

	{"id":16470,"date":"2024-11-21T10:41:26","date_gmt":"2024-11-21T13:41:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16470"},"modified":"2024-11-21T10:42:33","modified_gmt":"2024-11-21T13:42:33","slug":"alemanha-igmetall-e-patroes-assinam-acordo-coletivo-2025-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2024\/11\/21\/alemanha-igmetall-e-patroes-assinam-acordo-coletivo-2025-2026\/","title":{"rendered":"Alemanha: IGMetall e patr\u00f5es assinam acordo coletivo 2025-2026"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Patrick K\u00f6nig, correspondente<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a convoca\u00e7\u00e3o de greves de advert\u00eancia e de manifesta\u00e7\u00f5es em diversas cidades da Alemanha, o sindicato e os patr\u00f5es sentaram-se para negociar na segunda-feira, 11 de novembro. Ap\u00f3s 18 horas de negocia\u00e7\u00e3o, assinaram um acordo na seccional Costa, que abrange o norte da Alemanha. Tal acordo serve como refer\u00eancia para o resto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s, metal\u00fargicos, temos que fazer agora \u00e9 analisar e tirar as conclus\u00f5es, ponderando perdas e ganhos, nossa situa\u00e7\u00e3o e a continuidade da luta. Para fazer isso, vamos por partes.<\/p>\n<p><strong>O que foi assinado?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira coisa que devemos avaliar \u00e9 o que foi pedido e o que foi alcan\u00e7ado. O IGMetall (sindicato dos metal\u00fargicos) come\u00e7ou exigindo um aumento salarial de 7% e um acordo coletivo com dura\u00e7\u00e3o de 1 ano. E, para os aprendizes, um aumento de 170 euros (na Alemanha os aprendizes recebem um sal\u00e1rio, regulado por acordo setorial, enquanto durar a sua forma\u00e7\u00e3o). No final, foi obtido um aumento total de 5,1% (2% a partir de abril de 2025 e 3,1% a partir de abril de 2026) e de 140 euros para os aprendizes.<\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o se possa dizer que foi um desastre completo, trata-se claramente de um acordo muito aqu\u00e9m do esperado. Principalmente se for levada em conta a perda salarial do acordo 2023\/2024, os aumentos da produtividade e a aus\u00eancia de medidas que tornem menos vulner\u00e1veis \u200b\u200bos trabalhadores com contratos tempor\u00e1rios e que impe\u00e7am as demiss\u00f5es, tanto as que j\u00e1 foram feitas quanto aquelas que est\u00e3o em pauta.<\/p>\n<p>Por outro lado, o acordo assinado tem dura\u00e7\u00e3o de 2 anos, quando a exig\u00eancia era de um ano. Isso pode parecer uma quest\u00e3o menor, mas n\u00e3o \u00e9, tendo em vista os elevados \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o e a instabilidade reinante, que continuar\u00e1 e provavelmente se aprofundar\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos. Com o acordo, estamos amarrados, por dois anos, \u00e0 \u201cpaz social\u201d. Se, por exemplo, a infla\u00e7\u00e3o no pr\u00f3ximo ano for superior a 2%, algo muito prov\u00e1vel, n\u00e3o poderemos tomar nenhuma medida para nos defender e teremos outra perda de poder aquisitivo. Portanto, se olharmos exclusivamente para os n\u00fameros, podemos dizer que n\u00e3o se trata de um grande triunfo, muito pelo contr\u00e1rio. At\u00e9 aqui, h\u00e1 avan\u00e7os limitados ao dinheiro, o \u201cvil metal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Precisamos tamb\u00e9m de um balan\u00e7o pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Depois de uma luta, seja sindical ou pol\u00edtica, \u00e9 necess\u00e1rio fazer um balan\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico. As dire\u00e7\u00f5es sindicais \u201cvendem a ideia\u201d &#8211; ou querem que acreditemos \u2013, usando n\u00fameros muito relativos, que assinaram um grande acordo. Esse \u00e9 o seu balan\u00e7o. Com isso, pretendem paralisar a luta por 2 anos, prazo de validade do acordo, e voltar novamente aos seus confort\u00e1veis \u200b\u200bescrit\u00f3rios, alheios ao aumento da produtividade, da press\u00e3o para que n\u00e3o tiremos licen\u00e7a m\u00e9dica ou por conta de problemas familiares e das amea\u00e7as de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s, por outro lado, enfrentamos outra realidade. E \u00e9 por isso que devemos ter muita clareza sobre o que realmente foi alcan\u00e7ado, o chamado balan\u00e7o num\u00e9rico ou quantitativo. Por\u00e9m, acima de tudo, o que temos de fazer \u2013 mais importante do que o balan\u00e7o quantitativo \u2013 \u00e9 um balan\u00e7o qualitativo. Ou seja, temos que analisar como estamos depois da luta, para podermos enfrentar com clareza os novos desafios que temos pela frente. Temos que tirar conclus\u00f5es do que foi feito, para aumentar o nosso grau de organiza\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia de classe.