

	{"id":15888,"date":"2024-08-11T15:04:51","date_gmt":"2024-08-11T18:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=15888"},"modified":"2024-08-11T15:04:51","modified_gmt":"2024-08-11T18:04:51","slug":"maduro-nao-e-socialista-nem-anti-imperialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/08\/11\/maduro-nao-e-socialista-nem-anti-imperialista\/","title":{"rendered":"Maduro n\u00e3o \u00e9 socialista nem anti-imperialista"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Miguel Sorans, dirigente da Izquierda Socialista, se\u00e7\u00e3o argentina da UIT-QI.<\/em><\/p>\n<p>A crise eleitoral na Venezuela abre mais uma vez m\u00faltiplas quest\u00f5es para milhares e milhares de lutadores. O que est\u00e1 acontecendo na Venezuela? Maduro \u00e9 um governante de esquerda e anti-imperialista, que defende o petr\u00f3leo contra os ianques? Maduro est\u00e1 enfrentando as multinacionais petrol\u00edferas? Dever\u00edamos ent\u00e3o defender Maduro e n\u00e3o denunciar a fraude? Nossa corrente socialista trotskista tem outra vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Como socialistas revolucion\u00e1rios queremos esclarecer mais uma vez perante a vanguarda mundial anti-imperialista e socialista o verdadeiro car\u00e1ter do governo de Nicol\u00e1s Maduro e o significado do chavismo. \u00c9 totalmente falso que exista um governo de esquerda na Venezuela e que o chavismo tenha promovido a constru\u00e7\u00e3o de um \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d, como proclamou Hugo Ch\u00e1vez em 1\u00ba de maio de 2005. Os fatos mostram claramente que o chavismo nunca rompeu com o capitalismo nem deixou de fazer acordos com as multinacionais petrol\u00edferas.<\/p>\n<p>A esquerda mundial, o peronismo e at\u00e9 setores que se autodenominam trotskistas t\u00eam distorcido a realidade. Fazem isso para justificar a sua rendi\u00e7\u00e3o aos governos patronais de concilia\u00e7\u00e3o de classes, seja Maduro, Lula, Petro ou Boric.<\/p>\n<p>Vejamos o que diz, por exemplo, Valerio Arcary, dirigente da corrente Resist\u00eancia e do PSOL do Brasil, apoiador do governo Lula. Arcary afirma ser um trotskista. Segundo ele: \u201cA an\u00e1lise dos resultados eleitorais n\u00e3o pode ser reduzida a uma considera\u00e7\u00e3o ing\u00eanua. (\u2026) O que est\u00e1 em causa \u00e9 um realinhamento da Venezuela com os EUA, como uma semi-col\u00f4nia, a privatiza\u00e7\u00e3o da PDVSA e a entrega das maiores reservas de petr\u00f3leo \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas. (\u2026) O governo Maduro assumiu um projeto de regula\u00e7\u00e3o estatal nacionalista do capitalismo com reformas sociais.\u201d (\u201cA batalha pela Venezuela\u201d, 1\u00ba de agosto. Revista Jacobina).<\/p>\n<p>Ou seja, para Arcary \u00e9 secund\u00e1rio se houve fraude ou n\u00e3o (n\u00e3o tem \u201cuma considera\u00e7\u00e3o ing\u00eanua\u201d) e se, por conta das rea\u00e7\u00f5es, a pol\u00edcia matou 20 pessoas e est\u00e1 realizando pris\u00f5es em massa. O centro da \u201cbatalha\u201d \u00e9 o controle do petr\u00f3leo. Se Maduro ca\u00edsse, segundo Arcary, \u201cas maiores reservas de petr\u00f3leo seriam entregues \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas\u201d (multinacionais). Esse tipo de mensagem tem sido difundida por grande parte do reformismo mundial e do castrismo.<\/p>\n<p>\u00c9 natural que surjam, ent\u00e3o, muitas confus\u00f5es e d\u00favidas entre milh\u00f5es de pessoas. Ainda mais tendo em vista que a oposi\u00e7\u00e3o de Corina Machado \u00e9 parte da direita liberal e pr\u00f3-ianque. Por\u00e9m, tudo isso \u00e9 uma grande mentira.<\/p>\n<p><strong>A Chevron e as multinacionais petrol\u00edferas est\u00e3o na Venezuela h\u00e1 anos de m\u00e3os dadas com o chavismo<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro esclarecimento, para evitar maiores confus\u00f5es: \u00e9 claro que a direita pr\u00f3-ianque, liderada por Mar\u00eda Corina Machado, quer entregar ainda mais o petr\u00f3leo. Ela quer ser, na verdade, a intermedi\u00e1ria do neg\u00f3cio petrol\u00edfero, substituindo o chavismo e as suas m\u00e1fias corruptas. Trata-se de trocar uma m\u00e1fia por outra. Nada mais.