

	{"id":16599,"date":"2013-12-20T10:27:43","date_gmt":"2013-12-20T13:27:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16599"},"modified":"2024-12-20T10:28:44","modified_gmt":"2024-12-20T13:28:44","slug":"cap-vii-das-tesis-politicas-mundiais-da-uit_qi-2013-as-revolucoes-no-norte-da-africa-e-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2013\/12\/20\/cap-vii-das-tesis-politicas-mundiais-da-uit_qi-2013-as-revolucoes-no-norte-da-africa-e-oriente-medio\/","title":{"rendered":"CAP VII das Tesis Politicas Mundiais da UIT_QI, 2013 (As revolu\u00e7\u00f5es no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Tesis Politicas Mundiais da UIT_QI, 2013 <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(&#8230;) VII &#8211; As revolu\u00e7\u00f5es no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio<\/p>\n<p>A queda das ditaduras que estavam cerca de 40 anos no poder da Tun\u00edsia, Egito e L\u00edbia tem sido um triunfo revolucion\u00e1rio do movimento de massas \u00e1rabes e do mundo, e tem causado um grande impacto. O processo revolucion\u00e1rio nos pa\u00edses do Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio n\u00e3o somente tem criado uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em toda a zona, mas tamb\u00e9m influiu na luta de classes a n\u00edvel mundial. Tem surgido lutas como o movimento dos indignados na Europa e Ocupa Wall Street nos EUA, que tomaram como exemplo a luta dos povos \u00e1rabes. No mesmo sentido, tamb\u00e9m proporcionou uma nova din\u00e2mica na luta do povo palestino, como se viu na ocupa\u00e7\u00e3o da embaixada do Israel no Cairo pelas massas eg\u00edpcias, o mesmo dia no qual Kadaffi fugia de Tr\u00edpoli. O pedido da Palestina na ONU para ser reconhecida como membro pleno ou a aproxima\u00e7\u00e3o entre a OLP e o Hamas, que caminham rumo a uma poss\u00edvel alian\u00e7a, t\u00eam sido exemplos destas mudan\u00e7as e da repercuss\u00e3o dos primeiros triunfos da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe. Por outro lado, esta revolu\u00e7\u00e3o tem sido um duro golpe contra o imperialismo, que aprofunda sua crise de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar. A queda de Mubarak \u00e9 uma derrota muito importante, j\u00e1 que perde um aliado chave para Oriente M\u00e9dio. O novo governo eg\u00edpcio, por exemplo, se viu na obriga\u00e7\u00e3o de ter que levantar o bloqueio \u00e0 fronteira com a Faixa de Gaza. Outro sintoma claro do enfraquecimento dos Estados Unidos \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o na L\u00edbia, haja vista que n\u00e3o conseguiu faz\u00ea-lo diretamente pelo recha\u00e7o popular e esteve limitado apenas ao apoio log\u00edstico e interven\u00e7\u00e3o militar da OTAN. Inclusive, esta op\u00e7\u00e3o foi uma tentativa de contraofensiva imperialista, para ver se conseguia reverter \u00e0s derrotas sofridas e estabelecer uma \u201ccabe\u00e7a de praia\u201d na L\u00edbia. Mas, a queda da ditadura de Kadaffi pela a\u00e7\u00e3o rebelde fez que fracassasse este objetivo e que a L\u00edbia se transformasse na terceira revolu\u00e7\u00e3o antiditadura triunfante. As revolu\u00e7\u00f5es tunisiana e eg\u00edpcia se estenderam como um rastilho de p\u00f3lvora para toda a regi\u00e3o. Para L\u00edbia primeiro, agora claramente na S\u00edria, mas tamb\u00e9m nas mobiliza\u00e7\u00f5es de Bahrein, I\u00eamen e at\u00e9 no Marrocos. Isto confirma que a revolu\u00e7\u00e3o na Tun\u00edsia, que se iniciou em dezembro de 2010, \u00e9 um processo revolucion\u00e1rio global, que atinge toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As revolu\u00e7\u00f5es tem provocado um grande debate na esquerda <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o triunfo do processo revolucion\u00e1rio \u00e1rabe tem provocado um grande debate nas fileiras das correntes que se definem da esquerda ou anti imperialistas, em primeiro lugar, sobre se o processo era uma revolu\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. E em segundo lugar, sobre se eram revolu\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas ou simples