

	{"id":16589,"date":"2016-11-18T20:27:01","date_gmt":"2016-11-18T23:27:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16589"},"modified":"2024-12-18T20:28:09","modified_gmt":"2024-12-18T23:28:09","slug":"em-resposta-a-jorge-altamira-a-guerra-na-siria-o-genocida-al-assad-o-chavismo-e-a-posicao-dos-revolucionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2016\/11\/18\/em-resposta-a-jorge-altamira-a-guerra-na-siria-o-genocida-al-assad-o-chavismo-e-a-posicao-dos-revolucionarios\/","title":{"rendered":"Em resposta a Jorge Altamira: a guerra na S\u00edria, o genocida al-Assad, o chavismo e a posi\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans<\/p>\n<p>O companheiro Jorge Altamira, dirigente hist\u00f3rico do Partido Obrero [Partido Oper\u00e1rio], respondeu \u00e0s nossas cr\u00edticas a um artigo seu, publicado no jornal Prensa Obrera (n\u00ba 1.424, 18\/08\/2016), sobre a S\u00edria e o cerco \u00e0 Aleppo. Em tal artigo, ele n\u00e3o faz uso de qualquer frase de rep\u00fadio e condena\u00e7\u00e3o ao ditador Bashar al-Assad e aos criminosos bombardeios perpetrados por aeronaves russas contra a popula\u00e7\u00e3o civil de Aleppo. Chegamos ent\u00e3o \u00e0 conclus\u00e3o de que tal aus\u00eancia indica um apoio objetivo a al-Assad. \u201cQuem cala consente\u201d (El Socialista, n\u00b0 323, 24\/08\/16), dissemos usando o ditado popular.<\/p>\n<p>Em sua resposta (postada no Facebook em 09\/01\/16), Altamira reclama de nossas cr\u00edticas, dizendo que n\u00e3o apresentamos \u201ca menor evid\u00eancia\u201d de seu apoio a al-Assad. Se a nossa cr\u00edtica pol\u00edtica estivesse errada, seria simples refut\u00e1-la. Bastava uma ou duas frases ou slogans de Altamira, no seu novo e longo artigo, apresentando a \u201cevid\u00eancia\u201d do seu rep\u00fadio a al-Assad e aos seus atentados criminosos. Frases simples como \u201cAbaixo a ditadura de al-Assad\u201d ou \u201cChega de bombardeios criminosos\u201d, \u201cN\u00e3o ao genoc\u00eddio de al-Assad e Putin em Aleppo e em toda a S\u00edria\u201d. A discuss\u00e3o terminaria.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nenhuma dessas frases ou slogans \u00e9 encontrada na longa resposta de Altamira. Pelo contr\u00e1rio, ele fala sobre outros assuntos. Acusa falsamente a nossa corrente, por exemplo, de \u201cchavismo cr\u00f4nico\u201d; de participar de alian\u00e7as eleitorais na Venezuela \u201ccom correntes s\u00f3rdidas\u201d, ou seja, pr\u00f3-ianques; de n\u00e3o repudiar os ataques \u00e0 AMIA [Associa\u00e7\u00e3o Mutual Israelita Argentina] e \u00e0 embaixada israelense nos anos 90; de alinhamento &#8220;com os pe\u00f5es dos EUA no Oriente M\u00e9dio&#8221;; e outros temas diversos. Ele abre diversas discuss\u00f5es, procurando desta forma evitar o ponto central do debate levantado: a S\u00edria e a sua posi\u00e7\u00e3o diante de al-Assad. Al\u00e9m disso, despeja uma enxurrada de falsidades ou distor\u00e7\u00f5es das nossas verdadeiras posi\u00e7\u00f5es. \u00c9 um m\u00e9todo de debate que n\u00e3o partilhamos.<\/p>\n<p>Quando os socialistas realizam um debate, devem respeitar a l\u00f3gica formal, no sentido de que ela, corretamente, exige que se permane\u00e7a no tema em debate, sem rodeios ou levantar outros assuntos. Por isso, insistimos na quest\u00e3o central que originou o debate: Altamira e o PO s\u00e3o a favor da derrota do ditador al-Assad? Repudiam os bombardeios? Sim ou n\u00e3o? Altamira n\u00e3o responde isso.<\/p>\n<p>Conhecemos h\u00e1 mais de 40 anos o companheiro Altamira e sua corrente. Ambos afirmamos fazer parte do movimento trotskista. No entanto, \u00e9 justo reiterar que sempre tivemos diferen\u00e7as pol\u00edticas e te\u00f3ricas de fundo, no que diz respeito ao m\u00e9todo de condu\u00e7\u00e3o das discuss\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 nada de novo. Apesar dessas diferen\u00e7as hist\u00f3ricas, nossa corrente, fundada por Nahuel Moreno, sempre buscou, muitas vezes sem sucesso, a unidade de a\u00e7\u00e3o ou alian\u00e7as pol\u00edticas e estudantis de independ\u00eancia de classe com a esquerda, inclusive com a corrente liderada por Altamira.