

	{"id":16607,"date":"2015-07-23T11:17:07","date_gmt":"2015-07-23T14:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/?p=16607"},"modified":"2024-12-20T11:18:24","modified_gmt":"2024-12-20T14:18:24","slug":"declaracao-de-istambul-rompamos-o-bloqueio-a-revolucao-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2015\/07\/23\/declaracao-de-istambul-rompamos-o-bloqueio-a-revolucao-siria\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o de Istambul: Rompamos o bloqueio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria"},"content":{"rendered":"<p>Com o povo da S\u00edria: abaixo Bashar, ISIS e as interven\u00e7\u00f5es imperialistas<\/p>\n<p>Istambul, 12 de julho de 2015<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2011, na onda revolucion\u00e1ria desencadeada na regi\u00e3o, os trabalhadores, os jovens e camponeses s\u00edrios sa\u00edram massivamente \u00e0s ruas contra o regime ditatorial de Bashar AlAsad, que respondeu as manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas com uma feroz repress\u00e3o: pris\u00f5es, torturas, barris explosivos, armas qu\u00edmicas lan\u00e7adas contra os bairros populares. Quatro anos depois, o povo paga um alto pre\u00e7o por sua luta por liberdade: mais de 300 mil mortos, 95% nas m\u00e3os das for\u00e7as de Asad. O n\u00famero de feridos, presos e desaparecidos \u00e9 ainda desconhecido, ainda que poderia se estimar em pelo menos meio milh\u00e3o no total. O n\u00famero de presos se estima em mais de 200 mil, e se poderia descobrir que esse n\u00famero \u00e9 ainda maior. Milhares de povoados e aldeias destru\u00eddas, mais de 11 milh\u00f5es obrigados a abandonar suas casas, inclu\u00eddos quatro milh\u00f5es de refugiados fora do pa\u00eds. Cifras terr\u00edveis que mostram o sofrimento causado por este regime sangrento, utilizando todo seu arsenal mortal contra seu povo para se manter no poder. O mesmo regime que imp\u00f4s pol\u00edticas neoliberais contra os trabalhadores, os jovens e camponeses pobres. Mas o fato de que continue a resist\u00eancia contra esta m\u00e1quina de \u00f3dio de classe, mostra a determina\u00e7\u00e3o da luta do povo. Prova disso \u00e9 a atividade dos comit\u00eas e os conselhos locais, e as manifesta\u00e7\u00f5es nas zonas liberadas, ou a atividade nas redes sociais. Saudamos em especial o importante papel das mulheres, que se incorporaram \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o desde o primeiro dia e que ser\u00e3o centrais na vida pol\u00edtica de uma S\u00edria livre e democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria n\u00e3o s\u00f3 tem que enfrentar as atrocidades do regime; enfrenta tamb\u00e9m a atua\u00e7\u00e3o do projeto reacion\u00e1rio de ISIS (Daesh, em \u00e1rabe), que surgiu como uma outra for\u00e7a na S\u00edria para destruir a revolu\u00e7\u00e3o. Se beneficiou do financiamento de armas da Ar\u00e1bia Saudita e Quatar, e da ajuda da Turquia, que abre suas portas a entrada dos combatentes. Seus enfrentamentos com o regime tem sido excepcionais, enquanto Bashar instrumentalizou os fundamentalistas como uma for\u00e7a de ataque contra a revolu\u00e7\u00e3o. Asad esvaziou as pris\u00f5es de jihadistas para ench\u00ea-las de estudantes, jovens, desempregados, opositores, camponeses, trabalhadores, blogueiros, mulheres, jornalistas e ativistas de esquerda e de Direitos Humanos. O desenvolvimento de Daesh tamb\u00e9m \u00e9 uma consequ\u00eancia do armamento da regi\u00e3o pelos Estados Unidos, e dos resultados catastr\u00f3ficos de sua pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria atravessa uma situa\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica. No plano militar, o regime retrocede e somente controla um ter\u00e7o do territ\u00f3rio. Sua exist\u00eancia depende da ajuda do Ir\u00e3 e suas mil\u00edcias, que se convertem pouco a pouco em uma esp\u00e9cie de for\u00e7a de ocupa\u00e7\u00e3o, com uma grande presen\u00e7a de generais iranianos nas for\u00e7as armadas s\u00edrias. A fragmenta\u00e7\u00e3o da elite dirigente do regime se acelera.