manobras do imperialismo para derrotar os governos populistas nacionalistas. A socialdemocracia e os partidos socialistas que s\u00e3o governos na Europa e em distintas partes do mundo tomaram uma posi\u00e7\u00e3o claramente contrarrevolucion\u00e1ria. Compartilharam a preocupa\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias burguesias, junto ao imperialismo ianque, primeiro apoiando os regimes ditatoriais \u00e1rabes e logo, quando viram que estes regimes j\u00e1 n\u00e3o conseguiriam sobreviver pelas rebeli\u00f5es, apoiaram os movimentos de oposi\u00e7\u00e3o e se colocaram em marcha para tentar controlar a revolu\u00e7\u00e3o e as dire\u00e7\u00f5es alternativas. Por outra parte, os governos de Hugo Ch\u00e1vez e dos irm\u00e3os Castro em Cuba, junto \u00e0s correntes de esquerda nacionalistas, se colocaram contra as massas rebeldes e apoiaram os regimes ditatoriais como o de Kadaffi na L\u00edbia ou o de Bashar Al Assad na S\u00edria, como se estes fossem \u201cgovernos anti-imperialistas\u201d, e definindo as revolu\u00e7\u00f5es como \u201ccomplots imperialistas\u201d. Na verdade, se trata de ex-lideran\u00e7as nacionalistas burguesas que se tornaram s\u00f3cias e aliadas das multinacionais. Kadaffi pactuou em 2007 o retorno \u00e0 L\u00edbia das multinacionais do petr\u00f3leo como a inglesa BP, Exxon, Total e Shell. Bashar Al Assad n\u00e3o s\u00f3 abriu o pa\u00eds ao investimento estrangeiro, mas foi parte da coalis\u00e3o militar imperialista, que em 1991 desatou a Guerra do Golfo P\u00e9rsico contra o Iraque. A equivocada postura tomada por setores da esquerda reformista, os partidos comunistas e outros setores da esquerda chavista internacional tem sido um obst\u00e1culo s\u00e9rio para a solidariedade com as massas \u00e1rabes, em especial com a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o revolu\u00e7\u00f5es inacabadas<\/strong><\/p>\n<p>Triunfaram grandes revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que, por falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, n\u00e3o conseguiram avan\u00e7ar at\u00e9 o triunfo de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. As revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes come\u00e7aram como revoltas populares espont\u00e2neas das massas, por fora da interven\u00e7\u00e3o ou influ\u00eancia direta das dire\u00e7\u00f5es tradicionais nacionalistas ou isl\u00e2micas. \u00c9 um fato, por exemplo, que os partidos isl\u00e2micos, em especial a Irmandade Mu\u00e7ulmana, num primeiro momento n\u00e3o apoiaram as mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, tanto na Tun\u00edsia quanto no Egito. A aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o organizada, muito al\u00e9m das lideran\u00e7as locais, define o car\u00e1ter espont\u00e2neo destas revolu\u00e7\u00f5es. Tanto a for\u00e7a quanto as limita\u00e7\u00f5es destas revolu\u00e7\u00f5es surgem desse car\u00e1ter. Por outra parte, sobretudo na Tun\u00edsia e Egito, apesar da queda das ditaduras, seguem inclusive se mantendo aspectos do antigo regime ditatorial e, fundamentalmente, a continuidade da economia capitalista. Isso tudo significa que s\u00e3o revolu\u00e7\u00f5es inacabadas. Por isso, tem se aberto uma nova etapa do processo revolucion\u00e1rio e novas tarefas, na qual o eixo ordenador do programa da luta passa por conseguir o poder dos trabalhadores para resolver, definitivamente, tanto os problemas democr\u00e1ticos, quanto os sociais do sal\u00e1rio, trabalho, p\u00e3o, sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o. A realidade atual das lutas oper\u00e1rias e populares no Egito e Tun\u00edsia mostra que segue o processo revolucion\u00e1rio. As massas continuam a se mobilizar, buscando romper o colete de for\u00e7a que o imperialismo, as burguesias e os reformistas no poder querem lhes p\u00f4r. Justamente, a grande peleja \u00e9 dar continuidade a essas mobiliza\u00e7\u00f5es pelas reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas, com o objetivo estrat\u00e9gico de conseguir uma nova dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria com peso na classe trabalhadora. Desde um primeiro momento, tamb\u00e9m tem existido outro debate na esquerda mundial, sobre o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o. Amplos setores t\u00eam sustentado que a revolu\u00e7\u00e3o deveria se manter numa etapa democr\u00e1tica, recha\u00e7ando a necessidade de lutar por uma nova revolu\u00e7\u00e3o que provoque uma liberta\u00e7\u00e3o social com medidas anticapitalistas, encabe\u00e7adas por novos governos de trabalhadores, que deem solu\u00e7\u00f5es \u00e0s necessidades das massas. Estes setores da esquerda mundial retornam a criar a velha concep\u00e7\u00e3o estalinista, nefasta, da revolu\u00e7\u00e3o por etapas. Quer dizer, que a revolu\u00e7\u00e3o deve passar, necessariamente, por duas etapas separadas: a primeira, na qual se deve apoiar ou aceitar a burguesia para realizar tarefas democr\u00e1ticas. E a segunda, na qual s\u00f3 nesse momento a classe oper\u00e1ria e o povo poder\u00e3o lutar pelo socialismo. A realidade est\u00e1 mostrando que esta concep\u00e7\u00e3o \u00e9 equivocada. \u00c9 evidente que o imperialismo norte-americano e europeu, agora aliado aos novos governos isl\u00e2micos que est\u00e3o no poder na Tun\u00edsia, Egito e L\u00edbia, tentam que todas as liberdades pol\u00edticas e democr\u00e1ticas conquistadas pela atividade das massas durante o processo revolucion\u00e1rio, sejam reduzidas a sua m\u00ednima express\u00e3o sob um regime constitucional burgu\u00eas. E com esta pol\u00edtica, que chamamos de rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, se tenta parar a revolu\u00e7\u00e3o para que s\u00f3 avance uma transforma\u00e7\u00e3o socialdemocrata, no marco de manter o capitalismo e a rela\u00e7\u00e3o com as multinacionais nesses pa\u00edses. Resumindo, toda apresenta\u00e7\u00e3o que sustentou e sustenta que as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes t\u00eam que se deter na etapa democr\u00e1tica para sua consolida\u00e7\u00e3o social e que ap\u00f3s essa tarefa poder-se-ia avan\u00e7ar rumo a uma transforma\u00e7\u00e3o socialista, est\u00e1 equivocada e \u00e9 incongruente com a realidade. Em vez de democracia, o que existe nos pa\u00edses nos quais derrubaram os ditadores s\u00e3o repetidas tentativas autorit\u00e1rias e repressivas, que provocam novos choques com as massas, como acontece no Egito e Tun\u00edsia. Nestes pa\u00edses, em vez de um controle total pelas dire\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas, estamos vendo como o povo enfrenta e provoca crises tamb\u00e9m nos governos isl\u00e2micos, pois precisamente eles n\u00e3o resolvem os problemas democr\u00e1ticos e menos ainda os grav\u00edssimos problemas sociais. Estes fatos demonstram, mais uma vez, que os objetivos democr\u00e1ticos das revolu\u00e7\u00f5es nestes pa\u00edses semicoloniais e dependentes do imperialismo, n\u00e3o se podem alcan\u00e7ar sob dire\u00e7\u00f5es e governos burgueses, sejam isl\u00e2micos ou laicos, mas unicamente atrav\u00e9s de governos oper\u00e1rios e populares. E \u00e9, neste sentido, que entendemos que as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes reafirmam a concep\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o permanente&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria <\/strong><\/p>\n<p>Na S\u00edria segue a luta revolucion\u00e1ria para derrotar a ditadura de Bashar Al Assad, e seu triunfo \u00e9 chave para o Oriente M\u00e9dio. L\u00e1, est\u00e1 acontecendo uma nova tentativa contrarrevolucion\u00e1ria, ao estilo da L\u00edbia, para buscar esmagar a revolu\u00e7\u00e3o pela via dos m\u00e9todos fascistas (bombardeios sistem\u00e1ticos sobre as cidades rebeldes). A for\u00e7a das massas fez fracassar a contrarrevolu\u00e7\u00e3o armada na L\u00edbia. Existe uma luta semelhante na S\u00edria. Ali, a tarefa central \u00e9 impulsionar a solidariedade incondicional com a resist\u00eancia do povo s\u00edrio sem dar nenhum apoio pol\u00edtico \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o burguesa e pr\u00f3-imperialista de Al Assad, o CNS (Conselho Nacional