

	{"id":16601,"date":"2014-12-20T10:56:43","date_gmt":"2014-12-20T13:56:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16601"},"modified":"2024-12-20T10:58:25","modified_gmt":"2024-12-20T13:58:25","slug":"do-nasserismo-ao-islamismo-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2014\/12\/20\/do-nasserismo-ao-islamismo-politico\/","title":{"rendered":"Do nasserismo ao islamismo pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p><strong>Do nasserismo ao islamismo pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Por Miguel Sorans<\/p>\n<p>(originalmente publicado na Correspond\u00eancia Internacional n\u00b035, Dezembro de 2014 \u2013 UIT-QI)<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica \u00e9 a hist\u00f3ria de heroicas lutas, de choques entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Imensos processos contra o imperialismo e o sionismo. O conflito n\u00e3o encontra uma sa\u00edda e se agrava. A causa de fundo desta falta de solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na combina\u00e7\u00e3o do fracasso hist\u00f3rico das diversas dire\u00e7\u00f5es burguesas \u00e1rabes e isl\u00e2micas e o n\u00e3o surgimento de uma dire\u00e7\u00e3o\u00a0revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os povos \u00e1rabes, isl\u00e2micos e do Oriente M\u00e9dio lutam h\u00e1 100 anos, resistindo aos diversos imperialismos. Batalhando para sobreviver, n\u00e3o serem saqueados e n\u00e3o terem suas culturas destru\u00eddas e nem seus direitos como povos e na\u00e7\u00f5es. Enfrentando Israel, um enclave imperialista. Com os atuais conflitos e guerras cresce a confus\u00e3o frente \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es de seus protagonistas. Cresce a divis\u00e3o entre os povos do Oriente M\u00e9dio com aparentes conflitos sect\u00e1rios e religiosos. Enquanto os regimes \u00e1rabes e isl\u00e2micos atacam seus povos, nunca passou por suas cabe\u00e7as unirem-se para apoiar o povo palestino e derrotar Israel. Somente o papel do imperialismo e a longa hist\u00f3ria de trai\u00e7\u00f5es das distintas dire\u00e7\u00f5es burguesas da regi\u00e3o explica o surgimento de grupos ultra reacion\u00e1rios como o ISIS.<\/p>\n<p><strong>O fracasso do nacionalismo burgu\u00eas \u00e1rabe<\/strong><\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o do estado de Israel em 1948, a resist\u00eancia \u00e0 presen\u00e7a inglesa e francesa no Norte da \u00c1frica e a tentativa de penetra\u00e7\u00e3o dos norte-americanos no Oriente M\u00e9dio, produziu uma onda revolucion\u00e1ria que desembocou no triunfo de diversos regimes nacionalistas burgueses na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A figura central desse per\u00edodo (1948-1967) foi Gamal Nasser, um coronel que representava a burguesia nacionalista do Egito, que chegou \u00e0 presid\u00eancia em 1952 dando um golpe militar que derrubou ao pr\u00f3-brit\u00e2nico rei Faruk, liquidando a monarquia e conseguindo a retirada das tropas brit\u00e2nicas, al\u00e9m de iniciar uma reforma agr\u00e1ria. Em sua etapa de ascenso nacionalizou o canal de Suez (1956) e ajudou \u00e0 guerrilha da FLN &#8211; Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional -, na Arg\u00e9lia, para que o povo argelino se tornasse independente da Fran\u00e7a (1962). Da mesma forma enfrentou a monarquia pr\u00f3-ianque da Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen do Norte, onde havia come\u00e7ado uma revolu\u00e7\u00e3o antimon\u00e1rquica. Com algumas diferen\u00e7as, o nasserismo teve pontos de contato com o peronismo argentino ou o movimento encabe\u00e7ado por L\u00e1zaro C\u00e1rdenas no M\u00e9xico, com a diferen\u00e7a de que Nasser se converteu em um l\u00edder de toda a regi\u00e3o. Lan\u00e7ou a doutrina que se chamou o \u201cpan-arabismo\u201d, que afirmava que todo o mundo \u00e1rabe era uma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o desmembrada pelo imperialismo.