-ponto-de-partida\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/05\/17\/a-proposito-de-um-sequestro-grupo-ponto-de-partida\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> O camarada Tulio Quintiliano, ex-militante do PCBR, aderiu ao trotskismo no Chile e foi assassinado por Pinochet. Ver\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/10\/10\/tulio-quintiliano-trotskista-brasileiro-assassinado-por-pinochet\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/10\/10\/tulio-quintiliano-trotskista-brasileiro-assassinado-por-pinochet\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Ver o extenso artigo \u201co fim da via pacifica\u201d publicado originalmente na revista da Am\u00e9rica a traduzido ao portugu\u00eas brasileiro por nosso site\u00a0ver\u00a0https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/09\/14\/chile-fim-da-via-<\/p>\n<p>pacifica-antenor-alexandre-revista-da-america-1973\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Mario Pedrosa e Livio Xavier, juntamente com Aristides Lobo, Joao Costa Pimenta, Rodolfo Coutinho, Raquel de Queiroz e Mary Huston, integram o n\u00facleo fundador do trotskismo no brasil nos anos 30. Ver <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/08\/17\/90-anos-da-liga-comunista-do-brasil\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/08\/17\/90-anos-da-liga-comunista-do-brasil\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Ver\u00a0\u201c<em>Estava faltando uma homenagem a Moreno, que fosse realmente unit\u00e1ria<\/em>\u201d, entrevista de Zez\u00e9 ao Opini\u00e3o Socialista ap\u00f3s ato unit\u00e1rio em homenagem a Nahuel Moreno em 2007, realizado em S\u00e3o Paulo. Na ocasi\u00e3o discursou no evento Miguel Sorans, pela UIT-QI, e Bab\u00e1 pela CST, dentre outras lideran\u00e7as. O jornal Opini\u00e3o Socialista entrevistou v\u00e1rios dirigentes presentes. Dentre eles a Zez\u00e9, Ernesto Gonzales e Mercedes Petit (da Esquerda Socialista e UIT-QI) e Miguel Sorans (da Esquerda Socialista e UIT-QI).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/tematica\/1958\/03\/pcb.htm\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/tematica\/1958\/03\/pcb.htm<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> Ver <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-9-o-pcb-e-a-ditadura-militar-no-brasil-a-politica-da-frente-patriotica\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-9-o-pcb-e-a-ditadura-militar-no-brasil-a-politica-da-frente-patriotica\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> Ver <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-11-a-ruptura-maoista-no-pcb-programa-e-estrategia-do-pcdob-e-pcr\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-11-a-ruptura-maoista-no-pcb-programa-e-estrategia-do-pcdob-e-pcr\/<\/a>\u00a0 e <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-10-as-rupturas-do-pcb-nos-anos-60-pc-do-b-aln-pcbr-mr-8\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2023\/12\/31\/texto-10-as-rupturas-do-pcb-nos-anos-60-pc-do-b-aln-pcbr-mr-8\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> Entrevista em 1990 a Bernardo Kucinski.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> Ver <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/09\/23\/9790\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2022\/09\/23\/9790\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> A esse respeito leia os livros \u201cO que \u00e9 isso, companheiro?\u201d de Gabeira ex-MR-8 e \u201cOs Carbon\u00e1rios\u201d de Sirkis, ex-VPR. Renegando sua trajet\u00f3ria para consolidar uma nova via social-democrata e \u201cVerde\u201d. Posteriormente apoiaram projetos do PSDB e MDB no Rio de Janeiro. Outros como Jos\u00e9 Ibrahin, torna-se lideran\u00e7a da pelega For\u00e7a Sindical e posteriormente da UGT. Foi dirigente do PSD de Kassab.<\/p>\n<p><a name=\"_edn15\"><\/a><a href=\"#_ednref15\"><sup>[xv]<\/sup><\/a> Franklin Martins, um dos militantes do MR8 que participou do sequestro do embaixador Estadunidense, foi uma das lideran\u00e7as desse giro do MR8 em dire\u00e7\u00e3o ao MDB. A ideia era \u201ctransformar\u201d o MDB num \u201cpartido popular\u201d e construir uma \u201cfrente popular\u201d em meados dos anos 70. Mesma posi\u00e7\u00e3o expressa por Ricardo Zaratini, dirigente do PCR que na \u00e9poca estava compondo uma fus\u00e3o com o MR-8. A linha do MR-8 era \u201c<em>liberar o MDB de toda vacila\u00e7\u00e3o, de toda tend\u00eancia \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o com a ditadura<\/em>\u201d. As aspas s\u00e3o retiradas de declara\u00e7\u00f5es de dirigentes do MR8 para a revista Contraponto do Centro de Estudos Noel Nutels, mas outras frases semelhantes podem ser encontradas em edi\u00e7\u00f5es do jornal Hora do Povo, do MR-8.\u00a0 Franklin Martins, posteriormente, se tornou jornalista da Rede Globo, no Jornal Nacional, e foi Ministro do governo Lula em 2007. Nos anos 1990 Zaratini foi assessor da bancada de deputados do PDT e depois assessor de Jose Dirceu, ent\u00e3o Ministro Chefe da Casa Civil do governo Lula em 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> Uma edi\u00e7\u00e3o recente dessa obra foi realizada por nossos camaradas da Esquerda Socialista, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI na Argentina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Ver prologo desse importante obra em <a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/12\/21\/prologo-da-obra-o-partido-e-a-revolucao-teoria-programa-e-politica-polemica-com-ernest-mandel\/\">https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2021\/12\/21\/prologo-da-obra-o-partido-e-a-revolucao-teoria-programa-e-politica-polemica-com-ernest-mandel\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a> Entrevista de Zez\u00e9 2007, Ver nota IV.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> Essas pris\u00f5es e torturas ocorrem mais pra frente, em 1977, quando Celso Brambilla, Marcia Basseto e Jose Maria de Almeida (o Z\u00e9 Maria, ent\u00e3o simpatizante da Liga Oper\u00e1ria) realizavam uma panfletagem oper\u00e1ria sobre o 1\u00b0 de maio. Os atos pela liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos, uma das primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de massa contra a ditadura, podem ser vistas no document\u00e1rio \u201c<strong>Apito na panela de press\u00e3o<\/strong>\u201d dos DCE\u2019s da USP e PUC document\u00e1rio pode ser visto aqui <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=DuGZABQ0L5c\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=DuGZABQ0L5c<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>50 anos da Liga Oper\u00e1ria: o in\u00edcio do trotskismo morenista no Brasil (PARTE I) Michel Oliveira, Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CST. &nbsp; O ano \u00e9 1974. O general Geisel assumia como novo ditador. O carrasco Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici terminava seu \u201cmandato\u201d num dos mais terr\u00edveis per\u00edodos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-15419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15419\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}