S\u00edrio). A revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, que come\u00e7ou em mar\u00e7o de 2011, tem se transformado numa guerra civil prolongada. Os motivos da subleva\u00e7\u00e3o das massas na S\u00edria s\u00e3o quase os mesmos que se encontram nos outros pa\u00edses \u00e1rabes. Os planos neoliberais levados adiante no pa\u00eds na \u00faltima d\u00e9cada, que destro\u00e7aram economicamente as zonas agr\u00edcolas, especialmente cidades como Dera\u00e1, a perda dos camponeses de suas terras, os ajustes econ\u00f4micos e sociais, a repress\u00e3o e o terror que exerce o regime sobre as massas foram os motivos que dispararam a insurrei\u00e7\u00e3o. Enquanto o imperialismo, num primeiro momento, pedia reformas a Al Assad, ao ver que o regime perdia sua legitimidade perante as massas e que o processo tomava uma din\u00e2mica de guerra civil revolucion\u00e1ria, come\u00e7ou a pedir a demiss\u00e3o do ditador. Por outro lado, come\u00e7ou a negociar com as dire\u00e7\u00f5es burguesas alternativas, entre elas, fundamentalmente, a Irmandade Mu\u00e7ulmana S\u00edria, com a colabora\u00e7\u00e3o do governo da Turquia e de Qatar. Atualmente, a dire\u00e7\u00e3o reconhecida pelo imperialismo, o CNS, tem na sua frente os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos, v\u00e1rios partidos burgueses e algumas organiza\u00e7\u00f5es curdas. O CNS tem o programa de constru\u00e7\u00e3o de um \u201cEstado democr\u00e1tico civil\u201d e a estrat\u00e9gia do imperialismo e dos chamados Amigos da S\u00edria \u00e9 de construir uma \u201cdemocracia ordenada\u201d, que na realidade tem o prop\u00f3sito de minar a revolu\u00e7\u00e3o com pequenas mudan\u00e7as no regime, sem tocar, na sua ess\u00eancia, na estrutura econ\u00f4mica capitalista da S\u00edria e, ao mesmo tempo, evitar que triunfe uma revolu\u00e7\u00e3o, pois poria em quest\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o com Israel, Turquia, Iraque e Ir\u00e3, que s\u00e3o pa\u00edses lim\u00edtrofes. Por isso, \u00e9 chave, tanto para o imperialismo quanto para a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, triunfar na S\u00edria. No processo revolucion\u00e1rio foram nascendo organiza\u00e7\u00f5es, sobretudo de jovens, sob o nome de Comit\u00eas de Coordena\u00e7\u00e3o Local (CCL). S\u00e3o uma esp\u00e9cie de coletivos de bairros que foram impulsionando a desobedi\u00eancia civil, como fechar col\u00e9gios ou com\u00e9rcios e outras formas de luta. Logo ap\u00f3s, surgiu o Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria (ELS), que tem se estendido por todo o territ\u00f3rio, integrado por distintos grupos isl\u00e2micos ou n\u00e3o isl\u00e2micos de todas as regi\u00f5es. N\u00e3o cabe d\u00favida que este ex\u00e9rcito rebelde tem unificado todos os grupos armados contra a ditadura. O que n\u00e3o est\u00e1 muito claro \u00e9 quem predomina na sua dire\u00e7\u00e3o. O ELS tem se fortalecido com desertores do ex\u00e9rcito de Assad, tanto oficiais quanto suboficiais e soldados. Logo, \u00e9 evidente que tem influ\u00eancia da dire\u00e7\u00e3o do CNS, da Irmandade Mu\u00e7ulmana, via oficiais do ex-ex\u00e9rcito s\u00edrio. Mas, igualmente, tem muitas contradi\u00e7\u00f5es com cada grupo armado de cada localidade, agrupamento e de cada comandante. Pesa negativamente, por exemplo, a a\u00e7\u00e3o de grupos isl\u00e2micos, religiosos ultra sect\u00e1rios como a Frente de Al-Nusra, que querem impor ao povo as leis da sharia. Apesar disso, a realidade \u00e9 que est\u00e1 sendo fortalecida a resist\u00eancia armada e avan\u00e7a em seu armamento, inclusive na tomada de aeroportos ou destacamentos. E j\u00e1 controlam uma grande parte do pa\u00eds e dos postos fronteiri\u00e7os. A revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria tem aberto outro profundo debate na esquerda mundial. De um lado, est\u00e1 o setor castro-chavista e os estalinistas reciclados, que apoiam diretamente o genocida Bashar Al Assad e acusam, como na L\u00edbia, os rebeldes s\u00edrios de serem agentes do imperialismo e da CIA. Defendem o ditador como