<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses seguiram o caminho do nasserismo e alcan\u00e7aram sua independ\u00eancia. Partidos e l\u00edderes nacionalistas burgueses triunfaram na S\u00edria (com quem o Egito se uniu por um breve tempo formando a Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida), no Iraque e os que depois triunfaram na Arg\u00e9lia com Bem Bella, na L\u00edbia com Kadaffi ou na Tun\u00edsia com Bourdiga, que em 1956 se tornou independente da Fran\u00e7a. Saddam Hussein, no Iraque, assim como o atual regime de Bashar Al Assad, surgiram destes movimentos nacionalistas que tamb\u00e9m tinham a caracter\u00edstica de correntes pol\u00edticas laicas (n\u00e3o religiosas).<\/p>\n<p>Em 1967, Israel, avalizado pelos EUA, lan\u00e7ou um ataque demolidor contra o Egito, com a chamada \u201cGuerra dos 6 dias\u201d, que golpeou duramente Nasser, que faleceu tr\u00eas anos depois. Seu sucessor, Sadat, seguiu um curso abertamente capitulador ao imperialismo e abriu o pa\u00eds aos investimentos estrangeiros.<\/p>\n<p>Em 1978, Sadat concretizou a grande trai\u00e7\u00e3o assinando com Israel o Acordo de Camp David. Chamou-se assim porque foi assinado na resid\u00eancia de campo do presidente dos EUA, que era ent\u00e3o Carter.\u00a0 O acordo significou o reconhecimento diplom\u00e1tico do estado de Israel pelo Egito. At\u00e9 ent\u00e3o nenhum governo \u00e1rabe o havia reconhecido. A capitula\u00e7\u00e3o foi de tal magnitude que a mesma Liga \u00c1rabe, com Ar\u00e1bia Saudita \u00e0 frente, expulsou o Egito de suas fileiras. Sadat morreu em 1981 crivado de balas por disparos de oficiais isl\u00e2micos de seu exercito. Mubarak foi seu sucessor.<\/p>\n<p>Sadat e, em seguida, Mubarak, foram a express\u00e3o clara do fracasso do nacionalismo burgu\u00eas \u00e1rabe e sua transforma\u00e7\u00e3o em agente do imperialismo, aplicando ajustes e reprimindo seus povos.<\/p>\n<p>Este foi tamb\u00e9m o destino dos movimentos nacionalistas da Arg\u00e9lia, Tun\u00edsia, L\u00edbia e S\u00edria. Novamente o nacionalismo burgu\u00eas\u00a0 mostrou seus limites e que n\u00e3o \u00e9 sa\u00edda para os povos na medida em que n\u00e3o rompe com o capitalismo. O sonho de Nasser de uma \u201cunidade \u00e1rabe\u201d anti-imperialista e contra Israel fracassou, porque cada burguesia se dedicou a defender seus interesses como burguesias locais. Nunca quiseram a unidade de seus povos para enfrentar Israel e o imperialismo. Muitos destes regimes e l\u00edderes (Kadaffi, Mubarak, Bem Ali), odiados por seus povos, terminaram sendo derrubados nas revolu\u00e7\u00f5es de 2011. Bashar al Assad \u00e9 parte deste mesmo processo.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o iraniana e o auge das corrente isl\u00e2micas<\/strong><\/p>\n<p>Frente ao fracasso das dire\u00e7\u00f5es nacionalistas \u00e1rabes, o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o iraniana em 1979 causou um grande impacto nas massas \u00e1rabes e isl\u00e2micas da regi\u00e3o. Diante do desprestigio das dire\u00e7\u00f5es tradicionais da regi\u00e3o, a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3 apareceu como uma alternativa para a luta contra o imperialismo e Israel. Enquanto em 1979 Sadat assinava o reconhecimento de Israel, o regime que derrubou o X\u00e1 aparecia como radical, contra os EUA e Israel. A partir de ent\u00e3o cresceria a influ\u00eancia dos movimentos isl\u00e2micos no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio, como o Hezbollah no L\u00edbano e o Hamas entre os palestinos, entre outros.<\/p>\n<p>A nova Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, encabe\u00e7ada pelo aiatol\u00e1 Komeini, era fruto n\u00e3o somente do choque da burguesia comercial xiita de Bazar com o velho regime mon\u00e1rquico pr\u00f3-ianque, como tamb\u00e9m das grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massas que tiveram como protagonista destacada a classe trabalhadora iraniana. Surgiram \u00f3rg\u00e3os de duplo poder como os shoras que foram uma vers\u00e3o iraniana de conselhos oper\u00e1rios unidos \u00e0 juventude revolucion\u00e1ria iraniana.