

	{"id":15580,"date":"2024-07-04T17:20:46","date_gmt":"2024-07-04T20:20:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=15580"},"modified":"2024-07-04T17:20:46","modified_gmt":"2024-07-04T20:20:46","slug":"as-eleicoes-nao-encerrarao-a-crise-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/07\/04\/as-eleicoes-nao-encerrarao-a-crise-na-franca\/","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o encerrar\u00e3o a crise na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Por Josep Llu\u00eds del Alc\u00e1zar, dirigente de Lucha Internacionalista (LI) do Estado espanhol e membro do Secretariado da UIT-QI<\/p>\n<p><strong>Segundo turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas: voto cr\u00edtico na Nova Frente Popular<\/strong><\/p>\n<p>04\/07\/2024. O Reagrupamento Nacional (RN) de Marine Le Pen venceu o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas na Fran\u00e7a, com 33% dos votos: mais de 10 milh\u00f5es de votos, com uma elevada participa\u00e7\u00e3o (67%). A extrema-direita canalizou grande parte do descontentamento popular com a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida. A esquerda institucional, agrupada na Nova Frente Popular (NFP) \u2013 com a Fran\u00e7a Insubmissa, os Verdes, o Partido Socialista, o Partido Comunista e um setor do trotskismo \u2013, subiu para 28%. Enquanto isso, a coliga\u00e7\u00e3o do Presidente Emmanuel Macron caiu para o terceiro lugar, com 20%, pagando o pre\u00e7o da pol\u00edtica anti-oper\u00e1ria, antipopular e repressiva de seus governos, que foi amplamente contestada (Coletes Amarelos, reforma da previd\u00eancia, viol\u00eancia policial, mobiliza\u00e7\u00f5es rurais, apoio a Israel). Os Republicanos, a direita da tradicional do ex-presidente Nicolas Sarzoky, obteve 10%.<\/p>\n<p>Diante da ascens\u00e3o da extrema-direita, a esquerda parlamentar criou a Nova Frente Popular (NFP). Tal Frente Popular n\u00e3o responde \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares e \u00e0 ascens\u00e3o da extrema direita. Por\u00e9m, n\u00e3o houve um reagrupamento \u00e0 sua esquerda. Foram apresentados alguns candidatos de organiza\u00e7\u00f5es da esquerda revolucion\u00e1ria: da Luta Oper\u00e1ria, que obteve 350.000 votos, e tamb\u00e9m do Partido dos Trabalhadores e da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente.<\/p>\n<p><strong>Macron \u00e9 um aliado contra Le Pen?<\/strong><\/p>\n<p>O segundo turno acontecer\u00e1 no dia 7 de julho. Para a segunda volta foi proposta a chamada Frente Republicana, para \u201cbarrar a extrema direita\u201d, com os partidos da coliga\u00e7\u00e3o de Macron e da Nova Frente Popular. Procura-se justificar tal pol\u00edtica como uma continua\u00e7\u00e3o do cord\u00e3o sanit\u00e1rio para bloquear a ascens\u00e3o da extrema-direita, embora tal cord\u00e3o j\u00e1 tenha sido rompido com a crise de Os Republicanos, em que um setor, liderado pelo seu presidente \u00c9ric Cioitti, j\u00e1 se juntou ao bloco da extrema-direita.<\/p>\n<p>Os partidos de Macron e a NFP comprometeram-se no segundo turno a retirar os seus candidatos que ficaram em terceiro lugar nos c\u00edrculos eleitorais em que o RN venceu, com o objetivo de concentrar o voto anti-Le Pen. A NFP retirou 127 candidatos e a coliga\u00e7\u00e3o de Macron 82. Alguns candidatos ligados ao presidente recusaram-se a retirar suas candidaturas para apoiar a Frente Popular se o candidato do seu c\u00edrculo eleitoral fosse da Fran\u00e7a Insubmissa, afirmando que tal partido n\u00e3o compartilha dos valores \u201crepublicanos\u201d.<\/p>\n<p>A Nova Frente Popular j\u00e1 era um acordo de colabora\u00e7\u00e3o de classes, que subordinava os interesses da classe trabalhadora, mas a Frente Republicana vai um passo al\u00e9m. Significa diretamente a reabilita\u00e7\u00e3o de Macron pela esquerda parlamentar. Isso porque apresenta Macron como um mal menor, como um aliado contra a extrema-direita, quando foi ele quem abriu com as suas pol\u00edticas as portas para Le Pen.