<\/p>\n<p>O positivo \u00e9 que, para al\u00e9m destas diferen\u00e7as, h\u00e1 alguns anos construimos a Frente de Izquierda [Frente de Esquerda], a FIT, junto com o PTS. \u00c9 uma alian\u00e7a de independ\u00eancia de classe, com um programa revolucion\u00e1rio [1], que valorizamos e defendemos. \u00c9 nesse contexto que estamos travando este debate pol\u00edtico.<\/p>\n<p>S\u00edria: \u201cguerra imperialista\u201d?<\/p>\n<p>A base do erro da posi\u00e7\u00e3o de Jorge Altamira e da sua corrente sobre a S\u00edria est\u00e1 localizada numa defini\u00e7\u00e3o equivocada da situa\u00e7\u00e3o e da guerra.<\/p>\n<p>Segundo Altamira, h\u00e1 uma \u201cguerra imperialista\u201d na S\u00edria. Em responda \u00e0s nossas cr\u00edticas, ele afirmou: \u201cNo Oriente M\u00e9dio, a guerra civil foi subordinada a uma guerra imperialista. (\u2026) A guerra imperialista no Oriente M\u00e9dio subordinou todas as for\u00e7as presentes e transformou-as no substituto da interven\u00e7\u00e3o do imperialismo para a espolia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica da S\u00edria.\u201d<\/p>\n<p>No seu longo artigo de resposta, Altamira diz que o seu \u201cm\u00e9todo \u00e9 aquele que Lenin aplicou na Primeira Guerra Mundial\u201d. Em outras palavras, ao definir os eventos que est\u00e3o ocorrendo na S\u00edria como uma guerra imperialista, como tinha feito Lenin na Primeira Guerra, est\u00e1 falando de uma nova guerra inter-imperialista.<\/p>\n<p>Se assim fosse, em primeiro lugar, Altamira teria que definir quais blocos imperialistas est\u00e3o em guerra. Altamira n\u00e3o faz isso. Seriam EUA e Uni\u00e3o Europeia (UE) versus a R\u00fassia e Ir\u00e3? Todavia, \u00e9 uma guerra estranha, porque o pr\u00f3prio Altamira, nos par\u00e1grafos seguintes \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 uma \u201cguerra imperialista\u201d, diz que n\u00e3o existe tal confronto: \u201cAo mesmo tempo, Obama, Putin, Erdogan e Netanyahu t\u00eam um pacto de n\u00e3o agress\u00e3o entre eles, incluindo um sistema de alerta m\u00fatuo, para evitar \u2018acidentes\u2019 de guerra\u201d. Algo que, de fato, acontece de vez em quando. Resta a quest\u00e3o: existe ou n\u00e3o uma \u201cguerra imperialista\u201d, como a que Lenin enfrentou?<\/p>\n<p>Na S\u00edria n\u00e3o h\u00e1 confronto militar entre EUA e R\u00fassia, nem qualquer guerra inter-imperialista. Sim, h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o dos diferentes fatores contra-revolucion\u00e1rios do mundo (desde EUA-UE, R\u00fassia, Ir\u00e3, Turquia, etc.), mas para reverter o processo revolucion\u00e1rio, que come\u00e7ou em mar\u00e7o de 2011, contra o ditador al-Asaad.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o evidente que tal guerra mundial imperialista n\u00e3o existe, que ambos os pa\u00edses acabaram de estabelecer \u201cum centro comum de intelig\u00eancia\u201d. O comunicado de an\u00fancio do mesmo diz: \u201cDesta forma, as for\u00e7as americanas e russas ser\u00e3o capazes de delimitar com precis\u00e3o os locais a bombardear. Os alvos ser\u00e3o os extremistas do EI [Estado Isl\u00e2mico] e da Al Nusra\u201d (Clar\u00edn, 09\/10). Em outras palavras, n\u00e3o pretendem atacar as for\u00e7as de al-Assad. Trabalham juntos para apoiar o ditador. Traduzido para a realidade: sob o manto de atacar o \u201cterrorismo\u201d, continuam a bombardear a popula\u00e7\u00e3o civil, como em Aleppo e outras cidades em que ainda est\u00e3o presentes os rebeldes s\u00edrios e curdos, que repudiam Asaad e seguem lutando desde que pegaram em armas h\u00e1 5 anos.