se encabe\u00e7asse um governo revolucion\u00e1rio de esquerda, quando na verdade se trata de um genocida, que h\u00e1 muito tempo se transformou em s\u00f3cio do imperialismo. Existe tamb\u00e9m uma segunda postura, sect\u00e1ria, que poder\u00edamos cham\u00e1-la de os \u201cnem-nem\u201d, que denunciam Bashar Al Assad como um ditador que deve ser derrubado, mas, por sua vez, n\u00e3o apoiam a fundo a revolu\u00e7\u00e3o popular pela sua dire\u00e7\u00e3o burguesa do CNS. Seu programa propagand\u00edstico \u00e9: nem Bashar Al Assad, nem o CNS pr\u00f3-burgu\u00eas, \u201cpor uma sa\u00edda oper\u00e1ria e popular, por uma revolu\u00e7\u00e3o socialista na S\u00edria\u201d. E existe uma terceira postura, que \u00e9 a dos socialistas revolucion\u00e1rios, que impulsionamos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o, sob a palavra de ordem \u201cabaixo Bashar Al Assad\u201d, e, como parte do movimento revolucion\u00e1rio, nos diferenciamos de sua dire\u00e7\u00e3o burguesa, em especial do CNS. Nossas palavras de ordem s\u00e3o claras: chamamos a impulsionar a solidariedade incondicional com a resist\u00eancia do povo s\u00edrio, sem dar nenhum apoio \u00e0 dire\u00e7\u00e3o burguesa e pr\u00f3-imperialista do CNS. Chamamos a desenvolver o armamento popular e os comit\u00eas de defensa do povo s\u00edrio, rejeitando e denunciando a tentativa de inger\u00eancia imperialista e a interven\u00e7\u00e3o militar da ONU e da OTAN. Sem deixar de dizer ao heroico povo s\u00edrio que s\u00f3 um governo baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es insurgentes e as dos trabalhadores e setores populares pode levar a conquistar seus objetivos democr\u00e1ticos e sociais de fundo. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que existe esta confus\u00e3o na esquerda internacional, em especial na esquerda sect\u00e1ria: confundir o movimento progressivo numa guerra civil ou em mobiliza\u00e7\u00f5es de massas contra ditaduras com suas dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias e reformistas. N\u00f3s, socialistas revolucion\u00e1rios, apoiamos o movimento progressivo, neste caso, contra o ditador Bashar Al Assad, sem apoiar a dire\u00e7\u00e3o desse movimento. Este mesmo debate se deu na guerra civil espanhola de 1936-39 ou na revolu\u00e7\u00e3o nicaraguense de 1979. N\u00f3s, trotskistas, estivemos na guerra civil espanhola no mesmo grupo militar republicano contra o fascismo e Franco, como estivemos no mesmo grupo militar na guerra civil da Nicar\u00e1gua, com a Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, sem apoiar a dire\u00e7\u00e3o dos Ortega e Fidel Castro. Na Guerra Civil Espanhola, Le\u00f3n Trotsky foi claro quando lhe perguntaram, insistentemente, por que criticava o fascismo e tamb\u00e9m criticava a dire\u00e7\u00e3o burguesa e estalinista da Frente Popular Republicana, e o pr\u00f3prio Jos\u00e9 Stalin, que era um traidor do combate do proletariado e dos camponeses espanh\u00f3is. Trotsky respondeu que \u201co proletariado revolucion\u00e1rio n\u00e3o pode colocar os dois campos em luta num mesmo saco: deve utilizar este combate para seus pr\u00f3prios interesses. N\u00e3o pode alcan\u00e7ar o \u00eaxito com uma pol\u00edtica neutra, mas, pelo contr\u00e1rio, batendo militarmente o seu inimigo n\u00famero um: o fascismo\u201d (Espanha revolucion\u00e1ria, p\u00e1g. 263, Editorial Ant\u00eddoto). E acrescentou: \u201ctodo trotskista deve ser um bom soldado na Espanha\u201d (idem, p\u00e1g. 223). N\u00f3s, socialistas revolucion\u00e1rios, seguimos na S\u00edria a mesma t\u00e1tica aconselhada por Trotsky para a Espanha em 1936. N\u00e3o pomos no mesmo saco o ex\u00e9rcito genocida de Bashar Al Assad com o ex\u00e9rcito popular rebelde. Estamos no mesmo grupo militar rebelde, nos diferenciando da dire\u00e7\u00e3o. Mas, como na Espanha, tal como aconselhou Trotsky, na S\u00edria os trotskistas devem ser \u201cbons soldados\u201d da rebeli\u00e3o armada. Por isso, chamamos os povos do mundo a apoiar, incondicionalmente, a revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e estamos contra qualquer interven\u00e7\u00e3o imperialista, seja direta ou atrav\u00e9s da OTAN ou da ONU. Do mesmo modo, repudiamos as amea\u00e7as e as a\u00e7\u00f5es do genocida Estado de Israel de bombardear zonas da S\u00edria. Chamamos os povos \u00e1rabes da Tun\u00edsia e Egito e, especialmente, as mil\u00edcias da L\u00edbia para que enviem armas para a resist\u00eancia. E chamamos os governos do mundo a romper com a ditadura de Assad.