<\/p>\n<p>H\u00e1 exemplos que falam por si. Em Calvados, o candidato da LFI\/NFP retirou sua candidatura em favor de Elisabeth Borne, a antiga primeira-ministra de Macron, que promoveu a reforma da previd\u00eancia. O mesmo se aplica a G\u00e9rald Darmanin, ministro do interior desde 2020. Foi sob a gest\u00e3o desse ministro que a pol\u00edcia assassinou Nahel, em junho de 2023, e depois reprimiu brutalmente os protestos. Foi tamb\u00e9m Darmarin quem apresentou a racista Lei de Imigra\u00e7\u00e3o, aprovada em dezembro, parcialmente modificada pelo Tribunal Constitucional porque continha medidas discriminat\u00f3rias, como a nega\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios sociais aos imigrantes. Esses s\u00e3o hoje os respons\u00e1veis pela ascens\u00e3o da extrema-direita.<\/p>\n<p>Tal acordo impl\u00edcito entre a esquerda parlamentar e a direita de Macron trai as mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares e deixa a extrema-direita como a \u00fanica refer\u00eancia para a popula\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas do governo. Lamentamos que um setor que se afirma trotskista, como o Novo Partido Anticapitalista e o Partido Oper\u00e1rio Independente, que j\u00e1 tinham aderido ou apoiado a NFP no primeiro turno, compactuem agora com o acordo republicano, que os subordina a Macron.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel preparar o terreno para enfrentar um futuro governo de extrema-direita sem questionar as pol\u00edticas de Macron. N\u00e3o pode haver qualquer voto oper\u00e1rio e popular na extrema-direita de Le Pen, mas tamb\u00e9m nos candidatos macronistas. Nos c\u00edrculos eleitorais em que a elei\u00e7\u00e3o \u00e9 entre Macron e Le Pen somos a favor do voto nulo ou da absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Compreendemos as esperan\u00e7as depositadas por muitos trabalhadores e jovens na unidade da esquerda parlamentar, representada pela NFP, para barrar a extrema-direita de Le Pen, que amea\u00e7a direitos e liberdades. Houve mobiliza\u00e7\u00f5es importantes. Por isso, no segundo turno, n\u00f3s, da Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (UIT-QI), defendemos o voto cr\u00edtico nos candidatos da NFP, para enfraquecer a for\u00e7a da extrema-direita no pr\u00f3ximo parlamento. Falamos de voto cr\u00edtico pois a NFP n\u00e3o faz parte da solu\u00e7\u00e3o, mas sim do problema. Isso porque pessoas que hoje comp\u00f5e suas listas aplicaram &#8211; quando estiveram no governo ou mesmo ocuparam a presid\u00eancia, como Fran\u00e7ois Hollande &#8211; pol\u00edticas a servi\u00e7o do capital, como atualmente fazem outros supostos governos de esquerda, como o de Pedro S\u00e1nchez no Estado espanhol e de Olaf Scholz no Estado alem\u00e3o. Portanto, ao mesmo tempo em que lutamos lado a lado com os camaradas que t\u00eam participado das mobiliza\u00e7\u00f5es contra a extrema-direita, consideramos necess\u00e1rio um di\u00e1logo para convenc\u00ea-los de que devemos construir uma alternativa \u00e0 esquerda para barrar a ascens\u00e3o de Le Pen. Uma alternativa de ruptura, anticapitalista, que responda verdadeiramente \u00e0s necessidades oper\u00e1rias e populares.<\/p>\n<p>Quer a extrema-direita obtenha a maioria absoluta, e exista um governo de coabita\u00e7\u00e3o com Macron, ou atinja apenas uma maioria que n\u00e3o lhe permita formar o governo, as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o encerrar\u00e3o a crise na Fran\u00e7a. Ser\u00e1 essencial retomar as mobiliza\u00e7\u00f5es em defesa dos sal\u00e1rios e das aposentadorias, contra as leis de imigra\u00e7\u00e3o, em defesa dos setores p\u00fablicos e do povo palestino. E \u2013 como indica a \u00faltima declara\u00e7\u00e3o dos partidos europeus da UIT-QI (Estado espanhol, Portugal, It\u00e1lia e Turquia) \u2013 avan\u00e7ar para a forma\u00e7\u00e3o de um reagrupamento de for\u00e7as para \u201cconstruir uma alternativa anticapitalista, a servi\u00e7o das lutas, comprometida com a forma\u00e7\u00e3o de um sindicalismo combativo; que apresente um plano econ\u00f4mico oper\u00e1rio de urg\u00eancia face \u00e0 crise; que lute por governos dos\/as trabalhadores\/as\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Josep Llu\u00eds del Alc\u00e1zar, dirigente de Lucha Internacionalista (LI) do Estado espanhol e membro do Secretariado da UIT-QI Segundo turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas: voto cr\u00edtico na Nova Frente Popular 04\/07\/2024. 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