<\/p>\n<p>Como ativistas, intelectuais e organiza\u00e7\u00f5es de esquerda na S\u00edria, pa\u00edses \u00e1rabes, Turquia, Europa e Am\u00e9rica Latina, que apoiamos a luta dos povos e suas revolu\u00e7\u00f5es, declaramos que:<\/p>\n<p>1. Apoiamos a heroica luta do povo s\u00edrio, que por desgra\u00e7a se encontra isolado frente \u00e0 m\u00e1quina assassina do regime. Denunciamos o sil\u00eancio ou a aberta cumplicidade de uma parte da esquerda internacional, que se coloca ao lado do regime e que \u00e9 respons\u00e1vel por este isolamento. Isto agravou mais a situa\u00e7\u00e3o dos que est\u00e3o lutando na S\u00edria pela liberdade e justi\u00e7a social: uma trai\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria n\u00e3o perdoar\u00e1. Apoiamos a li\u00e7\u00e3o de luta e resist\u00eancia popular: apesar de todas dificuldades, as massas na S\u00edria continuam exigindo dignidade, trabalho, p\u00e3o e liberdade. O povo curdo participou da revolu\u00e7\u00e3o desde o princ\u00edpio, visto que seus direitos eram reprimidos como o de todos os s\u00edrios e, sem d\u00favidas, o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o sup\u00f5e a conquista de seus direitos democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>2. Condenamos a interven\u00e7\u00e3o de todos os governos regionais e internacionais que s\u00e3o hostis \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria, porque sua vit\u00f3ria daria um novo sopro de esperan\u00e7a aos povos do Oriente M\u00e9dio, Magreb e mais al\u00e9m. Ir\u00e3 (com Hezbollah) e R\u00fassia colocaram \u00e0 servi\u00e7o do regime uma for\u00e7a militar sem a qual ele n\u00e3o poderia sobreviver. Turquia e os pa\u00edses do Golfo (especialmente Ar\u00e1bia Saudita e Quatar) apoiaram as for\u00e7as fundamentalistas para converter o conflito em uma guerra civil e controlar o futuro do pa\u00eds depois da queda do regime. As for\u00e7as imperialistas dos Estados Unidos e Europa est\u00e3o comprometidas em uma campanha de bombardeios na S\u00edria e no Iraque que refor\u00e7a os esquemas e rea\u00e7\u00e3o jihadista, e, ao mesmo tempo, tratam de blindar Bashar no cen\u00e1rio internacional &#8220;frente ao perigo islamista&#8221;. Tamb\u00e9m responde aos interesses de Israel, com quem o regime mant\u00e9m um estreito v\u00ednculo, em garantir a estabilidade da regi\u00e3o e assegurar sua fronteira norte. A coniv\u00eancia das for\u00e7as do regime com o ISIS (Daesh) para derrotar a resist\u00eancia dos refugiados palestinos em Yarmouk, \u00e9 somente mais um exemplo da colabora\u00e7\u00e3o objetiva do regime de Damasco com o Estado sionista.<\/p>\n<p>3. Condenamos o ISIS (Daesh) e outras for\u00e7as fundamentalistas como Jay\u00fcshalIslam ou Al-Nusra, que tamb\u00e9m est\u00e3o tratando de impor seu poder reacion\u00e1rio e extremamente violento contra os sonhos de liberta\u00e7\u00e3o enquanto prendem, sequestram e mutilam ativistas e l\u00edderes da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4. Alertamos que n\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que inclua o regime para alcan\u00e7ar os objetivos das massas mobilizados pela constru\u00e7\u00e3o de uma S\u00edria livre, democr\u00e1tica e com justi\u00e7a social. S\u00e3o estas massas as que devem decidir o destino de sua luta.<\/p>\n<p>5. Denunciamos a Europa que condena a morte milhares de refugiados, incluindo muitos s\u00edrio que fogem do massacre e n\u00e3o tem outra sa\u00edda do que arriscar suas vidas no Mediterr\u00e2neo, que se converteu na maior vala comum do mundo: os &#8220;p\u00e1rias do mar&#8221; se afogam ou se convertem nos escravos do s\u00e9culo XXI em uma Europa atingida pela crise econ\u00f4mica. Ao lado da trag\u00e9dia humanit\u00e1ria, se trata fundamentalmente de um problema pol\u00edtico.