<\/p>\n<p>O emaranhado em que Altamira cai tem uma raz\u00e3o subjacente: a defini\u00e7\u00e3o errada adotada pelo espa\u00e7o internacional do qual participa o PO, a Coordena\u00e7\u00e3o para a Refunda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional (CRCI), em setembro de 2013, e que foi publicada na Prensa Obrera, n\u00ba 1285, em setembro de 2013:<\/p>\n<p>\u201cA CRCI op\u00f5e-se totalmente ao lan\u00e7amento de uma guerra imperialista na S\u00edria. Apoiamos a revolta dos pobres e despossu\u00eddos na S\u00edria e tamb\u00e9m estaremos ao lado da revolu\u00e7\u00e3o contra o regime de al-Assad no futuro. Por\u00e9m, a guerra que agora se prepara nada tem em comum nem com os objetivos progressivos nem com as for\u00e7as dessa insurrei\u00e7\u00e3o. A CRCI est\u00e1 ao lado da S\u00edria e do seu povo, e far\u00e1 todo o poss\u00edvel para derrotar o imperialismo e o sionismo, bem como os Estados reacion\u00e1rios da regi\u00e3o, aliados dessas for\u00e7as. N\u00e3o \u00e0 guerra na S\u00edria! Fora imperialismo do Oriente M\u00e9dio! Parem de destruir o Oriente M\u00e9dio em benef\u00edcio do sionismo israelense!\u2026.\u201d<\/p>\n<p>Se bem lido, o texto \u00e9 claro. Define que se inicia uma guerra imperialista, unida ao sionismo, contra a S\u00edria. Por isso, a CRCI-PO fica \u201cao lado da S\u00edria e do seu povo (&#8230;) para que o imperialismo e o sionismo sejam derrotados\u201d. E explicita que eles deixam de apoiar a luta contra al-Assad. Isso porque \u201ctamb\u00e9m no futuro\u201d estar\u00e3o novamente na luta contra o regime de al-Assad. A palavra \u201cfuturo\u201d \u00e9 clara e contundente. Ou seja, a CRCI-PO, desde 2013 at\u00e9 ao presente, n\u00e3o luta contra o regime de al-Assad. \u00c9 por isso que n\u00e3o h\u00e1, nesse manifesto internacional, a solidariedade com a luta contra o genoc\u00eddio e a palavra de ordem \u2018Abaixo al-Assad\u2019. Para a CRCI-PO, desde 2013, existe uma \u201cguerra imperialista\u201d ianque-sionista na S\u00edria e o foco est\u00e1 em derrot\u00e1-la.<\/p>\n<p>Altamira mant\u00e9m isso, em 2016, no seu artigo de resposta: \u201ca guerra civil foi subordinada a uma guerra imperialista\u201d. Ou seja, a guerra civil contra al-Assad est\u00e1 \u201csubordinada\u201d, permanece em segundo plano diante da \u201cguerra imperialista\u201d. \u00c9 por isso que n\u00e3o existem slogans contra al-Assad. Altamira continua com a linha do CRCI, de retomar a luta contra al-Asaad, mas s\u00f3 \u201cno futuro\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, a declara\u00e7\u00e3o da CRCI-PO nem sequer menciona a interven\u00e7\u00e3o da R\u00fassia na S\u00edria. Desde o primeiro momento dos ataques do ex\u00e9rcito s\u00edrio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mobilizada contra o ditador, Putin colabora com o genocida Assad, fornecendo armas, muni\u00e7\u00f5es, tanques e apoio log\u00edstico a partir da base militar russa na S\u00edria, na cidade de Tartus. Mais tarde, quando come\u00e7ou o desastre do ex\u00e9rcito genocida de al-Assad, a R\u00fassia come\u00e7ou a intervir diretamente com a sua avia\u00e7\u00e3o, bombardeando o povo s\u00edrio em apoio ao regime.<\/p>\n<p>Esta abordagem errada da guerra, como \u201cimperialista \u2013 sionista\u201d, \u00e9 pr\u00f3xima daquela levantada pelas correntes da esquerda reformista mundial, incluindo o chavismo, a dire\u00e7\u00e3o cubana e os PCs do mundo. Para tais setores, h\u00e1 uma \u201cagress\u00e3o imperialista-sionista\u201d contra a S\u00edria, que quer derrubar o governo anti-Israel e \u201cnacionalista-anti-imperialista\u201d de al-Assad. Basta assistir \u00e0 Telesur para ter acesso a tal vers\u00e3o da S\u00edria. E com isso justificam a sua pol\u00edtica de n\u00e3o denunciar al-Assad e a interven\u00e7\u00e3o militar da R\u00fassia-Ir\u00e3. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o seus aliados contra a \u201cguerra imperialista\u201d. Na realidade, a situa\u00e7\u00e3o de al-Assad \u00e9 bem diferente. \u00c9 um ditador, que governa contra seu povo. Nunca disparou um tiro contra o ex\u00e9rcito sionista, que ocupa as Colinas de Gol\u00e3, mas enviou tanques, avi\u00f5es e barris de p\u00f3lvora contra o seu povo. Altamira se ofende quando dizemos que ele tem pontos de acordo, na S\u00edria, com o chavismo. Voltamos ao mesmo assunto: em que lugar do artigo de resposta ele repudia a posi\u00e7\u00e3o de Nicol\u00e1s Maduro e de Ra\u00fal Castro, de apoiar incondicionalmente al-Assad e a interven\u00e7\u00e3o russo-iraniana?<\/p>\n<p>S\u00edria: uma revolu\u00e7\u00e3o que se transformou em guerra civil<\/p>\n<p>Na S\u00edria n\u00e3o existe uma guerra \u201cimperialista\u201d ou inter-imperialista, muito menos uma guerra nacional-imperialista. Ou seja, uma agress\u00e3o militar imperialista contra uma na\u00e7\u00e3o oprimida, como defende a falsa interpreta\u00e7\u00e3o do chavismo e da esquerda reformista mundial. Ocorreu uma guerra nacional-imperialista no caso da invas\u00e3o estadunidense do Iraque, ent\u00e3o governado pelo ditador Saddam Hussein, em 2003. Nesse caso, foi correto a esquerda mundial estar militarmente ao lado do Iraque, mesmo com o governo de Saddam Hussein, para derrotar a agress\u00e3o imperialista. Isso sem apoiar politicamente Saddam Hussein.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma guerra civil na S\u00edria. A origem dessa guerra civil n\u00e3o foi uma agress\u00e3o imperialista, mas a a\u00e7\u00e3o contra-revolucion\u00e1ria de al-Assad contra uma revolu\u00e7\u00e3o popular, que come\u00e7ou em mar\u00e7o de 2011, como parte da onda revolucion\u00e1ria iniciada na Tun\u00edsia e no Egito. Tal onda foi chamada de revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, contra ditadores que estavam no poder h\u00e1 d\u00e9cadas. Essas revolu\u00e7\u00f5es foram genu\u00ednas e n\u00e3o cria\u00e7\u00f5es do imperialismo e da OTAN.<\/p>\n<p>Como dissemos na nota anterior: \u201cNa S\u00edria, o ditador Al Assad enfrentou a rebeli\u00e3o massiva por liberdades democr\u00e1ticas com tanques e bombardeios a\u00e9reos. Diante disso, o povo foi for\u00e7ado a pegar em armas para enfrentar a contra-revolu\u00e7\u00e3o. O imperialismo ianque, a OTAN e as diferentes for\u00e7as burguesas \u2013 como a R\u00fassia, o Ir\u00e3, a Ar\u00e1bia Saudita e a Turquia \u2013 interv\u00eam na S\u00edria para impedir o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o popular. Cada um com seu projeto burgu\u00eas contrarrevolucion\u00e1rio, de disputa regional. Por\u00e9m, est\u00e1 cada vez mais claro que todos, de uma forma ou de outra, v\u00eaem al-Assad como o \u201cmal menor\u201d. Agora at\u00e9 Erdogan apoia uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d com al-Assad\u201d (El Socialista, n\u00ba 323, 24\/08\/16).<\/p>\n<p>\u00c9 claro que h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o imperialista, mas o seu objetivo \u00e9 oposto ao que disse Altamira. Repudiamos tal interven\u00e7\u00e3o, mas denunciamos o seu objetivo: impedir a queda revolucion\u00e1ria de al-Assad. Por outro lado, sabe-se que o ISIS foi criado em 2013 pela Ar\u00e1bia Saudita e pelo Qatar, agentes ianques, n\u00e3o para confrontar al-Assad, mas para dividir a frente rebelde.<\/p>\n<p>Algo que mostra claramente que al-Assad n\u00e3o \u00e9 uma \u201cv\u00edtima\u201d do imperialismo, mas sim seu aliado, \u00e9 o fato de que os Estados Unidos e a OTAN (Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e Turquia) afirmam que est\u00e3o bombardeando o ISIS e n\u00e3o o ditador. Com essa desculpa, bombardeiam tamb\u00e9m os verdadeiros rebeldes e a popula\u00e7\u00e3o civil. Fazem isso em comum acordo com os regimes de al-Assad e de Putin, que autorizam os ataques a\u00e9reos.