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o burguesa e reacion\u00e1ria, baseada no fundamentalismo religioso do regime dos aiatol\u00e1s, manteve durante d\u00e9cadas certa independ\u00eancia pol\u00edtica do imperialismo. Mas, ao mesmo tempo foi lan\u00e7ando uma ofensiva reacion\u00e1ria em seu pa\u00eds que foi liquidando o duplo poder dos shoras e eliminando a ala democr\u00e1tica e revolucion\u00e1ria do processo. Manteve uma dura repress\u00e3o ao povo trabalhador, \u00e0 esquerda, \u00e0s mulheres, \u00e0s minorias nacionais (curdos, \u00e1rabes, etc.), cortando as liberdades. A isto se somou seu papel cada vez mais traidor contra os povos \u00e1rabes. Como no caso de seu apoio ao regime invasor no Iraque (2003), avalizando os colaboradores iraquianos xiitas do invasor ianque. Desta forma ganhou o \u00f3dio de milh\u00f5es de iraquianos sunitas e de outros povos da regi\u00e3o. Enquanto os EUA o qualificavam como o \u201ceixo do mal\u201d, eles pactuavam secretamente com o imperialismo para dar a ben\u00e7\u00e3o a repressores como o primeiro ministro, o xiita Maliki, que rec\u00e9m renunciou em 2014 em meio \u00e0 derrocada do Iraque.<\/p>\n<p>Isto explica que finalmente, no final de 2013, tornaram-se p\u00fablicas as negocia\u00e7\u00f5es e o acordo EUA-Ir\u00e3. Um novo acordo contrarrevolucion\u00e1rio que serviu para aumentar o isolamento da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, j\u00e1 que o Ir\u00e3 \u00e9, com a R\u00fassia, a ponta de lan\u00e7a de Bashar al Assad, a ponto de o pr\u00f3-iraniano Hezbollah do L\u00edbano passar a apoiar militarmente, com seus milicianos, o ditador s\u00edrio.<\/p>\n<p>Tudo isto foi fazendo com que a dire\u00e7\u00e3o burguesa isl\u00e2mica xiita do Ir\u00e3 deixasse de ser um polo de atra\u00e7\u00e3o para os povos e lutadores da regi\u00e3o. At\u00e9 amplos setores dos trabalhadores e a juventude iraniana foram se rebelando contra este regime, como ocorreu nas mobiliza\u00e7\u00f5es massivas de 2008-09.<\/p>\n<p>O \u00f3dio ao imperialismo e \u00e0s suas agress\u00f5es criminosas (apoio a Israel, Afeganist\u00e3o, Iraque, Som\u00e1lia, etc) combinado com as reiteradas trai\u00e7\u00f5es das dire\u00e7\u00f5es burguesas \u00e1rabes e isl\u00e2micas, o papel nefasto do stalinismo e a aus\u00eancia de uma esquerda revolucion\u00e1ria forte, tem sido o caldo de cultura para que fossem crescendo, desde os anos 90, as mais variadas fra\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas reacion\u00e1rias, muitas delas de a\u00e7\u00e3o terrorista. Movimentos teocr\u00e1ticos e reacion\u00e1rios das mais variadas formas (desde os talib\u00e3s do Afeganist\u00e3o at\u00e9 o atual ISIS, passando pelo Al Qaeda ou a Frente Al Nusra da S\u00edria) que aplicam m\u00e9todos aberrantes contra seus pr\u00f3prios povos, seus opositores e \u00e0s mulheres, gerando maior divis\u00e3o e confus\u00e3o nas massas do mundo em luta contra o imperialismo e contra os regimes reacion\u00e1rios da regi\u00e3o e o sionismo.<\/p>\n<p><strong>As revolu\u00e7\u00f5es de 2011 e o problema da dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As revolu\u00e7\u00f5es triunfantes do Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio abriram um novo per\u00edodo revolucion\u00e1rio na regi\u00e3o. Iniciaram-se na Tun\u00edsia (janeiro) e se alastraram como um pavio de p\u00f3lvora ao Egito, L\u00edbia e logo \u00e0 S\u00edria. Ecoaram no I\u00eamen e no Barein, mas, terminaram por n\u00e3o se concretizar. Foram triunfos de revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas contra velhos regimes ditatoriais que aplicavam os planos das multinacionais e do FMI. Foi o que popularmente se conheceu como a \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d. As mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias das massas derrubaram as velhas ditaduras dos ex-movimentos nacionalistas burgueses e de l\u00edderes como Kadaffi, que com o tempo passaram a ser agentes do imperialismo, fechando este ciclo. Mas, tamb\u00e9m colocou em evid\u00eancia que, tampouco o islamismo pol\u00edtico, que crescera com a revolu\u00e7\u00e3o iraniana, foi uma alternativa. Pelo contrario, esses setores isl\u00e2micos burgueses n\u00e3o apoiaram o in\u00edcio das revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes.\u00a0 Por exemplo, a Irmandade Mul\u00e7umana (IM), no Egito, n\u00e3o a apoiava. Passaram a apoi\u00e1-la ao ver que suas bases se somavam \u00e0 Pra\u00e7a Tahir e era inevit\u00e1vel a queda de Mubarak. O mesmo ocorreu com os isl\u00e2micos tunisianos. O Ir\u00e3 nunca expressou seu apoio e, de fato, se op\u00f4s, j\u00e1 que temia que essa revolu\u00e7\u00e3o chegasse \u00e0s suas fronteiras. At\u00e9 o Hamas chegou a reprimir as marchas de apoio do povo palestino \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o do povo eg\u00edpcio.<\/p>\n<p>Tratou-se de uma revolu\u00e7\u00e3o que surgiu pela base, dos trabalhadores, da juventude e dos setores populares. Teve um alto grau de espontaneidade. Se fez contra os regimes e todas as velhas dire\u00e7\u00f5es burguesas laicas ou religiosas.<\/p>\n<p>Por falta de uma dire\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria n\u00e3o tiveram continuidade at\u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. Trataram-se de revolu\u00e7\u00f5es inacabadas. Essa aus\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m permitiu que grupos pol\u00edticos das burguesias isl\u00e2micas (a IM no Egito e o Ennahda na Tun\u00edsia) se apossassem do poder, dirigindo as revolu\u00e7\u00f5es para congel\u00e1-las ou desvia-las.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase quatro anos, com todas suas desigualdades, estes processos se debatem entre a continuidade da revolu\u00e7\u00e3o ou a contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Novamente, como ao largo de toda a hist\u00f3ria dos povos \u00e1rabes e do Oriente M\u00e9dio, o grande problema \u00e9 o da dire\u00e7\u00e3o. Neste caso, a aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria que enfrente e derrote a contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe uma contraofensiva contrarrevolucion\u00e1ria em curso. Iniciada pela ditadura de Bashar al Assad com sua tentativa de genoc\u00eddio em massa. No entanto, depois de tr\u00eas anos de guerra civil e de massacres, o regime n\u00e3o conseguiu terminar com a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria. Somou-se o Egito com o golpe militar de 2013, que aproveitou o \u00f3dio das massas contra o governo de Mursi da IM, para instalar um governo civil-militar repressor e aliado dos EUA e Israel.<\/p>\n<p>Nesta contraofensiva se unem os mais diversos protagonistas que temem as massas e as novas revolu\u00e7\u00f5es. O imperialismo ianque, a UE, Israel, Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, Turquia e Egito, com seus diversos interesses em jogo. R\u00fassia, Ir\u00e3 e Venezuela apoiando a ditadura s\u00edria. Obama pactuando com o Ir\u00e3 e avalizando o governo c\u00edvel-militar do general Sissi no Egito, que reprime o seu povo e boicota a resist\u00eancia palestina. Ir\u00e3 que avaliza os bombardeios no Iraque porque quer terminar com as rebeli\u00f5es e evitar que chegue uma \u201cprimavera\u201d em seu pa\u00eds. Pela mesma raz\u00e3o, mas aparentemente por outro caminho, Ar\u00e1bia Saudita e Qatar com suas monarquias sunitas deixam correr a oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria para aparentar imparcialidade no conflito.<\/p>\n<p>Apesar desta contraofensiva imperialista e de seus aliados, e dos golpes que j\u00e1 produziram, ainda assim o processo revolucion\u00e1rio n\u00e3o tem sido derrotado. Os povos e os trabalhadores seguem lutando. Na S\u00edria seguem combatendo a Bashar; no Egito, em que pese o golpe militar, tem ocorrido novas greves e mobiliza\u00e7\u00f5es e na Tun\u00edsia, que foi o ber\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o, o movimento oper\u00e1rio tunisiano segue intacto e os setores mais reacion\u00e1rios n\u00e3o conseguiram gerar um s\u00f3 golpe como o do Egito nem um caos como na L\u00edbia.