<\/p>\n<p>\u00c9 uma enorme mentira que, se o governo Maduro sa\u00edsse, \u201cas grandes corpora\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas\u201d tomariam conta do petr\u00f3leo. N\u00e3o! As multinacionais petrol\u00edferas j\u00e1 est\u00e3o na Venezuela h\u00e1 algum tempo. Desde 2007, Ch\u00e1vez determinou, por lei, a associa\u00e7\u00e3o das multinacionais com a PDVSA por meio das empresas mistas.<\/p>\n<p>Entre as primeiras empresas a aceitar o novo modelo estavam, entre outras, a Chevron dos Estados Unidos, a espanhola Repsol, a brit\u00e2nica Shell, a francesa Total, a China National Petroleum e a Petrobras do Brasil. A Exxon Mobil foi a \u00fanica que n\u00e3o concordou e se retirou do pa\u00eds. Mais tarde, se juntariam a Mitsubishi, do Jap\u00e3o, e as empresas russas Lukoil, Gazprom e Rosneft.<\/p>\n<p>O \u00fanico setor que se op\u00f4s a essa pol\u00edtica foi a corrente socialista e classista liderada por Orlando Chirino e Jos\u00e9 Bodas, dirigentes oper\u00e1rios do Partido Socialismo e Liberdade (PSL) e da Corrente Classista Unit\u00e1ria Revolucion\u00e1ria e Aut\u00f4noma (C-Cura), enraizada entre os trabalhadores petroleiros. Desde o primeiro momento, sua bandeira foi \u201cChega de empresas mistas. PDVSA 100% estatal sob o controle dos trabalhadores.\u201d<\/p>\n<p>A entrega do petr\u00f3leo venezuelano \u00e0s multinacionais deu um novo salto em 2010, quando o pr\u00f3prio Ch\u00e1vez assinou a concess\u00e3o de v\u00e1rios blocos da Faixa do Orinoco, considerada a \u00e1rea com a maior reserva de petr\u00f3leo do mundo.<\/p>\n<p>Nos primeiros meses de 2010, o ent\u00e3o ministro de Energia e Petr\u00f3leo, Rafael Ram\u00edrez, anunciou que o cons\u00f3rcio formado pela petrol\u00edfera estadunidense Chevron, pela Mitsubishi Corporation e pela Inpex Corporation, as duas \u00faltimas do Jap\u00e3o, e pela Suelopetrol da Venezuela, seriam parceiras da PDVSA no projeto Carabobo 3, formado pelos blocos 2 Sul, 3 Norte e 5. O projeto Carabobo 1 foi entregue ao cons\u00f3rcio formado por Repsol, ONGC Videsh Limited, Indian Oil Corporation da \u00cdndia e Petronas da Mal\u00e1sia. Esse campo \u00e9 composto pelas \u00e1reas 1 Centro e 1 Norte. Os blocos entregues \u00e0s transnacionais produziram entre 400 e 480 mil barris de petr\u00f3leo por dia.<\/p>\n<p>Em seguida, Hugo Ch\u00e1vez apelou \u00e0s empresas capitalistas n\u00e3o s\u00f3 para explorarem o petr\u00f3leo, mas para se juntarem ao \u201cdesenvolvimento do pa\u00eds\u201d, e exaltou a \u201cconfian\u00e7a\u201d demonstrada pelos empres\u00e1rios na economia capitalista venezuelana (para dados e cita\u00e7\u00f5es, ver o livro \u201cPor que o chavismo fracassou?\u201d, de Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras e Miguel Sorans, p\u00e1ginas 135 e 136).<\/p>\n<p>Tal acordo tamb\u00e9m foi feito com outras multinacionais (Nestl\u00e9, Coca Cola, DHL, Movistar, Citibank entre outras) e grandes empres\u00e1rios venezuelanos, ao mesmo tempo em que se promoveu o surgimento de empresas que faziam neg\u00f3cios com o Estado, muitas delas ligadas \u00e0s For\u00e7as Armadas, gerando um novo setor burgu\u00eas conhecido como \u201cboliburguesia\u201d. Considera-se que existam cerca de 15 empresas controladas pelos militares. Tal fato explica porque eles continuam a ser a espinha dorsal do regime. Tudo isso no quadro de uma pol\u00edtica anti-oper\u00e1ria de baixos sal\u00e1rios e de ataques \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e da esquerda independente.<\/p>\n<p>Nada poderia estar mais longe da realidade do que a outra mentira de Arcary, de que \u201co governo de Maduro assumiu um projeto de regula\u00e7\u00e3o estatal nacionalista do capitalismo com reformas sociais\u201d. J\u00e1 sob Ch\u00e1vez come\u00e7aram as dificuldades para o povo trabalhador, devido aos lucros que as multinacionais obtiveram e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da nova burguesia e do velho patronato, como o grupo Cisneros e o grupo Polar. Foi essa pol\u00edtica que levou ao desastre econ\u00f4mico e social da Venezuela.