<\/p>\n<p>Obama declara, de vez em quando, o seu suposto apoio aos rebeldes. Trata-se apenas, na realidade, de uma jogada pol\u00edtica. Em nenhum momento o imperialismo e os seus aliados (UE, Turquia e Ar\u00e1bia Saudita) se arriscaram a armar em grande escala os rebeldes, com armas pesadas e antia\u00e9reas capazes de enfrentar os tanques e avi\u00f5es de al-Assad e de Putin. Sempre procuraram evitar a queda revolucion\u00e1ria da ditadura. Eles apenas pressionam para buscar uma solu\u00e7\u00e3o negociada, baseada na \u201cpaz dos cemit\u00e9rios\u201d.<\/p>\n<p>A sa\u00edda negociada com al-Assad \u00e9 t\u00e3o central que a Fran\u00e7a, membro da OTAN e aliada dos EUA na S\u00edria, disse atrav\u00e9s do seu ministro do exterior, Laurent Fabius, que j\u00e1 n\u00e3o se \u201ccontempla uma sa\u00edda do presidente s\u00edrio, Bashar al-Assad, antes do in\u00edcio de uma transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na S\u00edria. (\u2026) Uma S\u00edria unida exige uma transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas isso n\u00e3o significa que Bashar al-Assad deva partir antes da transi\u00e7\u00e3o, mas sim que deve garantir o futuro&#8221; (El Mundo, 5\/12\/2015).<\/p>\n<p>Altamira afirma, no seu artigo de resposta, que h\u00e1 um \u201calinhamento real e eficaz da Izquierda Socialista e da sua corrente internacional com os pe\u00f5es dos EUA no Oriente M\u00e9dio\u201d. Naturalmente isso \u00e9 falso. A nossa corrente apoia o povo rebelde em luta, n\u00e3o as suas lideran\u00e7as pol\u00edticas burguesas ou pr\u00f3-imperialistas. Nisso seguimos a tradi\u00e7\u00e3o, por exemplo, dos trotskistas na guerra civil espanhola de 1936-39. Eles apoiaram os combatentes da frente contra o fascista Franco, mas n\u00e3o apoiaram a lideran\u00e7a republicana burguesa. \u00c9 importante lembrar que os republicanos contaram com a \u201csolidariedade democr\u00e1tica\u201d dos EUA, da Fran\u00e7a e da Inglaterra, enquanto Stalin enviou \u201capoio\u201d militar. Naquela ocasi\u00e3o, tais fatores contra-revolucion\u00e1rios tamb\u00e9m atuaram para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e dos camponeses. E nem por isso ocorreu a algu\u00e9m acusar Trotsky de se alinhar com \u201cos pe\u00f5es\u201d do imperialismo na guerra civil espanhola.<\/p>\n<p>Altamira tamb\u00e9m se contradiz nisso. Observa que as mil\u00edcias curdas seriam \u201co \u00fanico movimento com interesses nacionais aut\u00eanticos nesta guerra, que operam condicionados ao apoio militar do Pent\u00e1gono dos EUA\u201d. Ou seja, Altamira v\u00ea que h\u00e1 uma causa justa na luta das mil\u00edcias curdas na S\u00edria, embora recebam apoio militar dos EUA. A nossa corrente concorda que h\u00e1 uma causa justa na luta curda, apesar da dire\u00e7\u00e3o reformista do PKK aceitar a subordina\u00e7\u00e3o militar e pol\u00edtica aos Estados Unidos. Por\u00e9m, quando Altamira define que a \u00fanica causa justa \u00e9 a dos curdos, confirma a nossa cr\u00edtica b\u00e1sica: n\u00e3o reconhece que tamb\u00e9m existe uma causa justa na luta contra o ditador Bashar al-Assad.