<\/p>\n<p>6. Sabemos que a luta na S\u00edria \u00e9 uma express\u00e3o da demanda pela liberdade e justi\u00e7a social a n\u00edvel regional e mundial. \u00c9 parte de uma onda internacional revolucion\u00e1ria desencadeada pela profunda crise capitalista desde 2008, que levou a uma ofensiva do imperialismo e daburguesia contra os interesses dos trabalhadores, jovens e dos pobres. A luta contra os efeitos da crise capitalista n\u00e3o pode se separar da luta contra as ditaduras. O destino da Revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria est\u00e1 ligado ao das lutas populares em Iraque, Bahrein, Egito, Tun\u00edsia, L\u00edbia, Iemen e outros pa\u00edses onde a juventude, os trabalhadores e os camponeses se rebelaram contra a opress\u00e3o e a mis\u00e9ria. Tamb\u00e9m se une \u00e0 luta dos palestinos que resistem \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o desde 1948. E para al\u00e9m da regi\u00e3o, tamb\u00e9m faz eco dos movimentos na Am\u00e9rica Latina e Europa contra o neoliberalismo, como o contundente &#8220;n\u00e3o&#8221; dos trabalhadores e da juventude na Gr\u00e9cia contra a austeridade e a ditadura da d\u00edvida.<\/p>\n<p>7. Apoiamos os comit\u00eas locais, os conselhos revolucion\u00e1rios e os grupos humanit\u00e1rios que trabalham no pa\u00eds, e as brigadas independentes do Ex\u00e9rcito S\u00edrio Livre que lutam contra o regime e os grupos fundamentalistas. E apoiamos os grupos de esquerda na S\u00edria para que se fortale\u00e7am e possam proteger e aprofundar a revolu\u00e7\u00e3o para conseguir seus objetivos originais. Sem d\u00favidas, a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria, abriria um novo caminho em toda regi\u00e3o e, mais ainda, em benef\u00edcio das lutas dos trabalhadores e das massas populares.<\/p>\n<p>Nos comprometemos a:<\/p>\n<p>1. Reafirmar nosso apoio e organizar nossa atividade para contribuir com o esclarecimento da realidade da revolu\u00e7\u00e3o, fortalec\u00ea-la e proporcionar todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis para seu triunfo.<\/p>\n<p>2. Divulgar esta declara\u00e7\u00e3o por todos os meios poss\u00edveis.<\/p>\n<p>3. Impulsionar uma campanha com o lema &#8220;Rompamos o bloqueio da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria&#8221;<\/p>\n<p>\u2013 Comemorar o segundo anivers\u00e1rio do Massacre de Goutha, de 21 de agosto de 2013, com atos p\u00fablicos nos pa\u00edses onde atuamos<br \/>\n\u2013 Organizar uma semana de solidariedade \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria entre 5 e 11 de outubro deste ano<br \/>\n\u2013 Lan\u00e7ar uma p\u00e1gina na internet\/facebook para compatilhar informa\u00e7\u00f5es e materiais.<\/p>\n<p>4. Constitu\u00edmos um Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o para por em marcha esta campanha e organizar futuras a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assinam:<\/p>\n<p>salamehKaileh \u2013 Jornalista s\u00edrio-palestino e autor marxista \u00e1rabe;<\/p>\n<p>Yasser Munif \u2013 Ativista s\u00edrio e co-fundador da Campanha Global de Solidariedade com a Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria<\/p>\n<p>Yassinal-HajjSaleh \u2013 Escritor s\u00edrio;Mansur Attassi \u2013 Plataforma Esquerda Democr\u00e1tica, S\u00edria<br \/>\n* exceto o ponto que se refere ao papel da Turquia e os pa\u00edses do Golfo.<\/p>\n<p>Adeed Nassar \u2013 Movimento de Esquerda. L\u00edbano;<\/p>\n<p>Miguel Sorans \u2013 Secretariado Internacional da Unidade Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (UIT-QI)<\/p>\n<p>G\u00f6rkemDuru \u2013 Partido da Democracia Oper\u00e1ria. Turquia (UIT-QI)<\/p>\n<p>Cristina Mas \u2013 Luta Internacionalista. Espanha (UIT-QI)<\/p>\n<p>JohannesWaardenburg \u2013 Grupo de solidariedade ativa com os s\u00edrio. It\u00e1lia<\/p>\n<p>Raoul Guzman \u2013 Grupo Socialista Internacionalista. Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Kosaro, KRD (UIT-QI). Alemanha<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o povo da S\u00edria: abaixo Bashar, ISIS e as interven\u00e7\u00f5es imperialistas Istambul, 12 de julho de 2015 Em mar\u00e7o de 2011, na onda revolucion\u00e1ria desencadeada na regi\u00e3o, os trabalhadores, os jovens e camponeses s\u00edrios sa\u00edram massivamente \u00e0s ruas contra o regime ditatorial de Bashar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16607","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16607"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16607\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}