<\/p>\n<p><strong>Algumas perguntas que devemos nos fazer<\/strong><\/p>\n<p><em>\u2013Poder\u00edamos ter conseguido um acordo melhor?<\/em> N\u00f3s claramente pensamos que sim. Por\u00e9m, para isso dever\u00edamos ter estado mais envolvidos, desde o in\u00edcio, nas negocia\u00e7\u00f5es, realizando assembleias deliberativas; recolhendo assinaturas; exigindo que nenhum acordo fosse assinado sem consulta pr\u00e9via aos\/\u00e0s trabalhadores\/as; participando de forma mais massiva nas manifesta\u00e7\u00f5es; etc.<\/p>\n<p><em>\u2013As negocia\u00e7\u00f5es dessa semana poderiam ter como resultado a aus\u00eancia de acordo, com a continuidade da press\u00e3o via uma nova greve de 24 horas?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m pensamos que sim. Quem teve pressa em assinar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel foram os patr\u00f5es. Eles n\u00e3o querem instabilidade. Nem querem que n\u00f3s, trabalhadores, aceleremos a mobiliza\u00e7\u00e3o, questionando quem manda. Quando fazemos greve perdemos algumas horas ou um dia de sal\u00e1rio, mas os patr\u00f5es perdem milh\u00f5es. \u00c9 por isso que pensamos que o acordo n\u00e3o deveria ter sido assinado. Pelo contr\u00e1rio, dever\u00edamos aprofundar as medidas de press\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u2013O que teria acontecido se o IGMetall tivesse usado o fundo de greve para apoiar a luta?<\/em><\/p>\n<p>O IGMetall \u2013 de acordo com os n\u00fameros do seu pr\u00f3prio balan\u00e7o, publicados anualmente \u2013 tem mais de um bilh\u00e3o de euros no fundo de greve. \u00c9 dinheiro mais do que suficiente para apoiar e potencializar uma luta contundente, at\u00e9 a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p><em>\u2013 Ent\u00e3o, por que o IGMetall assinou o acordo precipitadamente e sem consultar os\/as trabalhadores\/as?<\/em><\/p>\n<p>O IGMetall assinou apressadamente o acordo porque, tal como os patr\u00f5es, n\u00e3o quer que a greve \u201ctransborde\u201d e porque o seu objetivo \u00e9 ser um mediador, garantindo a \u201cpaz social\u201d. Eles n\u00e3o querem que haja uma verdadeira luta de classes. Se tomarmos a luta em nossas pr\u00f3prias m\u00e3os, n\u00e3o s\u00f3 questionaremos o dom\u00ednio dos patr\u00f5es, mas tamb\u00e9m os privil\u00e9gios da burocracia sindical.<\/p>\n<p>Por outro lado, sabemos muito bem que a DGB (Confedera\u00e7\u00e3o Sindical Alem\u00e3) \u00e9 o bra\u00e7o sindical do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e do grande capital. E que, portanto, responde \u00e0s suas ordens. A dissolu\u00e7\u00e3o da coliga\u00e7\u00e3o de governo (formada pelo SPD, pelos Verdes e pelos Liberais), nos \u00faltimos dias, foi outro fator de instabilidade pol\u00edtica, que se somou \u00e0 atual situa\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica no pa\u00eds. Foi por isso que o IGMetall, fiel aos seus mestres, assinou, assim que p\u00f4de, um acordo rebaixado, para jogar uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o ao governo e aos patr\u00f5es e direcionar tudo para o terreno do debate eleitoral. Devido \u00e0 crise pol\u00edtica, as elei\u00e7\u00f5es gerais foram antecipadas para fevereiro de 2025.<\/p>\n<p><strong>Recuperar os sindicatos para os\/as trabalhadores\/as<\/strong><\/p>\n<p>Perante a desilus\u00e3o, muitos\/as companheiros e companheiras provavelmente v\u00e3o pensar em abandonar o sindicato. E aqueles que ainda n\u00e3o s\u00e3o filiados v\u00e3o encontrar mais uma raz\u00e3o para permanecerem assim. Tal situa\u00e7\u00e3o p\u00f5e em quest\u00e3o o papel dos sindicatos. As capitula\u00e7\u00f5es dos sindicatos, as tr\u00e9guas que d\u00e3o aos patr\u00f5es e ao governo, no momento em que poderiam derrot\u00e1-los, etc., fazem com que muitos se perguntem se as organiza\u00e7\u00f5es sindicais servem para alguma coisa.<\/p>\n<p>Pensamos claramente que os sindicatos n\u00e3o s\u00f3 servem e s\u00e3o necess\u00e1rios, mas que s\u00e3o uma das principais ferramentas que n\u00f3s, trabalhadores, temos para proteger os direitos conquistados, para lutar contra os cortes, para enfrentar os governos que os aplicam e at\u00e9 para evitar ditaduras. Isso tem sido permanentemente demonstrado ao longo de d\u00e9cadas de luta e em todos os pa\u00edses. O problema \u00e9 quando se confunde a dire\u00e7\u00e3o sindical com o pr\u00f3prio sindicato como \u00f3rg\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram os sindicatos, mas os dirigentes sindicais, que se venderam. \u00c9 por isso que uma das tarefas que temos \u00e9 remover os dirigentes vendidos e colocar em seu lugar novos dirigentes, que usem os sindicatos para aquilo para que foram realmente constru\u00eddos. A primeira coisa que deve ser feita \u00e9 a filia\u00e7\u00e3o \u2013 caso ainda n\u00e3o tenha sido realizada \u2013 e a organiza\u00e7\u00e3o pela base, para impor dirigentes combativos nas posi\u00e7\u00f5es de comando. Devemos lutar para ter o controle dos sindicatos, para que n\u00e3o aconte\u00e7a o contr\u00e1rio, ou seja, um punhado de burocratas controle as entidades.