

	{"id":15563,"date":"2024-07-03T19:42:46","date_gmt":"2024-07-03T22:42:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=15563"},"modified":"2024-07-03T19:42:46","modified_gmt":"2024-07-03T22:42:46","slug":"franca-perigos-do-triunfo-eleitoral-da-extrema-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/07\/03\/franca-perigos-do-triunfo-eleitoral-da-extrema-direita\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a: Perigos do Triunfo Eleitoral da Extrema Direita"},"content":{"rendered":"<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI<\/p>\n<p>03\/07\/2024. A ala ultradireitista de Marine Le Pen obteve uma vit\u00f3ria eleitoral no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas: um resultado sem precedentes para a Fran\u00e7a. Pela primeira vez, o partido de Marine Le Pen obteve 33%, mostrando a confus\u00e3o pol\u00edtica da ampla classe trabalhadora e dos setores populares que repudiam os partidos tradicionais, como aconteceu na Argentina com Milei. As urnas puniram severamente o presidente de centro-direita Macron por suas pol\u00edticas contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>O Reagrupamento Nacional (RN) de Le Pen obteve 33% dos votos. A esquerda reformista da Nova Frente Popular (NFP) obteve 28%, aumentando seus votos, capitalizando a rejei\u00e7\u00e3o da extrema direita por importantes setores populares. O Partido da Renascen\u00e7a do presidente Macron e sua alian\u00e7a Ensemble ficaram em terceiro lugar, com 20% dos votos, e o Partido Republicano, de direita, com 10%. No segundo turno, no domingo, 7 de julho, os deputados ser\u00e3o eleitos na maioria dos distritos onde ningu\u00e9m obteve maioria absoluta. A vota\u00e7\u00e3o \u00e9 de um deputado por distrito eleitoral. Portanto, as porcentagens de deputados n\u00e3o coincidem com as porcentagens de votos. Posteriormente, o presidente Macron ter\u00e1 que nomear um primeiro-ministro com base na maioria legislativa.<\/p>\n<p>Para o segundo turno, o presidente Emmanuel Macron e v\u00e1rios l\u00edderes da esquerda reformista da rec\u00e9m-formada Nova Frente Popular e do centro pediram unidade para impedir que Le Pen conquiste a maioria absoluta. <\/p>\n<p>Em outras palavras, eles aspiram a um governo de coaliz\u00e3o entre si; o que eles chamam de um governo de &#8220;coabita\u00e7\u00e3o&#8221;. <\/p>\n<p>Mas o partido de extrema direita de Le Pen, que poderia se aliar ao Partido Republicano, tamb\u00e9m poderia conquistar a maioria absoluta no segundo turno. Nesse caso, o primeiro-ministro seria do partido de extrema direita.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, o fen\u00f4meno pol\u00edtico do avan\u00e7o eleitoral da extrema direita est\u00e1 se repetindo, como aconteceu com Meloni e Milei. A raiva e a decep\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas com os governos liberais ou de centro-esquerda, que aplicam planos de austeridade, e a falta de uma alternativa socialista revolucion\u00e1ria forte levaram a essas confus\u00f5es entre uma parte das massas. Le Pen capitaliza parte do descontentamento de setores das classes m\u00e9dias empobrecidas e de um setor da classe trabalhadora que, durante 2023, realizou greves e mobiliza\u00e7\u00f5es em massa contra a reforma previdenci\u00e1ria de Macron.<\/p>\n<p>Anteriormente, foram as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es dos coletes amarelos e, em seguida, as mobiliza\u00e7\u00f5es no campo, que causaram a queda da popularidade de Macron. Por outro lado, Le Pen tem se &#8220;aggiornando&#8221;, levantando um falso discurso de apoio \u00e0s demandas sociais e, ao contr\u00e1rio do caso Milei, reivindicando o papel do Estado.