<\/p>\n<p>Na Tun\u00edsia a esquerda tunisiana e setores sindicais independentes possuem muito peso. A UGTT segue sendo uma central oper\u00e1ria, com uma dire\u00e7\u00e3o majoritariamente reformista, mas que permanece uma organiza\u00e7\u00e3o de referencia. No Egito, o Movimento 6 de Abril, protagonista destacado da queda de Mubarak, n\u00e3o apoia a ditadura do general Sissi, e \u00e9 perseguido por ele, existem setores de esquerda trotskista e sindicatos independentes. O setor dos heroicos rebeldes da S\u00edria que n\u00e3o est\u00e3o com o reacion\u00e1rio ISIS e os combatem e, junto a eles, existem milhares de lutadores que s\u00e3o a base para seguir dando a batalha estrat\u00e9gica de construir uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que possa encabe\u00e7ar a combatividade hist\u00f3rica dos povos \u00e1rabes e do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p><strong>Pa\u00edses artificiais<\/strong> (box)<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio e no Norte de \u00c1frica de guerras civis, interven\u00e7\u00f5es imperialistas, mis\u00e9ria ou destrui\u00e7\u00e3o social e cultural s\u00f3 pode ser explicada pelo papel predat\u00f3rio dos v\u00e1rios imperialismos e do capitalismo. O que se conhece como mundo \u00e1rabe e isl\u00e2mico foi dividido ao capricho das v\u00e1rias pot\u00eancias imperialistas ao longo da hist\u00f3ria para se apropriarem das suas riquezas, especialmente do petr\u00f3leo. \u201cDividir para governar\u201d tem sido o lema.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XV, os turcos conquistaram parte da regi\u00e3o e estabeleceram o Imp\u00e9rio Otomano. J\u00e1 no s\u00e9culo XIX os franceses invadiram a Arg\u00e9lia, a Tun\u00edsia e o Marrocos. A It\u00e1lia tomou a L\u00edbia. Os Ingleses o Egito e e o Sud\u00e3o. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), antes da queda do imp\u00e9rio liderado pelos turcos, aliados \u00e0 Alemanha, os imperialistas europeus e norte-americanos dedicaram-se \u00e0 divis\u00e3o. A Gr\u00e3-Bretanha e a Fran\u00e7a assinaram o acordo secreto Sykes-Picot, pelo qual os ingleses ficaram com o Iraque, a Jord\u00e2nia e a Palestina; e a Fran\u00e7a com a S\u00edria e o L\u00edbano. \u00c9 preciso lembrar que o famoso Lawrence da Ar\u00e1bia foi um oficial brit\u00e2nico que liderou uma rebeli\u00e3o \u00e1rabe contra os turcos, a fim de favorecer a coroa inglesa. Em 1917, as tropas inglesas tomaram Bagd\u00e1 e Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Os bandidos imperialistas tra\u00e7aram fronteiras ditadas pelos seus interesses e criaram pa\u00edses, muitos artificiais, ou protectorados para controlar o petr\u00f3leo. Principalmente a cria\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita, do Kuwait, do Catar e dos Emirados \u00c1rabes. A Ar\u00e1bia Saudita s\u00f3 foi \u201cfundada\u201d como pa\u00eds em 1932 pelo guerreiro Ibn Saud, que lhe deu o seu nome, apoiado pela Standard Oil da Calif\u00f3rnia, que derrotou os hachemitas que controlavam a regi\u00e3o desde a d\u00e9cada de 1920, apoiados pelos ingleses. Desde ent\u00e3o, rege a unidade saudita, Standart Oil e Texaco.<\/p>\n<p>Em 1926 a Fran\u00e7a invadiu a S\u00edria e dividiu o seu territ\u00f3rio, criando a \u201crep\u00fablica independente\u201d do L\u00edbano, fazendo um acordo com a burguesia da minoria crist\u00e3 maronita, os drusos, xiitas e sunitas.