<\/p>\n<p>A Izquierda Socialista e a nossa corrente internacional (UIT-QI) continuam a manter a sua posi\u00e7\u00e3o face \u00e0 complexidade da realidade da guerra na S\u00edria. Como dissemos em outra nota:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que h\u00e1 uma deteriora\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio, por conta de fatores contra-revolucion\u00e1rios. Mas isso n\u00e3o significa que a revolu\u00e7\u00e3o acabou. Ainda existem amplos setores da popula\u00e7\u00e3o que continuam a lutar e a mobilizar-se contra al-Assad e contra o ISIS, e que repudiam a presen\u00e7a imperialista. Existe o que poder\u00edamos chamar de \u201cterceira frente\u201d de combate. H\u00e1 milhares de pessoas lutando em Aleppo, em Homs, em Idlib e nos bairros de Damasco. S\u00e3o as brigadas do Ex\u00e9rcito S\u00edrio Livre (ELS), as brigadas independentes, os conselhos revolucion\u00e1rios, os comit\u00eas locais e as brigadas curdas que confrontam o regime e o ISIS. Devemos dar-lhes solidariedade e apoio para derrubar o ditador e derrotar o ISIS. Ser\u00e1 o povo que derrotar\u00e1 ambos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 a \u00fanica alternativa justa para o povo e a juventude s\u00edrios. (\u2026) Sabemos que por tr\u00e1s das brigadas do ELS e de algumas das organiza\u00e7\u00f5es do que chamamos de \u201cterceira frente\u201d existe uma influ\u00eancia pol\u00edtica de setores patronais s\u00edrios, que comp\u00f5em o chamado Conselho Nacional S\u00edrio (SNC) e que, no ex\u00edlio, procuram uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica negociada em Genebra com o apoio dos EUA e da UE. N\u00f3s, socialistas revolucion\u00e1rios, apoiamos incondicionalmente os rebeldes, sem que isso signifique dar apoio \u00e0 dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar do ELS e de outras brigadas.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamente o grande problema do processo s\u00edrio \u00e9 a sua crise de dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar. \u00c9 por isso que devemos intervir procurando fortalecer a esquerda revolucion\u00e1ria s\u00edria [2]. Nesse sentido, seguimos lutando pela constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o socialista para a revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria. (Miguel Lamas, Correspond\u00eancia Internacional, n.\u00ba 37, outubro de 2015).<\/p>\n<p>Nossa corrente nunca foi chavista<\/p>\n<p>Abordamos amplamente a guerra civil na S\u00edria, que \u00e9 o tema central do debate estabelecido com Jorge Altamira.<\/p>\n<p>Como o companheiro incluiu outros temas, conforme apontamos no in\u00edcio, somos obrigados a, pelo menos, fazer algumas breves refer\u00eancias a alguns deles. Isso porque n\u00e3o podemos ignorar uma s\u00e9rie de distor\u00e7\u00f5es ou falsifica\u00e7\u00f5es sobre as nossas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em sua nota, Altamira tenta desviar o debate da S\u00edria e confundir alguns leitores desavisados, lan\u00e7ando mentiras sobre a nossa trajet\u00f3ria pol\u00edtica. Altamira afirma que nossa corrente era chavista e que teve \u201cquase dez anos de chavismo cr\u00f4nico, praticamente at\u00e9 o momento em que seu dirigente mais destacado na Venezuela foi demitido de um cargo administrativo na PDVSA\u201d. E termina dizendo que \u201cSe n\u00e3o estou mal-informado (pe\u00e7o desculpas antecipadamente), sua corrente fez alian\u00e7as eleitorais na Venezuela com correntes \u2018esqu\u00e1lidas\u2019\u201d. Em outras palavras, ter\u00edamos passado de chavistas a fazer alian\u00e7as eleitorais com a direita pr\u00f3-ianque. Duas mentiras escandalosas.<\/p>\n<p>Sobre este \u00faltimo ponto. Lamentamos o m\u00e9todo de lan\u00e7ar uma acusa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00e9ria e dizer: \u201cpe\u00e7o desculpas antecipadamente\u201d. O dano est\u00e1 feito. \u00c9 um ataque calunioso. \u00c9 simplesmente mais uma mentira. Isso quando os fatos conhecidos e verdadeiros s\u00e3o que o nosso partido irm\u00e3o, o Partido Socialismo e Liberdade (PSL), teve a coragem pol\u00edtica de apresentar o dirigente sindical Orlando Chirino como a \u00fanica candidatura presidencial classista e socialista, oposta \u00e0s candidaturas de Hugo Ch\u00e1vez e de Henrique Capr\u00edles (pelo MUD), nas elei\u00e7\u00f5es de outubro de 2012. At\u00e9 Altamira apoiou a nossa candidatura, algo expresso numa nota (\u201cVamos con Chirino\u201d, Prensa Obrera, 09\/06\/12) que deu origem a uma pol\u00eamica semelhante \u00e0 atual [3].