<\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias do triunfo da extrema direita<\/strong><\/p>\n<p>Embora ainda n\u00e3o se saiba se a extrema direita governar\u00e1 com um primeiro-ministro e a presid\u00eancia de Macron, ou se a alian\u00e7a de Macron e a Nova Frente Popular do NFP conseguir\u00e1 se impor, esse avan\u00e7o da extrema direita ter\u00e1 consequ\u00eancias contra os trabalhadores. <\/p>\n<p>Embora n\u00e3o estejamos enfrentando uma ditadura fascista como na d\u00e9cada de 1930, n\u00e3o devemos minimizar a amea\u00e7a que a extrema direita representa contra os sal\u00e1rios e as aposentadorias, contra os trabalhadores migrantes, contra os direitos democr\u00e1ticos das mulheres ou dos grupos LGBTI, contra a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade p\u00fablica, contra as medidas obtidas para impedir a destrui\u00e7\u00e3o ambiental capitalista; o que estamos vendo na Argentina com Milei ou na It\u00e1lia com Meloni.<\/p>\n<p><strong>O NFP \u00e9 uma alternativa progressista?<\/strong><\/p>\n<p>A Nova Frente Popular (NFP) \u00e9 composta por: La France Insoumise, o Partido Comunista Franc\u00eas, o Partido Socialista, Pra\u00e7a P\u00fablica, Gera\u00e7\u00e3o-S, Esquerda Republicana e a Esquerda Ecossocialista. O Novo Partido Anticapitalista (NPA-A), que veio do trotskismo fundado por Ernest Mandel, aderiu a esse acordo. Ele foi apoiado por organiza\u00e7\u00f5es sindicais e ONGs.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a, entre os candidatos do NFP, de Fran\u00e7ois Hollande, que foi presidente da Fran\u00e7a entre 2012 e 2017, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es. As medidas votadas por esses governos ditos de esquerda foram antitrabalhadores e sempre subordinaram os interesses dos trabalhadores aos dos grandes patr\u00f5es. Eles aplicaram pol\u00edticas racistas e repressivas contra os trabalhadores migrantes e abriram as portas para a extrema direita; \u00e9 para aquele beco sem sa\u00edda ao qual conduzem as pol\u00edticas dos governos supostamente progressistas da Uni\u00e3o Europeia, como o PSOE-Podemos na Espanha, o PS em Portugal ou o Syriza na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>Alguns grupos trotskistas criticaram o NFP, mas o principal deles, Lutte Ouvri\u00e8re, recusou uma unidade eleitoral com os outros grupos que n\u00e3o apoiavam o NFP, como primeiro passo para formar uma alternativa unida anticapitalista e socialista independente.<\/p>\n<p><strong>Como enfrentar o que est\u00e1 por vir<\/strong><\/p>\n<p>Seja quem for o futuro primeiro-ministro franc\u00eas, est\u00e1 claro que, de acordo com o presidente Macron, ele tentar\u00e1 aprofundar os planos econ\u00f4micos antitrabalhadores e antipopulares, como o que est\u00e1 acontecendo com Milei na Argentina. <\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, como aponta a \u00faltima declara\u00e7\u00e3o dos partidos europeus da UIT-CI (Espanha, Portugal, It\u00e1lia e Turquia), antes das elei\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a e diante do crescimento da extrema direita na Europa: &#8220;A unidade \u00e9 necess\u00e1ria, mas para a mobiliza\u00e7\u00e3o contra os governos (qualquer que seja sua cor) que aplicam austeridade contra trabalhadores e pensionistas, pol\u00edticas contra a imigra\u00e7\u00e3o ou que s\u00e3o c\u00famplices do genoc\u00eddio palestino. Somente abrindo uma perspectiva para a solu\u00e7\u00e3o efetiva das justas demandas da classe trabalhadora e dos setores populares, bloquearemos a penetra\u00e7\u00e3o da extrema direita nos bairros.&#8221; <\/p>\n<p>&#8220;A unidade tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria, mas para construir uma alternativa anticapitalista a servi\u00e7o das lutas, comprometida com a constru\u00e7\u00e3o de um sindicalismo combativo, que levante um plano econ\u00f4mico oper\u00e1rio de urg\u00eancia diante da crise, por governos oper\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI 03\/07\/2024. A ala ultradireitista de Marine Le Pen obteve uma vit\u00f3ria eleitoral no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas: um resultado sem precedentes para a Fran\u00e7a. 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