<\/p>\n<p>As fronteiras artificiais fizeram com que muitos povos ficassem sem terras e oprimidos em v\u00e1rios pa\u00edses. Um caso claro \u00e9 o dos palestinos cujo territ\u00f3rio foi usurpado desde 1948 por Israel. Outro caso \u00e9 o dos curdos, que nunca foram autorizados a formar um pa\u00eds. S\u00f3 as massas populares e os trabalhadores poder\u00e3o liderar a luta pela unidade e independ\u00eancia dos povos do Norte de \u00c1frica e do M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><strong>Arafat e a OLP<\/strong> (box)<\/p>\n<p>Como parte do processo de luta contra o imperialismo e Israel foi o surgimento da OLP em 1964. Mas se tratou de uma lideran\u00e7a pol\u00edtica que foi capitulando e aprofundando a crise de dire\u00e7\u00e3o dos Palestinos e do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Sob a lideran\u00e7a de Arafat, na d\u00e9cada de 1970, a OLP tornou-se a organiza\u00e7\u00e3o nacional, laica e n\u00e3o racista do povo palestino desterritorializado. Surgiu como um movimento de combatente de massa que lutarvam a partir dos campos onde estavam refugiados, na Jord\u00e2nia e depois no L\u00edbano. Os combatentes da OLP tornaram-se a lideran\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 dos palestinianos, mas tamb\u00e9m das massas desses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua grande influ\u00eancia tiveram a oportunidade na d\u00e9cada de 70, no meio de uma onda de lutas, \u00e0 frente daquele povo, de tomar o poder, substituindo os governos pr\u00f3-imperialistas do rei Hussein da Jord\u00e2nia e do L\u00edbano.<\/p>\n<p>Mas a lideran\u00e7a de Arafat op\u00f4s-se a isto, para n\u00e3o romper com as burguesias \u00e1rabes, que subsidiaram a OLP. O que levou a duras derrotas quando os combatentes foram expulsos da Jord\u00e2nia e do L\u00edbano por tropas dos governos \u00e1rabes apoiados por Israel. Neste quadro cresceram m\u00e9todos terroristas urbanos, com a\u00e7\u00f5es equivocadas e desesperadas, que n\u00e3o ajudaram em nada a causa palestina e foram utilizadas pelo sionismo.<\/p>\n<p>Arafat e a lideran\u00e7a da OLP acabaram por abandonar a consigna hist\u00f3rica de um Estado Palestino laico, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista e pelo fim de Israel. Finalmente, em Setembro de 1993, a OLP assinou o Acordo de Oslo com o primeiro-ministro israelita Rabin e os EUA, reconhecendo Israel e a autonomia palestina parcial em Gaza e na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Toda este giro foi enfraquecendo e fazendo com que a OLP entrasse em crise. O que levou, no calor da Intifada de 1987, ao surgimento de um movimento de oposi\u00e7\u00e3o palestina como o Hamas, uma corrente isl\u00e2mica, que lhe tomou parte da sua base, controlando Gaza. O Hamas nasceu opondo-se aos acordos de Oslo e exigindo o fim do Estado de Israel. Embora nos \u00faltimos anos esta afirma\u00e7\u00e3o tenha sido relativizada. Ao contr\u00e1rio do slogan de uma Palestina secular, o Hamas reivindica erradamente a instala\u00e7\u00e3o de um Estado isl\u00e2mico teocr\u00e1tico e religioso.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><strong>O papel da ex-URSS<\/strong> (Box)<\/p>\n<p>Em todo este processo, a pol\u00edtica da burocracia do Partido Comunista da ex-URSS desempenhou um papel contra-revolucion\u00e1rio. Em 1948 votou a favor da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Depois seu apoio econ\u00f3mico e militar ao nasserismo, como os regimes da L\u00edbia, da S\u00edria ou do Iraque, foi na verdade um apoio aos seus governos burgueses enquanto eles amarravam as massas \u00e0s suas ditaduras. Neste quadro, a pol\u00edtica do stalinismo levou os partidos comunistas locais a seguirem as lideran\u00e7as burguesas, nacionalistas e religiosas.<\/p>\n<p>Em 1979, quando ocorreu a revolu\u00e7\u00e3o iraniana, o governo da URSS n\u00e3o s\u00f3 se op\u00f4s, mas procurou neutraliz\u00e1-la invadindo o Afeganist\u00e3o para tentar conter a rebeli\u00e3o mu\u00e7ulmana que amea\u00e7ava invadir as suas rep\u00fablicas do sul. O que gerou uma resist\u00eancia afeg\u00e3 liderada por uma guerrilha isl\u00e2mica, os \u201cmujahideen\u201d, financiada pela CIA. Uma mistura de fan\u00e1ticos religiosos e anticomunistas. Em 1989 conseguiram expulsar o ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico. Desse processo surgiria o Talib\u00e3. Agora surge o paradoxo de que esta monstruosidade reacion\u00e1ria, que abrigou a Al Qaeda e que na \u00e9poca era incentivada pelos Estados Unidos, acabou sendo a for\u00e7a popular que combate os \u201cfuzileiros navais\u201d invasores.