

	{"id":16228,"date":"2024-10-04T19:01:57","date_gmt":"2024-10-04T22:01:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16228"},"modified":"2024-10-04T19:01:57","modified_gmt":"2024-10-04T22:01:57","slug":"argentina-mobilizacao-historica-em-defesa-da-universidade-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/10\/04\/argentina-mobilizacao-historica-em-defesa-da-universidade-publica\/","title":{"rendered":"Argentina: mobiliza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em defesa da universidade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Depois da mobiliza\u00e7\u00e3o multitudin\u00e1ria: continuar a luta<\/strong><\/p>\n<p>Acabou de acontecer mais uma mobiliza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em defesa da universidade p\u00fablica, que tomou conta das ruas do centro de Buenos Aires e das principais cidades do pa\u00eds. Da Terra do Fogo a Jujuy, mais de um milh\u00e3o de pessoas se manifestaram contra a pol\u00edtica antieduca\u00e7\u00e3o de Javier Milei e o veto \u00e0 Lei de Financiamento Universit\u00e1rio, lembrando o massivo protesto de 23 de abril, que atingiu duramente o governo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que por tr\u00e1s do movimento massivo em defesa da universidade p\u00fablica est\u00e3o o enorme descontentamento com a infla\u00e7\u00e3o, os baixos sal\u00e1rios e a pobreza crescente e a frustra\u00e7\u00e3o das expectativas. Isso causou mais um grave rev\u00e9s para o repressivo plano motosserra de Milei, dos governadores e do FMI.<\/p>\n<p>Na semana passada, foram divulgados dados chocantes do Indec. A pobreza cresceu para 52,9% e a mis\u00e9ria para 18,1%, sendo que 66% das crian\u00e7as menores de quatorze est\u00e3o na mis\u00e9ria. Uma verdadeira cat\u00e1strofe social. Nesse contexto, foi obscena a imagem de Milei e da sua irm\u00e3 Karina (com o seu novo c\u00e3o), uma fotografia registrada na sede do governo com Susana Gim\u00e9nez, divulgada ao mesmo tempo em que tais n\u00fameros eram anunciados. Mais uma provoca\u00e7\u00e3o, que se soma \u00e0 foto do presidente comemorando o veto aos aposentados com um churrasco em Olivos.<\/p>\n<p>Nada disso \u00e9 gratuito. As pesquisas dos mais diversos institutos apontam que a aprova\u00e7\u00e3o da imagem do presidente est\u00e1 em r\u00e1pida queda e que a raiva contra o ajuste est\u00e1 crescendo. Um sinal j\u00e1 havia sido dado com o \u201capag\u00e3o\u201d da rede nacional no domingo, quando Milei apresentou o or\u00e7amento para 2025 no Congresso. E depois com o evento sem brilho e min\u00fasculo \u2013 realizado no anfiteatro do Parque Lezama e que mal conseguiu reunir 3.000 pessoas, muitas delas trazidas em \u00f4nibus alugados no melhor estilo da \u201ccasta pol\u00edtica\u201d &#8211; de lan\u00e7amento de La Libertad Avanza [A Liberdade Avan\u00e7a] como partido nacional. Um claro fracasso.<\/p>\n<p>Ou Milei n\u00e3o percebe o crescimento da raiva popular (embora seja imposs\u00edvel, porque todas as pesquisas apontam isso) ou talvez continue a confiar que suas mentiras possam neutraliz\u00e1-la. Por exemplo, ao dizer que a marcha de 2 de outubro \u201cfoi pol\u00edtica\u201d e que os estudantes se deixaram levar como marionetes pelos pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o patronal. Uma clara mentira de quem aposta que um discurso grotesco, mis\u00f3gino e autorit\u00e1rio, criticando o jornalismo ou os remanescentes da \u201ccasta pol\u00edtica\u201d, pode dar resultados. \u00c9 por isso que milhares de pessoas come\u00e7aram a dizer publicamente que se arrependeram de ter votado nele.<\/p>\n<p>O del\u00edrio de Milei chega a tal ponto que, no comunicado divulgado reclamando da marcha, ele afirmou que Cristina Kirchner, Mart\u00edn Lousteau, Sergio Massa, Horacio Rodr\u00edguez Larreta e Elisa Carri\u00f3 querem formar uma \u201cfrente de esquerda populista\u201d para obstruir seu plano econ\u00f4mico. Hil\u00e1rio.