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Palestina \u00e9 parte do processo <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe tem tonificado o povo palestino, que num primeiro momento se solidarizou com essas revolu\u00e7\u00f5es, apesar do sil\u00eancio de suas dire\u00e7\u00f5es, tanto da Autoridade Palestina (ex-OLP) quanto do Hamas. \u00c9 um fato que tem se aberto uma nova situa\u00e7\u00e3o para a causa palestina, como se demonstrou na rea\u00e7\u00e3o a uma das \u00faltimas ofensivas israelenses sobre Gaza, na qual o povo palestino resistiu e Israel mostrou seu isolamento pol\u00edtico internacional. J\u00e1 o sionismo n\u00e3o tem o fiel aliado do Mubarak para reprimir as massas eg\u00edpcias. O novo governo do Cairo teve que agir sob uma grande press\u00e3o do povo e a juventude eg\u00edpcia, que apoia, incondicionalmente, o povo palestino. O processo aberto de revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes naquela \u00e1rea tem permitido parar um novo massacre na Faixa de Gaza, como o que aconteceu anos atr\u00e1s. Ao mesmo tempo, vem crescendo as mobiliza\u00e7\u00f5es que rompem a divis\u00e3o e as zonas de controle que tinham dividido a regi\u00e3o, o Hamas em Gaza e Al Fatah na Cisjord\u00e2nia. A exig\u00eancia de unidade, desde a base frente ao inimigo israelense e imperialista, que o povo palestino reclama \u00e9 um componente que busca a recomposi\u00e7\u00e3o da unidade entre Gaza e Cisjord\u00e2nia para fortalecer a luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o sionista. O reconhecimento da Palestina como Estado Observador na ONU, ainda que n\u00e3o traga nenhuma solu\u00e7\u00e3o de fundo para o povo palestino, n\u00e3o se pode deixar de reconhecer como uma grande vit\u00f3ria pol\u00edtica contra Israel e contra o imperialismo, que d\u00e1 uma nova tonifica\u00e7\u00e3o ao combate do povo palestino. \u00c9 evidente que est\u00e1 fracassando a pol\u00edtica imperialista de impor os dois Estados, pol\u00edtica pactuada anos atr\u00e1s pela dire\u00e7\u00e3o da OLP, o imperialismo e a dire\u00e7\u00e3o sionista. Fica claro que n\u00e3o tem outra sa\u00edda que a luta intransigente contra o enclave sionista, para destru\u00ed-lo e impor um Estado \u00fanico, laico, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista em toda a Palestina, onde possam conviver num lugar comum \u00e1rabes e judeus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tun\u00edsia e Egito, a revolta permanente <\/strong><\/p>\n<p>No Egito e na Tun\u00edsia as mobiliza\u00e7\u00f5es t\u00eam continuado e se estendem por reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (governo civil, dissolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es do regime ditatorial) e econ\u00f4micas (trabalho e aumento salarial), que nem o governo de Mursi dos Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos no Egito e Al Nahda da Tun\u00edsia s\u00e3o capazes de responder. Enquanto as mobiliza\u00e7\u00f5es d\u00e3o continuidade \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, os regimes buscam medidas e dire\u00e7\u00f5es novas para salvaguardar a propriedade burguesa e os lucros das multinacionais. Ali se vive, claramente, um confronto entre a revolu\u00e7\u00e3o e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Os imperialismos ianque e europeu, agora que perderam seus antigos aliados, pactuam com as dire\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas para tentar montar regimes, seguindo o \u201cmodelo turco\u201d, com forma de democracia burguesa, combinado com aspectos totalmente arbitr\u00e1rios e antidemocr\u00e1ticos de seus governos. Atrav\u00e9s