

	{"id":15692,"date":"2024-07-17T22:26:11","date_gmt":"2024-07-18T01:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=15692"},"modified":"2024-07-17T22:26:11","modified_gmt":"2024-07-18T01:26:11","slug":"franca-da-derrota-de-le-pen-a-inedita-crise-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/07\/17\/franca-da-derrota-de-le-pen-a-inedita-crise-do-governo\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a: da derrota de Le Pen \u00e0 in\u00e9dita crise do governo"},"content":{"rendered":"<p>Por <strong>Miguel Sorans<\/strong>, dirigente da <strong>Izquierda Socialista<\/strong> e da <strong>UIT-QI<\/strong>, para o jornal El Socialista<\/p>\n<p>17\/07\/2024. A paralisia pol\u00edtica e a indefini\u00e7\u00e3o tomam conta da Fran\u00e7a. H\u00e1 uma in\u00e9dita crise do governo. Em 10 de junho, Macron dissolveu a Assembleia Nacional diante da grande derrota sofrida nas elei\u00e7\u00f5es europeias (mal atingiu os 15%), com o voto castigo a favor de Le Pen e da extrema-direita (34%), e convocou elei\u00e7\u00f5es legislativas para tentar superar a crise. Mas est\u00e1 longe de ter sucesso. Os dias passam e um novo governo n\u00e3o \u00e9 formado. Al\u00e9m disso, no dia 28 de julho come\u00e7ar\u00e3o as Olimp\u00edadas de Paris.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es legislativas n\u00e3o produziram um bloco com a maioria absoluta de 289 deputados, algo necess\u00e1rio para garantir a nomea\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro para co-governar com o enfraquecido presidente Macron. Mas a grande surpresa eleitoral, que nenhuma sondagem previu, veio da extrema-direita. Marine Le Pen, que esperava vencer as elei\u00e7\u00f5es e pretendia obter a maioria absoluta para assumir o governo, sofreu uma derrota eleitoral inesperada. Ela passou da lideran\u00e7a, no primeiro turno, para o terceiro lugar.<\/p>\n<p>A Nova Frente Popular (NFP) tinha pactado com o macronismo a forma\u00e7\u00e3o da chamada \u201cfrente republicana\u201d, em que, quando o primeiro colocado na disputa fosse da extrema direita, o terceiro colocado, em cada c\u00edrculo eleitoral, desistiria da candidatura no segundo turno. O custo pol\u00edtico para a NFP foi permitir uma recupera\u00e7\u00e3o eleitoral parcial de Macron, que subiu para o segundo lugar.<\/p>\n<p>O primeiro lugar foi conquistado pela Nova Frente Popular (NFP), que, segundo os resultados oficiais, alcan\u00e7ou 182 deputados na nova Assembleia Nacional. Antes, contava com 153. Na segunda posi\u00e7\u00e3o ficou o governista Ensemble (Juntos) de Emmanuel Macron, com 168, muito menos que os 250 anteriores. E, em terceiro, ficou o Reagrupamento Nacional (RN) de Le Pen, com 143 deputados. Embora a extrema-direita n\u00e3o tenha conseguido manter o primeiro lugar, experimentou um crescimento. Anteriormente, tinha 88 deputados. Al\u00e9m disso, foi o partido pol\u00edtico mais votado, j\u00e1 que n\u00e3o fez parte de uma coliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desta forma, como dissemos na nota de 8 de julho, a celebra\u00e7\u00e3o da extrema-direita francesa e mundial foi frustrada. A alegria espalhou-se por milhares e milhares de trabalhadores\/as e jovens, que celebraram nas ruas de todo o pa\u00eds com bandeiras palestinas e cartazes repudiando o genoc\u00eddio praticado pelo Estado sionista de Israel. Foi tamb\u00e9m motivo de comemora\u00e7\u00e3o para milh\u00f5es de pessoas no mundo, que repudiam a extrema-direita e lutam contra Meloni, Abascal do Vox, Milei, Bolsonaro e Trump.<\/p>\n<p><strong>O impasse pol\u00edtico da segunda pot\u00eancia capitalista da UE<\/strong><\/p>\n<p>Logicamente, a extrema-direita francesa recebeu apenas um golpe eleitoral. A sua derrota definitiva vir\u00e1 da mobiliza\u00e7\u00e3o dos\/as trabalhadores\/as e da juventude combativa da Fran\u00e7a. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos criar expectativas na Nova Frente Popular (NFP), que \u00e9 composta pela esquerda reformista, como o Partido Socialista (PS), que j\u00e1 governou impondo um programa de ajuste ao povo trabalhador. H\u00e1 tamb\u00e9m a Fran\u00e7a Insubmissa (LFI), de Jean-Luc M\u00e9lenchon, o Partido Comunista (PC) e os dirigentes das centrais oper\u00e1rias. Nenhum deles foi at\u00e9 ao fim, em 2023, na luta para derrotar Macron e a sua reforma da previd\u00eancia. Recusaram-se, por exemplo, a convocar uma greve geral quando milh\u00f5es de pessoas estavam nas ruas.<\/p>\n<p>Agora a NFP quer usar o primeiro lugar nas elei\u00e7\u00f5es para negociar a indica\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro, para co-governar com Macron e a centro-direita liberal, que est\u00e1 h\u00e1 seis anos no governo aplicando medidas contra a classe trabalhadora, a juventude e os setores populares. Ser\u00e1 um novo governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes, a servi\u00e7o das multinacionais. O que restar\u00e1 do programa da NFP, que prometeu revogar muitas das medidas anti-oper\u00e1rias de Macron?