<\/p>\n<p>Os atuais seguidores da burocracia sovi\u00e9tica, a lideran\u00e7a do PC de Cuba e do PSUV da Venezuela, n\u00e3o apoiaram as revolu\u00e7\u00f5es de 2011 e defenderam ditadores como Kadaffi ou Bashar Al Assad como \u201canti-imperialistas\u201d. Enquanto, o chefe do regime capitalista russo, o antigo membro do KGB, Vladimir Putin, \u00e9 o apoio econ\u00f3mico e militar do genocida Bashar al Assad.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p><strong>Ar\u00e1bia Saudita e as monarquias petroleiras (Box)<\/strong><\/p>\n<p>Ar\u00e1bia Saudita conta com uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 29 milh\u00f5es de habitantes. \u00c9 o primeiro produtor de petr\u00f3leo do mundo. Tem um regime ultrarreacion\u00e1rio, agente dos EUA e s\u00f3cio das multinacionais. Trata-se de uma monarquia com poderes absolutos que aplica a Sharia, a lei isl\u00e2mica, onde, por exemplo, as mulheres t\u00eam seu direito ao trabalho restringido, n\u00e3o podem sair sozinhas de suas casas, n\u00e3o podem conduzir ve\u00edculos, s\u00f3 passaram a poder votar a partir de 2011 e se reprime toda forma de oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Qatar \u00e9 outra monarquia absoluta. Foi um min\u00fasculo protetorado brit\u00e2nico at\u00e9 que pactuou sua independ\u00eancia em 1971. Possui uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 2 milh\u00f5es, mas somente 250.000 destes s\u00e3o qataris, a maior parte de seus habitantes s\u00e3o estrangeiros que trabalham e vivem ali explorados com sal\u00e1rios de mis\u00e9ria. S\u00e3o em grande parte oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil que fazem os est\u00e1dios para a Copa do Mundo de 2022. Qatar possui a terceira maior reserva mundial de g\u00e1s natural. Seus xeiques s\u00e3o uma oligarquia ultra milion\u00e1ria que investem em constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios com ar condicionado porque as temperaturas chegam a 50\u00ba C. E investem, por exemplo, milh\u00f5es de euros, associando-se a clubes como Barcelona e Paris Saint Germain, entre outros.<\/p>\n<p>Os Emirados \u00c1rabes Unidos s\u00e3o compostos por sete emirados: Dubai, Abu Dhabi, entre eles. Foi um protetorado do Reino Unido at\u00e9 1971. Possui 8.200.000 habitantes. Al\u00e9m de dar-se ao luxo de contratar Maradona, tamb\u00e9m, por exemplo, compraram o Manchester City, adquirido em 2008 por Mansour Bin Zayed Al-Nahyan, integrante da fam\u00edlia real de Abu Dhabi.<\/p>\n<p>Tem-se a certeza que tanto os xeiques da Ar\u00e1bia Saudita como os do reino de Qatar teriam facilitado o financiamento do ISIS. Como \u00e9 que agora estes mesmos xeiques integram a \u201ccoaliz\u00e3o\u201d para combater o ISIS junto aos EUA? Como explicar esta aparente contradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nada novo que estas monarquias ultrarreacion\u00e1rias, em especial a Ar\u00e1bia Saudita, usem seus milion\u00e1rios recursos para financiar diversos grupos ideol\u00f3gicos e us\u00e1-los para seus fins, que \u00e9 sustentar seus cl\u00e3s familiares burgueses no poder. Mas, nunca mudaram sua ess\u00eancia de estar a servi\u00e7o do imperialismo e da contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os sauditas financiaram em dado momento \u00e0 OLP de Arafat. Por isso apoiavam os palestinos? N\u00e3o. Por essa via buscavam controlar a sua dire\u00e7\u00e3o, condicion\u00e1-la e, por sua vez, ficar bem com seu povo que odeia Israel. Nos anos 1980 financiaram o Iraque na guerra contra o Ir\u00e3, que \u00e9 outra burguesia petroleira rival e, logo depois, apoiaram a invas\u00e3o ianque ao Iraque. Financiaram, junto \u00e0 CIA, a guerrilha isl\u00e2mica afeg\u00e3 em uma cruzada anticomunista, da qual fez parte Bin Laden, filho de uma das mais ricas fam\u00edlias sauditas. Agora o fazem com os rebeldes s\u00edrios, em especial com o ISIS. Por esta via colocaram uma cunha contrarrevolucion\u00e1ria para dividir e condicionar os rebeldes. Para isto, os sauditas e o Qatar investiram no ISIS.