<\/p>\n<p>Por outro lado, nunca fomos chavistas. Sempre fomos independentes e cr\u00edticos tanto ao governo Ch\u00e1vez quanto ao seu partido e movimento. Em 2002-03, apoiamos a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria-popular em defesa do seu governo contra o golpe de Bush e o lockout patronal do setor petrol\u00edfero. Em outras palavras, repudiamos o golpe de Estado pr\u00f3-ianque, algo que nada tem a ver com ser \u201cchavista\u201d ou apoiar politicamente o governo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Altamira diz que deixamos de ser chavistas no \u201cmomento em que seu dirigente mais destacado na Venezuela foi demitido de um cargo administrativo na PDVSA\u201d. Refere-se ao nosso companheiro Orlando Chirino, sem nome\u00e1-lo. Isso com o objetivo de criar a falsa ideia de que s\u00f3 abandonamos o chavismo porque perdemos um cargo. Ocorreu o oposto. A demiss\u00e3o de Chirino foi uma medida de repress\u00e3o pol\u00edtica, ocorrida em dezembro de 2007. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio do que diz Altamira, a demiss\u00e3o foi uma consequ\u00eancia de anos de confronto pol\u00edtico com o governo Ch\u00e1vez. N\u00e3o foi o in\u00edcio do confronto. Vale salientar alguns dados: em maio de 2006, o atual sindicato classista C-CURA, liderado por Chirino, venceu o Segundo Congresso da nova central UNT. No entanto, os setores chavistas romperam o Congresso, porque a nossa corrente prop\u00f4s que a central fosse aut\u00f4noma e independente do governo. Em dezembro do mesmo ano, Ch\u00e1vez anunciou a forma\u00e7\u00e3o do PSUV. Chirino e a nossa corrente declararam abertamente que n\u00e3o apoiariam esse partido nem o governo, porque eram projetos poli-classistas. Em abril de 2007, no estado de Aragua, a UNT local, liderada pela nossa corrente, convocou uma greve em apoio a um conflito oper\u00e1rio (Sanit\u00e1rios Maracay), que foi selvagemente reprimida. Em meados do ano, Ch\u00e1vez apresentou uma reforma constitucional, que foi rejeitada pela nossa corrente. No final do ano, Chirino foi demitido. Em novembro de 2008, assassinos instigados pelo chavismo mataram tr\u00eas dirigentes sindicais da nossa corrente: Richard Gallardo, presidente da UNT de Aragua; Luis Hern\u00e1ndez, secret\u00e1rio-geral do sindicato da Pepsi Cola; e Luis Requena, da UNT. Todos eram membros da Unidad Socialista de Izquierda [Unidade Socialista de Esquerda] (USI), membro da UIT-QI.<\/p>\n<p>Quem vem mudando de posi\u00e7\u00e3o frente ao chavismo \u00e9 o pr\u00f3prio Jorge Altamira \u2013 e o PO \u2013, que passou do sectarismo e de nos acusar falsamente de sermos chavistas a fazer importantes concess\u00f5es pol\u00edticas ao decadente chavismo de Maduro. Altamira comprou as den\u00fancias de \u201cgolpe de estado\u201d, feitas pelo governo Maduro em resposta aos protestos de abril de 2013, ap\u00f3s o resultado apertado das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. E tamb\u00e9m durante os protestos de fevereiro-abril de 2014. Na realidade, tratava-se de uma cortina de fuma\u00e7a lan\u00e7ada por Maduro para esconder o seu desastre pol\u00edtico. Altamira chegou a cunhar uma nova categoria, \u201cgolpe cr\u00f4nico\u201d, para se referir \u00e0 situa\u00e7\u00e3o venezuelana. Ao estabelecer tal defini\u00e7\u00e3o, Altamira coincide com o governo chavista, que denuncia permanentemente um \u201cgolpe\u201d diante de qualquer protesto: \u201cUma das caracter\u00edsticas da hist\u00f3ria da Venezuela chavista \u00e9 o estado de golpe permanente\u201d (Prensa Obrera, 28\/02\/15).