<\/p>\n<p>Milei provavelmente acredita que poder\u00e1 repetir, no Congresso, com a cumplicidade dos \u201c87 her\u00f3is\u201d, o veto \u00e0 Lei de Financiamento Universit\u00e1rio. Por\u00e9m, temos que ver se isso realmente ocorrer\u00e1. Ou cr\u00ea que a tr\u00e9gua dos burocratas sindicais da CGT vai continuar a pavimentar o caminho para uma s\u00f3lida colabora\u00e7\u00e3o de \u201cgovernabilidade\u201d, permitindo o avan\u00e7o do brutal plano motosserra at\u00e9 ao fim. Mas, apesar de tudo isso, a mobiliza\u00e7\u00e3o de quarta-feira, dia 2, foi extraordin\u00e1ria em todo o pa\u00eds. Essa \u00e9 a pura realidade. As pesquisas e o mau humor social, que tanto incomodam o le\u00e3o libert\u00e1rio, pela primeira vez come\u00e7am a apont\u00e1-lo como respons\u00e1vel pelos males atuais.<\/p>\n<p>A multid\u00e3o que ocupou as ruas na quarta-feira reeditou o filme vivido no primeiro semestre, quando milh\u00f5es tomaram as ruas enfrentando o DNU e a Lei \u201c\u00d4nibus\u201d, que acabou caindo. Esse \u00e9 o caminho que deve ser retomado. Por isso, \u00e9 lament\u00e1vel que, depois da bem-sucedida segunda greve geral de 9 de maio, a CGT tenha feito uma tr\u00e9gua com o governo, negociando a regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista, com a p\u00e9rfida pol\u00edtica de semear a ilus\u00e3o de que o governo pode ouvir e mudar. A reuni\u00e3o da CGT de segunda-feira com o governo contribui nesse sentido. A tal ponto que o burocrata da UTA, Fern\u00e1ndez, disse que \u201cera contra\u201d a poss\u00edvel greve dos transportes anunciada para o pr\u00f3ximo dia 17 de outubro.<\/p>\n<p>Os\/as trabalhadores\/as precisam de outra coisa. \u00c9 esse o entendimento dos aposentados, que continuam a se mobilizar \u00e0s quartas-feiras; dos\/as trabalhadores\/as das companhias a\u00e9reas, que lideram uma dura luta por sal\u00e1rios e contra a privatiza\u00e7\u00e3o; dos funcion\u00e1rios do Hospital Garrahan, que com fortes paralisa\u00e7\u00f5es conquistaram um b\u00f4nus de 500 mil pesos; dos docentes, que se mobilizaram em algumas prov\u00edncias, como em La Rioja; entre outras lutas em curso, coroadas pela tremenda mobiliza\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Apoiar as lutas e coorden\u00e1-las \u00e9 fundamental para que tenham sucesso. Em primeiro lugar, \u00e9 preciso manter uma mobiliza\u00e7\u00e3o permanente contra o veto de Milei, garantindo que o Congresso ratifique o projeto de Financiamento Universit\u00e1rio. E, a partir de cada mobiliza\u00e7\u00e3o, repudiar a tr\u00e9gua da CGT, exigindo que ela convoque, junto com a CTA, uma nova greve geral e um plano nacional de luta para parar e derrotar o plano motosserra de Milei. Uma tarefa que, para a Izquierda Socialista [Esquerda Socialista], est\u00e1 ligada \u00e0 luta pela imposi\u00e7\u00e3o de outro plano econ\u00f4mico, oper\u00e1rio e popular, baseado no n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa. Para viabilizar tudo isso, \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer a Frente de Izquierda Unidad [Frente de Esquerda Unidade], a \u00fanica alternativa pol\u00edtica para a classe trabalhadora e a juventude, contra Milei e todos que nos governaram at\u00e9 agora.<\/p>\n<p><em><strong>Izquierda Socialista, se\u00e7\u00e3o da UIT-QI na Argentina.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da mobiliza\u00e7\u00e3o multitudin\u00e1ria: continuar a luta Acabou de acontecer mais uma mobiliza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em defesa da universidade p\u00fablica, que tomou conta das ruas do centro de Buenos Aires e das principais cidades do pa\u00eds. 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