<\/p>\n<p><strong>O acordo foi assinado, mas a luta continua\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Embora possamos dizer claramente que n\u00e3o obtivemos uma vit\u00f3ria, podemos tamb\u00e9m afirmar que n\u00e3o estamos satisfeitos com o que est\u00e1 acontecendo; que h\u00e1 vontade de lutar; e que n\u00e3o estamos derrotados de forma alguma. Tivemos um primeiro round, em que os lutadores, patr\u00f5es e trabalhadores, ficaram se \u201cmedindo\u201d.<\/p>\n<p>Nossos principais problemas n\u00e3o foram resolvidos (aumento da produtividade, demiss\u00f5es, fechamento de f\u00e1bricas, aumento percentual de trabalhadores tempor\u00e1rios, etc.). \u00c9 por isso que n\u00e3o podemos ficar de bra\u00e7os cruzados, esperando para ver o que acontecer\u00e1 daqui a 2 anos. Temos que transmitir ao sindicato e aos seus representantes nas f\u00e1bricas a nossa discord\u00e2ncia com o acordo assinado. Temos que exigir que os\/as delegados\/as e as Comiss\u00f5es Internas realizem assembleias deliberativas, para discutir medidas para resolver tais quest\u00f5es. Quando houver elei\u00e7\u00f5es para delegados, temos que apresentar camaradas honestos e dispostos a lutar. Nas elei\u00e7\u00f5es para os Comit\u00eas de Empresa, temos que apresentar candidaturas alternativas anti-burocr\u00e1ticas e anti-patronais, etc.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de nos envolvermos na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas espec\u00edficos do ambiente de trabalho, temos que enfrentar as quest\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds. As elei\u00e7\u00f5es gerais j\u00e1 foram anunciadas para 23 de fevereiro de 2025. N\u00e3o podemos ser meros espectadores, muito pelo contr\u00e1rio. Temos que participar, na aus\u00eancia de uma alternativa eleitoral que defenda os nossos interesses, para que nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es tenhamos uma alternativa clara para votar.<\/p>\n<p><strong>Construir organiza\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas de classe e combativas<\/strong><\/p>\n<p>Nesse artigo analisamos como ocorreu a negocia\u00e7\u00e3o do acordo coletivo dos metal\u00fargicos na Alemanha.<\/p>\n<p>Trata-se de um acordo, uma luta e um pa\u00eds espec\u00edfico. Voc\u00ea, que est\u00e1 lendo esse texto, provavelmente tem outra experi\u00eancia [acordo coletivo]; \u00e9 estudante ou est\u00e1 desempregado; e ainda mora a milhares de quil\u00f4metros da Alemanha. Por\u00e9m, se observarmos os atores (governo, patr\u00f5es, c\u00fapulas sindicais, trabalhadores\/as, etc.) e os problemas (falta de democracia para decidir; assinatura de acordo sem consulta e em desacordo com a maioria; problemas importantes n\u00e3o resolvidos, como demiss\u00f5es, flexibilidade laboral, perda de poder aquisitivo, instabilidade total dos tempor\u00e1rios, etc., etc.) envolvidos, estamos enfrentando os mesmos desafios que voc\u00eas. Isso porque o capitalismo \u00e9 um sistema mundial e os trabalhadores lidam com as mesmas dificuldades. E, do mesmo modo como devemos fazer um balan\u00e7o, debatendo e compartilhando experi\u00eancias de luta em n\u00edvel de f\u00e1brica, setorial, local ou nacional, devemos tamb\u00e9m fazer o mesmo em n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>Portanto, mesmo que voc\u00ea more na Argentina, no Canad\u00e1, na Alemanha, na \u00c1frica do Sul ou no Jap\u00e3o \u2013 ou seja estudante, trabalhador ou desempregado \u2013, se concordar com o que leu, sugerimos que entre em contato conosco, para que possamos nos organizar para lutar contra os cortes e para criar em conjunto organiza\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas, que sirvam aos interesses dos\/as trabalhadores\/as e do povo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Patrick K\u00f6nig, correspondente &nbsp; Ap\u00f3s a convoca\u00e7\u00e3o de greves de advert\u00eancia e de manifesta\u00e7\u00f5es em diversas cidades da Alemanha, o sindicato e os patr\u00f5es sentaram-se para negociar na segunda-feira, 11 de novembro. 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