<\/p>\n<p>Altamira lan\u00e7ou outra mentira sobre a nossa corrente, ao dizer que n\u00e3o repudiamos os ataques \u00e0 AMIA e \u00e0 embaixada israelense nos anos 90. Altamira escreveu: \u201cEle (Sorans) tamb\u00e9m esquece que, ao contr\u00e1rio de todas as correntes trotskistas na Argentina, sem exce\u00e7\u00e3o, nosso partido condenou, desde o in\u00edcio, os ataques \u00e0 embaixada israelense e \u00e0 AMIA.&#8221; Falso. N\u00f3s condenamos e repudiamos tais ataques desde o primeiro dia [4]. Tais atentados ocorreram durante o governo Menem, que apoiou a agress\u00e3o imperialista ianque contra o Iraque em 1991, enviando mesmo dois navios. Foi nesse contexto que ocorreram os dois ataques. Nossa corrente repudiou categoricamente os dois ataques. No caso da AMIA, repudiamos \u201co ataque brutal contra as instala\u00e7\u00f5es da AMIA, que causou a morte e ferimentos graves a crian\u00e7as, trabalhadores, vizinhos e outras v\u00edtimas inocentes. Um ato t\u00e3o repreens\u00edvel, longe de ajudar o povo palestino, enfraquece-o na sua luta contra Israel, que &#8211; com o apoio dos Estados Unidos &#8211; tem usurpado as suas terras h\u00e1 d\u00e9cadas com sangue e fogo. Al\u00e9m disso, Menem est\u00e1 tentando utiliz\u00e1-lo para aumentar a repress\u00e3o\u201d (SS, n\u00ba 100, 20\/07\/94). O que nunca aceitamos foi a vers\u00e3o de Israel, das organiza\u00e7\u00f5es sionistas, do imperialismo, do FBI e de todos os governos argentinos de que foram ataques racistas e antissemitas, negando qualquer rela\u00e7\u00e3o com a verdadeira raz\u00e3o de fundo: a ocupa\u00e7\u00e3o sionista, o genoc\u00eddio do povo palestino e a hist\u00f3rica agress\u00e3o imperialista sobre os povos \u00e1rabes. Por isso, por exemplo, n\u00e3o participamos do evento de 21 de agosto de 1994, no Congresso, convocado pelos sionistas locais, pela embaixada israelense, pelas For\u00e7as Armadas, pela Igreja Argentina, pela burocracia sindical e pelo pr\u00f3prio Menem. Foi um ato de defesa do Estado sionista de Israel e das a\u00e7\u00f5es imperialistas. Nossa grande diferen\u00e7a com Altamira e o Partido Obrero foi que eles convocaram as pessoas para participarem deste evento em apoio a Israel e ao sionismo [5].<\/p>\n<p>Tais debates fazem parte de um interc\u00e2mbio permanente e necess\u00e1rio entre a esquerda e os revolucion\u00e1rios. Nossa corrente sempre procurou ser o mais fraterna poss\u00edvel, apesar da dureza da pol\u00eamica por conta de importantes diferen\u00e7as pol\u00edticas e te\u00f3ricas. Sabendo que isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, esperamos que o debate possa ajudar a aproximar posi\u00e7\u00f5es, mesmo que apenas parcialmente. Reiteramos que o fato positivo \u00e9 que, nos \u00faltimos anos, fizemos isso como membros da Frente de Izquierda.<\/p>\n<p>19 de setembro de 2016<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] Ver o programa da FIT: http:\/\/www.izquierdasocialista.org.ar\/cgi-bin\/elsocialista.cgi?es=247\u00aca=13<\/p>\n<p>[2] Ver a declara\u00e7\u00e3o \u201cRomper con el cerco a la revoluci\u00f3n siria\u201d, Istambul, julho de 2015.<\/p>\n<p>[3} Ver \u201cSobre el art\u00edculo &#8216;Vamos con Chirino&#8217; de Jorge Altamira-PO\u201d, de Sim\u00f3n Rodr\u00edguez Porras, ES, n\u00ba 229, 12\/09\/12.<\/p>\n<p>[4] Ver as notas no Solidaridad Socialista, mar\u00e7o de 1992, e no Semanario Socialista, n\u00ba 100, 20\/07\/94.<\/p>\n<p>[5] Ver a controv\u00e9rsia em Semanario Socialista , n\u00ba 101, 27\/07\/94.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Miguel Sorans O companheiro Jorge Altamira, dirigente hist\u00f3rico do Partido Obrero [Partido Oper\u00e1rio], respondeu \u00e0s nossas cr\u00edticas a um artigo seu, publicado no jornal Prensa Obrera (n\u00ba 1.424, 18\/08\/2016), sobre a S\u00edria e o cerco \u00e0 Aleppo. 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