desse tipo de governo, querem garantir os investimentos das multinacionais nesses pa\u00edses controlando o \u201cprocesso de transi\u00e7\u00e3o\u201d e as mobiliza\u00e7\u00f5es de massas. Os trabalhadores, a juventude e os setores populares, tanto no Egito quanto na Tun\u00edsia, t\u00eam come\u00e7ado a fazer a experi\u00eancia pol\u00edtica com os novos governos isl\u00e2micos que ficaram no poder, diante do vazio de uma dire\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista. Em especial no Egito, come\u00e7a a se dissipar a ilus\u00e3o no papel do ex\u00e9rcito que, no momento da revolu\u00e7\u00e3o, \u201cpermitiu\u201d, taticamente, que ela ocorresse. As massas t\u00eam demonstrado sua ruptura e indigna\u00e7\u00e3o contra os militares e o governo isl\u00e2mico de Mursi, ocupando uma e outra vez a Pra\u00e7a Tahrir por distintas reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e sociais e recha\u00e7ando as pseudo-reformas constitucionais. O processo segue em aberto. Na Tun\u00edsia, distintas greves por reivindica\u00e7\u00f5es sindicais do proletariado tunisino, que esteve na vanguarda da revolu\u00e7\u00e3o e que foi reprimido pelo governo de Al Nahda, tem desatado um processo que tem chegado a um ponto muito alto, com a greve geral de fevereiro em rep\u00fadio ao assassinato do l\u00edder da esquerda da Frente Popular. Foi sintom\u00e1tico que os manifestantes tivessem como um dos seus refr\u00e3os mais importantes \u201cpor uma nova revolu\u00e7\u00e3o\u201d. A continuidade das revolu\u00e7\u00f5es no Egito e Tun\u00edsia depende do confronto das massas com os atuais governos e sua mobiliza\u00e7\u00e3o permanente por um programa revolucion\u00e1rio, que inclua pontos como a nacionaliza\u00e7\u00e3o de todas as empresas multinacionais, um plano de obras p\u00fablicas de emerg\u00eancia para acabar com o desemprego, o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa, a confisca\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis dos regimes anteriores, dos militares e seus familiares que saquearam os cofres do Estado, o julgamento e castigo aos respons\u00e1veis da repress\u00e3o e da viol\u00eancia estatal, e a aboli\u00e7\u00e3o de todos os acordos com o imperialismo e Israel, na perspectiva de desenvolver organismos de poder popular e dos jovens. Nesse sentido, \u00e9 fundamental a UGTT (Central oper\u00e1ria da Tun\u00edsia), os sindicatos independentes do Egito, o movimento 06 de Abril desse pa\u00eds e outros que v\u00e3o surgindo no processo, na perspectiva da luta por conseguir novas revolu\u00e7\u00f5es, que instalem governos oper\u00e1rios e populares. As revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes t\u00eam deixado claro, mais uma vez, a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de uma nova dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria oper\u00e1ria e socialista. As massas, mesmo sendo muito heroicas nas suas lutas, enquanto n\u00e3o tiverem suas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares pr\u00f3prias e independentes, e n\u00e3o transformarem esses organismos, que surgem na luta, em organiza\u00e7\u00f5es permanentes e democr\u00e1ticas que abracem o caminho para a tomada do poder, estar\u00e3o perante o perigo de serem reprimidas e inclusive de recuarem nas conquistas revolucion\u00e1rias. Por isso, mais do que nunca, na Tun\u00edsia, Egito, L\u00edbia e no resto da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, lutamos pela constru\u00e7\u00e3o desses organismos de poder oper\u00e1rio e popular e por partidos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tesis Politicas Mundiais da UIT_QI, 2013 &nbsp; (&#8230;) VII &#8211; As revolu\u00e7\u00f5es no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio A queda das ditaduras que estavam cerca de 40 anos no poder da Tun\u00edsia, Egito e L\u00edbia tem sido um triunfo revolucion\u00e1rio do movimento de massas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16599","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16599\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}