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-.<\/p>\n<p><strong>Sunitas e Xiitas<\/strong>\u00a0(Box)<\/p>\n<p>Os dois ramos principais do Isl\u00e3 s\u00e3o os sunitas e os xiitas.\u00a0 Diz-se que a divis\u00e3o se originou depois da morte de Maom\u00e9, no ano de 632, a partir das disputas sobre a sucess\u00e3o.\u00a0 Hoje em dia os sunitas, que se consideram a ala \u201cortodoxa\u201d, constituem cerca de 85% dos mul\u00e7umanos. Calcula-se que s\u00e3o quase 1500 milh\u00f5es no mundo.<\/p>\n<p>Existiu sempre, como em outras religi\u00f5es, uma disputa de car\u00e1ter religioso, neste caso sobre a interpreta\u00e7\u00e3o do Cor\u00e3o. H\u00e1 quem atribua uma origem religiosa aos conflitos armados atuais como as anteriores guerras ou confronta\u00e7\u00f5es nacionais. Na realidade, nem o atual conflito no Iraque e na S\u00edria nem as anteriores guerras possu\u00edam origem religiosa. Trata-se de uma disputa pol\u00edtica entre distintos setores burgueses do Oriente M\u00e9dio por seu poder de influencia e o controle do petr\u00f3leo, do g\u00e1s e das riquezas naturais para negociar em melhores condi\u00e7\u00f5es com o imperialismo e as multinacionais. O imperialismo sempre tem usado essas rivalidades e Israel para tratar de exercer seu dom\u00ednio.<\/p>\n<p>A monarquia da Ar\u00e1bia Saudita tem se mostrado sempre como a cabe\u00e7a da burguesia sunita da regi\u00e3o. A comunidade mu\u00e7ulmana xiita, ainda que minorit\u00e1ria, possui, desde 1979, o peso por governar o Ir\u00e3, um pa\u00eds com cerca de 80 milh\u00f5es de habitantes e de grandes reservas de hidrocarbonetos (quarta reserva de petr\u00f3leo e primeira de g\u00e1s a n\u00edvel mundial).<\/p>\n<p>Desde sempre, ambas, potencias petroleiras regionais, se confrontaram pelo petr\u00f3leo e seus mercados ao calor da influencia do imperialismo. Os choques e as disputas cresceram a partir da revolu\u00e7\u00e3o iraniana. A Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3, dominada pelo regime teocr\u00e1tico da burguesia xiita, surgiu como um regime burgu\u00eas com fortes atritos com o imperialismo norte-americano. Pretendeu se desenvolver como uma burguesia relativamente independente tratando de impor sua influencia em outros pa\u00edses como Iraque ou o L\u00edbano. Ar\u00e1bia Saudita e seu regime ditatorial temeu que uma onda isl\u00e2mica xiita causasse uma rebeli\u00e3o dentro de suas fronteiras. Por isso, se aliou aos ianques nos anos 1980 para tratar de derrotar o regime iraniano e financiou, por exemplo, o Iraque, quando este lan\u00e7ou uma guerra falida contra o Ir\u00e3. Por isso agora, financiou, em parte, o ISIS na S\u00edria, para debilitar Bashar Al Assad, um aliado do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Ainda que tenham essas disputas, agora Ir\u00e3 e Ar\u00e1bia Saudita atuam para tratar de derrotar a onda revolucion\u00e1ria da \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d. O que n\u00e3o querem, nem os aiatol\u00e1s nem os xeiques, \u00e9 que haja uma \u201cprimavera\u201d, uma rebeli\u00e3o popular dentro de suas fronteiras, que leve a questionar seu poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do nasserismo ao islamismo pol\u00edtico Por Miguel Sorans (originalmente publicado na Correspond\u00eancia Internacional n\u00b035, Dezembro de 2014 \u2013 UIT-QI) A hist\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica \u00e9 a hist\u00f3ria de heroicas lutas, de choques entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o. 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