<\/p>\n<p><strong>As multinacionais nunca sa\u00edram da Venezuela<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das san\u00e7\u00f5es impostas ao neg\u00f3cio petrol\u00edfero pelos Estados Unidos nos \u00faltimos anos, as multinacionais nunca sa\u00edram da Venezuela. Houve apenas retiradas parciais. Nesse quadro, o fato mais importante foi, em novembro de 2022, a ratifica\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a da Chevron, que passou a enviar 200 mil barris de petr\u00f3leo por dia para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Um ano depois, em novembro de 2023, o jornal espanhol El Pa\u00eds noticiou novos investimentos petrol\u00edferos, depois dos EUA terem anunciado a suspens\u00e3o de muitas das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que pesavam sobre a Venezuela: \u201cAl\u00e9m da Repsol e da Eni (It\u00e1lia), que t\u00eam h\u00e1 algum tempo trabalhado com a Venezuela em projetos de g\u00e1s, a francesa Maurel and Prom anunciou que est\u00e1 retomando suas opera\u00e7\u00f5es no Lago de Maracaibo. A China Petroleum e a Indian Oil j\u00e1 est\u00e3o realizando trabalhos em Miraflores. (\u2026) A Mitsubishi quer retomar o projeto petroqu\u00edmico de Metanol de Oriente, Metor. Caracas confirmou projetos conjuntos de petr\u00f3leo e g\u00e1s com a colombiana Ecopetrol. Fala-se tamb\u00e9m da Petrobras e da India Reliance\u201d (El Pa\u00eds, 27\/11\/2023).<\/p>\n<p>Por sua vez, em junho de 2024, mostrando que o alegado bloqueio n\u00e3o existe, a Assembleia Nacional (AN, parlamento), dominada por Maduro, autorizou a prorroga\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o por 15 anos da empresa mista petrol\u00edfera venezuelana Petroindependencia, em que a Chevron tem 34% de participa\u00e7\u00e3o, que poder\u00e1 operar at\u00e9 2050 (dados do Peri\u00f3dico Energ\u00eda, 18\/07\/2024).<\/p>\n<p>Perante a nova crise pol\u00edtica criada pela fraude, Maduro anunciou que, se a press\u00e3o dos EUA continuasse, \u201centregaria as licen\u00e7as das companhias petrol\u00edferas norte-americanas aos pa\u00edses do BRIC\u201d. Isso mostra duas coisas: a primeira \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de que existe um acordo com as companhias petrol\u00edferas ianques e, a segunda, \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 amea\u00e7a de nacionaliza\u00e7\u00e3o dessas concess\u00f5es, mas de entreg\u00e1-las a companhias petrol\u00edferas multinacionais do Brasil, da R\u00fassia, da \u00cdndia e da China, que est\u00e3o na Venezuela h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>Mais claro do que isso, s\u00f3 a \u00e1gua. O governo de Maduro n\u00e3o tem nada de socialista e muito menos de anti-imperialista. \u00c9 uma ditadura capitalista com um discurso pseudo-anti-imperialista, usado para continuar a entrega do petr\u00f3leo e a explora\u00e7\u00e3o do povo trabalhador. N\u00f3s, do PSL e da UIT-QI, continuamos a nossa luta para acabar com a ditadura de Maduro, a fraude e a repress\u00e3o, rejeitando a oposi\u00e7\u00e3o de direita pr\u00f3-ianque como uma alternativa. Lutamos para conquistar um governo dos\/as trabalhadores\/as, que inicie o caminho rumo ao verdadeiro socialismo com democracia para o povo trabalhador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans, dirigente da Izquierda Socialista, se\u00e7\u00e3o argentina da UIT-QI. A crise eleitoral na Venezuela abre mais uma vez m\u00faltiplas quest\u00f5es para milhares e milhares de lutadores. O que est\u00e1 acontecendo na Venezuela? Maduro \u00e9 um governante de esquerda e anti-imperialista, que defende o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15889,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[2204,2207,24,25,2205,1275,2249,1483,3],"class_list":["post-15888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-burguesia","tag-cisneros","tag-eleicoes","tag-maduro","tag-multinacionais","tag-petroleo","tag-polar","tag-politica","tag-venezuela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15888\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}