<\/p>\n<p>Por\u00e9m, at\u00e9 agora n\u00e3o foi formado um novo governo. A crise prevalece. Macron divulgou uma carta provocativa, dizendo que \u201cningu\u00e9m ganhou\u201d. Ela foi repudiada pela NFP, que se considera como vencedora. De acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1958, da chamada Quinta Rep\u00fablica fundada por De Gaulle, o presidente pode \u201cescolher a dedo\u201d o primeiro-ministro. No entanto, a tradi\u00e7\u00e3o da democracia burguesa \u00e9 de que isso seja feito atrav\u00e9s da negocia\u00e7\u00e3o com o bloco parlamentar mais votado. Tal crise pol\u00edtica \u00e9 considerada sem precedentes na Fran\u00e7a. Suspeita-se que Macron busca dividir a NFP, fazendo um acordo com a sua ala direita, o PS, liderado por Fran\u00e7ois Hollande, ex-presidente e atual deputado. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 acordo na NFP sobre uma proposta. Melechon \u2013 que dirige a Fran\u00e7a Insubmissa (LFI), setor que conquistou mais deputados na NFP \u2013 exige, em alian\u00e7a com o PC, a indica\u00e7\u00e3o do candidato a primeiro-ministro. Foi por isso que ele se retirou das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tal confus\u00e3o mostra a dimens\u00e3o da crise pol\u00edtica em que est\u00e1 envolvida a segunda economia capitalista da Uni\u00e3o Europeia (UE), atr\u00e1s apenas da Alemanha, e uma das maiores pot\u00eancias imperialistas do mundo. Tudo pode acontecer, em termos pol\u00edticos, na Fran\u00e7a. Essa \u00e9 a gravidade da crise. Pode ser que Macron, apesar da sua fraqueza, consiga finalmente formar um governo com setores da esquerda reformista. Tamb\u00e9m pode ocorrer um impasse parlamentar, tanto por parte da NFP como de Le Pen, ou um veto presidencial, que em \u00faltima an\u00e1lise fa\u00e7a com que o pr\u00f3prio Macron renunciar e convocar elei\u00e7\u00f5es presidenciais, inicialmente previstas para 2027, antecipadas.<\/p>\n<p><strong>As causas sociais da crise pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>A crise pol\u00edtica mostra o descr\u00e9dito do governo de Macron e de toda a lideran\u00e7a pol\u00edtica patronal dos governos gaullistas (Sarkosy) ou social-democratas (Holanda) anteriores, que provocaram uma queda brutal no n\u00edvel de vida das massas. A crise pol\u00edtica \u00e9 a express\u00e3o da aguda crise econ\u00f4mica e social. Estima-se, por exemplo, que na Fran\u00e7a existam mais de 4.600.000 pessoas vivendo em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, com cerca de 330.000 desabrigados e 15.400.000 pessoas em risco de pobreza (Dados Infobae, 01\/02\/2023).<\/p>\n<p>Tal descren\u00e7a nos partidos pol\u00edticos burgueses tradicionais tamb\u00e9m explica o lament\u00e1vel crescimento eleitoral da extrema-direita. Esse fen\u00f4meno pol\u00edtico-eleitoral tamb\u00e9m se expressou noutras partes do mundo, resultado do decl\u00ednio e da crise do capitalismo-imperialista.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a express\u00e3o mais importante da crise social na Fran\u00e7a tem sido o crescimento das lutas oper\u00e1rias, juvenis e populares. Desde o movimento dos Coletes Amarelos (2018), contra o aumento do custo de vida, aos acampamentos e marchas estudantis e juvenis em apoio ao povo palestino (2024), passando pelas importantes greves e marchas oper\u00e1rias contra a reforma da previd\u00eancia (2023) e pelas mobiliza\u00e7\u00f5es do setor agr\u00edcola, afetado pela crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Mais al\u00e9m do resultado conjuntural da atual crise de indefini\u00e7\u00e3o do governo, a crise social de fundo n\u00e3o ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, seja com um novo governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes ou com novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, j\u00e1 que por lei n\u00e3o podem ocorrer elei\u00e7\u00f5es legislativas por um ano.<\/p>\n<p>O caminho para o povo trabalhador e a juventude \u00e9 retomar as mobiliza\u00e7\u00f5es em defesa dos sal\u00e1rios e das aposentadorias, contra as leis de imigra\u00e7\u00e3o, em defesa dos setores p\u00fablicos, como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o, e do povo palestino. E com a perspectiva de conquistar uma verdadeira mudan\u00e7a de fundo, com um governo dos\/as trabalhadores\/as.<\/p>\n<p>N\u00f3s, da UIT-QI, consideramos que \u00e9 essencial, para viabilizar tais tarefas, avan\u00e7ar na forma\u00e7\u00e3o de um reagrupamento de for\u00e7as, especialmente daquelas que reivindicam o trotskismo, para construir uma nova alternativa pol\u00edtica unit\u00e1ria, de independ\u00eancia de classe, anticapitalista e socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans, dirigente da Izquierda Socialista e da UIT-QI, para o jornal El Socialista 17\/07\/2024. A paralisia pol\u00edtica e a indefini\u00e7\u00e3o tomam conta da Fran\u00e7a. H\u00e1 uma in\u00e9dita crise do governo. 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